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Rititi

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INÍCIO

  • PENTHOUSE DE JULHO – FIGURAS TRISTES

    Sentada numa esplanada no centro de Madrid, vejo como se aproxima à minha mesa um grupo de mulheres eufóricas comemorando uma despedida de solteira, gritando hinos anti-machos e marchando decididas como um batalhão de enfermeiras boazudas, todas elas ligas, cuecas fio dental e decotes até ao umbigo que deixam ver sem o mínimo recato sutiãs de rendas e mamas ao limite da explosão. Para rematar a cena estas amazonas descascadas coroam as cabeças com pilas. Pilas rosadas, enormes, hirtas e que brilham como espadas-láser dos Jedis. Há dias em que uma gaja não devia sair de casa, palavra de honra. Não se confundam: não tenho nada contra as representações da pila, aliás, sou super a favor de vibradores, dildos, coelhinhos incansáveis, hipopótamos mágicos e de tudo que faça a vida (e a sexualidade) das mulheres mais feliz. Mas não me sinto nada cómoda com estas manifestações do suposto orgulho feminino, como se levar um mangalho na cabeça nos fizesse melhores que os homens, mais mulheres, mais poderosas, mais fortes. Mentira, só nos faz parecer mais ridículas.
    Há uns anos atrás vi-me metida numa despedida de solteira. Uma amiga casava-se dias depois e uma das convidadas teve a infeliz ideia de nos levar a um clube especializado neste tipo de festas para jovens casadouras e com enorme facilidade para se embebedar rapidamente à base de bebidas doces e coloridas. Dezenas de mulheres histéricas dançavam imitando a protagonista de um videoclip chungoso de delinquentes da MTV, ansiosas para assistir ao excitante show da noite. E esse grande momento chegou encarnado num sargento da GNR com o peito depilado, um garanhão de ginásio insuflado a anabolizantes e manifestamente gay que debaixo da farda de plástico escondia o gigantesco objecto de desejo das assistentes ao espectáculo. O sargento abanava o rabo, as mulheres gritavam. O sargento apalpava-se o inchaço da entreperna, as mulheres babavam-se. O sargento arrancou as calças de plástico e as mulheres atiravam-se-lhe às pernas, gemendo como se lhes fosse a vida nisso. Até que o sargento escolheu entre o público uma embevecida futura noiva em estado de êxtase místico-vaginal a quem sentou no meio do palco. Já imaginam como acaba a história: enquanto o sargento se roçava alarvemente na cara dela, a eleita ao ponto do desmaio gritava “isto é o melhor que me aconteceu na vida! Mais! Mais! Não pares!”. E essa foi a altura ideal para fugir daquele filme de terror e ir beber um copo a um bar cheio de homens heterossexuais vestidos com t-shirts folgadas e incapazes de mexer a anca ao som da música pop.
    Que o melhor que te aconteça na tua existência seja que um gay te esfregue a pila na cara enquanto as tuas amigas uivam de prazer não só é medonho, é penoso, vergonhoso e tristemente patético. Como seriam as relações sexuais daquela desgraçada? Casava-se para quê, aliás, se obviamente o namorado era incapaz de a excitar e fazer-se babar? E, o que é mais importante, por quê esta necessidade absurda das gajas de imitar o pior dos homens? Acaso precisamos mesmo de assistir a shows de striptease masculinos para nos acharmos iguais aos homens? Usar bandoletes com forma de pilas luminosas é o sonho do feminismo pós-moderno? Meninas, tenham juízo. De certeza que não achavam piadinha nenhuma ver os vossos homens perdidos de bêbedos na rua com um colar de mamas ao pescoço. No mínimo pensavam que os gajos eram idiotas. A sério que gostavam de ter sexo com alguém assim? Pois é.



    Por Rititi @ 2011/08/22 | 8 comentários »

  • salto says:

    Impecável como sempre!

  • S* says:

    São festinhas deprimentes. E, de facto, se foi o que de melhor lhe aconteceu na vida… é triste.

  • Framboise says:

    Eu detesto despedidas de solteiro. Parece que as pessoas ao casarem-se vão para um matadouro e precisam de fazer tudo aquilo que nunca fizeram antes para se sentirem realizadas, faz-me confusão! E depois esse tipo de despedidas, no mínimo ridículas, são escusadas. Eu se fosse o noivo não gostaria de ver esse espectáculo, da mesma maneira que se fosse a noiva e o meu namorado viesse a cheirar a patareca de stipper devolvia-o no mesmo instante!

  • Andorinha says:

    Há 15 dias atrás estive na despedida de solteira duma grande amiga que é também uma castiça. Nada de pilas na cabeça, nada de vestidos a condizer, tudo na boa, éramos 17 inclusive um casal gay (masculino) que não quis perder o strip masculino que se avizinhava e preferiu a despedida de solteira da moça em vez do moço. Até aqui tudo normal (acho eu que vivo em Amesterdão). Como aqui a malta é gente de classe, fomos a um restaurante excelente e pequeno, que fechou só pra nós. Comemos maravilhosamente bem, bebemos melhor ainda (o vinho branco era Italiano e do bom). Fecham-se as cortinas e aparecem os strippers. Ora aqui é que a coisa muda. O Dono do restaurante fez-se de parvo e em vez da aula de lap dance que tinhamos pedido para a nossa amiga poder presentear o noivo, mandou-nos uma stripper feminina. Nós nem sabíamos bem o que fazer senão rir. E a fulana tinha uma pinta do caneco, não foi de todo brega muito pelo contrário. De tal maneira era boa a mulher que um dos gays ameaçou voltar pra dentro do armário.
    A noiva foi uma porreira e alinhou na brincadeira, a mim quase me dá uma síncope porque não estava nada daquilo previsto e eu estava na organização da despedida.
    Depois veio o stripper masculino, que tadito, imberbe, se esfregou na noiva que olhava pra ele com cara de wtf are you doing? O rapaz estava tão nervoso que suava em bica. Por baixo do seu fato de Elvis (fantasia da minha amiga, go figure!) vinha com uma cuequinha boxer roxa escura que nos deixou a todas a pensar: ora porra, foi nisto que gastamos o dinheiro? Se nós soubéssemos só tínhamos pago à gaja.
    E não tínhamos lésbicas no grupo, agora imagina se tivéssemos.

  • Mariana says:

    Adorei esta descrição.
    É que relata mesmo o que de mais deprimente pode acontecer.
    Despedida de solteira….mas o que é isto?
    Não há paciência para estas figuras tristes.

  • ahah também detesto ver esses grupos de mulheres com pilocas na cabeça, a berrar em restaurantes feitas histéricas…por favor, arranjem uma piloca verdadeira e aí sim gritem. Mas em casa para o bem da vossa integridade física e moral, por favor…

    E menina que te vais casar feita ingénua? se precisas de andar com uma piloca de plástico na cabeça para te afirmares…então talvez seja melhor reconsiderares a ideia de casar. Só naquela, sim?

  • purita says:

    na descrição só falta a picanha a rodos…

  • Blue says:

    As despedidas de solteiro/a “tradicionais” (como a que descreves, por exemplo) são a coisa mais parva de que há memória. Quero lá eu uma coisa assim!!!

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