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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Meninas nuas e violência de género

    A leitora Inês, ali em baixo, diz não perceber “como é que se pode escrever e fazer publicidade a uma revista de pipis e mamocas” e ao mesmo tempo dedicar uma crónica ao tema de violência de género onde me posiciono claramente a favor de uma lei que considera à partida as mulheres sempre vítimas e os homens sempre culpados; uma lei, por tanto, injusta mas necessária. Pode uma mulher como eu, feminista, clara defensora da igualdade e profundamente em contra da prostituição e que poria uma bomba em todos puticlubes começando pelo Elefante Branco, enfim pode uma mulher que acha que Portugal continua a ser um país estupidamente machista escrever numa revista onde as gajas aparecem com o pipi tão depilado que estão à beira da bronco-pneumonia e a debitar grandes sentenças como “gosto de sushi e também de bifinhos com cogumelos”? Pode, sim. Afinal, estas meninas, recauchutadas, rasuradas e a quem os tangas lhes devem dar imensa comichão porque estão sempre a coçar-se o que querem mesmo é que ser fotografadas para as páginas centrais como as gajas boas que se acham que são, sem cuequinha e com o rabinho alçado a subir as escadas do prédio. Que as revistas como a Penthouse perpetuam a ideia da mulher objecto? Ó pá, sim, claro. De objecto sexual, aliás. Duvido que a menina da capa queira outra coisa quando se aperta as mamas com aquele arzinho matreiro. Nem ela nem a namorada do Cristiano Ronaldo quando se deixou fotografar nua para a GQ ou nem a Paz Vega quando se arma em madame de casa de senhoras finas para a DT. Mas querer ser o objecto de desejo de milhares de homens não implica coisificar-se, deixar de ser gente, possuidora de direitos. Ser o objecto de desejo do meu marido não me retira dignidade. Sou algo mais que uma gaja boa, como as miúdas que aparecem na Penthouse ou na Playboy, que quando se vestem continuam a ter preferências musicais, direito ao voto ou prazer em comer bifinhos com cogumelos. Aliás, achar que os gajos que compram estas revistas só são capazes de olhar para as mulheres como seres fodíveis revela muito pouca consideração pelo género masculino. Que há homens broncos que sempre verão as mulheres como coisas, é verdade, mas essem nem precisam de comprar a Penthouse.



    Por Rititi @ 2010/12/07 | 8 comentários »

  • Leonor says:

    Rititi, eu creio entender o seu ponto de vista. Mas a questão: nessa “parceria” que papéis femininos estão a ser promovidos?
    Por um lado o da Rititi, certo, autora inteligente, culta, emissora de uma escrita notável. Provavelmente existirão outras colaboradoras com perfis análogos, não sei.
    Mas, “do outro lado”, o que vemos? Pela capa parece-me uma continuidade da exibição de uma sensualidade (?) estereotipada, fabricada, que pouco tem a ver com o facto de alguém apreciar ser objecto de desejo de homen(s) que, de alguma forma, escolhe. E isso é ambíguo. E – eu sei que o termo “mensagem” está muito fora de moda, mas de momento, não me ocorre melhor – quem recebe a dita mensagem, o que recebe?

    Claro que é “isso” que as “modelos” pretendem. Ser objectos sexuais, certíssimo. Provavelmente como um degrau para uma eventual carreira na moda ou na televisão.
    Mas será mesmo uma escolha, Rititi? E o que estará na sua génese? Não é precisamente essa visão, que reduz a dignidade das mulheres, que elas adoptam porque, se calhar, não têm instrumentos para escolher outros caminhos?
    Há quem diga que as mulheres abusadas que “ficam” o fazem porque assim o preferem, porque não tão coragem de arriscar, etc, etc. Mas sabemos que não é isso que se passa. E não admitimos esse embuste.

    Na minha opinião, para podermos reclamar, de facto, essa dignidade, justíssima, devemos pugnar por ela em vários vectores. E, confesso, quanto a mim, as “revistas masculinas” são campos fortemente armadilhados para uma feminista trilhar.

  • Lua says:

    Acho que ‘objecto sexual’ tem muito má reputação. Qual é o problema exactamente em se ser objecto sexual ou de admirar alguém como um objecto sexual? Desde quando é que se se deixar se uma fantasia ou fantasiar é sinónimo de falta de respeito (por toda e qualquer variante?)?

