Este site foi concebido para ser visto num browser dentro dos limites da caducidade: infelizmente não é o caso do seu. Assim, a sua experiência de navegação será seriamente afectada. Sugerimos a instalação de um browser mais séc. XXI, se lhe for possível: http://www.mozilla.com/firefox . Mas qualquer outro serve.

Rititi

Rititi

INÍCIO

  • com perna levantada altura do pescoco

    Com a perna levantada à altura do pescoço, sem cueca, a cara desencaixada e uma bela de uma camada de cera quente pegada à virilha, assim passo eu uma manhã qualquer de sábado: a sofrer os horrores da depilação. E enquanto a depiladora psicopata me arranca com uma urgência marcial os pêlos de sítios inimagináveis do meu massacrado corpo, não deixo de pensar que por muito boa qualidade que tenham os nossos machos, nunca serão capazes de se submeter aos mesmos sacrifícios que nós, ou pelo menos a sacrifícios tão dolorosos. Não há comparação possível, amigas, às imolações a que nos entregamos (e não precisamente grátis), sabe-se lá porquê, sejamos sinceras. Arrancar pilosidades, andar sobre sapatos de saltos assassinos imaginados por supostos génios da moda cuja ideia de beleza feminina passa imediatamente pelo sofrimento, a impossibilidade de movimento, o desconforto e os calos, enfiar-nos numas calças que de tão justas estariam proibidas pela OMS e a ASAE se tivessem tempo e técnicos suficientes para analisar as consequências da quantidade de celulite que provocam, horas de madeixas, manicure, pedicure e calistas, sessões de limpeza de pele, mais o pilates, massagens linfáticas e qualquer fórmula de emagrecimento instantânea caríssima e automaticamente inútil. E se amanhã inventassem outro método de tortura, lá estaríamos nós, dispostas e felizes para sofrer todas as barbaridades possíveis, não duvidem, enquanto nos convencemos que eles estão bem como estão, com a sua barriga e a sua mais que incipiente calvície, porque homem que é homem não usa creme nem faz dieta, quanto menos arranja os pés ou faz tratamentos capilares. Assim somos as gajas, umas mártires por convicção. E antes que as feministas me arrasem a caixa de comentários com mensagens optimistas sobre a suposta beleza interior ou sobre o machista que é o meu texto, rogo-vos um exame de consciência: nós sabemos que somos bonitas, sem tratamentos e sem sapatos incómodos, sabemos que podemos sobreviver sem a depilação brasileira, sabemos que nunca haverá um creme milagroso, sim, yes we can e o caralho da campanha da dove a favor das rugas e da pele seca. Sim sabemos, mas continuamos penduradas em cima desses sapatos que nos massacram os pés para estarmos à altura do ideal de beleza que alguém nos vendeu e estupida mas cosncientemente decidimos comprar. E entretanto, eles continuam sexis a beber imperiais.


    Por Rititi @ 2009/06/30 | 18 comentários »


    1 ano de rititi boy

    1 ANO

    De Rititi-Boy.

    (E agora vou ali emocionar-me às escondidas)



    Por Rititi @ 2009/06/26 | 19 comentários »


    coisas fundamentais acho uma pouca

    COISAS FUNDAMENTAIS

    Acho uma pouca vergonha que um vestido da Zara custe 70 Euros.



    Por Rititi @ 2009/06/24 | 12 comentários »


