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Rititi

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INÍCIO

  • PENTHOUSE DE JUNHO – PORNO PARA ELAS

    Duas mulheres jantam numa cozinha, bebem vinho e conversam, beijam-se, despem-se, masturbam-se, usam brinquedos sexuais, mandam os pratos para o chão, riem e falam, lambem-se, têm orgasmos, vários orgasmos. Suam e gritam, mexem-se, torcem-se, dão gargalhadas, puxam do cabelo, esticam as pernas, agarram nas mamas, gozam, nota-se que têm prazer. Esta cena onde se vê como duas mulheres normais fazem sexo em cima da mesa da cozinha pertence a “Five hot stories for her”, uma delícia de filme pornográfico dirigido pela sueca Erika Lust, uma das realizadoras fundamentais para entender a pornografia no feminino. Uma pornografia feita por mulheres e para mulheres, onde as protagonistas se comportam como mulheres de verdade que têm trabalhos, conversam com as amigas, vão às compras, engatam no metro, têm fantasias com o vizinho de lado e quando têm orgasmos gritam e gemem como as mulheres de verdade fazem. Uma pornografia altamente recomendável para a menina e, já agora, para o menino que não percebe por quê a namorada não quer ver os filmes porno com ele.
    Não quer porque não gosta. Nem conheço nenhuma mulher que goste nem se reveja no porno feito para homens, nesses filmes que teimam em repetir até à exaustão uma história que nem dá pica, nem é divertida, nem tem pontinha por onde se lhe pegue. Se não vejamos: uma tipa vestida com péssimo gosto e com uma mamas absurdamente gigantescas vai ao médico/entrevista de emprego/stand de automóveis (ou então está em casa à espera que algo tremendamente excitante lhe aconteça) quando é atendida por um fornido médico/empresário da construção/comercial/canalizador. Vinte segundos mais tarde esta mulher, já sem a roupa de polliester mas com os sapatos de tacão de agulha calçados, está de pernas abertas/de joelhos/atravessada em cima do capô dum Toyota de segunda mão a berrar feita doida como se estive a atingir o mais intenso dos orgasmos de toda a sua vida.
    E como se não lhe bastasse estar a ser montada por este portento da masculinidade, aparece em cena outro fulano hiper-musculado que, sem dignar a dizer um simples olá tudo bem, tira as calças e, como estes super-machos da pornografia não têm nenhuma necessidade de usar roupa interior, em menos de cinco segundos já está no truca-truca, assim, sem aquecimento nem nada, porque os protagonistas dos filmes porno nem precisam de se tocar um bocadinho para ficar todos excitados e prontos para se satisfazerem. Por não falar já das cenas lésbicas, onde invariavelmente uma das mulheres reproduz o papel do homem, com direito a introdução de dildos titânicos, gemidos absurdos, posturas irreais e o mais que certo convite ao macho para rematar o trabalhinho, porque obviamente elas sozinhas não sabem dar conta do recado.
    Tudo isto é tão ridículo, tão absurdo, tão irreal que nem sequer vale a pena ser visto. Pelo menos por nós. As mulheres gostamos de histórias bem contadas, sejam elas histórias românticas, de terror ou pornográficas. Porque o sexo não é só toma lá, ó minha, a ver se gostas. O sexo implica roce, cumplicidade, ironia, picardia, sedução, gargalhadas e muita surpresa, porque assim são as fantasias femininas, que obviamente, metem sexo com desconhecidos, trios e cenas lésbicas. Iguaizinhas às fantasias masculinas? Talvez. Mas à hora de as transformar num filme para nosso uso e desfrute (que é disso que se trata) as mulheres gostamos de nos ver retratadas como seres activos, com iniciativa, com tusa, que dizem abertamente o que gostam e o que não, se querem mais e por onde e com quem e quantas vezes. Gostamos de nos ver retratadas como o que somos. Porque assim é o nosso sexo. Porque não somos bonecas insufláveis. Vejam lá se aprendem.



    Por Rititi @ 2011/06/29 | 10 comentários »


    3 anos

    O Rititi-Boy, o meu Manel, fez ontem 3 anos. Há 3 anos achava que a minha vida era porreira. Parva. Há 3 anos achava que assim é que era. Pois, está bem. Há 3 anos não sabia que melhores anos da minha vida estavam ainda por viver. Há 3 anos atrás eu nem sequer intuía que ninguém nunca me olharia como o faz o meu filho, como o sorriso de um pirralho nos pode mudar o dia. Há 3 anos atrás eu nem imaginava que ser mãe seria o meu melhor papel. Obrigada, meu amor, bichinho amoroso, por me fazeres melhor pessoa, mais feliz, mais rica, mais eu.



