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Rititi

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INÍCIO

  • nesta minha vida de andar para tras e

    Nesta minha vida de andar para trás e para a frente, de saltar fronteiras muito antes de saber de continentes, tradições e regimes políticos, neste ter aprendido a falar em duas línguas ao mesmo tempo, a ter a dois países como pátria e a entender as profundezas de cada um com mais curiosidade que histeria nacionalista, nesta interferência de gente que se descruza na vida de cada um com os seus amigos, gostos, livros, escolhas, devoções e canções favoritas, uma gaja vai aprendendo que não há verdades absolutas, que mesmo que em casa se faça vudu com a fotografia do presidente da Conferência Episcopal espanhola sabemos que às vezes rezar à nossa Senhora do Carrapito até ajuda mais do que as teorias higiénicas do laicismo poderão alguma vez legislar, que desgraçadamente não podemos dinamitar centros comerciais, campos de futebol, Felgueiras e os estúdios da TVI até porque as nossas avós seguem religiosamente as telenovelas cada tarde até bem entrada a madrugada, e aliás, acontece que há gente para tudo, porra, até daquela que tem ataques suicidas quando o Real Madrid empata, não muda de carro desde 1983, quadros de grandes empresas que só lêem livros escritos por apresentadoras de televisão, mães cujo momento alto dia é quando acendem o chribiti de erva assim que deitam os filhos, casais publicamente felizes que se encornam alarvemente e gente que apreciamos e pela que sentimos respeito e admiração social, moral e intelectual que caça perdizes, coelhos, tordos, veados, gamos e javalis nos seus tempos livres, por não falar daqueles que praticam matanças (recordo que ilegais) de porcos com um golpe seco na garganta do bicho que entretanto roja sangue e guincha e sofre horrores sem anestesia e sem que a ninguém, mais além dos burocratas de Bruxelas, lhe pareça incomodar, tal a quantidade de chouriço, morcelas e toucinhos que se enchem os corredores dos hipermercados periféricos, e sobretudo que há mais vida além da suposta burguesia urbana que é de esquerda quando lhe convém defender direitos abstractos e sobretudo longínquos, e por muito confrangedor que lhe possa parecer a esta gente que se imolaria para defender a integridade física do touro, as pessoas que enchemos as praças não somos energúmenos, analfabetos, nem filhos deficientes fruto de casamentos entre tios idosos e sobrinhas boazonas, que duvido que Vargas Llosa, Lorca, o meu pai ou o Joaquim Grave estejam ao nível dos inquisidores do séculos XVI e o que me parece ainda mais triste, de tão patético, é ver a estes iluminados dos direitos dos animais a atingirem orgasmos intelectuais com as declarações, toscas e pouco fluidas, mas profundamente honestas, de gente que vive de e para o touro, que conhece o animal melhor que qualquer organização ecologista sediada em Londres porque precisamente vive com ele no campo, sofre a falta de chuva e a escassez das pastagens, assiste nos partos, está presente na escolha e sorteio das reses para as praças de touros, transporta o animal até ao ruedo e o acompanha durante e depois da morte, quando o animal é esquartejado e enviado aos talhos. Não é desonesto, é directamente estúpido, mas isto sou, claro, que não fui ungida pela sensibilidade do amor ao animal. Deve ser isso.


    Por Rititi @ 2009/04/24 | 5 comentários »

  • cat-bloom says:

    A rititi é + + (como diz uma amiga minha ao referir-se a pessoas de sucesso), Deixe-me só dizer-lhe que não ter sido "ungida pela sensibilidade do amor ao animal" é apenas um traço que a define. Apesar de não gostar nada de touradas aprecio a diferença.
    Respeitarmo-nos por não sermos todos iguais é fixe.
    Não consigo comparar touradas a bombistas ou a messianismos extremistas ou a B16s com problemas de expressão. Pô-los todos no mesmo barco faz parecer o alinhamento do noticiário da TVI.

  • foi dançar a bossa nova says:

    eu tb não devo ter sido ungida…

  • Mariana says:

    Não é porque o touro é acompanhado por quem melhor o conhece e melhor o trata em vida que a tourada ganha razão de ser ou é justificado o sofrimento idiota e desnecessário a que é submetido o animal.
    Não gosto de touradas, como não gosto da matança do porco. Reconheço-lhes a diferença, sendo que uma é fonte de alimento, enquanto a outra nunca foi mais que fonte de diversão.
    De comer precisamos todos. Não chouriços, morcelas e presuntos, talvez. Muito menos de porcos de matança.
    De diversão também precisamos todos. Não tanto como de comer e concerteza que seremos capazes de encontrar, neste mundo tão grande, fontes dela que não impliquem a tortura bárbara dos animais. Por mais tradição que seja.

  • hey says:

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