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Rititi

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INÍCIO

  • Uma miúda

    No 11 de Setembro de 2001 não senti nada de jeito. Claro que vocês têm de mim uma imagen de mulher informada e alta pensadora, mas há 10 anos eu tinha 10 anos e 10 quilos menos, ou seja, gabava-me de ter 26 e de caber numa 36. E era uma miúda. Uma miúda que vivia num pequeno apartamento de 30 metros quadrados na Bica, quando a Bica não era esse lugar intransitável cheio de modernos com roupas impossíveis, e que ficou durante horas sentada à frente da televisão com cara de parva, com o dia pendurado e as férias a caminho de uma praia do meu passado adiadas. Não fui atingida por nenhuma epifania, não me apercebi da transcendência dos ataques, não entendi o muito que iria mudar a política mundial, as nossas viagens de avião, a relação com o mundo árabe. Também não tive medo, nem senti os atentados como um ataque à minha pessoa, ao meu mundo. Não. O medo sentiu-o em Madrid em 2004, quando uns cabrões rebentaram os comboios em Atocha. Esse dia de Março doeu-me o coração. Madrid já era a minha casa e Atocha o lugar por onde transitavam pessoas como eu, que trabalhavam, que tinham filhos, créditos, amores não resolvidos. No 11 de Março senti o ódio à minha maneira de viver, ao que durante séculos construíram os meus antepassados, à revolução industrial, ao sufrágio universal, à igualdade entre homens e mulheres. Em 2001, sentada com Mr Pinheiro no sofá vermelho naquela minúscula casinha da Travessa das Laranjeiras, só vi dois prédios em chamas, uns prédios repetidos uma e mil vezes nos filmes, nas séries, nos cartazes turísticos de Nova Iorque, prédios de onde se atiravam seres desesperados, que começaram a ruir, prédios que deixaram de ser, de repente, num dia qualquer em que eu estava de férias. Mas já vos disse, era uma miúda.



    Por Rititi @ 2011/09/13 | 4 comentários »

  • ana says:

    No 11 de Setembro.

  • Juanna says:

    Neste metro onde o meu outro mim anda todos os dias e, por vezes, eu pergunto “será que hoje…?”

  • Juanna says:

    Ana, o 11 de Março foi o de Madrid, é também a esse que a Rititi se refere.

  • dri says:

    percebo o que dizes. senti o mesmo em madrid e o sentimento acompanhou-me durante semanas…

    gosto do teu blogue;)

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