Levanto-me às sete da manhã e em meia hora tomo banho, penteio-me de cu para o ar com um secador que aquece mais que seca, escondo as olheiras, borbulhas e marcas da vida debaixo de uma capa de cinco centímetros de maquilhagem aerodinâmica, tira-nódoas e com bífidus activo engrupida pela menina da perfumaria que vai todos os anos de cruzeiro graças às fortunas que me deixo na loja, mascaro-me de executiva sexy e no entanto agressiva com um vestido estrategicamente situado a cinco centímetros do joelho, mais a minha meia de seda, o meu colar de pérolas e o meu anel xxl, saio de casa com os saltos a saltarem-me dos pés e a mala pendurada do pescoço, apanho dois autocarros onde leio religiosamente o El País ou a Coure, dependendo da temperatura ambiente, sento-me na secretária às oito e de enfiada, sem passar pela casa de partida, atendo clientes, faço negócios, dou uma volta à agenda, engulo sapos, o que vem sendo trabalhar em definitiva, até às duas e meia, hora em que volto a apanhar dois autocarros, desta vez o vestido enrugado, a meia toda paridinha e o El País de almofada para os calos, chego a casa onde almoço, com um bocado de optimismo, as sobras do dia ou da semana anterior e às quatro da tarde vou buscar o meu filho. As tardes são dele e para ele. Reduzi horário, reduzi salário, reduzi almoços de trabalho, reduzi reuniões inúteis, e, desta já estava à espera, reduzi qualquer hipótese de aumento, promoção, reconhecimento ou palmadinha nas costas. Mas, repito, desta já estava à espera. Como também não me surpreendeu ter sido banida da agenda social, dos bares nocturnos, das festas com gente gira e magra e alta. Foi parir e adeus à fabulosa Rititi que era divertidíssima e culta e pelos visto gira e cómica e mordaz, a alma das festas, o máximo. Foi parir e chaué, assim, sem uma explicaçãozita, um desculpa lá mas afinal as tuas festas, lembras-te, aquelas a que sempre íamos, às do monte, às do apartamento, às dos teus anos, às da primavera, às do cozido, às do caralhotafoda eram uma seca imensa. De rainha da festa a rainha da fralda, eis um verdadeiro caso de redução social, que se agrava ainda mais quando se toca o tema da carreira. Porque aqui, caros leitores, fiéis seguidores e amantes do universo rititiniano, ai, aqui a vossa ídola ficou reduzida a uma dona de casa. Condescendência é pouco, agora sou uma pária laboral, como se o fabuloso mundo dos lucros, das viagens de trabalho e dos saltos em trapézio não me correspondessem por ter parado um bocadinho, por esta decisão de querer partilhar os primeiros passos, primeiros dentes, primeiros anos. Desci automaticamente à segunda divisão, às das cobardes, às das que desistiram de ser tudo, como se fosse obrigatório ser uma super mãe, super trabalhadora, super apressada, super magra, super despachada, super mártir de uma ideia de super mulher incansável e cumpridora de todas as obrigações possíveis, sem dormir, sem comer, fazendo sacrifícios em nome do feminismo universal. Trabalhar duas horas menos em nome de um filho que só é pequenino uma vez é sinónimo de desleixo profissional, pessoal e moral e isto, amigos, não o dizem só as entidades patronais, não, são as mulheres as que recriminam esta decisão pessoal como uma traição à causa da mulher perfeita, ao biquini, ao descobrimento da pílula, ao direito ao voto e ao aborto, ao Sex and the City e aos milhares de anos de luta de sexos. Claro. A ministra de Defesa, a grávida sinónimo da paridade de Zapatero, pariu e seis semanas depois já estava a comandar o exército espanhol. A Vice Presidenta Fernández de la Vega, a mulher mais importante de Espanha e a bandeira da igualdade entre sexos é solteira, não tem filhos e fala com normalidade dos sacrifícios pessoais que obviamente uma mulher tem que fazer para corresponder aos desafios que lhe são propostos. A escolhida para ser Ministra de Igualdade é uma solteira de trinta anos. Se eu trabalhasse dez horas, tivesse três empregos, dois telemóveis, uma criada interna, não comesse nem dormisse nem cagasse, se visse o meu filho a partir das oito da noite em nome de uma carreira e do êxito profissional, então mereceria todos os louvores, aplausos, o reconhecimento dos meus pares, seria uma mulher modelo, a super mãe, a super gaja. Mas não. Agora sou uma sopeira. A conciliação familiar, que por sorte está legislada e é motivo para processar empresas, chefes e pôr a mexer os sindicatos, é uma teoria bonita mas à que convém, pelo bem da reputação de cada uma de nós, nunca acolher-se. Passámos de exigir direitos de igualdade, paridade e o caneco à obrigação social de renunciar a eles. E isto, desculpem-me a franqueza, é a maior filha da putice que nos podia ter caído em cima.
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59 Comentários:
Se eu conseguisse escrever (ou falar) com metade da tua clareza, acho que tinha poupado muitos mal entendidos na vida.
Mas isso agora tb não serve de muito, não é?
Aquilo que eu vejo de mim, é que a cada ano que passa adio o ano em que vou ter filhos uns dois... e nada disto é justo.
Sendo mãe de 2 filhos pequenitos, podes deduzir que me identifico por demais com o que escreves.
É incrível com as pessoas acham que é pecaminoso sair a horas ou não perder tempo em conversas imbecis ou usar os direitos que temos.
