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Rititi

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INÍCIO

  • Mexer cá dentro

    Hombre y mujer, 1968-1994. Madrid, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía. © Antonio López.

    Estudio con tres puertas,1969-1970. Fundació Sorigué. © Antonio López. VEGAP. Madrid, 2011.

    Carmen dormida, 2008. Galería Marlborough. © Antonio López.

    Foi talvez a exposição que mais me tocou as entranhas nos últimos tempos. Estremeceu-me, houve momentos em que já me via a chorar, toda eu baba e ranho, soluçando de emoção à frente do quadro da sanita. Também é verdade que eu sou mulher de lágrima fácil, um bocado panhonhas e completamente totó. Acho que tinha 16 anos quando estive por primeira vez a sós com um Greco e ainda me lembro de sentir um murro no estômago, como se tivesse vivido cega e idiotizada durante todos esses anos. Posso passar horas no Prado, sentada à frente da Sagrada Família com Passarinho do Murillo, sorrir levemente cada vez que olho A Mulher Barbuda de Ribera ou querer correr o risco de presa porque sei que o sítio do Martha Mckeen do Hopper é a minha sala. Sou feliz num museu, o prazer que me deram A Vitória de Samotrácia ou o quadro de Inocêncio X de Velázquez não se compara com nada, não há comida, nem música, nem filmes, nem livros que me deixem tão frágil, minúscula e agradecida de não ser um macaco ou um cão. E estava impaciente, todo o verão a programar uma tarde sem pressas nem correrias para ir sozinha ao Thyssen. É que, como já tinha dito aqui atrás, a exposição de António López é o verdadeiro evento do verão madrileno, com entradas esgotadas, bichas no passeio do Prado às três da tarde em Agosto e comentários entusiasmados nos jornais generalistas. Assim que lá comprei o bilhete uma semana antes por internet, aguardei a minha vez na fila e entrei para as salas junto com famílias, velhas, grupinhos de adolescentes, casais de turistas, gente que se parava ante cada peça com o coração encolhido, com vontade de tocar, de espreitar os pézinhos das crianças em bronze, de comprovar que as esculturas não respiravam nem iam começar a correr, senhoras que se riam com os detalhes das casas de banho, da marca de manteiga no frigorífico, crianças que se comparavam com os bebés de mentira deitados nas suas caminhas, madrilenos confrontados com a dureza da sua cidade, abandonada às suas imensas avenidas, sempre a parir periferias tristes, longe da delicadeza dos marmeleiros e da memória da aldeia. Pessoas que, como eu, não deviam ter grandes conhecimentos de arte moderno, de hiperrealismos, de correntes artísticas, só pessoas que estavam muito contentes por ter a sorte de assistir a uma homenagem às coisas bonitas, perfeitas. Eu quis ficar ali dentro sozinha, expulsar as velhas, as crianças e os madrilenos, deitar-me um bocadinho à frente dos estudos das flores. Não deu. Mas comprei um íman do quadro do frigorífico e cheguei a casa um bocadinho mais feliz a pensar que isto deveria ser o propósito da Arte.



    Por Rititi @ 2011/09/01 | Sem comentários »

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