    hosptital curry cabral lisboa 17 de

    HOSPTITAL CURRY CABRAL, LISBOA, 17 DE JUNHO DE 2009

    Coisas fascinantes tem Lisboa: para poder pagar o arranjo do meu carro na Peugout tive que levantar dinheiro num hospital. Assim que lá foi o fabuloso casal Pinheiro ao Curry Cabral, direitos ao multibanco para despejar a conta, quando nos encontrámos com esta fascinante cena: à porta desta reputada instituição hospitalar um fornido segurança vociferava ao telemóvel os seus assuntos também fascinantes e pelos vistos cruciais para os destinos da humanidade enquanto uma senhora velha, daquelas que de tão velhas já só podem ser tratadas por velhinhas, se mantinha imóvel na entrada rodeada de ambulâncias e gente que passava, dobrada sobre si mesma. E sozinha. A senhora está bem? Ó segurança, já viu se a senhora está bem? ah, ela (uuuuf), quer ir às urgências, e o segurança, não faz nada? eu? ela que dê a volta ao hospital que a porta das urgências é do outro lado, mas já reparou que a senhora não pode andar? Silêncio. Costas voltadas. Num hospital. E lá fui eu, armada em nada, só em pessoa, para dentro do hospital pedir que uma enfermeira pegasse numa cadeira de rodas para levar a senhora velhinha às putas das urgências. Quer o quê? alguém que trate da velhinha, a senhora funcionária não poderia pedir a esse outro segurança tão bem aposentado na sua cadeira de importante para dar um jeito? eu? era o que mais me faltava, não estou aqui para isso, então dê-me a cadeira a mim, ah mas senhora não faz parte do pessoal habilitado para retirar material hospitalar, aliás, quem é a senhora, um familiar? Eu? Eu só vim levantar dinheiro! A funcionária, ante tal absurdo, durante uma caganéssima de segundo viu a luz, vá-se embora descansada que eu peço a uma auxiliar para ir ver da senhora. E lá fomos nós pouquíssimos descansados à nossa vida, pagar o arranjo do carro à oficina que não aceita cartões estrangeiros. Mas voltámos, ai se voltámos ao hospital, de nome Curry Cabral, e lá estava a velha, à entrada do hospital, a entrar toda dobrada num táxi que caritativo se ofereceu para a levar grátis às urgências, enquanto sua excelência o besta do segurança, do alto da sua farda e dos vinte e inúteis anos, continuava ao telemóvel, grunhindo a estupidez da sua existência. Então, ó senhora funcionária mas que raio, aaah pois, então é assim, de facto foi lá fora a auxiliar e até lhe levou um copo de agua, está a ver, mas senhora (velha, velhinha), estava confusa, sabe como são os velhos, queria ir às urgências, enganou-se na porta, mas as urgências não são aqui, aqui é só para consultas externas e eu até a levava, mas estou aqui cheia de trabalho, e a auxiliar também tinha mais que fazer. E se fosse a sua mãe, a sua avó, também a deixava lá fora, às quatro da tarde, a trinta e muitos graus, sozinha? E para que servem vocês? Para que serve um hospital em Portugal? Grunhidos ante a desesperação de um casal indignado por culpa de uma velha anónima.
    Isto é o Curry Cabral, um hospital português. De todos aqueles funcionários com quem tivemos contacto não houve uma alminha que tivesse o mínimo, já não digo de profissionalismo, mas pelo menos de decência, humanidade, compaixão, amor ao próximo, dignidade. Uma velha que mal podia andar, curvada, sozinha, desorientada, só lhes mereceu a estes seres apáticos atrás do seu guiché uma infinita indiferença, um encolher de ombros assombroso. E isto em Lisboa, nem quero imaginar o resto do país, onde a terceira idade é a única idade que habita as vilas, as ruas, os centros de saúde, os hospitais. Ser velho em Portugal é sinónimo de abandono, toda a gente sabe disto, mas que num hospital, de nome Curry Cabral, se profissionalize este desamparo, que se maltrate assim os velhos, já nem é mau: é pecado. É o resumo do país de merda onde envelhecer é o pior dos pesadelos se o dinheiro falta e os filhos acham que são órfãos.
    Porque os velhos são uns chatos, estão sempre doentes, cheiram mal, repetem sempre os mesmos doeres, entopem as salas de espera com os mesmos queixumes de sempre, oxalá morressem todos e fôssemos todos saudáveis, e bonitos e altos e não chateássemos os funcionários de nenhum hospital, que tanto têm que fazer, atrás do seu guiché de gente ocupada e importante, em vez de tratar de doentes que é para isso que são pagos.