E sim, daquilo que vejo, acho que as mulheres são muito mais intransigentes com as suas pares. E isso é terrível. Porque um filho, como dizes e bem, só é pequeno uma vez. E é nesta altura da vida deles que a sua dependência de nós é grande.
Sim, claro, se eu ganhasse o triplo do que ganho ou se tivesse um exército de avós ou tias junto a mim, até poderia, em termos práticos, dedicar mais tempo ao trabalho e menos aos meus filhos. Mas não tenho. E mesmo que tivesse, não queria, porque é agora, mais do que nunca, que eles precisam de mim.
Já esqueci isso de promoções, se até na avaliação de desempenho tive uma nota de produtividade miserável, por ter estado de licença. Já nem penso nisso, pelo menos por agora. Porque para mim ser mãe não é brincar às bonecas. É a minha maior responsabilidade. Se os outros acham que por isso sou uma incapaz, que se lixem. Não sou, mas também nem estou para me maçar com argumentações. Faço o meu trabalho, cumpro prazos, não me envergonho do que faço. Sou boa trabalhadora, sei que sou. E faço o que posso para ser boa mãe. Estou de consciência tranquila. Quanto ao resto, já me resignei...
Difícil difícil é seres tu própria a conciliar isso. Enquanto não viveres bem com a opção (a meu ver certíssima) que tomaste e enquanto não recusares um convite para jantar sem sentir que perdeste uma perninha, tudo isso vai andar em rebuliço dentro de ti.
A merda é que, nas alturas em que parece que temos as opções conciliadas vem alguém de fora fazer-nos sentir sopeiras, ou gordas ou alguém que não tem outro interesse que não seja falar de bronquiolites ou primeiros dentes. Nós sabemos falar sobre muito mais do que isso, o que custa é que nem sempre nos querem ouvir.
Pois a mim lá me conseguiram tirar meia hora, que me fazia um jeitaço para ir buscar a miuda, e por-me a sair novamente às seis, por uma questão de justiça, dizem eles. Inacreditável, não? Invejosos é o que são.
E quando voltei, a seguir ao parto, simplesmente não tinha trabalho. Não fosse eu reinvidicativa e barulhenta e talvez ainda estivesse encostada.
Nojo, é a única palavra que me vem à cabeça para definir este tipo de atitudes.
(no teu caso, essa jornada contínua não deve ser fácil. Força e felicidades!)
Se não te importas, vou fazer um link do meu blog para este teu texto. Parabéns, escreves muito bem! Continuação de boa escrita e boas tardes de desfrute com o teu filhote
Totalmente apoiado!!! Excelentemente escrito!!!
É isso mesmo que eu sinto e que colocaste tão, mas tão bem em palavras, frases, paragrafos...
O que me parece é que agora temos a obrigação de trabalhar, ser mães, etc, etc, ou seja, super-mulheres e a mim parece-me que a luta devia ser pela possibilidade de escolha (pelo menos para quem pode...). Isso sim é liberdade!!!
E como uma outra leitora vou fazer link no meu blog para este texto, que está fabuloso...
Rita,
Nao costumo deixar comentarios, mas creio que o teu testemunho pessoal é bastante elucidativo de uma situaçao que nos está a cair em cima (digo nos está por referencias a nós, gajas).
Eu, pessoalmente, nao tenho filhos mas também sentes aquela perguntazinha indirecta nas entrevistas de trabalho "nao queres, mas podes...e se calhar até queres" e olham para ti e imaginam-te logo a trazeres papeis de baixa porque o filho ficou doente, ou pedidos para sair mais cedo porque tens que ir a escola do pequeno. As leis mudam-se, mas as consciencias tardam em alterar-se. infelizmente
Creio que do teu testemunho, ha algo muito importante que se pode retirar: esta "escravidao" do icone da super mulher (magra, gira, culta, esposa, mae, dona de casa, teorias sobre design, decoraçao e cozinha ao mesmo tempo que debita opiniao sobre a crise financeira e a situaçao politica por todo o mundo, que ainda encontra tempo para ler e pensar) é absolutamente ridiculo e nós em muito continuamos a contribuir para isto.
As leis de conciliaçao nao deveriam estar pensadas para que uma mulher que opta por reducao de horario fosse "menos". estao pensadas para a "liberdade de opçao". infelizmente, é uma liberdade que tem demasiados custos. porque nao deve ser igualmente respeitada uma mulher que decide ficar em casa a cuidar dos filhos em vez de trabalhar? ou um pai?? sao opçoes tao legitimas como outras.
E já é tao dificil ser feliz, porque devemos amargar a vida dos demais com criterios absurdos e figuras ridiculas como aquelas que estamos a criar actualmente com as super mulheres?
Desculpa o desabafo, e sei que mesmo nao sendo mae, logo nao tendo experiencia directa destas questoes, tambem sou mulher...e estas merdas irritam-me.
Disfruta do teu pequeno:)
Lendo os comentários de maes e nao maes, chego à conclusao que isto é comum a todas, que é um esforço ser mae (e pai, mas ainda estou à espera de ler um texto destes ecrito por um homem).
Leio os blogues de maes e a história repete-se: a dificuldade da conciliaçao, o papel das avós, as horas que faltam.
Eu, como a Tania, nao tenho por perto uma mae, uma tia, uma sogra, NADA. Tenho que gerir o meu tempo da melhor maneira que posso e sei. Como todas, imagino, mas se tenho que escolher entre uma criada (que também nao sai gratis) que me crie o filho ou reduzir horas de escritório, nao tenho dúvidas.
