“Portugal é um país de egoístas, de preguiçosos, de pessoas que até queriam ter mais filhos mas não dá é a crise temos de ser responsáveis mas que fico com pena fico porque o meu santiago merecia um irmão ele que merece tudo não lhe dou o suficiente, que ficam em casa dos pais e precisam de comprar o último modelo do tdi que já tem gps dá imenso jeito também fico só a pagar mais 46 euros por mês, um país de filhos únicos, filhos simultaneamente mimados e ignorados, príncipes do vazio, ligados a todas as tecnologias, a todas as redes, ele merece tudo, é o meu anjo, esperei 39 anos por ele, que não tem culpa, eu vi o que aconteceu à carreira das que engravidaram antes dos 30, onde estão elas agora?, não se chega a sub-directora ficando em casa a mudar fraldas, se não fosse o divórcio se calhar tinha ido ao segundo, mas era irreconciliável, já só gritávamos, agora que olho para a nossa lua-de-mel tudo me parece há anos sem fim, foi só há quatro, o Vietname é lindo naquela altura do ano, o governo não apoia a natalidade, a culpa é da licença de maternidade e dos benefícios fiscais, ter filhos é um sacrifício muito grande, abdica-se de muito, a qualidade de vida baixa e agora uma pessoa já estava habituada, é a crise, é a crise, estou atrasado para o concerto de logo à noite.”
Lourenço, no grande Complexidade e Contradição.
Por Rititi @ 2011/04/27 | 11 comentários »
Não acho que as coisas sejam tão simples assim. Cada pessoa tem direito a não querer abdicar da sua liberdade,das suas futilidades, dos seus concertos para ter mais filhos. Sei que tem consequências a longo prazo para o país. Mas não acho que esses argumentos sejam lógicos. A nossa existência não tem de ser necessáriamente em prol de outros.
Posso me encaixar?!
Eu devo aos meus pais ser feliz…e se eu não quero crianças e ele não quer crianças…sou mais feliz assim. Quero lá saber se sou egoista…Sou feliz assim, não prejudico ninguém, não devo filhos a ninguém, quem gdsta que os faça e os crie…e que se queixe, como fazem as minhas amigas, que passam dias e dias a queixarem-se dos filhos…é assim…são escolhas…eu não fui talhada para a paterniadade, tenho outras qualidades, pois claro!E já la vai o tempo em que tinha vergonha de não querer…agora acho que vergonha é querer para dar um jeito, para ficar bem na foto, querer para me sentir realizada…gosto demasiado de crianças e respeito-as demasiado para as usar para as minhas realizações pessoais , ou para as ter para não me camarem egoista…Egoista pq quero apenas ser feliz….assim 🙂
Este tipo é genial
Estas noticias conseguem sempre levantar poeira! É incrivel como toda a gente as propaga e se arma em arauto da desgraça, como se os portugueses estivessem quase a acabar se não tivermos mais filhos! Só tenho 1 filha e não quero ter mais, se calhar quando um dia quiser já não tenho idade mas assumo que agora não quero!Prendam-me! Não admito que me julguem como se soubessem o que é a minha vida ou quem eu sou. Tenho direito à minha liberdade e às minhas escolhas. Se há poucas crianças deixem entrar mais emigrantes assim equilibram as coisas e não carregam mais num planeta sobrepovoado. Estas generalidades sobre a vida, os filhos, as carreiras, etc… sinceramente… Temos todos que seguir no carreirinho como as formigas, ter filhinhos para pagarem impostos, 2 de preferência para ficar bem na foto e nas estatisticas, como se assim já tivessemos tudo resolvido. Adoro este blog mas não concordo nada com este post.
Correcção: imigrantes e não emigrantes (sic).
Isto é tão “judgemental” como aqueles comentários das mães “leiteiras” que amamentam até aos putos terem 5 anos sobre as outras…
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Acabinha de tirar leite para o meu filho de 7 meses, não me ocorre mais nada para dizer a não ser, à boa maneira do recreio da escola, “quem diz é quem é”!
A realidade é que cada caso é um caso… e nem todos deixam de ter mais filhos porque preferem ter um iphone de última geração.
O texto diz muito mais do que os comentários fazem crer, não fala de ter ou não ter filhos, fala da cultura da desculpabilização, da mentalidade do “eu até queria, mas o país não deixa” que existe não só na decisão de ter filhos, mas em quase todas as vertentes da vida.

Somos uns merdinhas…