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Rititi

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INÍCIO

  • PENTHOUSE DE ABRIL: O QUE AS GAJAS QUEREM

    Numa discoteca qualquer às tantas da manhã, entre risadas com amigos e litradas de gin tónico, observo a fauna que dança os hits do momento. Há trintinhas, modernos, quarentões despistados, casais que se comem a beijos, malta que não larga o twitter no telemóvel, bêbedos deprimentes, alcoolizados eufóricos e muita muída gira, magra e insultantemente nova para os meus trinta e largos anos. Não há nada mais apaixonante que a noite e os seus meandros. Os habituais de bares e discotecas movem-se, dançam, olham-se, tocam-se como se o dia seguinte não existisse, com essa embriagante sensação que se quisessem poderiam esticar a noite durante horas infinitas, sem medo à ressaca e a uma recordação pouco apropriada. O povo é livre quando sai à noite. As mulheres trocam as roupinhas de secretária pelos jeans sexys y os decotes generosos, os homens ganham coragem, há calor e desejo, frases divertidas, engate sem remorsos, gente que se procura. Durante a noite as mulheres estão mais receptivas para que lhe falem ao ouvido, lhe agarrem pela cintura, disponíveis para a surpresa de um beijo inesperado, para um convite para um último copo lá em casa. Durante a noite os homens acham-se campeões, comportam-se como os machos alfa que sempre deveriam ser, sabem-se confiantes e estão desejosos de aventuras na parte escura do bar. Todos deveríamos sair mais à noite. Pelo bem da espécie humana.

    Pena que à luz do dia toda esta valentia desapareça, pena que esses mesmos homens que acariciavam o pescoço de uma desconhecida na pista de dança troquem o fato de conquistador destemido pelo de chefe de secção das nove às cinco, tímidos, tristes, cinzentos. Pena que o tipo que elogiava as pernas das miúdas ao balcão da discoteca não se atreva sequer convidar a um café à rapariga do quiosque onde todos os dias compra o jornal. Pena que o engatatão da noite tenha medo de olhar fixamente para a colega gira que se senta na secretária do lado. Pena que  os que se achavam os machos-alfa da noite, assim que se encaram com a crueza da luz, sem fumos e álcool que estimulem a língua, se tenham que esconder atrás de um carro sobrado de cilindradas, de uns óculos de sol caros, de um relógio de marca, de acessórios para disfarçar a falta de pinta, de graça, de conversa. Pena porque, a verdade, nós não precisamos de máscaras, de enfeites, de manias. Nós não nos queremos acamar com um cobardolas que desvia o olhar. Não queremos um tipo armado em pavão porque para malas, sapatos, relógios e pulseiras já estamos nós e as nossas amigas. Queremos um gajo que seja gajo, que se comporte como um gajo, que nos fale como os gajos falam, que nos olhe e nos agarre por detrás, que nos faça tremer quando nos sussurra ao ouvido, que nos dê a volta com firmeza, com coragem, como só os gajos sabem fazer. Queremos um gajo que nos dê tusa. Sim, tusa.

    E a tusa só tem a ver com atitude. Lembram-se de Tony Soprano, um ser objectivamente abjecto, mal criado, mal falado, mal cheiroso, machista, racista, feio e gordo? Pois é. Atitude. Eu via-o dentro da minha televisão, temporada atrás de temporada, e quanto mais gordo, paranóico e careca ficava mais me apetecia saltar para dentro do ecrã e atirar-me aos braços e à cama dele. As costas peludas, essas camisolas interiores transpiradas, o arrastar dos chinelos eram-me indiferentes. O modo de se atirar às mulheres, a certeza da conquista era absolutamente afrodisíaca. Nada se interpunha no caminho de Tony, queria uma mulher e não descansava até consegui-la. De um modo rude e tosco muitas vezes, desprezando qualquer lei da galanteria básica e dos bons costumes. E conseguia. Afinal pouco é mais sexy que um homem cheio de confiança. E a confiança dá poder. E o poder dá tusa. Nada a ver com os pichas-moles que protagonizam essa série fracota e apaneleirada chamada “Anatomia de Grey”. Que gajos são esses, minha nossa senhora? Sim, são lindos, jovens, atléticos, com uns dentes tão brancos que reflectem o sol, sem olheiras, sem barbas, sem mau hálito, sem unha encravada, sem problemas de sono, sem piadinha nenhuma, cheios de paleio e conversas mansas e com imensa vontade de partilhar com as mulheres sentimentos, sensibilidades, confidências e problemas da alminha sofredora. Credo! São umas gajas! E de gajas nós não gostamos. Venha o Tony, por favor.



    Por Rititi @ 2011/05/26 | 9 comentários »

  • Bernardo says:

    Ora aqui está o problema do homem moderno, exposto de forma tão eloquente que até doi. Gerir esta expectativa esquizofrenica de ser decente e sacana, forte e doce, arrogante e simpático, engatatão mas atenção…
    Basta ler os últimos dois posts deste blog para perceber que a tarefa não é nada fácil…
    É que por vezes o homem que se sente corajoso e que elogia as pernas da rapariga que lhe dá tusa, passa rapidamente de Tony a Strauss-Khan… Coragem pessoal!

  • Carla says:

    Concordo perfeitamente.
    Sempre um prazer (com tusa) passar por cá.

  • says:

    o meu personagem de ficção masculino prefediro é o fox mulder. cada vez mais acho que as pessoas com obcessões são as mais “felizes”. não são felizes no sentido de andarem sempre a sorrir, a festejar, sem insonias e coisas desse tipo, felizes no sentido em que, como se costuma dizer “o que interessa é o percurso e não o resultado final”. e fazer esse percurso, seja ele qual for, tem um nome – viver!

    mas gajos como o fox mulder não atraem mulheres. porque essa historia de querer gajos que não partilhem sentimentos, que sejam machos, etc.. é muito bonita até ao momento que se apanha um gajo com insonias a sério, que seja macho e que se está cagando para os sentimentos.

    já gajos como o tony soprano são os maiores em tudo! não creio que o tony soprano tivesse grandes problemas em dormir descansado..

  • ze says:

    queria dizer “pessoas com obsessões” lol

  • Juanna says:

    Ah ah ah ah e eu que ando a ver a Anatomia de Grey às séries inteiras por dia.

  • Dulce says:

    Este post não parece ter sido escrito por quem (afinal também) escreveu o post anterior.

  • rititi says:

    Estos dois textos não têm nada a ver: uma coisa é o jogo da sedução, o engate e outra é o assalto.

  • Jorge says:

    Estive em 30 países e posso desde já adiantar que as portuguesas são as que têm menos “atitude”. Anti-sociais e sem educação receiam responder a qualquer iniciativa masculina para não transmitir perante quem as rodeia que são “fáceis”. Fechadas e sem cultura temem os estranhos e são passivas em qualquer conversa. A falta de “atitude” masculina deve-se a falta de generosidade feminina. À “atitude” é para quem merece meninas.. se não a notam no vosso dia-a-dia é porque não despertaram em ninguém a “tusa” da sedução.. Sorriem, falem, respondam, sejam educadas e a probabilidade de sentirem a “tusa” será maior.

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