Que outras fazem diferente? Melhor, ainda bem, sei lá. Aqui nao há melhores nem piores maes, e muito menos melhores e piores mulheres-
Escreveste o que sinto há já vários anos.
Uma mulher quando é mãe só vê portas a fecharem-se.É revoltante, pois temos muito para dar e somos reduzidas a merda.
E depois queixam-se do envelhecimento da população.
beijinhos e força para esta nova realidade
Mor, de sopeira NADA! De Fabutástica...TUDO! :-)
Pronto, Paulinho, tu nao contas!!!
E aliás, sou a sopeira mais magra de Madrid!!
E pensar que esta manhã ouvi uma notícia que dizia que (num país nórdico qualquer) eram mal vistos os homens que não gozavam da sua licença de paternidade. Eles lá vivem no frio e até se diz que são gente fria; mas nestas coisas dos direitos, porra, estamos a anos-luz.
Infelizmente, também tenho de concordar que as mulheres são umas madrastas umas para as outras. Que nos esmagamos mutuamente sem explicação que valha, quando poderíamos ser tão mais fortes se unidas. Uma mulher que é mãe tem tarefa dupla, sem dúvida: é mãe, não deixa de ser mulher, amiga, profissional, amante, etc. E só por isso devia ser valorizada e respeitada.
É verdade que quando se tem um filho a vida social fica presa por um fio (a menos que se tenha essa tal legião de avós e primos e tios e o diabo a quatro, ou uma conta bancária recheada,) e, no teu caso, és tão penalizada por saires duas míseras horas mais cedo para estares com o teu filho. Mas compensa. Ele só é pequeno uma vez. Tiveste-o porque o quiseste. É tão, tão natural que queiras assistir de perto ao seu desenvolvimento. Olha, parabéns pela coragem... que eu não tive.
Bjs!
Já não serve de muito mas da próxima vez compra um cão.
De modos que é isso, sem por nem tirar.
A mim não me deram horário flexível, "ou as que têm filhos iam todas querer" mais uma colega que diz que vai ter filhos para ter desculpa para não trabalhar ao fim-de-semana. De modos que é isto, aí e aqui, cambada de imbecis.
Não querendo meter a foice em seara alheia, partilho aqui duas histórias.
Um colega cumpridor dos deveres laborais certo dia recusou uma reunião fora de horas porque ia buscar a filha ao infantário, assim que virou as costas uma colega comentou "Não tem ele uma mulher que vá buscar a miúda!?" e nessa mesma empresa a chefe de RH afirmou, sem pestanejar, dar preferência aos homens porque as mulheres produzem menos durante uma semana todos os meses. Vómito.
Nisto ninguém sai inocente, ainda assim as mulheres deveriam ser mais compreensivas umas com as outras.
Brilhante, como sempre. E tão verdadeiro.
Não, querida Rititi, a maior filha da putice é querer ter horário reduzido e não conseguir, é dizer a quem quiser ouvir estou-me marimbando para as promoções e as pancadinhas nas costas, não quero saber se me acham a pior profissional do mundo mas não vou passar dez horas do meu dia a trabalhar, e, ainda assim, ser sistematicamente apanhada numa situação em que é impossível fugir dali, é ter empregos onde não há essa hipótese de reduzir horários e salários, de fazer jornada contínua ou part time - ou se está a tempo mais do que inteiro ou não se está. Mas, sim, tirando isso, tens toda a razão do mundo.
Olá :-) Cheguei aqui a partir da Pátuá... e confesso que não consegui deixar de ler assim que comecei... Estou, nesta altura, a atravessar uma fase muito ruím graças a muitas dessas ideias preconcebidas que também referiste neste post... não uso saltos altos, nem antes ía a festas com gente alta, gira e magra (ía pouco), mas trabalhava como uma mula e depois de ter o meu filho abrandei o ritmo por razões que só nós sabemos... entretanto as horas a que tenho direito por aleitação são-me reduzidas nas reuniões a que deveria estar presente... legitimamente... sim, mas há gente que olha pela esquina do olho, em jeito de altivez... antes batia-se nas costas, agora baixa-se o olhar... mer***** pra eles... estou cansada... e ainda por cima isto tudo me faz sentir, de vez em quando, cansada. Tenho essas horas porque fui mãe.
Obrigada pela maravilhosa partilha.
Fabuloso.
Concordo plenamente com as tuas palavras, pelo caso de muitas mães e mulheres de carreira (adoro a expressão) que conheço e ainda mais pelo meu próprio caso, por ser uma mãe jovem e ter decidido tirar um ano fora para ver o meu filho crescer e lhe acompanhar os passos. Não foi fácil ainda para mais tendo sido no meu caso uma gravidez não planeada, ouvi duras críticas feitas por mentes supostamente evoluídas que vaticinavam que eu nunca mais voltaria a estudar "porque quando se pára nunca mais se volta" "porque ficaste sem juventude". E sabes que mais? P*ta que as pariu a todas, estive presente no primeiro ano do meu filho, ouvi a primeira palavra, dei (e fiz) a primeira sopa (e tantas mais), ensinei-o a andar e tudo aquilo que me faz encher de orgulho e ter a certeza que não mudaria nada nas minhas opções.
Ganhei ainda mais garra para lutar por mim e por ele.
