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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Acagaçados

    Não sei vocês, mas eu cá tenho a impressão que todos os dias tenho que ouvir uma nova queixa sobre nós, as mulheres, sobre os nossos hábitos, as vestimentas e a nossa feminilidade, teses sobre as regras universais do decoro, sobre o que é admissível ou não, desde a nossa sexualidade até a educação que damos aos nossos filhos, a gravidez, o parto, o pos-parto, a forma como fumamos e bebemos, a maneira como subimos ao autocarro e cruzamos as pernas; ideias peregrinas que vêm desde a pequeno-burguesa cujo ideal de beleza é ditado pelos padrões do império Inditex e que se escandaliza com os decotes superlativos da nova estrela da televisão global até às teóricas do post-feminismo para quem os saltos altos altos continuam, como não, a ser uma consequência da opressão machista milenar.

    E depois estão os gajos, claro, essa cambada de homenzarrões permanentemente acagaçados e com demasiado tempo de antena que, escondendo-se atrás de um suposto conservadorismo congénito (como se ser conservador fosse desculpa para ser parvo), se dedicam a lançar sentenças sobre como deveríamos ou não comportar-nos as mulheres. Há um par de anos atrás Javier Marías e Javier Perez Reverte gastaram um mês da vida deles a escrever colunas de opinião (no ABC e no El País, imaginem), chorando perante fotografias a preto e branco e exigindo um retorno imediato aos anos cinquenta, quando as mulheres eram senhoras e não saíam de casa sem antes oprimirem as mamas e a cintura com sutiãs de arame e cuecas de gola alta feitas de materiais que cortariam a respiração até a um cavalo. Um verdadeiro exercício de estupidez, no mínimo, mas que provocou uma onda global de solidariedade entre os machos ofendidos com o desleixo da fêmea moderna, muito mais preocupada em ir cómoda que em agradar os trolhas das obras que potencialmente se sentiriam mais satisfeitos com a visão de um rabo bem marcado por uma saia travada.  Claro. Já li textos sobre os horrores das calças descaídas, a “mania” das mães de agora de saírem antes do trabalho para ir buscar os filhos à escola, a “modernice” das senhoras de idade (50 anos) de arranjarem namorados muito mais novos (35). A última queixa foi lida no Facebook sobre as barrigas das grávidas. Ora, pelos vistos, a barriga de uma grávida não é coisa bonita de se ver. 75 (setenta e cinco!!) comentários depois proferidos por pessoas adultas e que supostamente deveriam estar a produzir algo de jeito para o país cheguei à conclusão que cada vez que uma grávida mostra a barriga está a exibir ostentosamente um estado que estupidamente acha de “graça”, que tudo é fruto do egoísmo, da exposição quase pornográfica da intimidade, um atentado ao conceito do individualismo estético que devassa as ruas. Bla, bla, bla…. Ó pá, deixem-nos em paz, caralho! Que fartura de tanto disparate, de tanta extrapolação, de tanto ofendidinho tacanho, de tanto tempo livre e tão mal gasto!

    Já não sei se têm demasiado tempo livre, ou têm saudadinhas de colo da mamã, mas esta obsessão pelo nosso quotidiano, esse recurso a um conservadorismo (que, claro, só se aplica às mulheres que não precisam de constante aprovação do machito de turno) é sinal de muito medinho metido aí dentro, como se as mulheres fôssemos uma ameaça ao equilíbrio do universo e eles pobres criaturas indefesas à mercê dos nossos variados caprichos. E nós, pá, além de achar todo este tema uma enorme estupidez, não gostamos de homens com medo, e muito menos com medo de nós.



    Por Rititi @ 2010/09/09 | 27 comentários »

  • Rititi, com que homens você se anda a relacionar…

  • ana says:

    Um texto fantástico! Adorei. Ainda bem que voltou, Rititi.

