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Rititi

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INÍCIO

  • PENTHOUSE DE MARÇO – AS NOSSAS CURVAS

    Ligo a televisão e não vejo mais que mamas. As mamas da Irina realçadas por um sutiã milagroso que parece que as vai fazer rebentar. As mamas exultantes de maternidade da Penélope Cruz na cerimónia dos Oscar. As mamas de três modelos meio nuas da Victoria’s Secret que abanam a cabeleira, sorriem e dão saltinhos histéricos no telejornal da hora do almoço. Pelos vistos as mamas estão outra vez na moda. Leio reportagens sobre o retorno das formas, sobre o renascimento da feminidade mais acorde com a “mulher real” e, de facto, se há algo que reflicta a rotundidade do corpo da mulher real isso é um par de mamas. Aliás, esta profusão de mamas, este renovado interesse do mundo da moda pelas curvas, decotes, pernas, coxas e rabos é de agradecer, apesar de me parecer ridículo e redundante. Como se as mulheres fôssemos uma tábua de passar a ferro e agora os editores das revistas tivessem descoberto as mamas graças a uma revelação divina! Já não há pachorra, palavra de honra, para estes ideólogos da moda que cada cinco anos nos anunciam, como se tivessem inventado a cura do cancro, que afinal o rabo existe! Ó santa paciência….

    Porque no fundo, o mundo da moda é misógino, machista e tremendamente estúpido. Quem cria as tendências que depois enchem revistas, cartazes e as prateleiras das zaras não conhece as mulheres, não gosta das mulheres, acha-as ordinárias, tristemente balofas e mamalhudas, indignas de ser as destinatárias de colecções super exclusivas e inovadoras. Basta ver as passarelles de Milão, Paris, Londres: as miúdas que desfilam com essas caríssimas criações são cabides que não pesam mais de quarenta quilos, estão feias de tão magras, estupidamente ossudas. As chamadas “it girls”, essas raparigas que enchem revistas só porque supostamente vestem tão bem que criam moda e que são sempre fotografadas abraçadas a um Karl Lagerfeld qualquer, não têm mamas, parecem anorécticas e doentes, tristes de tão famélicas e sem gracinha nenhuma por muitos sapatos de quinhentos euros que calcem. As revistas femininas não perdem oportunidade de nos chamar gordas, enchendo as páginas com dietas mágicas para emagrecer num tempo recorde, truques de estética para parecer mais novas, testes para medir o índice corporal. No fundo, os estilistas, editores e ideólogos da moda sentem um desprezo real pelo corpo, pelos subterfúgios da pele, pela essência que desprendem as curvas, as formas, as mamas desafiantes. As mulheres não somos para esta gente egocêntrica mais que consumidoras finais de um conceito pueril de beleza que nos tenta manter como eternas adolescentes.

    E o pior é que nós, as mulheres, achamos tudo isto normal. Compramos as revistas, passamos fome e penúrias graças a dietas impossíveis, duvidamos da nossa sensualidade cada vez que nos encaramos com uma miúda mais nova ou mais alta ou mais gira, sofremos por um quilo a mais ou por ter o cabelo menos brilhante, invejamos as pernas esquálidas das top models, olhamo-nos ao espelho uma e mil vezes à espera de encontrar um novo defeito, como se não nos bastassem os que já temos. É normal que os homens digam que não nos percebem, que achem que somos doidas varridas. Eles olham para nós, atacadas dos nervos, sempre insatisfeitas com as nossas coxas e com a barriga que nunca voltará a ter dezoito anos e encolhem os ombros, esperando que num desses arrebatos histéricos à volta do nosso corpo lhes prestemos atenção quando nos dizem ao ouvido que estamos bonitas assim, que qual dieta qual carapuça, que anda cá minha fêmea com as tuas mamas e as tuas banhas. Só temos que deixar de insistir no evidente: que nunca pesaremos quarenta quilos e que não há gajo que goste de dormir com um esqueleto ao lado, por muito capa de revista de moda que seja.



    Por Rititi @ 2011/04/19 | 9 comentários »

  • Ana says:

    o mundo da moda parece tudo menos machista. é mais gay. gay que odeia as mulheres.

  • s. says:

    eles nao odeiam as mulheres,as mulheres é que se odeiam a elas proprias!eu como nao quero ficar doente,alimento me bem e faco desporto;compro o essencial(deixei de engordar o cú do capitalismo) e sinto me muito mais livre.Nao gosto de ditaduras.

  • Estou 100% de acordo! Chega a ser triste a forma como as revistas e as grandes marcas tratam as mulheres que não correspondem ao perfil que eles acham ideal. É uma falta de respeito para com as verdadeiras mulheres!

  • Brisa says:

    É preciso ser-se um bocado consciente para não nos deixarmos levar pela onda histéria das tábuas de passar a ferro. A gente da moda tem um complexo de superioridade arrogante, acha que possui as Chaves para o Segredo que é o look perfeito, que uma mulher que saia à rua sem se transfigurar de acordo com o seu padrão estético deve ser fuzilada. É preciso coragem para se olhar para este mundo louco e fútil e ainda assim manter-se sã e livre num mundo cada vez mais escravizado sem o saber.

  • pilar says:

    é verdade. eu agora estou com 45 quilos, toda a roupa me fica mal, não tenho sequer calças que me sirvam e ninguém esconde o facto de eu precisar de engordar 10 quilos [como se dependesse da minha vontade e eu própria não detestasse estar tão magra sem razão]. mandam-me isso à cara como eu aposto que ninguém manda à cara de ninguém que precisa de perder 10 quilos. um mimo.

  • Juanna says:

    Ya, fartinha estou eu de passear aqui nos Colombos/Amoreiras e ver tudo escanzelado a morrer por um Twix ou até uma cenourinha.

  • Cocas says:

    Belo dia para descobrir este blog. Adorei adorei e adorei o post.

  • Diana says:

    Aplaudo de pé…e exaustivamente!
    Estava aqui a andar de blog em blog e encontrei o teu…e em boa hora, porque disseste TUDO o que eu acho.

    Sendo eu uma raparida, que nunca na vida fui e serei magra, choca-me que o ideal de beleza seja o ser magra.Não interessa se és boa pessoa ou coisa que valha tens e que ser magra. Acho completamente absurdo que tenhas que ter uma ‘beleza convencional’ para seres considerado bonito/a…
    Agora percebo porque tive uma adolescencia dificil, complicada, depressiva. A Kate Moss estava na moda…e não querendo desfazer na moça (que sinceramente, e perdoem-me os fashionistas, nao lhe acho a minima piada) é esquelética que dói…só me aptece oferecer-lhe um hamburguer!

    Nós temos que entender que a beleza de um homem ou de uma mulher está no como te sentes contigo mesma e na personalidade.Se tu confiares em ti e naquilo que és…tudo e possivel!

    Tornei-me leitora assidua a partir de hoje!;)

    Beijinhos
    Diana

  • Patife says:

    Sempre ansiei viver num mundo em que se ligava a televisão e só se viam mamas. ;) Palavra de Patife.

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