Tenho pena que o mundo laboral e a sociedade se limitem a tantos chavões relativamente às mães trabalhadoras mas tenho pena por eles, pelos outros, que não sabem o que é fazer tudo com o coração nas mãos a escorrer amor, que não entendem que não abdicamos de nada e ganhamos muito mais do que eles. Somos supermulheres (sem falsas modéstias) porque digam lá o que disserem, criar um filho é e sempre será um full-time job.
Beijinhos*
Parece que, queiramos ou nao, o mundo ainda esta dividido entre as putas e as senhoras. Assim que temos um filho passamos definitivamente a condicao de senhoras... e confesso que isso deu-me ca um amargo de boca!
Sera que ninguem concebe que as duas nao sao assim tao dispares?
Enfim, muita malta deve achar que com o afamado corte que muitas ainda levamos, no parto tambem nos cortam rente o clitoris e metade do cerebro. So metade, que o resto e preciso para as sopas e para as fraldas...
Como dizes, puta que os pariu!
Uma colega de trabalho hoje estava triste porque a sogra levou a filha (da minha colega) de 11 meses à praia pela primeira vez. A sogra contou-lhe que ela adorou a sensação da areia nos pés, contou-lhe do contentamento quando molhou os pés, das gargalhadas de felicidade e das bochechas rosadas.
E a minha colega não viu nada disso, como não viu quando a filha se sentou pela primeira vez e como provavelmente não verá os primeiros passos.
Eu não sou mãe, mas na minha modesta opinião de pessoa de fora, uma mãe que põe a carreira em segundo plano para acompanhar o crescimento de um filho, é uma heroína, e mais heroína será para o dito filho, que um dia vai crescer, pensar na infância e lembrar-se daquela pessoa que esteve sempre ali.
Se as pessoas, e principalmente as mulheres, criticam essa atitude é por inveja da coragem que foi preciso para tomar essa atitude, é por inveja de estarem sentadas o dia todo à secretária enquanto tu estás a passear no Retiro com o teu filho. Não ligues...
Entristece-me ler o teu post porque também eu sou mulher, ainda sem filhos, mas com a certeza de que no momento em que decidir tê-los estou a assinar a minha cartinha de despedimento...
É que é chato não sermos todas um gajo para partilhar piadas porcas, comentários sobre mulheres ou sobre a última capa da Playboy e ainda ir pos copos depois do trabalho, sem hora para chegar a casa.
É chato termos este defeito genético de termos de ser nós a "embalagem" da perpetuação da espécie.
E assim vamos adiando as nossas vidas!
Afinal não podemos mesmo ter tudo?
Tenho pena que ao fim destes anos todos e de tantas leis e meias-lecas_de-leis as mães continuem a ser descriminadas.
Fui empregada exemplar com promoções e prémios anuais até 1981 qdo nasceu a minha 1ª filha ... os premios e promoções passaram a ser dos outros que estavam lá com o cú na cadeira e eu em casa 3 meses e a sair 2 horas mais cedo para criar a minha filha.
18 meses depois pari o 2º filho e aí caíu o carmo e a trindade que o melhor era passar o meu trabalho a outros colegas e ficar a dar apoio.
Bati com os punhos na mesa, chamei cabrões e filhos da puta e mandei vir a Comissão de Trabalhadores (estavamos em 1983).
Fiquei com o meu trabalho mas passei a levar os aumentos gerais e só podia marcar férias depois dos outros que estavam lá todos os dias a olhar para as moscas, a ler o jornal e a roçar o cú pelas paredes.
Os miudos cresceram um pouco e foram para o colégio a 500 metros de casa.
Mudei de emprego, acabei o curso superior que estava a meio, passei a ir a almoços com os filhos atrás (os outros faziam o mesmo).
Não me arrependo nada de ter dado apoio aos meus filhos e de hoje (+ de 25 anos passados) eles me agradecerem pelo sacrifício que fiz.
PS: Hoje foi tema de conversa com o meu filho qdo o fui buscar a meio caminho do emprego p/casa por não haver Metro.
Ele dizia: As mães fazem sacrificos pelos filhos toda a vida. Um dia tb vou ser um pai assim e fez-me uma festa na mão.
Luta pelos teus direitos e dos teus filhos.
isso que vocÊs contam é uma merda e não há outra palavra.
mas não posso deixar de dar o meu testemunho que felizmente é completamente contrário ao vosso, isto só para verem que há esperança e que havemos de chegar lá todos um dia!
trabalho numa empresa onde somos todas mulheres mas o boss é homem (outro clássico)
ora bem eu tive a liberdade de escolha para o meuregresso e ele pos-me totalmente à vontade: tirei um ano de licença sem vencimento, tive direito às 2 horas sem problema e ainda me perguntou se eu queria voltar a tempo inteiro ou part time....
