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Rititi

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INÍCIO

  • Grandes momentos literários

    Já foram comprar o número 2 da Penthouse? Então, do que estão à espera? Lá dentro, além de pipis, mamas, mamocas e pneumáticos, rabos daqueles que dão inveja às gajas que sofremos os efeitos do trabalho de secretária e demais coisas de que os gajos gostam (carros, jogos de computador e futebol) vão encontrar mais uma fabulosa crónica desta vossa blogger favorita. Depois da análise da entreperna do Cristiano, este mês tocam cornos, os deles. Fodido.



    Por Rititi @ 2010/11/29 | 6 comentários »


    Adeus Outono

    Primeira nevada em Madrid, 2 graus lá fora, ruas entupidas, narizes congelados, pescoço encolhido, aquecimento ao máximo, pijamas de flanela… Em definitiva, estou oficialmente em hibernação.



    Por Rititi @ 2010/11/29 | 1 Comentário »


    Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher

    25 DE NOVEMBRO – (*crónica publicada no DNa no dia 25 de Novembro de 2005)

    Mais actual que nunca: só este ano foram assassinadas em Espanha 63 mulheres

    No calendário da Igreja Católica recorda-se hoje que uma mulher foi morta em Alexandria no século IV. Pela brutalidade da sua morte e a convicção na defesa duma nova fé monoteísta canonizaram-na com o grau de mártir e hoje é considerada a padroeira da eloquência e dos filósofos, predicadores, solteiras, fiadeiras e estudantes deste mundo. Diz quem sabe que Catarina de Alexandria é das santas mais influentes no Paraíso Celestial, com poder suficiente para aconselhar Fernando III sobre a reconquista de Castela aos mouros e com direito a um quadro de Caravaggio pendurado no Thyssen—Bornemisza em Madrid. No dia 25 de Novembro de 1960 por ordem do ditador Rafael Leônidas Trujillo assassinaram na República Dominicana as irmãs Patria, Minerva y María Teresa Mirabal. Pertenciam à classe média alta do país, estavam casadas e só se opunham a um dos regimes mais sanguinários da América Latina. Trinta e nove anos depois a Assembleia-Geral da ONU, encarregue da redação do novo calendário das causas a não esquecer, declarou o dia 25 de Novembro como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher. As irmãs Mirabal são as mártires do século XX, ferido pela lucidez de quem repara que as aberrações cometidas foram contra seres semelhantes, em princípio.
    A resolução A/RES/134 foi o resultado «de um crescente movimento internacional para acabar com uma trágica epidemia que devasta as vidas de mulheres e raparigas, parte comunidades e é a barreira para o desenvolvimento de todas as nações». O alarme justifica-se: segundo a ONU 25% das mulheres do mundo foram violadas em algum momento da sua vida e 120 milhões sofreram mutilações genitais. Esta tragédia materializa-se todos os dias com o tráfico global de escravas sexuais, violação, maus-tratos físicos e psicológicos, repúdio familiar, mutilações, desprezo social e diferente consideração aos olhos da lei e só é possível devido à subsistência da noção de que uma mulher não é assim tão importante como o homem, equivalente talvez a um cão, quem sabe se tão cara como um carro desportivo ou mais inteligente que um rapaz de três anos. Não me julguem extremista: no momento em que alguém se sente no direito de proibir o voto a outro ser humano pelo simples facto de ter o período é porque tem a certeza que é superior pela graça de Deus, do músculo e com o beneplácito da sociedade que o educa e o aplaude. Quem bate numa mulher sabe que o pode fazer, que está legitimado para agarrá-la pelos cabelos, queimar-lhe os peitos, controlar-lhe a sexualidade. Ao violar uma desconhecida na rua não se impõe só o poder do punho: é o exercício de uma necessidade física que se pode satisfazer com qualquer uma. Porque não é humana. Só o objecto.
    A Lei Orgânica de Medidas de Protecção Integral contra a Violência de Género que entrou em vigor com a chegada ao governo espanhol dos socialistas considera sempre os homens agressores e as mulheres vítimas e confrontou Ongs, feministas de rua, linguistas, constitucionalistas e até o Conselho Geral do Poder Judicial em debates acesos em hora de máxima audiência televisiva. Então não éramos todos iguais perante a Lei? Pode ser alguém automaticamente culpado num caso de ofensas físicas só por ser homem? Quem defende os maridos contra as mentirosas, as perversas que vampirizam os amigos, ficam com a casa, a custódia do cão e a cobram pensão alimentar? Permaneceu o mal menor. Olha, paciência, disse Zapatero, e agora os juízes nem sabem onde arquivar as denúncias falsas por maus-tratos e os «afinal não era nada disso o que eu queria dizer, senhor Doutor, eu é que bebi uns copos a mais, fiquei ciumenta e decidi inventar esta história toda, não faça mal ao meu Zé». Ao discriminar positivamente um cidadão em relação a outro esta lei apresenta-se como «menos legal», injusta talvez para o resto do conjunto da sociedade enquanto abre excepções em função do sexo. Mas é essa mesma sociedade é a que ainda discrimina por sexos, por géneros. A masculinidade não é sinónimo de psicopatia nem o ódio ao sexo feminino é exclusivo da masculinidade. É só uma consequência social.
    Sociedade não é só o ente abstracto que vemos nas estatísticas anuais, os dados macroeconómicos ou os índices inflacionistas anunciados pelos governos. Por sociedade deve-se entender cada relação matrimonial, laboral, a educação dos filhos, o tratamento das avós, o piropo à menina que passa por uma obra, o apalpar o rabo a uma mulher no metro, a divisão das tarefas do lar, quem tem direito ao aumento do ordenado. Mais do que procurar a simples penalização de um acto violento instalou-se a urgência de tipificar um bem jurídico tão óbvio como a dignidade feminina, passível de protecção estatal, policial e legal, parte indispensável do ordenamento social. Na era do descobrimento do genoma, da aceleração de partículas e do Prémio Príncipe das Astúrias a António Damásio, pouco abona a favor do nosso mundo que ainda se debata a necessidade de igualar direitos. Não é uma questão de feminismo, sexismo, paranóia de senhoras desocupadas com sutiãs a mais no armário, mas sim do reconhecimento dos Direitos Humanos, elementares, como declara a resolução da ONU, para o desenvolvimento também económico das nações.
    Hoje, 25 de Novembro, Santa Catarina de Alexandria, Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, as televisões lembrarão as violações, mutilações, os maus tratos, as lapidações. Mas não chega. Ao menos enquanto a mulher não for igual, um ser humano, e não essa coisa menor cuja vida é menos valiosa que um livro de cozinha.



