Quarta-feira, Julho 23, 2008

CARÊNCIAS



Muito livro do Dr Spock, muitas idas à pediatra-psicopata que me odeia, muitas aulinhas de preparação para o parto, mas ninguém me explica o essencial: sou muito má pessoa e pior mãe se o que quero (não, o que quero não), se o que preciso nestes momentos da minha vida é agarrar no meu Mr. Pinheiro, ir para uma ilha no Índico (por isso da distância) e entregar-me em corpo e alma aos prazeres adultos e altamente tóxicos e drogoindependentes que matam milhões de neurónios de uma só tacada e que nos deixam à beira do encefalograma plano durante o resto da semana? Já me podem comer a orelha com essa treta do instinto maternal, pá, que a mim não me enganam: por muitas horas que se passem de perna aberta em trabalho de parto uma gaja nunca deixa de ser essa adorável urbano depressiva com leve tendência a ficar alcoolizada depois de vários e despreocupados gins tónicos à beira do bar da piscina. Sim, amigos, estou com falta de carências. É fodido passar o verão à sombra da abstinência.

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11 Comentários:

Na 4:37 PM, Blogger Isa disse...

tens bom remédio, pára de amamentar já e amanhã já podes fumar uma logo pla fresca!

 
Na 5:34 PM, Blogger Paula disse...

A verdade mesmo verdadinha, do mais translúcido que há é que não deixas de ser TU lá por seres mãe. E o que há de mais sufocante é que tudo e todos à tua volta te reduzem a essa condição ( maravilhosa, sim, sem dúvida) mas redutora. O difícil mesmo é encontrar o equilíbrio entre esses papéis. Um dia de cada vez...

 
Na 6:08 PM, Blogger Eu disse...

Subscrevo a Paula! O dificil é encontrar o equilibrio, mas consegue-se...

 
Na 6:39 PM, Blogger hm disse...

E tudo isto calhar no Verão, é tramado, eu sei: tive uma nascida a 24 de Julho e,palavra de honra, que não descansei enquanto não parei de dar de mamar (7 meses depois) e marquei fim de semana para Paris (leia-se, comer, beber e tudo o que uma mulher, ainda que mãe, tem direito). Na segunda, também nascida no Verão, estive mais conformada (o saber que se sobrevive resulta) e dediquei-me, à falta de outras ervas, à plantação de aromáticas e aplicação em cozinha provençal. Mas ainda hoje, uma das coisas que me tira do sério é que algumas pessoas me olhem como um "ET mamã" que deixou de gostar das coisas que sempre gostou lá porque delas se abstem.

 
Na 11:22 AM, Blogger Joana Pestana disse...

Vai-te habituando.
Como se não bastassem os cuidados todos com a gravidez, depois vem a amamentação.
Após quase 2 anos de abstinência, bebi um gin tónico na festa de 1 ano do meu bébé e ía caindo para o lado. (Mas soube mesmo bem...)

Ah, e há muitas outras carências.

 
Na 11:49 AM, Blogger Miss Pu disse...

Sublinho e subscrevo. Tudinho.

 
Na 4:25 PM, Blogger Álex disse...

é fodido sim, tá dito (e sabido)! agora, Dr. Spock?!!! esse gajo era o que a tua mãe lía para saber o que fazer avec toi, ou talvez não que ainda estás nos 30...Agora o guru é o Brazelton

 
Na 6:36 PM, Blogger Gostar de Viver Intensamente disse...

Costumo ler o sei blog, e acabei acompanhando o final da gravidez, e ia pensando como é que esta mulher moderna vai encarar o incio desta nova relação, não o amor que esse é inequivoco. Mas deixar de sermos livres! Essas necessidades como é que vai ser viver. Estou a compreender e posso dizer que só com o tempo se rearranja o nosso equilibrio. Tenho mais uma nota somos mães diferentes das nossas mães, não se pode pensar piores só diferentes. é nesta luta de sentimentos que vivemos. A primeira coisa que fiz depois de deixar de dar de mamar por duas vezes, foi beber o melhor vinho que tinha em casa e fumar......
Mas esse dia é também o inicio da emancipação dos nossos filhos e nossa!
Mas a cada momento eles são a nossa ALEGRIA nas coisas mais pequenas!!
Coragem e nunca comer para compensar as outras faltas. UM Abraço

 
Na 4:27 PM, Blogger FuckItAll disse...

Oh Rita, é só até acabar a amamentação, como diz a Isa - eu peguei no cigarrito e por aí fora no mesmo dia em que a criatura deixou de mamar. Ainda haverá tempo para assassinares milhões de neurónios, fica descansada.

 
Na 4:28 PM, Blogger FuckItAll disse...

Oh Rita, é só até acabar a amamentação, como diz a Isa - eu peguei no cigarrito e por aí fora no mesmo dia em que a criatura deixou de mamar. Ainda haverá tempo para assassinares milhões de neurónios, fica descansada.

 
Na 11:56 PM, Blogger Rita disse...

Spock? Foda-se ó Rita, mãe urbana mas parada nos anos 70? Deita isso fora, pá.

Quanto à «falta de carências», olha, as minhas foram satisfeitas nove meses depois do nascimento do meu boy. Dez dias em Nova Iorque, que ele tinha deixado de mamar aos seis meses (para pena minha, é certo) só com o marido. Ao sétimo já estava quase morta de saudades, mas soube-me muito bem, lá isso soube!

 

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