o gajo é sacana noutras coisas mas a conciliação vida profissional e famliar é fundamental para ele
Trabalho para o Estado, apesar de não ser funcionária pública. Depois da minha filha nascer nunca trabalhei menos 2 horas por dia, porque estava num contrato de estágio e queria entrar no quadro. Moro longe do trabalho. Amamentei até um ano com muito sacrifício. À hora de almoço ía tirar leite com uma bomba, num arquivo!! Porque não há uma sala onde se possa estar com o mínimo de privacidade para estas situações. Isto, numa instituição com mais de 1000 funcionários! Colocava o leite no frigorífico para ela beber no dia seguinte, até ela fazer um ano. Entretanto, passei a trabalhar 40 horas por semana. Saía de casa cedíssimo e à noite quando chegava só tinha tempo para cozinhar, dar-lhe banho, dar-lhe jantar e pô-la na cama (sou casada com um marido que chega tarde a casa e eu, mulher, é que tenho de tomar conta da nossa filha! Se ele começar a sair cedo do trabalho, despedem-no. Foi escolhido porque não era mulher e está tudo dito…). Fartei-me. Pedi jornada contínua e agora consigo tomar o pequeno-almoço com a família porque entro um pouco mais tarde, e saio mais cedo. Tenho tempo para as coisas da casa e para estar com a minha filha. Vou buscá-la à escola (deixou de ser tarefa da avó) e brinco muito com ela. É a minha companhia. É claro que só tenho este horário porque trabalho no Estado. Sei que as promoções me estão vedadas. Deixei de poder almoçar calmamente. Muitas vezes como uma sandes no gabinete. Mas o que mais me custou foi ter perdido amizades de mulheres por inveja, porque estão em serviços onde não podem fazer o mesmo e também têm filhos. Em vez de apoiarem, de darem força, de verem o meu caso como um exemplo para elas, pois têm o mesmo direito que eu de pedir este horário, não. Afastaram-se por pura inveja.
E nem mais, Rititi!
Infelizmente passados 4 anos, reconheço que não podemos ter tudo, é uma ilusão. Querer manter uma carreira, acompanhar um filho, ser dona de casa e estar sempre com aparência impecável é praticamente impossível e uma verdadeira pressão sobre qualquer mulher.
Felizmente, deixei de trabalhar assim que tive o meu filho, durante 1 ano e meio. Foi a melhor decisão que tomei na minha vida, só tenho pena de não ter continuado assim até ele completar 3 anos...
Infelizmente, vi amigos até que me olharam de soslaio pela minha decisão, até hoje não compreendo porquê! Porque de uma coisa não tenho dúvidas: ser mãe ( e boa) é o trabalho mais difícil do mundo. E incluo também o de dona de casa e esposa perfeita.
E por isso quando olho para o lado vejo muita mulher deprimida e porquê? Porque não estão a conseguir conciliar tudo, a viver no verdadeiro sentido da palavra.
E por isso ainda hoje, sinto que perco muito...e não posso ter tudo. Confesso que vivo diariamente num dilema: querer estar presente para a família, ter tempo de cuidar da casa, de mim... É tudo feito, mas sem grande perfeição.
Hoje pouco compreendo o que as senhoras que proclamavam a igualdade entre homem e mulher queriam dizer com aquilo.
Hoje já não temos de ser apenas esposas, donas de casa e mães, temos de ser também mulheres de carreira, boas amantes, sensuais, especialistas em decoração e culinária, lindas e sempre cheirosas e bem penteadas... E o dia continua a ter 24 horas...
Aparentemente hoje temos tudo, não é? E para quê? Isso é sinónimo de felicidade? Abdicar da tranquilidade, de ver crescer, de estar presente?
É tudo isso. A injustiça, a condescendência e o não se assumir, de uma vez por todas, que trazer criancinhas ao mundo tem um custo que não é só para os pais. Chama-se custo social da maternidade (e paternidade, mas essa é mais barata), e a sociedade tem que o pagar.
Em Portugal as coisas são mázinhas, mas aqui em Espanha são insuportáveis (e também não tenho ninguém a menos de 500 km, nem sequer uma amiga).
Como me revi neste post!!!
Tão sábias palavra e tão bem que as escreveste!
Ainda hoje há quem me olhe de lado, com desconfiança - tal ave rara me tornara - quando digo que por opção deixei de trabalhar para ficar com a minha filha
Que por nada deste mundo queria perder o 1º sorriso, o 1º dente, o aprender a rastejar até ao gatinhar e ao andar...
Que não queria perder os sorrisos que me dá ao longo do dia e que não
Que não sinto falta do horário, das reuniões, dos clientes e se um projecto novo me entusiasmava... a mão da minha filha encostada a mim é muito mais valiosa que o ordenado
Mesmo as birras e os choros que por vezes tanto me cansam fazem parte desta descoberta e entrega que às vezes só eu, o pai, ela e o pediatra acham ser a melhor coisa que podiamos ter feito
E quanto ao esforço do pai... quantas vezes me chega a casa e olha enternecido para a filha e confessa: tenho inveja vossa...
Que se lixem as festas, os aumentos e a porcaria da carreira!
Nao tenho filhos. Entendo perfeitamente o que dizes sobre a critica por parte das mulheres - como grupo, somos umas cabras e nao nos apoiamos de maneira nenhuma, ao contrario dos homens.
Em relacao a este assunto defendo que cada um como cada qual, mae feliz tem filho feliz. Critico os gaijos que so querem casar com uma gaija q estaja em casa, porque nao querem os filhos criados por nannies, mas nao os pais (conhecos alguns pais) e as maes que dizem isso e estao dispostos a sacrificar algo profissionalmente para darem aos filhos essa tal presenca que acham importante.
Em relacao a trabalhar pos maternidade, e tendo em conta que uma gde parte das maes nao quer perder certos momentos, vejo isto apenas numa perspectiva financeira (mal da area em q trabalho) - estao a "comprar uma opcao para exercicio futuro" and they are paying the premium now..,.. Ie, do ponto de vista financeiro pode ate nao compensar ir trabalhar, mas manter-se no mercado de trabalho e importante para quando mais tarde queiram aumentar o numero de horas e dedicacao laboral.
