momento gina passar o cabelo ferro
Quarenta graus nas ruas madrilenas e “The way we were” por décima oitava vez na televisão. E a estas alturas da minha aburguesada vida, com o carro estacionado à porta de casa e sem merdinhas intelectuais que me atormentem a escrita, posso confessar e confesso que este é o meu filme favorito. De longe. Mais que “E tudo o vento levou”. Mais que “Mujeres al Borde…”. E não é pelo Roberto, que rabos loiros que fiquem bem em fardas militares há muitos. É por causa dela, a inteligente Katie, a independente Katie, a idealista Katie, a chata Katie, a feia Katie que é incapaz de acreditar que aquele rapaz tão loiro da faculdade, tão bonito, tão popular, tão tudo, se tenha apaixonado por ela, a imperfeita, a do nariz absurdo, a que passa o cabelo a ferro. Porque assim somos nós, as mulheres imperfeitas, cheias de medos e complexos, as idiotas que, mesmo sabendo que há mais vida além das capas de revista e anúncios anti-celulite, quando esbarramos com essas gajas asquerosamente bonitas, de pele lisa e pernas infinitas, esquecemos tudo o que lemos, aprendemos, vivemos, bebemos, viajámos, rimos e amámos para ficar possuídas pela fragilidade mais absurda que nos faz acreditar que eles irão a correr feitos doidos atrás da loira de olhos doces, boca pequena e dentes como pérolas, dessa mulher ideal que cabe numa 36, sorri sem histerias, não se altera, nem se indigna, nem exagera e muito menos tem mau hálito quando se levanta. A gente sabe, depois de um sg ventil e um par de uisques (e uma dose de lágrimas bem sentidas em frente ao espelho da casa de banho), claro que sabe, que o nosso Hubbell nunca nos trocará pela protagonista de uma comedia romântica, que gosta de nós porque somos imperfeitas, chatas e histéricas, e também divertidas e absurdas, mas também sabemos, e não me fodam a estas alturas da minha vida, que a beleza não está só no interior. Por alguma razão continuamos a passar o cabelo a ferro.
Por Rititi @ 2009/07/22 | 8 comentários »
Vou responder-te como a adorável Samantha no SATC: Chicks movie!
Também é um dos meus, vi-o pela primeira vez em 1984, numa reposição no Vox.
Só encontrei a cena em italiano, so sorry. É a cena possível. Mas aposto que te lembras dela 🙂
http://www.youtube.com/watch?v=RC8FSf6Ytvg
Não vi o filme, mas agora fiquei com vontade.
Muito bom texto. Gostei mesmo!
Pra quem disse o que disse em relação à "beleza" da mãe do CR, não está mal, não
extraordinário, gostei roubei e citei!
adorei o filme também
e o What's up Doc com ela é hilário
bjs
Rita V.
Adorei o texto. Estava mesmo a precisar de algo assim! É que é uma anormalidade as coisas com que eu às vezes me preocupo! Sou culta, tenho sucesso no meu trabalho, sou independente, farto-me de viajar, falo várias línguas, faço voluntariado e tenho interesses variados (também tenho um mau feitiozinho e uns quantos defeitos). MAS estava aqui toda preocupada com uma celulitezinha e umas gordurinhas porque vou de férias com um guapo… Eu que caibo num 36!!! INTERNEM-ME! O cosmos é tão mais duro com as mulheres e o pior é que cosmos começa em nós próprias…
Um beijinho!
adorei, adorei, adorei, rititi!!! revi-me neste post a 99%. Obrigada por saberes como pensa a comum da mortal… AMEI.
"Memories, Like the corners of my mind la la la la.. we remembered, the way we were, the way we were,,,,,," (lágrima de emoção!!!)
ps – vou partilhar no meu blog, vale?

Vindo de alguém a quem apetece dois copos de whisky (e eu não gosto de whisky) e um cigarro (e eu não fumo) felizmente para ti ao menos tens o sr. pinheiro. =)
Eu vou agarrar-me aos vícios (só chocolate) e fazer drama para um canto. =)
(e engordar para deixar de caber num 38… )
Espiral