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Rititi

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INÍCIO

  • PENTHOUSE DE NOVEMBRO – OS CORNOS DELES

    Constance (Diana Lane) é uma pequeno-burguesa de quarenta e tantos casada com um senhor relativamente interessante (Richard Gere) que lhe proporciona uma estupenda vivenda nos subúrbios, um filho loiro e um matrimónio pacífico com doses de sexo sossegado e medianamente agradável. Poderia dizer-se que Constance é uma senhora feliz: é bonita, culta, magra e desejada pelo marido, com um quotidiano um tanto monótono, talvez, mas não mais que o de tantas donas de casa abandonadas ao dia-a-dia da periferia e criada interna, a organização de algum acto benéfico e a recolha do filho no colégio privado católico. Até que uma manhã de ventania insuportável em Nova Iorque Constance esbarra com Paul Martel (Olivier Martinez), um livreiro bom todos os dias (as coisas como são), todo ele charme, corpo perfeito, sotaque francês e insinuações que lhe oferece um livro e a perspectiva de passar os dias de uma maneira bem mais festiva e gratificante que a tomar café com as amigas.

    E sem mais preâmbulos Constance enrola-se com o livreiro, transformando-se o filme “Infiel” numa sucessão de cenas de cama (e de chão, e de banheira, e de sofá) fenomenais – o que o espanhóis chamariam “polvazos” – com a boa da Constance a fazer malabarismos entre a vida familiar e as escapadelas ao apartamento do amante. E assim Constance descobre que essa sensação de fugaz e arrebatadora felicidade também está na mentira, no engano, numa outra realidade onde o sexo é a única linguagem aceitável. Constance entrega-se ao livreiro, ao sexo sem falinhas mansas, ao melhor dos desejos, aos orgasmos a horas insuspeitas. Infelizmente a meio da película ganha protagonismo o marido/Richard Gere e o filme perde a piada, as cenas de sexo e qualquer oportunidade para reflectir sobre a infidelidade no feminino, esse grande mito urbano das relações humanas. Uma pena.

    Como se as relações entre homens e mulheres não fossem já suficientemente complicadas, eis que se insiste desde as televisões, a literatura ou as conversas de café na manutenção de mitos sobre o universo feminino unicamente para regozijo do macho pátrio: em todas as mulheres há uma pequena lésbica que obviamente não se importaria partilhar a amante com um garanhão desconhecido, existe pornografia pensada exclusivamente para o público feminino e claro, uma senhora só é infiel se não ama o marido, ou ama o outro, ou quer abandonar a família. Mentira. E quando toca o tema dos cornos esta mentira ainda é mais flagrante porque mantém nos homens a perigosa ilusão que as mulheres são incapazes de enganar o marido porque há um bem maior, uma relação, uns filhos, uma sogra, um crédito à habitação ou um cão que proteger, como se a mulher fosse o garante da instituição familiar em geral ou uma espécie de Nossa Senhora da Fidelidade, sempre abnegada em nome do matrimónio, sacrificada porque há coisas maiores que o desejo.

    Aliás, basta procurar no google “infidelidade feminina” para ver a quantidade de blogues, teses de doutoramento, entrevistas a psicólogos e psiquiatras, estudos antropológicos e reportagens em jornais respeitadíssimos que se dedicam a indagar sobre o tema. Pelos vistos o Mundo precisa de saber as razões pelas quais uma mulher se acama com outro que não o legítimo, e se tem remorsos, e se esconde a aventura, e por quanto tempo. Já a infidelidade masculina, pelo número de resultados, parece não interessar a ninguém, porque obviamente ser infiel é o normal num gajo, como se fosse impossível um homem resistir-se a uma boa escapadela. Um homem, coitado, só pensa com a pilinha, ainda bem que está casado com alguém decente que mantém o matrimónio unido. Não queriam mais nada! Pois muito bem, uma mulher é infiel por tusa, por aborrecimento, porque não tinha nada melhor que fazer, porque umas cambalhotas bem valem o risco, sem que por isso tenha que abandonar o marido, ou estar apaixonada pelo amante, ou queira fugir do dia a dia. Ou seja, uma mulher põe os cornos pela mesma razão que os homens: porque lhe apetece e porque pode.

    É fodido ser encornado, mas é igual de doloroso para eles e para elas. Os cornos são os mesmos. E quanto antes os homens deixarem de ver os cornos deles como fruto de uma traição ao género masculino em geral, à instituição familiar, à Virgem Maria e à mãe deles, antes saberão resolver a situação, partir para outra, tomar uma decisão. Não foi o caso do marido/Richard Gere, um corno manso que não só estragou um belíssimo filme chamado “Infiel” como qualquer possibilidade de recuperar a mulher.



    Por Rititi @ 2011/01/13 | 5 comentários »

  • Brisa says:

    É curioso como, por um lado, a mulher continua a ser vista como um ser inferior e sem importância, excepto quando trai. Mulher que tenha sexo fora do casamento torna-se, de imediato em coisa muito grave, é uma louca, é a geradora do desequilíbrio familiar and so on. Os homens podem fazê-lo sob os aplausos do mundo, porque, enfim, um homem tem as suas necessidades. A mulher é a eterna Virgem Imaculada que se pode espancar e desprezar a bel-prazer masculino, a figura passiva e low-profile. Quando se conseguirá compreender que uma mulher é algo mais do que ser mãe, esposa, nora…?

  • Rita, gosto muito do que escreve, concordo consigo mas tire-me uma dúvida: porque diz que o Johnny Depp veste mal? Sabe que nunca reparei, não costumo vê-lo fotografado no seu “habitat” – só nos filmes. fiquei curiosa, só isso. Bj

  • ecaron17 says:

    realmente isto é engraçado.

    Uma mulher pode ser mae, sogra, cunahda, irmã e coitadinha.
    Quando trai é porque tinha desejos, porque o marido nao presta atenção, bla bla bla e é uma coitadinha.

    Se assume uma relação o mais correcto seria falar abertamente que já não consegue continuar e aí sim, fazer o que a imaginaçao requer, novamente é uma coitadinha que fica sozinha.

    Depois de ficar sozinha, coitadinha, não tem nada na vida, até tem um bom trabalho, até tem sucesso, mas no amor, coitadinha. Só desilusões.

    O homem até pode pensar com a pilinha mas a mulher certamente pensa na pilinha de outro homem. coitadinha.

    Ao fim ao cabo, constato que este texto é feminismo no seu puro. A traição é repudiante de ambas as partes, mas voçês mulheres enfim…. COITADINHAS

    • Juanna says:

      Escreva lá este texto em machismo puro. Coitadinho do homem que meteu os cornos porque a mulher engordou e ficou feia. Coitadinho porque as coisas em casa não estavam bem e a secretária até abriu o pernil para ele se consolar. Coitadinho porque ele se mata a trabalhar para sustentar a dondoca da mulher e os egoístas dos filhos e nunca tem tempo para si mesmo. Coitadinho porque ele é uma sombra do que foi, o casamento foi uma grilheta, está velho e acabado.

      Há sempre dois pontos de vista sobre o mesmo tema… e neste texto está bem explicado que as mulheres fodem por fora, não por tédio, não pela barrigona do marido, não pela falta de carinho em casa, mas simplesmente… porque sim.

  • Zade says:

    Ecaron, mas onde escreve a Rititi que somos coiadinhas?! Leia lá melhor o texto e depois refresque o seu conceito de feminismo.

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