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E destes enchumaços histéricos, extra fabulosos e absolutamente incompatíveis com o sentido do ridículo. Ai, que feliz que ando eu com o retorno dos hormonais anos 90. Já recuperei os meus ténis de basquete, aquela bijutaria de plástico impossível e as calças de ganga desbotadas e rotas pelo joelho. Até voltei a passar a ferro o meu cabelo. Só espero não ter que voltar ao colégio de freiras e repetir os exames de fisico-química.
Estou a ver a quinta temporada de Perdidos. Não se preocupem, não adianto nada: a única coisa que direi é que eu quero fumar a mesma coisa que fumam os argumentistas desta série.
Que o meu filho tenha duas pátrias, duas línguas e duas capitais, que se ache cómodo no flamenco e no fado, que saboreie a suas raízes numa açorda de poejos ou num gazpacho extremeño, que para ele Elvas seja tanto a entrada e como a saída a casa, que se reconheça no humor dos Gatos Fedorentos e dos Muchachada Nui, que seja salero e saudade, Atlântico e Mediterrâneo, Alentejo e Dehesa, Portugal e Espanha e que desfrute desta deliciosa esquizofrenia de ser ibérico.
Hoje, que não há razões no calendário, lembrou-me a telefonia que há doze anos atrás esta deveria ter sido a minha canção de resposta a aquele primeiro beijo teu.
É fatal como destino: cada vez que escrevo sobre Portugal, uma horda de ofendidos inunda-me a caixa de comentários com impropérios e desejos de morte lenta e dolorosa. Porque o português não aceita críticas à nação, mesmo que a nação seja uma puta que fode mal e cobra caro. Portugal, graças aos campeonatos de futebol, à banalização do hino e a uma retorcida e não poucas vez inconstitucional manipulação da bandeira, passou de país a mito. Portugal já não é só um lugar, um sítio um gajo nasce mas sim um estado espírito que devemos partilhar todos os portadores de BI, um grupo sanguíneo metafísico, o tal genoma. Falar mal de Portugal é, portanto, trair-nos a todos, um desafio ao nosso ser ancestral, ao Viriato, ao pastel de Belém, à merda dos cães nas ruas, ao fado e à Soraia Chaves. Lamento, mas é preciso ser muito pequenino da cabeça para ficar ofendido depois de ver o vídeo da Maitê Proença. O que me ofende e me envergonha é tanto provincianismo encapotado. Digam-me: qual é o problema que alguém goze com a inaptidão para os computadores de um suposto técnico da informática? Só porque é brasileira? Acaso o número da porta da casa de Sintra não estava ao contrário? Maitê, depois de pedir desculpa, fica-se com uma reflexão: “acho que está faltando humor nas pessoas”. Fosse só isso, cara Maitê. O que falta nessa gente tão indignada e sofrida é autocrítica, toneladas de humildade, vergonha na cara e viajar, mas viajar bem longe mesmo. Eu, que querem que vos diga, até achei simpático e inonfesivo o vídeo, mas deve ser porque vivo há muito tempo fora dessa placenta mística chamada Portugal. Cambada de menstruadas, é o que é.