A grande questao e que nao deveria ser assim, nao deveriam ser so as mulheres a suportar esse custo social da maternidade, como a Mar disse. A alternativa e como no japao - as mulheres podem deixar de ter filhos, e ai o custo social pode ate ser bem mais elevado.
Enfim, ser mulher e tramado, ser mae e fodido.... Ser pai e fantastico porque nao ha gaijo nenhum que tenha destas preocupacoes :-)
post com direito a subscrição e linkagem?
xxx
A
Não sou casada, não tenho filhos, o mais em comum que poderei ter é ter renunciado a um lugar de topo em troca de projectos pessoais.
Ainda assim, um forte aplauso a este texto!
assino e linko!
muito bem rititi, muito boa reflexão sobre as dificuldades sociais da conciliação. Ser mulher não é obviamente sinónimo de feminista ou pelo menos de saber reconhecer todas as armadilhas sociais em que ainda estamos presos as mulheres e os homens, falta muito para a mudança das mentalidades, tanto por parte das mulheres como por parte dos homens, que também ainda estão longe de saber aproveitar o crescimento dos filhos e de partilhar as responsabilidades domésticas, tanto no cuidado da casa como dos filhos. Mas é passo a passo que se fazem as coisas, dia a dia, reivindicando os nossos direitos contra as invejas e maldicencias. Aproveita bem o teu filho, porque como tu dizes, só é pequenino uma vez.
já agora, no caso da ministra da defesa, o resto da licença foi tirada pelo seu marido, o que, diga-se em abono da verdade, é sinal de mudança de mentalidades, poucos são ainda os homens que o fazem, tanto em portugal como em espanha.
Rititi, tu nunca deixarás de ser uma diva! Podes estar na tua fase mais Miranda mas nunca deixarás de ser uma Samantha!
Leio e leio e leio e leio o teu blog, mas hoje não me seguro: AMÉN RITITI.
Assino sempre por baixo!!
Rita,
O comentário adequado para este teu magnífico post é definitivamente "no coments".
Mas não resisto:
É óbvio que é mais fácil atirar areia para os olhos do povinho com os ridículos subsídios - que bem pagamos em impostos quer queiramos ou não - do que enfrentar os "pesos pesados" com leis adequadas e efectivamente sancionadas e lutar pela mudança de mentalidades. Felizmente que a pouco e pouco e apesar de tudo ela começa a despontar - como bem se vê já de alguns dos comentários a este post - o que me deixa muito satisfeita pois há quem já não se deixe ir na estúpida da conversa em que eu caí...que o importante era estudar e acabar o curso com a melhor média possível, que era absolutamente necessário ter um emprego xpto, uma carreira xpto, não sei quantas pós-graduações e especializações e olha lá agora, casamento, casa e criancinhas, que coisa mais "old-fashioned", vai lá exibindo o namorado(que, para acessório, até era do melhor)e toma a pílula que para isso ainda há tempo, ainda há muito para viver, como se não fosse isso, mais do que tudo o resto, a própria vida. E era tudo um logro, porque às vezes o curso, as pós-graduações e tudo o resto nem sempre são garantia da tal carreira xpto, sobretudo quando não se está disposta a abdicar de determinados valores e formas de vida, porque afinal não havia todo o tempo para as criancinhas e às vezes já é tarde de mais, porque damos por nós aos 40 a querer ter 28, nem tanto pela boa forma - que essa é relativamente fácil de manter - por não sermos capazes de deixar de querer tudo aquilo que ficou para trás porque afinal o tempo passa e passou bem mais rápido, tão rápido...
Mas, ó mamã, estás arrependida de me ter parido, é?
Assina,
O filho da rititi quando souber ler.
é por isso que nós mulheres somos os melhores seres à face da terra e umas verdadeiras malabaristas e artistas do trapézio sem rede. Eu tentei ter tudo e lá fui conseguindo, fiz um mestrado enquanto tive 2 filhos, fiz o doutoramento e tive mais um, sem grande apoio familiar, os avós vivem longe. Do corpo me saiu mas estou feliz com isso. Dizer que o pai dos filhos ajudou parece-me um absurdo, os homens não têm que ajudar, têm que dividir. Numa profissão (sou investigadora) onde hoje em dia há mais mulheres do que homens as mulheres continuam a ter que dar muito mais provas. Mas não mato a cabeça com isso, é preciso é andar em frente e amor próprio.
Para mim, esta tudo errado: criticar e nao ajudar as maes q querem ficar em casa ou com jornadas de trabalho mais curtas, e criticar e nao ajudar as maes q gostam e querem continuar a trabalhar os dias inteiros.
No meu caso pessoal, confesso q sou dos piores exemplos pq tenho ajudas da minha mae.
No entanto, se nao tivesse, confesso q trabalhar menos e perder promoções e deixar a minha vida profissional me ia custar imenso. Muito mesmo.
Confesso tb (e pronto, fuzilem-me) q nao ter visto o meu primeiro filho (tenho 2) dar os primeiros passos nao me fez grande mossa. Faz-me mossa, sim, nao sentir os abraços deles, os beijos deles, os mimos deles e a felicidade deles. Que vem muito de mim. Da minha felicidade e realização.
