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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • re post proposito da radio blogue da

    Re-post a propósito da Rádio Blogue da Bomba Inteligente

    TRINTA POR CENTO

    Em Portugal trinta por cento dos deputados serão mulheres por força da lei e da maioria parlamentar. Trinta por cento, que nem é metade, nem chateia demais o cinzentismo de gravata da Assembleia e cala as vozes das feministas, essas gordas histéricas por depilar que exigem disparates como a despenalização do aborto ou a criação de mais creches públicas. Usando os valores do 25 de Abril que tanto jeitinho dão quando a valentia política não chega para mais, os responsáveis pelo desenvolvimento do meu país decidem que desta maneira absurda se resolve “esse problema” que, acham eles, é a dificuldade de acesso da mulher ao Poder. Arruma-se o decreto na prateleira das boas intenções e o país já pode continuar a debater temas de verdade, os importantes, como a falência da Segurança Social ou os filhos que ninguém quer parir, sem que nenhum dos nossos excelsos senhores deputados tenha reparado na ligação uterina desses dois assuntos à mulher.
    A metade da população do país, quando não é ignorada, é tratada com pinças, fechada num dossier que se vota, se eleva a categoria de lei e, com muita sorte, salta à imprensa como polémica fugaz. De repente não há mulher decente que se reveja no sistema de quotas, nenhuma quer ser empurrada para o gueto dos desprotegidos. Se somos iguais, porque nos querem tratar como inferiores? Acaso não estudamos, acaso não pagamos impostos e a metade da prestação da casa, da escola, da compra do supermercado, dos jantares nos restaurantes?
    O problema é que não somos iguais. A nenhum homem que eu conheça lhe perguntaram numa entrevista de emprego se tinha filhos. E a nossa República, tão masculina, está tão obcecada com o Poder que não teve os tomates para compreender que o que a nós nos tira do sério é não ter as mesmas oportunidades reais que eles. E essas oportunidades reflectem-se nas reuniões da escola, na gestão da casa, na doença dos filhos, como se o ónus da maternidade nos excluísse automaticamente de uma carreira a favor da deles. Eles caçam e nós tratamos da caverna, na esperança que as mentalidades vão mudando com tempo ou algum milagre. Mas as mentalidades também se alteram com a força da lei. A paridade não acontecerá nunca se as mulheres ganham em média quarenta por cento menos por trabalhos iguais. Essas são as percentagens que deveriam importar e não que um terço da Assembleia use saias e tenha que sair mais cedo para ir buscar os miúdos ao colégio.

    (Crónica publicada na Revista Atântico em Março de 2007)



    Por Rititi @ 2008/12/09 | 8 comentários »

  • Aidocas says:

    É tudo isso e as noites mal dormidas quando os filhos estão doentes… E no dia a seguir estamos fescas como uma alface prontas para a loucura do dia a dia !

  • Juanna says:

    Ha algum manual que explique como ser:

    - boa filha, boa aluna, boa amiga, boa namorada, boa universitaria, boa recem-licenciada, boa noiva, boa trabalhadora, boa esposa, boa dona de casa, boa puta, boa mae e..
    saber cozinhar? E ganhar muito menos que o meu conjuge, claro.

    Muitas vezes tenho a impressao que eh isso que o mundo me pede.

  • Babe says:

    População Portuguesa = 10.617.575
    Homens= 5.138.803
    Mulheres = 5.478.768
    (fonte INE – http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&userLoadSave=Load&userTableOrder=45&tipoSeleccao=1&Contexto=pq&selTab=tab1&submitLoad=true)

    Ora usando umas regrinhas de três simples,
    População Portuguesa = 10.617.575 = 100%
    Homens= 5.138.803 = 48,4%
    Mulheres = 5.478.768 = 51,6%

    Deputados na AR – 230 (=100%)
    Uma vez que toda a população portuguesa deve estar representada na AR, tenho pena, mas
    48,4% <=> 111,32
    51,6% <=> 118,68
    Seguindo as regras aceites para o arredondamento percentual, para que paridade houvesse no Parlamento Português, deveria haver 119 deputados do sexo feminino e 111 do sexo masculino…

    Mas isto seria muito difícil, não é? Por causa das listas eleitorais e tal… e pode contra-argumentar-se que só há 2 géneros na População Portuguesa, logo 50/50… o que faria que fosse necessário que nas listas eleitorais se alternassem os géneros das pessoas que vão a votos… 1 em cada 3 é a piada do século!

    115 mulheres a levantarem o rabo do couro verde-debruado-a-oiro às cinco da tarde para apanhar os infantes na creche (só pra dar o exemplo que dá a Rititi) seria bom.
    Mas 119 seria justo.
    69/230 é infame!!!

  • luanda says:

    Bem, que depressao! Mas se calhar estou so naquela altura complicada do mes… Sim, porque qualquer sentimento menos complacente com este tipo de merdas e sumariamente arrumado nesta enorme gaveta! Enfim, como diz o fantastico bruno aleixo, "a ti (mim) calhou-te coco"!

  • Vicente says:

    A cota devia ser 33%. 33% para um género, 33% para o outro género, e 33% para os transgénero

  • Discrepada says:

    69 Marias de Lurdes Rodrigues … que susto ! :)

  • Filipe says:

    Então e como é que representamos, na assembleia, a exacta e fiel percentagem de paneleiros e paneleiras? E quem é que representa aquela vasta percentagem de gente que cheira mal dos pés. E os que preferem a canzana ao missionário? E os que não gostam de arroz de pato? E os que abominam o casamento? E os que roem as unhas?
    Recorrendo a uma regrinha de 3 simples, sugiro que se amotinem e insurjam pela a presença de meio deputado que represente aquele, em extinção, género de homens que, podendo, não encorna a mulher.

    … Hm? Está de chuva? Ora merda.

  • Ventania says:

    Pertinente e sólida opinião, da qual partilho inteiramente, mas acrescento a propósito das representatividades: prefiro deputados que me representem (a mim, povo português) no meu melhor interesse e não nos interesses pessoais de meia dúzia de empresários e banqueiros, sendo homens ou mulheres. Quero que os deputados sejam gente séria e competente, quero lá saber se têm pila ou rachinha…

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