    Cada um fantasia como quer e com o que quer. Qual é o nível em que temos de estar/ ser para não nos deixarmos ser fantasias ou fantasiar? Neste lado do mundo fantasia-se com as mamas na capa de uma revista, noutros lados fantasia-se com um tornozelo! Se andássemos todas cobertas fantasiava-se com o andar.

    Existirão sempre pessoas que nos consideram como ‘objectos sexuais’ (na vertente negativa que quase todos usam) comportemo-nos nós de que forma for, cobertas ou não, com forma de estar x ou z. Existirão também pessoas que entendem ‘desejo’, ‘fantasia’ e sexualidade de uma forma positiva e sem retirar do ‘ser’ uma única lasca de respeito.

  • Gosto. Apesar de ser a favor de bares de strip e afins. Elas cheiram sempre tão bem, caraças!

  • inês says:

    Não se trata de discutir se isto são fantasias e qual é o mal de fantasiar ou ser fantasia ou ser objecto de desejo. Para mim, o problema é mais complexo. Estas revistas, como a pornografia em geral inserem-se num discurso de domínio/humilhação que pouco tem que ver com o sexo em si, e que perpetua muito essa visão patriacal da mulher como um ser menor, e que consequentemente pode ser maltratada, assediada, discriminada no trabalho, em casa…. E se pensarmos que uma parte importante da nossa iniciação sexual se faz através de imagens surripiadas à socapa destes meios, pois obviamente que é importante lutar contra essa imagem “fabricada” como bem diz a Leonor. E contribuo com mais um dado para a discussão, segundo as estatísticas avançadas recentemente pelo programa Informe Semanal da TVE, trinta e muitos por cento dos homens em Espanha admitem recorrer a prostitutas…pagar por sexo também é uma forma de objectificar as mulheres e desculpem lá mas, quase 40% não é só uma minoria de broncos, os tais que nem precisam de comprar a revista. Quase 40% não são só aqueles machistas de outra geração educados de outra forma, quase 40% inclui muita gente já criada em liberdade e com amplo acesso a informação e supostamente outra educação mais arejada e que no entanto prefere pagar em vez de se relacionar com as mulheres de igual para igual.

  • Lua says:

    Inês

    Pois, eu não tenho problema nenhum com a prostituição. Triste se se tratar de pessoas que ou são obrigadas a o fazer ou o fazem por obrigação, mas daí a achar que todas as que o fazem se acham objectos é triste. Triste também achar que os todos os homens que recorrem a prostitutas também só nelas pensam como objectos. Mas acho que isto não interessa a pessoas que são contra a prostituição (Discurso tipo “e pronto”).

    “Estas revistas, como a pornografia em geral inserem-se num discurso de domínio/humilhação que pouco tem que ver com o sexo em si, e que perpetua muito essa visão patriacal da mulher como um ser menor, e que consequentemente pode ser maltratada, assediada, discriminada no trabalho, em casa”

    Porque é que “pouco tem a ver com o sexo em si”? Desde quando é que existe uma definição única e correcta de sexo?! Não te parece que tu é que vês as mulheres nessas revistas como seres menores porque as achas seres menores só pelo facto de lá estarem?

    Conheço meninas da playboy pessoalmente. Mulheres com cérebro, redeadas de pessoas que as amam, sem complexos e de forma alguma maltratadas seja a que nível for. As únicas pessoas que lhes fazem mal são tipas com o tipo de discurso como o que se lê cima, que de tanto pensarem que estão a defender os direitos da mulher com este tipo de tretas, estão a causar-lhes mais mal por andar a vender uma ideia que não é correcta (diz lá ao rapazinho de 16 anos que as meninas que estão na capa estão a ser tratadas como objectos sexuais, logo são objectos sexuais).

    Ganhem-me juízo.

  • Carochinha says:

    Eu adoro a Penthouse e a Playboy e quem as compra sou eu para as ver com o meu home! Rimo-nos, comentamos, lemos, fechamos e arrumamos. Só tenho pena que as revistas masculinas não estejam ao mesmo nível da Penthouse no que à nudez das partes baixas diz respeito.

    Ver as pessoas – homens ou mulheres – como objectos sexuais, e tratá-las com pouca diginidade – seja de que forma for – não tem nada que ver com a existência de pipis e pilas à mostra! Seja em casa ou na banca das papelarias.

    E by the way, Rititi, tenho gostado muito dos teus textos. Parabéns.

  • Média empresa, grandes oportunidades, grandes problemas…

    Hoje é Friday, e estou aqui:…

  • Christie says:

    Thanks for finally writing about > Rititi: O Blogue Rosa Cueca < Liked it!

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