Eu acabo por sentir a discriminação ao contrario: "essa q passa noites fora de casa"; "essa q ja deixou o filho doente e embarcou num aviao"; "essa q pede ao marido e pai das criancinhas para ir a reuniao de pais em vez dela".
Pois... é q (in)felizmente os meus filhos tb tem paizinho e avos...
Nao fazia ideia que em Espanha a situação era tao critica. Pensava que era uma "qualidade" dos portugueses atirarem tudo para as maezinhas.
As culpas repartem-se. Eu já caguei para isso de ser uma super mulher. E essas gajas todas que estão na política e só lá estão porque se comportam como homens bardamerda para elas todas. Para elas e para a vaca da gaja dos RH da minha empresa que quando me viu grávida deitou as mãos à cabeça. E depois venham dizer que ah e tal o dia da mulher não interessa...
Felizmente, eu não tive qualquer problema em gozar 5 meses de licença ou de regressar ao trabalho com 2 horas de redução de horário mas, em compensação, vieram-me agora com a "ameaça" de que como estive fora 6 meses no ano passado, "é possível que não receba prémio de produtividade do ano passado". Mesmo tendo tido uma avaliação de desempenho muito boa. Ou seja, o desempenho foi muito bom mas foi só a meio tempo...
Enfim, eu penso comigo "se tudo correr como o previsto, em 2010 volto a ficar 6 meses em casa ou mais (vou ter de estudar bem a nova legislação) e quero que vocês se f**** e metam o prémio de produtividade no C*"
concordo com quase tudo o dito aqui. venho acrescentar, lembrar, a situação das mães, mulheres, que, trabalhando em full-time, recebem 600€ por mês e que não podem ter redução de horário e que vivem a 2h da escola dos filhos e do local de trabalho. essas mães têm que trabalhar, para viver, passam no carro o tempo "livre" com os filhos e ainda assim têm que acreditar na vida e tentar que os filhos cresçam a acreditar em momentos felizes no meio da vidinha. essas mães, sem grandes opç~es, viram-se do avesso para pôr brilho na vida dos miúdos.
Parabéns pelo texto! Demonstra claramente a realidade.
Infelizmente são opções que se têm de fazer devido a mentes pequeninas... e mas o que importa é que faças da tua vida o que queres!
Beijinho
rititi, o grande problema aqui é que a capacidade multi-task das mães é assustadora e tu com o teu horário reduzido ias continuar a fazer mais do que os dos almoços de trabalho e reuniões ao fim da tarde e depois ia ser evidente a não-relação directa entre muitas horas no trabalho e maior produtividade. a coisa espalhava-se e lá se iam as desculpas dos que usam o trabalho para fugir de casa.
axo k na vida e preciso fazer opçoes e nao se podem criticar os patroes por nos "descerem" de divisão na carreira. pertenço a um quadro superior e estou num processo de aquisição de uma empresa, e o meu principal objectivo é a carreira. para quem escolhe a familia e os filhos e preciso fazer cedencias e contentar-se com tudo o k daí advem. axo k nao e motivo para as pessoas se keixarem pk a vida e feita d escolhas e cada umm faz as suas!!
axo k na vida e preciso fazer opçoes e nao se podem criticar os patroes por nos "descerem" de divisão na carreira. pertenço a um quadro superior e estou num processo de aquisição de uma empresa, e o meu principal objectivo é a carreira. para quem escolhe a familia e os filhos e preciso fazer cedencias e contentar-se com tudo o k daí advem. axo k nao e motivo para as pessoas se keixarem pk a vida e feita d escolhas e cada umm faz as suas!!
É nas ocasiões difíceis que as pessoas mostram o que valem. Uns porque fazem as escolhas certas (parabéns rititi) outros porque afinal não são assim tão amigos, nem tão cultos nem tão fortes/seguros como se imagina ou como se fazem passar, mas todos mostram verdadeiramente o que valem nos momentos difíceis.
Alguém que abdica de ter filhos com a desculpa da carreira está a seguir a via mais fácil (e não a mais difícil) e está a abdicar de si e da sua vida. Não existe nenhum projecto profissional que seja tão complexo e desafiante como educar um filho. A vida é feita de escolhas; não podemos ter tudo; e há quem prefira não ter vida e ser apenas uma marioneta ao serviço sabe-se-lá do quê... É legítimo. Rititi, parabéns!
uma vénia!
pensei que o emprateleiramento só se passasse por terras lusas, mas não, para nossa infelicidade!
revejo-me totalmente. e ainda mais, quando a favor de uma 'igualdade' me retirarm a jornada continua por ter mudado de local de emprego exactamente quando entrou em vigor a nova legislação. as/os que já cá estavam continuam a ter jornada continua, os que chegaram de novo, nem por isso.
assim, passei a ter uma criança que sem qualquer explicação, a não ser ficar mais 1 hora no infantário, passou a fazer cócó pelas pernas abaixo.
eu também passei de respeitada, a emprateleirada, de profissional de topo, a 'sabe, esteve de licença e apesar de ser melhor que o seu colega, temos de ter a sua ausência em consideração. ele não faltou!' (tal e qual e dito por uma mulher, no caso chefia) e, portando, passei por opção de dedicada, a cumpridora de horário. porque uma criança merece toda a atenção. porque adoro ver a minha cria crescer. porque a minha cria ter direito a ter uma mãe presente e a brincar com ela. porque estas gajas e estes gajos são todos uns filhos da puta.
desde esse dia que digo: 'a reunião é às 17h?!, se querem que participe tem de ser noutra hora, pois vou buscar a minha cria.'
desisto de reconhecimentos e se querem assim, assim têem, se não querem, há por aí muita escada para lavar se preciso for.
