Terça-feira, Junho 09, 2009

E ENQUANTO TRATAVA DA MINHA VIDA

Andei-lhe a dar voltas à coisa. As mulheres não fizemos muitas revoluções, pois não, andávamos demasiado ocupadas. A coser-lhes as roupas e as feridas, a parir os filhos, a cuidar dos velhos, a enterrar os mortos, a tirar o véu, a encurtar a saia, a usar a pílula, a levar porrada do macho, a entrar sozinhas nos bares, a ser apontadas pelo pai, pelo irmão e pelo padre, a ser presas por abortar ou por abandonar o marido, a segurar os telhados, a caiar as paredes, a trabalhar no campo, a perder os pulmões e as forças nas fábricas, a ser a mula de carga, a companheira fiel, a amante fogosa, a mãe primorosa e incansável, a mulher-a-dias, a cem em um, a não faz mal que eu trato, eu faço, eu resolvo. Pois não, as mulheres não fizemos muitas revoluções, pelos menos para estes homens, colunistas, comentadores, taxistas e talhantes para quem as mulheres, com as suas lutas, as suas importantíssimas revoluções (domésticas, algumas, outras com cadáveres, muitas com demasiados silêncios) foram e continuam a ser invisíveis e pouco dignas. Ainda bem que andavam cá eles, a matarem-se uns aos outros. Isso é que eram grandes revoluções.

7 Comentários:

Na 9:16 PM, Blogger Ck in UK disse...

Apoiado!

 
Na 1:09 AM, Blogger Jay disse...

Bem mandada!
Na mouche, Rita...
Embora sendo macho, tens toda a razão!
Foram séculos e séculos de "lenocínio" consentido e sugerido( quando não imposto) pela Santa Madre Iglesia...
Enfim o mundo tem evoluído a "chusso" e....parce que vai continuar; olha para Gaza...
Um abraço
Jay

 
Na 1:19 PM, Blogger Filipa disse...

Pois é...

 
Na 4:11 PM, Blogger Mar disse...

Olé!

O rapaz não conhece mulheres. Nem concretas nem abstractas. Há que dar-lhe um desconto.

Não há nenhuma revolução que "eles" tenham feito em que não tenham participado mulheres. Há muitas que fizémos sozinhas.

 
Na 11:07 PM, Blogger ana disse...

Dá-lhe!

 
Na 12:05 PM, Blogger Suspiro do Norte disse...

Isso mesmo..

 
Na 5:29 PM, Blogger marta disse...

Eu fixei-me antes na última parte da frase..."não fizeram revoluções inúteis." Dessas, não fizemos de facto, que para revoluções inúteis estão cá eles. E no meio das "cem em um" que somos não há tempo, nem pachorra nem disponibilidade mental para inutilidades.

 

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