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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Um mês

    Temos o Francisco há um mês em nossa casa, numa casa que já estava habituada a dormir a noite toda, a ter a família toda a jantar à mesa; uma casa com os horários claros, os banhos fáceis e a mesma comida para todos, onde se vai para a cama com um beijinho e sem birras, se pede a água por favor e se agradece em espanhol e em português. E chegou o Francisco e tudo se voltou a alterar e como se não me lembrasse de nada, outra vez me atacaram as dúvidas, a que temperatura tinha que ir o banho, a mama é a vontadinha do freguês ou começamos já com a disciplina prussiana, temos detergente para bebés, já ferveste a chucha e porquê chora, achas que são cólicas, vá lá meu amor, calminha, a mãe já está aqui. E como respeitar o horário de um enquanto o outro tem fome, ou sono, ou birra? E como ir ao parque infantil se o pequeno tem que mamar a essa hora? E como ter um sorriso às sete da manhã quando passei a noite com o olho aberto a mudar a fralda, fazer arrotar, mudar pijamas, calmar choros? Dizem que há mulheres que lidam perfeitamente com a chegada de um novo filho e que são super-mães e que cozinham, vão ao supermercado, conduzem aos três dias de parir, estendem a roupa, passam a ferro, dão a mama ao pé coxinho, estão sexis, são incríveis. Não é o meu caso: perfeitamente consciente das minhas limitações e porque já me estava a ver a cair pelas esquinas, com o cabelo sem lavar e a arrastar chinelos com o pijama cheio de vómitos, o jovem e hiper-fértil casal  Pinheiro decidiu contratar uma empregada brasileira que teima em dirigir-se a mim em português apesar de não perceber patavina do que eu digo, pelo que me vejo obrigada a falar com sotaque brasileiro das telenovelas. Um must da pequeno-burguesia, portanto, que me ajuda a não sentir-me uma inútil com dois putos num apartamento de setenta metros quadrados em pleno inverno madrileno. Porque a chuva, a neve e o vento estão já aqui, porque eu já me reconheci como um ser imperfeito e pouco dado a valentias, porque não vale a pena começar já a sofrer quando sabemos as noites que nos esperam durante os próximos anos e porque o que me apetece é curtir o meu Francisco, como curti o meu Manel, de bebé, assim sem se poder sentar, nem segurar a cabecinha, com as suas mãos minúsculas e os pézinhos tão adoráveis, porque o que preciso mesmo é de ter tempo para lhe descobrir os olhares e as respirações, deixar crescer sem sobressaltos este novo amor, dar-lhe colinho sem pensar se há máquinas para estender e os quartos que aspirar. Porque ter um novo filho em casa – tão pequenino, tão a precisar do nosso carinho, de miminhos, de banhos prolongados, de paciência – já é cansativo, extenuante e exigente fisicamente que baste como para me armar em heroína de uma vida que não quero que seja a minha.



    Por Rititi @ 2010/11/18 | 9 comentários »

  • Juanna says:

    Uffff….a quem o dizes. Mas eu já vou 1 ano adiante, já dormimos toda a noite, quase todas as noites, a comida generalizou-se para miúdos e graúdos (não gosta de lentilhas ou feijão preto? não jante então, aqui não há menus à escolha), já podemos dar ordens e sair de casa sem 385 fraldas, babetes, leite em pó, água fervida, chuchas esterilizadas, etc. No big deal, dentro em breve dirás o mesmo. Era só para fazer invejinhas para quando sentes que não sabes para que lado te virar :)

  • Ana Rita says:

    muito bom para não variar… em março embarco eu nessa aventura, mas pela primeira vez… a ver vamos!

  • Ana Martins says:

    às vezes tenho vontade de ter o terceiro para curtir tudo como deve ser, porque sempre me armei em super mulher e arrependo-me bastante.
    …mas depois acordo desse sonho e penso: “get real!”, que a vida não está para brincadeiras, como é que ias pagar a empregada?!
    Bom, adorei o teu post, como sempre, sorry pelo desabafo.
    Deve ser de ser sexta-feira, e amanhã tenho que vestir o fato da super mulher outra vez…

  • Rachel says:

    Eu sei, eu sei, é um lugar comum, mas deixa-me dizer-te: quepostdocaralho!
    Ouro, Rititi, ouro é o que eu pago à minha, o peso dela em ouro, mas que se foda (ui perdão).
    Olha que ser mãe aos 34, mas 14 anos depois do primeiro… é toda uma outra realidade. estamos a falar em filho que cozinha, que traz o pão para casa quando vem do colégio, que fala de assuntos como… tcharan: a actaualidade. estamos a falar num filho que é um homem e depois há o piolho encardido…
    Eu vi minha vida a andar para trás.
    Nao sou mae/dona de casa/sexy bomba/trabalhadora independente/o caralhomaisvelho, tudo junto e ao mesmo tempo enquanto faço o pino?
    Não.
    Mas o pessoal lá de casa agradece.
    Muito.

  • Vera says:

    Às vezes acho que o drama é maior nas cidades. Tenho 3 filhos entre os 4 anos e meio e os 10 meses, tudo de seguidinha para não pensar muito. Sinceramente, tudo se faz. Não tenho empregada e lavo umas 7 máquinas de roupa por semana, que vou engomando a cada 2 ou 3 dias. A casa tem 2 pisos e é relativamente exigente. A sorte é que os mais novos se deitam às 7 da tarde o que me dá um bom serão em que consigo arrumar a cozinha, namorar e arrumar uma das divisões da casa (é uma por noite). Deito-me entre a 1 e as 2, o baby bebe leite pelas 4 e às 6h30 / 7 horas os mais novos já acordaram. O SEGREDO é que uma ou 2 vezes por semana despachamos os gajos para as avós e encontramos algum equilíbrio como casal e como pessoas – ok, a maioria das vezes adormecemos cedo no sofá. Ter filhos sem as mães/sogras por perto, isso já me assusta e é um dos grandes motivos para estarmos alapados numa terra mais pequena do que (provavelmente) a tua rua aí, LOLLL
    A ideia é eles crescerem um bocadinho e, só depois, ir á aventura pelo mundo, LOL. Isso e ter cada vez mais pena de os estar a criar num meio pequeno, de pequenas mentalidades… um dia zarpamos daqui, mas enquanto eles são pequenos dá um jeitão…

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