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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • TRAMBOLHOS D’OURO: EMMYS 2010

    Anna Paquin

    Este vestido até é capaz de ser giro. Sobre outra pele. Com outros sapatos. Sem essas mamas. Num corpo de um ser humano. Noutra galáxia. Longe de nós.

    Laura Graham

    Depois de um farto cozido de grão, esta querida deu um saltinho aos Emmys sem tirar os babete nem lavar a dentuça à espera de uma sobremesa e um café curto. Não havia.

    Mr and Mrs Hanks

    A senhora Hanks, poupadinha como é por causa da crise, optou por fazer ela própria o vestido dos Emmys utilizando as técnicas aprendidas nas aulas de pronto-a-vestir do Colégio Marianista. Viva a reciclagem das argolas!

    January Jones

    Que uma das mulheres mais bonitas da televisão se mascare de manequim futurista despenteada é algo que não me explico. Um absurdo. Um despropósito. Um Trambolho sem necessidade.

    Mindy Kaling

    Ai, que visionária a Mindy! Que inovação no uso dos dos tutus, das capas sobrepostas, da franja pegadinha à cabeça, do sapatinho com brilhantes. Ai, que saudades que eu tinha de uma boa red carpet…

    Naya Rivera

    Não falemos da sandaloca de tiras. Nem do broche ali à beira da entreperna. Nem dos volumes da coisa. Concentremos a nossa atenção nesse penteado e tudo o que isso significa para a Historia da Humanidade. Obrigada!



    Por Rititi @ 2010/08/30 | 11 comentários »


    Felicidade à base de ressaca e gajas boas

    Enquanto não vos deleito com um fabuloso novo post aqui vos deixo com um texto publicado no Delito de Opinão em Julho:

    Acabadinhos de ser expulsos do Mundial da bola pelos cabrões dos nuestros hermanos, sento-me com o MacBook sobre os joelhos preparada para escrever um textinho incrivelmente original sobre a desgraça de ser portuguesa a viver em Madrid  em dias como estes (…). Mas liguei a televisão. E fracassaram as possibilidades das teses sobre Espanha, o sistema financeiro internacional e a greve do Metro que hoje paralisou Madrid.

    “Two man and a half” tem esse efeito sobre mim. Mais especificamente, CharlieHarper, a personagem que interpreta Charlie Sheen, ou vice-versa, porque depois de várias temporadas viciada na vida de dois irmãos quarentões que partilham casa com um pré-adolescente bronco e gordo, fica-se com a sensação que estes dois Charlies são o mesmo crápula infiel, sem escrúpulos, irresponsável, eterno adolescente, viciado em charutos, bourbon e mulheres com vinte anos a menos e silicone a mais e com um sentido de humor seco pelo que qualquer mulher mínimamente inteligente se apaixonaria. Basta ler a biografia de Charlie Sheen e vê-se logo que não bate bem: o gajo é cocaína, conduzir com os copos, divórcios com direito a pancadaria, curas de desintoxicação, filmes merdosos e redenções aos quarenta e tal. E gostamos. Eu gosto. Todos os bêbedos deveriam ter direito a redimir-se, mais ainda quando o resultado é uma série de televisão cujo argumento principal é o desprezo total pelas supostas bases da vida pequeno-burguesa a que todos, no fundo, aspiramos: ter um companheiro para a vida, filhos com a pequena comunhão feita, casa numa urbanização com piscina, ir de férias com casais amigos, um monovolume com todas as prestações e a anestesia garantida pela rotina da classe média. Charlie oferece-nos em cada episódio a felicidade à base de ressaca e gajas boas. Tem quarenta e tal e uma vida sentimental baseada em fracassos, veste com calção curto e soquete, é um músico medíocre e tem medo da mãe. Mas em vez de ser um fracassado, Charlie Harper tem, numa belíssima casa em frente ao mar, o hábito de partilhar fluidos com várias jogadoras de volley-praia em simultâneo e a conta bancária razoavelmente recheada. Cada episódio é uma homenagem à vida dissoluta, à pouca vergonha e ao sentido de humor sem complexos. Nota-se que os argumentistas, aliás, foram torturados à base de sessões maratonianas de séries de gajas. Porque se houvesse sentido de justiça na televisão global nesta série os queriduchos dos médicos de Anatomia de Grey eram espancados pelo Sean Penn, o Tom Petty  e o Elvis Costello, gajos, por outro lado, que já fizeram o favor de aparecer num capítulo para gozarem com o outro Harper, o irmão tonhó que viveu sempre by the rule e que não passa de um perdedor, um triste, pisoteado em cada episódio pela mãe, as ex-mulheres ou a empregada, um dejecto do que um homem respeitável deveria ser. E Charlie, a mim, deste lado da televisão e com o MacBook sobre os joelhos, parece-me um homem respeitável, do melhorzinho que a televisão já nos deu e o suficientemente atraente em calção curto como me fazer mudar o tema do post. Acho que só o Tony Soprano, o Jack Bauer e o Omar Little tiveram esse efeito sobre mim. Só que o Charlie tem mais piada. E não mata ninguém. E sabe tocar piano. O homem perfeito, que se redime a mais de um milhão de euros por capítulo. Não há actor de vinte anos depilado e com cara de entender as vicissitudes do quotidiano feminino que bata isto.