    Por Rititi @ 2009/06/23 | 28 comentários »


    e pipoca virou livro parabens ana

    E A PIPOCA VIROU LIVRO

    Parabéns Ana!!!



    Por Rititi @ 2009/06/20 | 7 comentários »


    e o rititi boy ficou com avo para que o

    E O RITITI-BOY?

    Ficou com a Avó para que o jovem (e magro) casal Pinheiro possa dormir, beber copázios, comer fora de horas, ir ao cinema, à praia, à vida deles. E sobretudo para namorar, muito e muitas vezes, agarradinhos um ao outro, chega para cá, meu amor. Porque antes de ser pais nós já gostávamos um do outro.


    Por Rititi @ 2009/06/15 | 10 comentários »


    rititi na grande alface ja comi

    RITITI NA GRANDE ALFACE

    Já comi sardinhas, já dancei uma marcha na Madragoa, já li o i, já tive que levar o carro à oficina porque pifou, já bebi copos no Lounge, já me agarrei aos meus amigos, já vi o Tejo, já me caguei na forma de conduzir dos taxistas, já embrirrei com os anúncios de roupa interior, já a vi a bosta que é a Playboy nacional. Falta-me ir à praia, comer caracóis e jogar no Euromilhões. Antes de sexta feira eu já vos ligo.



    Por Rititi @ 2009/06/15 | 5 comentários »


    as aaaaaaarmas comemorei o dia da

    ÀS AAAAAAARMAS

    Comemorei o dia da Grande Pátria Lusitana a comer gazpacho, tortilla de patatas e jamón ibérico, tudo regadinho de mahou e barbadillo. Vá lá, agora tirem-me o passaporte.


    Por Rititi @ 2009/06/11 | 5 comentários »


    e enquanto tratava da minha vida andei

    E ENQUANTO TRATAVA DA MINHA VIDA

    Andei-lhe a dar voltas à coisa. As mulheres não fizemos muitas revoluções, pois não, andávamos demasiado ocupadas. A coser-lhes as roupas e as feridas, a parir os filhos, a cuidar dos velhos, a enterrar os mortos, a tirar o véu, a encurtar a saia, a usar a pílula, a levar porrada do macho, a entrar sozinhas nos bares, a ser apontadas pelo pai, pelo irmão e pelo padre, a ser presas por abortar ou por abandonar o marido, a segurar os telhados, a caiar as paredes, a trabalhar no campo, a perder os pulmões e as forças nas fábricas, a ser a mula de carga, a companheira fiel, a amante fogosa, a mãe primorosa e incansável, a mulher-a-dias, a cem em um, a não faz mal que eu trato, eu faço, eu resolvo. Pois não, as mulheres não fizemos muitas revoluções, pelos menos para estes homens, colunistas, comentadores, taxistas e talhantes para quem as mulheres, com as suas lutas, as suas importantíssimas revoluções (domésticas, algumas, outras com cadáveres, muitas com demasiados silêncios) foram e continuam a ser invisíveis e pouco dignas. Ainda bem que andavam cá eles, a matarem-se uns aos outros. Isso é que eram grandes revoluções.



    Por Rititi @ 2009/06/09 | 10 comentários »


    alguem apresente uma mulher de jeito ao

    Alguém apresente uma mulher de jeito ao Pedro Lomba, sff.
    (ou simplesmente uma mulher, vá lá)

    Para as mulheres, não existem abstracções. Por exemplo, não existe o Homem mas homens concretos e mulheres concretas. Existe o pai, o irmão ou, desculpem o termo, o companheiro; nunca o membro insípido e distante da espécie. Depois, reparem que as mulheres, que nunca fizeram muitas revoluções, nunca fizeram, sobretudo, revoluções inúteis.

    Talvez deveria mandar um mail a perguntar ao rapaz e jurista o conceito de revolução. Deve ser uma coisa assim muito masculina, em abstracto, filosófica. Mas prefiro perder o meu tempo a rever Kill Bill.



    Por Rititi @ 2009/06/06 | 5 comentários »