MISS R.
1- (OFF TOPIC)
Para profissional de topo (seja lá em que área fôr), você escreve mal para caraças.
E já agora,segundo a sua pessoa, a vida é feita de escolhas e quem escolhe ter filhos deve complacentemente aceitar tudo o que daí advém incluindo a despromoção profissional, ainda que continue a ser uma óptima profissional, embora com outras prioridades e nem sequer se deve queixar.
A não ser que eu tenha percebido mal,(no meio de tanta inovação ortográfica),pessoas que pensam assim dão-me pena porque mesmo que optem por ter filhos nunca optarão por ser pais.
2- Boa Rititi (ainda que te dê raiva, não te vais arrepender, mesmo que agora não tenhas certeza um dia terás)
Cara Ana Pilares,
Quanto ao que pude ler, escrito no seu português abrasileirado, tenho a dizer que todas as opções de vida são válidas, não critico quem escolhe a família, tal como não crítico quem escolhe a carreira e pelo que percebi pela maioria dos comentários que aqui tive a oportunidade de ler, as carreiras são aqui altamente criticadas. e eu só pergunto, se será obrigatório abandonar uma carreira, uma vida económica quase perfeita para ter filhos e ser pai/mãe?? Nem toda a gente quer ter filhos, nem toda a gente quer ser pai ou mãe, tal como eu não quero. É um estado pelo qual não faço questão de passar, e julgo que ninguem me pode julgar por isso.
Quem tem uma opinião contrária à minha, tem todo o meu respeito porque não podemos nem devemos ser todos iguais, o que não posso compreender é o motivo de queixa, se a carreira ficou para trás devido à opção de ser pai/mãe não se podem culpar os patrões, pois é o preço a pagar por uma menor dedicação (em horas de trabalho) e claro que isso depois se reflecte também economicamente, mas cada um escolhe o que quer, só que amor não enche barriga nem paga as contas de casa!!
Miss R, desculpe que lhe diga que é por causa de gente com uma cabeça enviesada como a sua que as mulheres que escolhem ser mães se vêem penalizadas nos seus trabalhos. E não venha cá com tretas de que é uma escolha isto e uma escolha aquilo. Porque não é disso que se trata. O que se fala aqui é que uma mulher é mais penalizada por dizer que tem de faltar uma tarde para ir com um filho ao pediatra do que um gajo qualquer que fica dez dias em casa porque partiu a perna a jogar à bola com o patrão.
O que se trata é de descriminar à partida mulheres que têm filhos porque se parte do pressuposto de que não vão conseguir fazer o trabalho como dantes. E se calhar se você na sua bela empresa tivesse reuniões às nove da manhã e não às nove da noite já não punha em causa certas escolhas. Porque há escolhas que eu me recuso fazer. Escolher entre ser mãe e ser bem sucedida profissionalmente - à conta de uma cambada de anormais que não pensam que tiveram de ser paridos para andarem por cá - é uma delas.
Rititi
Sou tua fã :)
Rita, estou na mesma. E não é que, para o ano, quero repetir?
EXCELENTE, o texto que faltava. Este assunto tem-me martelado a cabeça, sobretudo porque cada vez me parece mais bizarra esta lógica de deixarmos os nossos filhos o dia todo em autênticos depósitos de crianças para que outros os eduquem enquanto nós estamos com eles de manhã e à noite, à pressa, para basicamente os acordar, alimentar e adormecer. Isto é a inversão de tudo mas o pessoal acha normal porque "agora é assim".
Vou fazer um link a este texto no meu blogue, espero que não se importe.
Boa e assino por baixo... é a primeira vez que por aqui passo mas vou ficar! Em vez de se andar a "queimar soutiens" deviamos era olhar para os nosso filhos que só são pequenos uma vez e precisam de nós! E acho que quem escolhe ficar em casa mais tempo com eles de sopeira tem muito pouco!
Rititi,
a propósito de tudo isto:
http://maepreocupada.blogspot.com/2009/02/as-meninas-exemplares.html
e, já agora,
http://maepreocupada.blogspot.com/2009/05/o-orgulho-e-o-preconceito.html
E desculpe lá estar a "impimgir-me" :)
Abraço
Genial este teu post!
O problema é que esta questão é frequentíssima com as mulheres, mas ainda mais discriminatória com os homens que, por exemplo, exercem o seu direito de acompanhamento pós parto.
Aí sim, é ver os colegas divididos entre a chacota e o desrespeito pelo direito mais elementar.
Não é um problema de Portugal... é um problema dos Portugueses...
Parabéns, Rititi! É isso mesmo...temos de ser super, super, para podermos ser alguma coisa...Se não formos super, não somos nada! Um verdadeira escravatura e prisão de responsabilidades que arranjámos...
Mas a luta agora é impormos o ritmo feminino no dia a dia. Mais respeito pelo horário, mais respeito pela vida familiar e pessoal. Tem de ser. O trabalho faz-se na mesma, e até com mais produtividade, se houver mais respeito pelos horários.
E não nos venham com a história dos chineses e indianos que vão ficar com os nossos postos de trabalho...mas a civilizada Europa vai agora andar para trás e baixar o nível de protecção aos trabalhadores?! Nem pensar!
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