    Por Rititi @ 2011/06/27 | 4 comentários »


    Go the Fuck to sleep!!

    Queridas mães super pacientes, amorosas e entregadas da blogosfera que nunca vos enervais: este vídeo não é para vocês. Para o resto dos pais que desesperamos, gritamos, temos vontade de os reencaminhar para um internato a mais de dez mil quilómetros, aqui vos deixo este fabuloso conto infantil de Adam Mansbach narrado pelo Samuel L. Jackson. Enjoy!!



    Por Rititi @ 2011/06/23 | 6 comentários »


    Afinal Portugal ainda é o meu país

    Estou longe, eu sei, de Portugal e dos seus problemas com a Troika. Eu sei que não me afecta a sua necessidade de recortes, de ajustes de déficite, não tenho quase nada a ver com as mais que previsíveis greves gerais que se adivinham. Este ano ainda não fui a Lisboa, acho que só visitei remotamente o Alentejo uma vez, não comi sardinhas, não celebrei o Santo António. Nem sequer votei. Mas não deixo de olhar para Portugal todos os dias. Leio os blogues e os jornais, sigo no twitter jornalistas lusitanos, a maioria dos meus “amigos” do facebook são portugueses. Acho-me relativamente informada, apesar de não ser afectada pelo quotidiano nacional. Fernando Nobre não me diz nada, muito menos Assunção Cristas, por não falar de Vítor Gaspar ou Miguel Relvas. Mas isso não quer dizer que não me comova quando ouço falar deste novo governo, ou pior, que não me inquiete saber que o meu país está a entregue a gestores (altamente qualificados, sobrados de MBAs, doutoramentos, mestrados, artigos publicados em revistas de renome internacional) treinados nos meandros da empresa privada e nas suas intrigas, promoções, despedimentos, curvas de resultados, objectivos semestrais, prémios chorudos. Portugal, toda a gente sabe, precisa de uma volta, do que se chama uma restruturação fundamental, de uma limpeza no sistema, e estes super-gestores que foram chamados a liderar esta derradeira baixada de calcinhas, ou como quem diz dar literalmente o cuzinho, para pôr as contas em dia e satisfazer as necessidades da nossa infinidade de credores, não terão a mínima consideração com o “país real” quando olharem para os números, que afinal é o que Portugal é: números vermelhos, números arrasados por décadas de ineficiência, números derrapados, números afinal. Quando estes gestores (brilhantes, com certeza) arregaçarem as mangas não terão em consideração nada mais que números, porque para isso foram contratados em base à sua comprovadíssima e aplaudida experiência como técnicos em gestão ou economia privada. E olharão para Portugal como essa empresa que precisa urgentemente de ser limpa de todos os vícios milenares, da sua ineficácia congénita herdada dos séculos em que vivemos dos réditos brasileiros, do Estado Novo, dos subsídios europeus, da boa vida, sem ter em conta nada mais que a urgência de aparecer bem na foto para o FMI, o Banco Central Europeu, os mercados, os investidores. Acontece que nesta empresa que é Portugal não só há chupistas e sugadores, funcionários incapazes, uma classe política que se vem mutando desde a ditadura sem vergonha ou consideração pelos que lhes votam, sindicatos dedicados ao enriquecimento das suas elites, assessores, chefes e subchefes de secção, gabinete ou comissão, uma cambada, aliás, obviamente mais que preparada para se adaptar a tudo o que é corte e recorte graças ao conhecimento das minúsculas letrinhas que compõem as leis e os seus decretos e que os fazem absolutamente imunes a qualquer tipo de limpeza, por muito que esta seja encabeçada pela troika, o FMI ou o mesmíssimo Deus. Portugal, essa empresa, está composto de reformados que cobram cento e cinquenta euros ao mês, mães solteiras que trabalham em centros comerciais pelo ordenado mínimo até às dez da noite, desempregados, agricultores com pedaços minúsculos de terra da que comem eles e o seu triste gado, gente sem recursos nem um futuro e que desgraçadamente dependem do Estado Social, dos centros de saúde, das receitas que lhes passam os médicos, das creches públicas, do abono de família. E esta gente não será tida em conta quando os números precisarem de ser limpos e expostos numa comissão qualquer em Bruxelas. Desgraçadamente, quando se tiver que cortar no Sistema Nacional de Saúde se não cortará nos gestorzecos que andam há décadas a ganhar quarenta mil euros para emitir informes sobre o estado da coisa, mas sim no centro de saúde lá de Pedrogão Grande que não cumpre com os objectivos de produtividade marcados numa reunião num comité qualquer em Lisboa. Como sempre, quem se fode é o desgraçado do mexilhão. E o mexilhão não é de certeza essa classe de merda que está há décadas sentadinha nos meandros do poder a ver como vão passando os governos, o FMI, as troikas, os passos coelhos do momento. Eu estou longe, eu sei, mas não estou cega. E ainda tenho a família e demasiados amigos desse lado como para me deixar de preocupar com o que afinal de contas ainda é o meu país.