    Por Rititi @ 2010/11/25 | 3 comentários »


    Um mês

    Temos o Francisco há um mês em nossa casa, numa casa que já estava habituada a dormir a noite toda, a ter a família toda a jantar à mesa; uma casa com os horários claros, os banhos fáceis e a mesma comida para todos, onde se vai para a cama com um beijinho e sem birras, se pede a água por favor e se agradece em espanhol e em português. E chegou o Francisco e tudo se voltou a alterar e como se não me lembrasse de nada, outra vez me atacaram as dúvidas, a que temperatura tinha que ir o banho, a mama é a vontadinha do freguês ou começamos já com a disciplina prussiana, temos detergente para bebés, já ferveste a chucha e porquê chora, achas que são cólicas, vá lá meu amor, calminha, a mãe já está aqui. E como respeitar o horário de um enquanto o outro tem fome, ou sono, ou birra? E como ir ao parque infantil se o pequeno tem que mamar a essa hora? E como ter um sorriso às sete da manhã quando passei a noite com o olho aberto a mudar a fralda, fazer arrotar, mudar pijamas, calmar choros? Dizem que há mulheres que lidam perfeitamente com a chegada de um novo filho e que são super-mães e que cozinham, vão ao supermercado, conduzem aos três dias de parir, estendem a roupa, passam a ferro, dão a mama ao pé coxinho, estão sexis, são incríveis. Não é o meu caso: perfeitamente consciente das minhas limitações e porque já me estava a ver a cair pelas esquinas, com o cabelo sem lavar e a arrastar chinelos com o pijama cheio de vómitos, o jovem e hiper-fértil casal  Pinheiro decidiu contratar uma empregada brasileira que teima em dirigir-se a mim em português apesar de não perceber patavina do que eu digo, pelo que me vejo obrigada a falar com sotaque brasileiro das telenovelas. Um must da pequeno-burguesia, portanto, que me ajuda a não sentir-me uma inútil com dois putos num apartamento de setenta metros quadrados em pleno inverno madrileno. Porque a chuva, a neve e o vento estão já aqui, porque eu já me reconheci como um ser imperfeito e pouco dado a valentias, porque não vale a pena começar já a sofrer quando sabemos as noites que nos esperam durante os próximos anos e porque o que me apetece é curtir o meu Francisco, como curti o meu Manel, de bebé, assim sem se poder sentar, nem segurar a cabecinha, com as suas mãos minúsculas e os pézinhos tão adoráveis, porque o que preciso mesmo é de ter tempo para lhe descobrir os olhares e as respirações, deixar crescer sem sobressaltos este novo amor, dar-lhe colinho sem pensar se há máquinas para estender e os quartos que aspirar. Porque ter um novo filho em casa – tão pequenino, tão a precisar do nosso carinho, de miminhos, de banhos prolongados, de paciência – já é cansativo, extenuante e exigente fisicamente que baste como para me armar em heroína de uma vida que não quero que seja a minha.