  • Salvador says:

    Uma boa noite, Rititi…))

    Como sempre, muito bom o seu texto, no qual expressa e vinca bem a sua opinião.
    A minha é, em parte, outra, e perfeitamente dispensável, claro, mas aqui fica, directamente de uma aldeia perdida no Alentejo, ainda conservadora, ainda Machista: Se há muito Macho Acagaçado, também há muita Fêmea Insegura, o que as leva a ‘abusarem’, em especial no vestuário e no calçado… ao salto alto, o tal que alonga a silhueta, juntam muitas vezes uns jeans justos e uma camisa com um decote exagerado. Querem sentir-se sensuais, sexys, e saem à rua a pavonear-se de uma forma que nem a mais vaidosa das Aves do Paraíso iguala. Faz-lhe bem ao ego o serem observadas e cobiçadas pelos homens e invejadas pelas mulheres.
    Particularizando, gosto de uma Mulher elegante, jeitosa e que não se vista da forma que referi acima. Não me faz diferença, nem me acagaço, se olharem para a minha Mulher e pensarem, por ex., ‘que Mulher elegante’. Já o género boazona, esse sim, acagaça-me. A mim e a qualquer homem que se preze. É que os homens que a observam dizem e pensam ‘eh páa, a gaja é mesmo boa’… e que Homem gosta de ver a sua mulher cobiçada ou ‘pensada’ desta maneira?
    Para terminar esta opinião do século XIX, Mulher Elegante convida a uma vida, mulher boazona convida a uma noite.

    Cumprimentos.

  • Isa says:

    eu acho que tu devias responder ao Salvador

  • Uma Rapariga says:

    Chega-lhes Rititi, que eles têm miúfa até das mulheres por eles descritas normais. No geral (salvo execpções claro) são cobardes que até dá dó… Uma pessoa farta-se com isto!

  • Clau says:

    Foda-se, podes crer! Não há pachorra!

  • Diuska says:

    Aplausos **

  • Ticcia says:

    Eu te amo, minha nêga. Vou guardar o texto para enviar terapeuticamente aos que deles estiverem precisando.

  • Brisa says:

    Que saudades do pêlo na venta de Mrs. Rititi. É arte, saber compôr por palavras aquilo que, no fundo, todas pensamos mas preferimos esconder.

  • Reis says:

    O Dr. Phill pode-te ajudar com os teus problemas sentimentais e sociais. Tenho pena ou então tenho de venerar o teu marido, devia de ser promovido a Santo. Que tipo de pensamento mais feminista é esse que tentas passar, ainda bem que existe um tal de Salvador, que cujo nome se apropria ao feito, salvar a honra dos homens. A teoria cai por terra, fazem-se de coitadinhas transformam num lobby algo que deveria ser perfeitamente normal socialmente e depois dizem-se reprimidas tal como o movimento gay que vai galopando pela sociedade ao ponto de já se tornarem eles próprios os “normais” e nós hetero os esquisitos, (ontem era proibido, hoje tolera-se, vou fugir antes que seja obrigatório), mas está tudo louco oh quê! Minorias étnicas, gays, feministas é tudo um rol de movimentos que se acham descriminados pela sociedade, esta é constituída não somente por homens mas por mulheres também, é só para lembrar as mentes, e depois com os seus lobbyzinhos comandam a sociedade em si e TODOS, mas que merda é esta pá!!! Contribuam para o país pá! Criticam os homens por isto por aquilo por tudo e por nada, se criticamos a indumentária é porque criticamos e somos machistas, se não dizemos nada é porque não ligamos nenhuma se calhar temos outra ou então pior, somos gay´s. Não há paciência, um conselho lê este livro sobre sociedade e génese humana “O Clã do Urso das cavernas” de Jean M.Auel (é mulher só por acaso)

  • Maria says:

    Ó que maravilha ter encontrado este texto!!! Mai nada!!! :)
    Eu também li esse comentário no Facebook. Ainda bem que não estou sózinha na indignação!

  • Rititi says:

    Salvador e Reis,
    Obrigada. Nem preciso de vos responder.

  • Zade says:

    Reis, querido, não me parece q tenha compreendido “O clã do Urso das Cavernas”. È natural, deve ter ficado pelas cenas de sexo, ou teria percebido que o livro, juntamente com os que se seguem, descreve o percurso de Ayla, até sair da sociedade machista dos Neandertais e encontrar tribos q aceitem a sua independência.

    Pensando bem, uma vez que o Reis ainda não atingiu o estado evolucionário de Homo Sapiens, o seu cérebro primitivo nem os livros da Anita deve ter a capacidade de entender.