    Por Rititi @ 2010/08/26 | 2 comentários »


    Mulheres cabeça



    Por Rititi @ 2010/08/26 | 2 comentários »


    Eu que me sempre me achei uma gaja boazona…

    Francisco José Viegas, a responder a um teste do Correio da Manhã:

    - Oferecem-lhe um cruzeiro à volta do Mundo e tem de escolher entre três hipóteses, cada uma com três convidados. Qual escolhe?

    a) António Lobo Antunes, Pinto da Costa e Inês Pedrosa

    b) Mia Couto, Gabriela Canavilhas e Rui Veloso

    c) Miguel Sousa Tavares, Agustina Bessa-Luís e Rita Barata Silvério (‘Rititi’)

    Resposta escolhida: Outra hipótese: Penélope Cruz, Scarlett Johansson e Charlize Theron. E, não podendo ser a Nigella Lawson, então o ‘Cozinheiro Sueco’, dos Marretas

    Considerações a reter:

    - Então, ??

    - Tenho que me inscrever num curso intensivo de cozinha: um refogado parece ser garantia de viagens à volta do mundo num pacote tudo incluído. É sexy cozinhar. É sexy usar aventais apertadinhos ao decote. E viajar grátis também.

    - Ora, caralho, eu cá também preferia passar um ano da minha vida a partilhar tardes de piscina e dry martinis  com o torso nu do Javier Bardem a aturar o chato do Miguel Sousa Tavares no bar Sensações do cruzeiro organizado pela Marsans Viagens.

    - Consideração verdadeiramente importante: ahahahhahahhah, sou oficialmente famosa! Sem necessidade de ir a nenhuma festarola algarvia para famosetes da têvê, nem ser entrevistada pela Júlia Pinheiro ou lançar livro novo sobre sapatos, fui incluída num teste estival do Correio da Manhã. O povão já sabe quem eu sou! Estou ao nível do Pinto da Costa, Santo Deus! O que é que eu visto quando sair da maternidade?



    Por Rititi @ 2010/08/23 | 13 comentários »


    Voltar de férias…

    É chegar a casa e achar que as cortinas da sala encolheram. Ainda não é este ano que me reconcilio com o mundo laboral.



    Por Rititi @ 2010/08/22 | 1 Comentário »


    Verão Azul

    Escrevo esta crónica, queridos e fiéis leitores, desde um capítulo da saudosa série oitenteira Verano Azul, rodeada que estou nesta praia do sul de Espanha de guarda-sóis, lancheiras repletas de sandes e garrafas de água, velhas enfiadas em fatos de banho pretos, adolescentes peludos à procura do primeiro amor e cadeiras de lona. Isto é o Verão no Grande Reino de Espanha, a prolongação do quotidiano – do bar de tapas, do jardim infantil, da reunião de vizinhos – na imensidade da areia com o ronroneio preguiçoso do mar ao fundo. Na série de referência para qualquer trintinhas ibérico que se preze, os inefáveis Piraña, Tito, Bea, Desi, Quique, Javi e Pancho descobriam os desencantos da vida enquanto mergulhavam nesse mar tranquilo e azul que é o Mediterrâneo, como se esperassem que nas profundezas marítimas estivessem as respostas às crises hormonais e a aparição da primeira menstruação da sonsa da Bea (reconheço que esse episódio em concreto me marcou para a vida toda, que posso eu fazer). Depois de trinta e tal verões passados à beira-mar acredito piamente que a única razão para que milhões de contribuintes planifiquem as férias em destinos de praia – com todas as chatices inerentes a passar quinze dias com todos os membros da família em apartamentos de terceira categoria a dois mil euros a semana, sentados horas a fio com o rabo na areia a levar com o sol nas trombas, fazendo bicha à porta de uma tasca infecta para comer sardinhas semi-cruas – é o desejo de cada um deles de encontrar no rebentar das ondas a explicação à subida do euribor, o 21% de IVA, o desamor aos quarenta anos e uma barriga flácida e mais que evidente. E, se me apuram, a mais profunda esperança de que as próprias ondas levem com elas essas preocupações que tão pouco favorecem a convivência familiar e os poucos dias de sossego em que estão longe do chefe de secção e da patética necessidade de acordar às sete da manhã para pagar a prestação da casa. Todos querem que o mar faça esquecer.