    Por Rititi @ 2010/11/18 | 9 comentários »


    Lisboa

    Lisboa, apesar de colinas e da luz e das vistas desde a minha casa e desse cheiro a lavado, Lisboa com o seu ritmo e o seu tempo, com esses turistas babados no miradouro de São Pedro de Alcântara, não é um postal. É uma cidade muitas vezes impraticável, um caos no inverno com as chuvas a colapsar sarjetas e ruas, humidades que se pegam às paredes dos edifícios e aos cabelos, eléctricos que não passam, águas que transformam a calçada portuguesa numa arma assassina; uma cidade que no verão nos sofoca, que aos fins de semana fica deserta, uma capital sem centro, sem gente, sem vontade de ir beber um copo à quinta feira, uma cidade enfiada em casa cheia de frio e com a manta pelos joelhos e com preguiça de ir passear os filhos ao parque. E mesmo que houvesse um hipotético e mais que improvável trabalho bem pago à minha espera nesse lado da fronteira, voltar a Lisboa apresenta-se como um exercício de masoquismo alucinado – só de me imaginar a empurrar um carrinho de bebé feita doida pela Calçada da Estrela acima até me dá uma coisinha má – e morreria de saudades destas pequenas guloseimas que fazem de Madrid uma espécie de aldeia onde se fingem hábitos provincianos para não nos sentirmos perdidos e tão sozinhos. Essas cañitas de fim de tarde assim que começa o bom tempo, o Retiro como jardim de casa, a tradição do cozido madrileno com os amigos, mais não são que entreténs para passar o tempo nesta cidade que não tem mar, nem rio, nem pais onde ir almoçar ao domingo. Porque Madrid não é minha, não sou daqui, ninguém é daqui. Fazemos de conta, brincamos a fazer do bairro em que vivemos o nosso bairro, copiamos tradições, fingimos que as festas de San Isidro, ou da Almudena, ou da Paloma são nossas. Mas não são. Ao contrário de Lisboa. A Lisboa sempre senti que pertencia, apesar da chuva, das ruas escuras, do desagradável do inverno, da tristeza dessas terças feiras vazias de gente, dos parques infantis sem crianças, do queixume. E agora que tenho dois filhos não os posso obrigar a viver numa cidade tristonha mas bonita, deprimida mas romântica, nossa mas solitária. Por isso Madrid agarra-me mais que Lisboa, o que é uma pena, porque eu adoro Lisboa e queria tanto rever-me naquelas colinas, educar os meus filhos em português, habituar-nos a passear pela praia em Abril, ter a certeza de um bom prato de sopa em qualquer tasca. E saber-me cada vez mais longe da cidade que mais amo enche-me o coração de saudade. Que pena.



    Por Rititi @ 2010/11/12 | 22 comentários »


    TUDO OU NADA

    Nicole Kidman desvanecida sobre a mesa de um banquete que ainda não começou, fastosamente mascarada de cortesã do Antigo Regime e a quem parece apertar o corpete ou talvez a rotina dos dias sempre iguais. Com esta fotografia começa “Todo o Nada”, a exposição que dedica o Museu Thyssen-Bornemizsa de Madrid a Mario Testino, considerado um dos mais importantes e influentes fotógrafos da actualidade, um guru da moda que quando quer publica na Vanity Fair, W ou Vogue, acede à realeza mundial (a ele devemos a sessão fotográfica que consagrou definitivamente Lady Di como a Princesa do Povo) e tem o poder de elevar ao estatuto de divindade global mulheres como Sienna Miller ou Daria Werbowy.

