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Rititi

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INÍCIO

  • PENTHOUSE DE FEVEREIRO – SEXO DO BOM

    No programa da televisão italiana “L’Infedele” debatia-se o penúltimo escândalo político-sexual do Primeiro-Ministro, quando um telespectador indignado chamado Silvio Berlusconi entrou em directo e começou a disparar insultos contra o apresentador, as teses discutidas, o programa em geral e as mulheres que estavam presentes em particular, a quem, segundo Il Cavalieri, nem se podiam chamar de senhoras. “Isto é um prostíbulo televisivo!”, exclamou, pouco antes de desligar o telefone. Todas as mulheres são putas, portanto. Não me estranha: esta é a reacção natural num senhor de 74 anos que está a ficar mundialmente famoso por, supostamente, organizar festas em residências oficiais (ou seja, em edifícios públicos), com miúdas com idade de serem suas netas, algumas menores de idade, que estariam dispostas a agradar e animar sexualmente a uma corja de velhos bronzeados a troco de verdadeiros balúrdios de dinheiro e algum ou outro favor policial.

    Este é o homem mais poderoso de Itália, um líder do Primeiro Mundo, com direito a honras em Bruxelas, lugar fixo no G-8, apoiado pelo Vaticano e que, segundo leio na imprensa, ganharia de novo as eleições se se efectuassem hoje. Itália, esse estranho país que se divide entre a sofisticação do Norte e a balbúrdia do Sul, quando não aplaude a este senhor cujo aspecto mais lembra a um capo da Mafia que a um estadista respeitável, assiste a um deterioro da vida política nacional cujos protagonistas parecem sacados de um filme pornográfico. Para fazer tudo isto mais surreal, nem o famosíssimo actor porno Rocco Siffredi deixou escapar a oportunidade para elogiar o Cavalieri porque, atenção, “todos os italianos estão orgulhosos” dele porque “faz sexo aos 74 anos”.

    Sim, o homem faz sexo aos 74 anos, mas pagando, o que não faz dele um semental, que digamos. Sexo a troco de dinheiro conta? Lamento, mas não. Porque por muito macho que se sinta o Silvio rodeado de velinas nuas nos jacuzzis de palácio, o facto é que elas só estariam dispostas para as orgias e demais festarolas porque são pagas. Que tipo de homem precisa de pagar para ter sexo? Um Adónis irresistível? Um líder com um carisma indiscutível? Não parece que Silvio Berlusconi seja nada disto. Não passa de um idoso que luta cirurgicamente contra o tempo, implantando-se cabelo, botox e dentes, eternamente bronzeado para parecer o que não é – um jovem vigoroso e desejável – e que usa e abusa de um harém de Barbies recauchutadas como prolongação da necessidade genital de exercer o poder, partindo da lógica de que quem paga quer, pode e manda, sem precisar de satisfazer a outra parte. E a isto não se chama ter sexo, mas sim aliviar-se.

    Longe ficou o tempo em que a prostituição tinha essa aura romântica, quase pedagógica. A memória dessas casas de meninas que serviam para que jovens imberbes descobrissem os segredos da cama graças à generosidade de experientes meretrizes que tanto faziam de amantes como de confidentes, desvanece-se nos romances de uma época em que, dizem, o sexo dava medo, ou era pecado ou impossível de encontrar nas raparigas decentes e casadouras. Mas agora, nos tempos de correm, achar que os puticlubes cumprem uma função social, porque ali os desgraçados dos gajos encontram o que em casa lhes é negado é, quanto menos, ofensivo para os próprios homens. Então um homenzarrão de pêlo no peito não tem boca para pedir? Ou será que este tipo de homem – esse habitual da casa de alterne, o que faz a despedida de solteiro no puticlube de estrada, o que acha que as mulheres que só servem para foder – tem um conceito pecaminoso do sexo, como se fosse algo ilegal, sujo, uma coisa que não se faz com a mulher legítima, com a mãe dos filhos?

    Porque recorre um homem ao putedo? Não deve ser por falta de oportunidades: há bares, discotecas, ginásios, redes sociais, clubes de swingers, páginas web de encontros e engates, olhares fortuitos no metro, colegas do trabalho, viagens organizadas para solteiros e muita, mas muita mulher disposta a ter sexo – sexo genuíno, o quem vem do desejo entre dois iguais, da urgência da sedução. Sexo do bom, e que ainda por cima é grátis.



    Por Rititi @ 2011/03/26 | 9 comentários »

  • O Senhor Berlusconi parece um personagem saído de um filme de muito mau gosto. No fundo, não passa de um corrupto com a mania que engata mulheres mais novas. Parece é não perceber que, pagando e bem, elas não se importam de fingir alguns minutos… Só não percebo é como é que tantos italianos se deixam levar pelas tangas dele!

  • vicente says:

    E apesar de tudo, a prostituição continua dos mais rentáveis negócios à face da terra. Ocorreu-me aquela velha piada ao ler a última frase “a diferença entre o sexo grátis e o sexo pago, é que o sexo grátis é muito mais caro” :)

  • Juanna says:

    lol Perfeito!

  • Ana says:

    O Vicente disse tudo. Não há sexo grátis, Rita. Todo ele tem uma contrapartida. Ao menos, eles sabem que com o putedo a contrapartida é mesmo o dinheiro. Quanto ao tal “sexo grátis” com mulheres disponíveis…é sempre um tiro no escuro que pode pedir mais do que eles estão dispostos a dar.

  • TaViTa says:

    Gostei! E quem fala assim ñ é gago! ;) *

  • Ana Sá says:

    Minha querida, é isso exactamente… acham-se uns machões por irem às putas, mas não passam de homens ridículos que nem para dar uma de graça têm talento!

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