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Rititi

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INÍCIO

  • Amy

    Não leva morta nem 24 horas e já os moralistas do costume fazem questão de nos lembrar as maldades dos excessos, do corrosivas que são as drogas e o álcool, do absurdo que é desperdiçar o talento, a juventude, a vida, como se a vida fosse uma verdade absoluta e todos a tivéssemos que a viver igual. Coitada, leio. Que desgraça para a música. Os mesmos moralistas que, de certeza, abriam o Cuore e se riam daquela figura escanzelada, cheia de tatuagens absurdas, com um arzinho entre o deplorável e patético, ora a cair à porta de um clube, ora a fugir de jornalistas e fotógrafos que alimentavam o mito de estrela decadente. Amy só tinha 27 anos. Se aos 2o era uma promessa do novo soul, com 23 foi elevada a ícone, com o Karl Langarfeld a inspirar-se no seu penteado para os seus desfiles de Paris e os gurús da música, da moda e do life style a encherem páginas de revistas com a nova musa. E as discográficas, felizes, finalmente tinham descoberto não uma cantora, mas sim uma escritora talentosíssima. Claro que as discográficas se estão a cagar se as letras se inspiravam em tardes a brincar com a Barbie ou numa noite de copos e pancadaria com o namorado. O importante era encher estádios de futebol, levar a miúda a programas de televisão, fazer dela uma peça indispensável de mainstream, sem querer perceber que não era a sonsa da Duffy ou a experiente Madonna, que o sítio da Amy não era no Rock in Rio, esse McDonald’s da música pop. O que os moralistas do costume, esses abstémios que nunca fumaram um charro porque têm medo de acabar agarrados à heroína, nunca entenderão é que há pessoas diferentes, mais sensíveis, mais atormentadas e que nem todos lidamos igual com os medos, com as dores, que há almas que precisam fugir (todos precisamos fugir um dia) e que as drogas são uma maneira mais de nos aliviar as penas. Exigir que um ser como a Amy Winehouse se comportasse como a última vencedora do American Idol, um produto para consumo de milhões que não diferenciam o soul da música electrónica, é desconhecer os segredos da alma, a essência do ser humano.



    Por Rititi @ 2011/07/24 | 12 comentários »

  • Catarina says:

    Concordo inteiramente.

    • João Alexandre Constante Pinto Correia says:

      Realmente o ser humano fala conforme lhe convém, de genuíno só mesmo a hipocrisia, depois de mortos somos todos bonzinhos, mas enquanto vivos não prestamos para nada caso a vida seja idêntica à da Amy. A vida ensina a quem tem tempo de vida a saber discernir.

  • rosaamarela says:

    true !

  • Juanna says:

    Ah granda Rita!

  • catbloom says:

    Rititi, adorei a transversalidade da análise.
    De resto, como sempre. U rules! *.*

  • Ana Pessoa says:

    Respeito mas discordo, e falo com conhecimento de causa do mundo das drogas

    Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não considero que se tenha que lamentar alguém que escolheu morrer pelos quimicos, porque foi isso mesmo: uma escolha, quando se for necessário fujimos a sete pés e olhamos com desdém o sujeito que nos arruma o carro e que olha através de nós. O problema é o mesmo, a toxicodependência, o que varia é que um era uma figura publica e o outro não.

    Se perdemos? Muito! É uma pena ter e ser aquele talento e ter escolhido (sobre)viver depressa demais. Tinha demónios? Todos temos, digo eu que nada sei a não ser de mim, e ainda assim…

    A culpa é de todos e não é de ninguém, porque não tem que haver sempre um culpado. Foi uma escolha (raras, rarissimas, são as OD acidentais, te garanto) que aquele elemento fez. Adiante. Uma pena, sim senhora, mas a (nossa) vida continua

    bjs ;)

  • Filipa Arez says:

    concordo e adorei o blo0g. vou voltar :)

  • R says:

    Se a minha avó fosse viva (e soubesse quem era a Amy Winehouse), diria que ela era “fraca de cabeça”. Aliás, se estivéssemos a falar de uma mulher toxicodependente que se prostituísse na Sampaio Pina, duvido que houvesse tanta poesia sobre almas atormentadas.

  • rachel says:

    Ó porra!
    Então isto tem uma bonequinha “pino para cima” a falar ao telefone com fio?
    nunca tinha reparado.
    era só isto.

  • Robert Phillips says:

    Discordo totalmente! Fracos aqueles que se aderem a coisas ilícitas para se impor na sociedade como alguém que foge de suas dores e desencantos com a vida.

    Bando de inúteis e revoltados, assim como quem escreveu tal post acima!

    Liberdade de expressão, to dentro!

  • a. supremus says:

    A minha opinião é exactamente esta que expressaste. E ainda acrescento. Sendo ela inevitavelmente culpada, por o rumo que tomou, culpados foram também, os produtores, gerentes whatever. Pessoas que não andam na vida artística há dois dias, que sabem as causas e efeitos de tudo o que se passa e que não fizeram rigorosamente nada para a segurar. Porque a imagem dela era vendida assim, e porque dava muito dinheiro assim. Nenhum desses senhores tão cultos, tão experientes, tão vanguardistas, teve a coragem de pegar nela, e mostrar-lhe o caminho. Foram negligentes, sabiam perfeitamente qual seria o fim se não interviessem e deixaram-se estar inertes.
    Será mais uma estrela admirada e louvada depois de morta, como todas as grandes. RIP.

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