  • .I. says:

    E se, em vez de começares logo a descascar no bode expiatório mais conveniente, ponderasses seriamente acerca das tuas próprias escolhas no que concerne a homens? (uuuu… apreciei particularmente a parte em que escrevi “concerne”… dá um ar entendido à coisa).

  • Rui says:

    Rititi
    São todos os medrosos, eles e elas, esses.
    Há muitas mulheres com medo dos homens que não têm medo delas. Não concebem um macho que além de as conhecer e aceitar, não tem medo e até gosta delas.
    As pessoas são muito complicadas.

  • Eu não sei se o Rui percebeu bem O Clã do Urso das Cavernas (e não é por acaso que a autora é uma mulher). Mas agora diga lá, Rui, sente-se discriminado com estes posts, é? E com os movimentos lgbt? E com os feminismos?

  • Cat says:

    Irra que ha gente mesmo tapada e retrograda! E com graves problemas de interpretacao! “O Cla do Urso das Cavernas” e um dos meus livros favoritos e parece-me que a mensagem e bem explicita.
    Sejam as mulheres que tem medo dos homens ou vice versa, a forma como vivem a vida, se vestem (devo dizer que quando estive gravida mostrei a barriga com orgulho!) ou se comportam deve ser uma opcao propria e nao ditada por seja quem for! Infelizmente na realidade as coisas nao sao assim tao faceis…
    E quanto a contribuicao para o pais, desafio qualquer homem a viver uma semana na pele de uma mae que trabalha. Que grande lata!
    Coitadinhos dos homens… Qualquer dia nao tem poder nenhum… Vamos criar um movimento de apoio e defesa dos homens? Os verdadeiros, claro esta. Os MACHOS!

  • GENIAL!
    Leio diariamente este blog, mas visto que só ontem decidi guardar uns minutos do meu tempo para criar o meu próprio blog, acho que é altura de expressar a minha admiração por uma mulher forte como é a Rititi! Muitos parabéns!

  • Cuca says:

    Tu tens sorte, Rititti. Anda antes que alguém tenha tempo de te contrariar, aparecem logo dois a comprovar a tua tese.

  • Só Sedas says:

    Ai Rititi… é isso mesmo! Ainda bem que te lembras-te de escrever isto. Toda a gente sente, mas ainda ninguém tinha comentado.

  • elisa says:

    Ahh, Deus nos livre e guarde dos homens bem pensantes e acagaçados!

  • Salvador says:

    Boa tarde, Senhoras…

    Transmitir emoções através da escrita é para quem sabe Escrever (com ‘E’), não para quem escreve (com ‘e’), que é o meu caso. Mas mesmo assim vou tentar fazê-lo: Quando comento um texto (prefiro ‘texto’ a ‘post’) faço-o num registo cordial e educado, tal qual como se estivesse numa esplanada em conversa com amigos. E claro, numa conversa há pontos de vista que não coincidem, mas ninguém se coíbe de os transmitir, por mais antagónicos que sejam e até porque é chato estar alguém a falar e ninguém contrapôr ou opinar, a não ser para dizer ‘amén’. Não estamos perante uma conversa de amigos, nem sequer de conhecidos, mas parece-me salutar que o espirito na Blogosfera seja esse mesmo. Por o entender assim, estranho o tom exacerbado e corporativo de alguns comentários subsequentes ao meu.
    Gosto de a ler, Rititi, e gosto de opinar e comentar sem ser sob a forma de Amén. Provavelmente é-lhe indiferente, mas este é o seu espaço, a sua ‘casa’, e se entender que sou ‘indesejável’, diga sff… virei lê-la com o mesmo prazer e saio sem perturbar o espaço.

    Cumprimentos

  • PMendes says:

    Live and let live…
    Haverá quem ( não) goste das boazonas, das elegantes, das desmazeladas, das intelectuais, das louras, das morenas, das mulheres com muitas mulheres dentro e mais uma, das conformadas,das que se insurgem, das tontas, das estúpidas, sempre ou às vezes….
    Caguei….se me preocupasse com isso, nem saía à rua…
    ( Ainda) acho que se olhassemos uns para os outros mais longe e para além do género, a fronteira do medo estaria bem mais distante.
    Salut

  • JPB says:

    Eu tinha começado a comentar aqui, mas como a coisa ficou grande, passei para aqui: http://janela48.blogspot.com/2010/09/tenha-medo-tenha-muito-medo.html

  • hey says:

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