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Rititi

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INÍCIO

  • Arrependimento

    “Si ustedes hacen memoria, habrán leído u oído numerosas entrevistas con personajes públicos en las que, antes o después –la pregunta debe de ser recurrente por parte de los periodistas–, manifiestan con invariable brutalidad (ya se trate de políticos, actores, escritores, cantantes o banqueros): “No me arrepiento de nada. Cuanto he hecho lo volvería a hacer. No tengo nada que lamentar”. Siempre me quedo perplejo, pese a la reiteración. ¿Nadie se arrepiente de nada, cuando esa es una de nuestras más frecuentes reacciones, al menos en nuestro fuero interno?”

    Ficou-se esta reflexão de Javier Marías no Suplemento Semanal do El País de ontem aqui encravada. É verdade: parece que qualquer personagem relativamente “bem sucedida” sempre se declarará orgulhosa de todos e cada um dos seus actos, passados e futuros, sem mostrar mínimo resquício de arrependimento, como se ter êxito na vida (e na carreira, claro, porque nesta absurda confusão do ser e do ter a vida é a carreira e a carreira a vida) implicasse saber sempre o que se tem que fazer, com uma precisão assombrosa, o que equivale a reconhecer que o arrependimento corresponde a seres menores e por tanto fracos e menos merecedores de atenção e respeito. Odeio esta reverência pública e mediática a seres tão infalíveis, que não só não se enganam, como têm a certeza absoluta que tudo o que fazem e farão está dotado de uma espécie de graça divina que os impedem de ser julgados e postos em causa. E mais: assusta-me viver num mundo em que não se valoriza aprender dos próprios erros. Um gajo tem que saber sempre qual a decisão certa, parecem dizer-nos as vozes da certeza. Porra, eu passo o dia a fazer merda, arrependendo-me tanto de tantas coisas que fiz, ou deixei de fazer por cobardia ou preguiça, custa-me por vezes adormecer pensando na validade dos meus actos, na palmada que dei ao meu filho, nas poupanças que gastei naquela viagem a Londres, não como modo de expiação, mas sim como tentativa de não voltar a cometer as mesmas cagadas, de não voltar a desperdiçar oportunidades, de ser melhor pessoa, melhor mulher, melhor mãe. Leio, como Javier Marías, as declarações destas personagens exemplares da infalibilidade e dá-me um medo do caralho: se estes são os novos líderes sonhados pela nossa sociedade que possibilidade de engano teremos os mortais imperfeitos no amor, na educação dos filhos, nas empresas? Estamos feitos.



    Por Rititi @ 2010/10/11 | 6 comentários »

  • sunny says:

    Arrependimento sincero é coisa de boas naturezas, todos erramos, mas são raros os que o assumem perante si próprios e os outros, aí está a capacidade de renovação…a vida saudável é feita destas reciclagens interiores…um bom dia, Rititi!

  • Mónica says:

    Muito bons, o artigo e a sua reflexão.

  • Ana Rita says:

    Estamos mesmo é fodidos. Quando a malta que nos lidera nunca se engana e raramente tem dúvidas… Dá para ver o que tanta certeza fez ao mundo…

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