    Por Rititi @ 2011/06/21 | 8 comentários »


    Há dias em que eu nem sei o que sou. Se em relação ao post sobre Strauss-Khan me enviaram e-mails furibundos a chamarem-me feminista histérica e recalcitrante, no outro dia, durante um jantar, quase fui apelidada de machista a propósito do caso da ministra de Defesa espanhola que aceitou o cargo estando grávida e que decidiu não gozar a totalidade da baixa maternal. Como já escrevi aqui, algures em 2008, acho um piadão de primeira que enquanto o Parlamento Europeu tenta que a baixa maternal se amplie a cinco meses para todas as mães uma ministra socialista diga, através dos seus actos, que não precisa de estar o tempo todo que a lei lhe permite com o seu filho, porque é ministra e tem que governar o mundo, os exércitos, o caralho. Se a directora geral de uma empresa privada não quer, é problema e decisão dela (e de todas as suas subordinadas, claro), mas que a mesma ministra que se apresenta como estandarte do feminismo porque passa revista às tropas prenha de sete meses transmita a mensagem que a baixa maternal é prescindível, fode-me soberanamente. Pode-se partilhar a baixa com o pai? Sim, claro, mas estamos a falar de símbolos, da necessidade de dizer aos empresários (os mesmos que não têm o mínimo problema em despedir grávidas) que quando temos um filho precisamos, mãe e filho, de tempo (superior a seis semanas) para nos conhecer-nos, para aprender a amar, não se trata só de alimentação ou de dar o peito. E que uma mulher se comporte igual que um gajo não é sinónimo de paridade, nem de igualdade, estes dois estandartes a que se agarrou este nefasto e ridículo governo de Zapatero. Chamem-me machista, vá lá, por achar que a maternidade vai mais além de parir, que os bebés precisam do cheiro, da nossa voz, do roce, do amor da mãe. E não acontece nada nem se acaba o mundo se durante quatro ou cinco meses se para um bocadinho. Mas claro, é mais importante ser ministra de Defesa.



    Por Rititi @ 2011/06/09 | 8 comentários »


    Amanhã Mr. Pinheiro e aqui a vossa queridíssima Rititi vão passar uns dias na Itália. Sem crianças, felizmente estacionados no Alentejo com a melhor mãe do mundo (a minha). Sozinhos. Só os dois. Depois de três anos, dois filhos, bronquiolites, febres, primeiros passos, papas, fraldas, dentes, creches, nós os dois vamos apanhar um avião sem carrinhos e biberões. Maravilha. Êxtase. Explosão de alegria, só vos digo isso. Sim, ser mãe é a melhor coisa que me aconteceu e os filhos não se comparam com nenhuma noite de copos, a gente já sabe, mas foda-se que bem que me estão a fazer estes dias em que posso ir ao cabeleireiro sem pressas, arranjar as unhas, ir à noite ver o novo filme do Woody Allen, entreter-me nas lojas, fumar na sala, namorar com as portas abertas, não dar banho a ninguém e jantar se me apetece. Se tenho saudades dos bichinhos, pois claro, mas mais saudades tinha de fazer a mala e ir com o meu gajo ali dar uma volta e beber um copo de vinho com vistas para o mar. Sem tempo. Sem olha que o gajo cai, está cagado, tem sonho, tem frio, tem fome. Os dois. Namorar. Dormir. Almoçar às quatro. É o que eu vos digo: viva a minha mãe. Até para a semana, criaturas.



    Por Rititi @ 2011/06/01 | 10 comentários »