    Até eu, sentada na minha cadeira de lona debaixo do guarda-sol às riscas, me sinto anestesiada com o cheiro a maresia e creme solar factor 530 e reconheço que as tribulações da vida me resvalam bastante a estas alturas do campeonato. Mesmo fazendo o esforço de comprar o El País todos os dias quando vou caminho da praia reconheço que a actualidade mundana me entedia enormemente (…). Porque no Verão o meu cérebro fica em sleep mode e a função memória desactiva-se até ficar como a da peixinha Doris, a amiga do pai do Nemo, curta e deliciosamente fútil. Assim sendo, eu, (…) prefiro lançar-me em cheio na ¡Hola! onde me encontro com as famílias reais escandinavas com cara de Inverno em plena tarde de Julho. Se o norte da Europa é tão próspero e pudente, penso enquanto me bezunto com litros de creme anti-buraco do ozono, é porque nunca é verão na Escadinávia, nem há clima que autorize o ócio porque sim, a sangria e os jogos de raquetes. Até os bifes nórdicos que assam na toalha do lado sabem disto e às cinco e meia da tarde recolhem as tralhas e vão caminho do hotel para jantar a horas, dançar na disco ao som da banda Sensaciones e meter-se na cama à meia noite porque no dia seguinte é obrigatório estar na praia antes das dez da manhã. Seremos pobres, mal-geridos e corruptos no Sul, mas ninguém nos supera na capacidade de reivindicar algo que deveria estar recolhido em qualquer Declaração de Direitos Humanos: o desperdício sem complexos do tempo.

    E quando vejo, ao fim do dia, as famílias a dobrarem as cadeiras de lona, a fecharem os guarda-sóis, a lavarem as lancheiras já vazias com água do mar, quando as velhas de fato de banho preto vestem a bata e levam os netos adolescentes acabadinhos de se apaixonarem para casa, então eu percebo que Verano Azul só poderia ter saído da cabeça de alguém que se sente no verão mais descontaído que nunca, com mais capacidade de amar e jogar ao dominó, de conversar sem tensões com desconhecidos em esplanadas com vistas para o mar e dormir de perna aberta. Porque Verano Azul, como todos os verões da nossa infância, levam-nos de novo a esse tempo quando brincar na areia era a actividade mais importante do dia e no frigorífico sempre nos esperava uma jarra de Tang de laranja bem fresquinha. No fundo isto é o verão, um lugar bonito onde amanhã não escola.

    (Crónica muito antiguinha publicada em 2007 na Revista Atlântico, mas que agora vem mesmo ao calhar)



    Por Rititi @ 2010/08/13 | 6 comentários »


    Meu querido mês de Agosto

    E o meu País, um ano mais, a arder nos telejornais, como se fosse inevitável a carbonização de Portugal, como se este fosse o nosso Fado, ver o País dos nossos antepassados reduzido a cinzas ano após ano, sempre quando chega o calor, os bombeiros desesperados, gente em bata a berrar em frente às câmaras de televisão, três hidro-aviões enviados pela Espanha, um Plano Nacional que se apresentará em Setembro na Assambleia quando suas excelências senhores os deputados já tiverem regressado do Algarve e já tudo tiver ardido. Quando já nada reste e a herança dos nossos filhos não seja outra que uma paisagem de escombros atravessada por auto-estradas que algum dia foram grátis.



    Por Rititi @ 2010/08/13 | Sem comentários »


    Breve apontamento mental enquanto a Rititi Family se encaminha para a praia às dez da manhã carregada que nem sherpas subnutridos, já todos bem suadinhos e fodidos das costas e leva logo nas ventas com a puta e no entanto idealizada estampa da escrava filipina a brincar na piscina da urbanização com os três filhos loiros de uma beta qualquer:  Para o ano contratar uma criada interna.



    Por Rititi @ 2010/08/06 | 9 comentários »