    É o último acontecimento da temporada,  o must go total do fim deste ano madrileno que reúne, como fiéis devotos ansiosos de beleza, fashion victims, modernos, senhoras a roçar os sessenta anos e os quarenta quilos, supostos trendsetters, amantes da fotografia e adoradores da moda, lambedores de montras e decoradores da Harper’s Bazar, todos eles num silêncio quase monacal e que deveria de servir de exemplo para qualquer visitante dos museus do mundo. Ao lado de Nicole, está pendurado um retrato imenso de umas debutantes londrinas que em 2006 esperavam ansiosas o primeiro baile, o primeiro beijo escondido atrás das cortinas do salão, as primeiras mãos que lhes envolvam a cintura juvenil e, quem sabe, lhes desabotoem lentamente esses vestidos de alta costura.

    Porque é disto que trata “Todo o Nada”: cinquenta e quatro retratos de mulheres bonitas – modelos, actrizes, celebrities – que vão tirando a roupa. Cada sala da exposição funciona como um espectador silencioso de um striptease de luxo e os visitantes somos convidados a participar neste exercício de voyerismo e desnudez, como se nós, uns vulgares, rechonchudos e mais que vestidos mortais, estivéssemos à altura das pernas e os rabos que ali se expõem. Conforme avançamos vemos como as modelos se vão despojando dos vestidos, camisas e sutiãs, peça a peça, pestana a pestana, até chegar à caída do vestido de Gisele Bunchen ou às mamas fabulosas de mulheres mais fabulosas ainda como Lara Stone, Claudia Schiffer ou Kate Moss, quem um pouco mais à frente provoca o espectador arregaçando a saia e mostrando umas cuequinhas que transparentam pouca vergonha e uns nada tímidos pêlos púbicos.

    E assim se sucedem os corpos de estas Vénus do virar do século, numa explosão de ancas, peitos que se tapam com pulseiras de diamantes, calças de ganga descaídas, coxas que se contorcem entre lençóis e botas que funcionam como as únicas peças de roupa. Que gozo, que capacidade de sacar o melhor de cada uma das modelos, que naturalidade, penso ao ver estas fotos, como se não soubesse que atrás de cada uma delas existe uma equipa de maquilhadores, estilistas, cabeleireiras, esteticistas, designers, assistentes de produção e demais seres humanos cuja única missão na vida consiste em fazer magia transformando uma mulher bonita num objecto de desejo universal capaz de enfeitiçar qualquer espectador indefeso. Aliás, Mario Testino não tem problema nenhum em afirmar que é fã do photoshop e da cirurgia estética (para a realidade já nos bastam os telejornais), pelo que a sucessão de retratos destas ninfas supremas não chega para me deprimir com a confrontação da banalidade do meu próprio corpo necessitado, esse sim, de algum que outro retoque digital. Aqui só não se conforma quem não quer.

    Até chegar à última fotografia. De costas, completamente nua sobre uns saltos impossíveis, está Demi Moore, provando que não há photoshop que valha quando se é dona do rabo mais soberbo de Hollywood. Reduzida à minha insignificância olho para aquelas nádegas e compreendo finalmente o funcionamento do Universo, a teoria da relatividade de Einstein e até o fora-de-fogo. O poder desta mulher está concentrado, não na maquilhagem, nem na produção estilística, mas sim nuns glúteos férreos que desafiam as leis da física, da lógica e da gravidade e que claramente lançam o repto: “Tenho 48 anos. Olhem para o meu rabo. Agora escolham: tudo ou nada.”



    Por Rititi @ 2010/11/09 | 6 comentários »


    Verdades como punhos aos 19 dias de parir

    - Faço filhos lindos. Não bonitinhos. Não queriduchos. Os meus filhos são objectivamente lindos. Perfeitos.

    - Posso considerar e considero os meus mamilos como armas de defesa pessoal. Tenham cuidado.

    - Dar o peito é um pincel, uma seca do piorio. Mais dois meses, Rititi, só mais dois meses.

    - Se uma gaja se lembrasse das maravilhas de sacar a mama cada três horas, dessas noites de leite, cocós, vómitos, da troca de pijama, troca de lençóis, dos arrotos, das olheiras, do dormitar pelos cantos, digo, se uma gaja se lembrasse destes maravilhosos e insubstituíveis momentos não voltava a ficar grávida.

    - Já me enfio nuns jeans tamanho 40. Heidi Klum, põe-te a pau, que a Rititi soon will be back in town.



    Por Rititi @ 2010/11/03 | 5 comentários »