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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Tempo

    A semana passada aconteceram tantas coisas, que até pareceu mal não ter vindo aqui cagar uma posta de pescada. O fim (?) de ETA, a morte de mais um tirano que até antes de ontem era amigo íntimo do coração a quem recebíamos a troco de petrodólores e terroristas islamistas, a entrega dos Prémios Príncipe de Asturias e o discurso do queridíssimo Ricardo Mutti que só consegui ver em diferido e via web. Pois é, não deu. Não tive tempo. Aliás, tive, mas preferi usa-lo para adormecer no sofá depois de ter atirado os putos para a cama, com a baba a escorrer entre algum capítulo repetido do CSI e a digestão da massa com frango. Eu sei que a vossa vida é fabulosa, a minha está a roçar o patético. Se não fosse pelo uísque que anda cá por casa era igual à de qualquer dona de casa de Lavacolhos, mais coisa menos coisa.  Enfim, hoje tive tempo para escrever. Pouquinho porque já sabem que daqui a nada tenho que ir buscar as crias aos respectivos centros educativos, porque o meu mais velho já vai à escola. Uma escola pequena, pública, laica e aqui do bairro, na qual o meu Rititi Boy deve ser muito feliz, porque o gajo não me conta nada. Tudo bem? Sim. E que fizeste? Não me lembro. O meu filho, se alguém tinha dúvidas, é um gajo. Mais informação não recebo, a não ser umas fotocópias metidas no bolso do bibe, num estilo instrução militar, do género paguem as aulas de música ou dedique um tempo da sua vida a fazer uma bruxa para a festa de Halloween que festejaremos esta semana. Alto aí!! Halloween?? Masquestamerda? Estamos a falar do mesmo colégio laico que não comemora o Dia da Mãe porque é uma festa religiosa? E Halloween é o que, exactamente? Ou se calhar além de laicos, os directores deste colégio têm também uma vocação global e espera-me um ano lectivo de comemorações multiculturais e multinacionais desde o Fim de Ano chinês, passando pelo 25 de Abril turco e Dia da Independência do Uganda? Ou acaso são simplesmente ignorantes e ninguém lhes disse que aqui, nesta nossa terra e nesta nossa cultura, nos nossos genes,  Halloween não existe e que aqui celebramos o Dia de Todos os Santos, dos nossos defuntos, que aqui honramos a memória dos nossos seres queridos sem precisar de máscaras e bruxas e pintelhices pirosas? E agora, se me dão licença, vou passar um “tempo de qualidade” com o filho de três anos enquanto EU recorto cartolinas às cores, tento pintar um chapéu com papel de alumínio e faço um vestido para a puta da bruxa com o saco do lixo enquanto gajo caga para mim e vê os desenhos animados. Ainda bem que me falta tempo para ir à escola e meter o pau da vassoura da bruxa por onde eu bem sei.



    Por Rititi @ 2011/10/24 | 13 comentários »


    Adolescência

    Ontem o meu Rititi-boy mais novo fez um ano. Bichinho querido. E enquanto o lambia e beijava e lhe cheirava o pescoço amoroso pensava no pouco tempo que me resta para o mimar, amassar, dar-lhe colinho com fartura, morder-lhe os dedinhos dos pés. Que merda, os gajos crescem, depressa, muito depressa. Daqui a nada já está a pedalar feito uma besta, a perder os dentes, a levar pontos na cabeça e no queixo, a querer jogar na PS2 aquelas merdas horríveis onde simulam mortes e mutilações, até chegar à puta da adolescência, essa fase da vida que não serve para nada, a não ser para criar complexos aos putos e dar cabo da cabeça dos pais. Agradeço desde já que os eventuais psicólogos, pedagogos ou educadores que aqui me visitam me poupem as teses de doutoramento sobre a importância desta fase para o desenvolvimento cognitivo da criança ou a necessidade do enquadramento do indivíduo da sociedade. O caralhinho, é o que é. Eu não sei vocês, mas eu tive uma adolescência de merda. Passei de ser uma criança magricela e com franja a ser um trambolho magricelas e com franja e com um par de mamas que não sabia onde esconder nem para quê serviam. E com pêlos escuros e que teimavam em aparecer em sítios que antes ignorava que existiam. E com este nariz, ai criatura, que tentava simular evitando (!) que o resto da humanidade visse de perfil. Pena de mim. Por não falar da boca que crescia ao ritmo das mamas e que me obrigou a levar até aos 17 anos um aparelho que afundava (ainda mais) a minha pobre auto-estima. Perdão, ninguém tinha nessa altura auto-estima: ou eras como todas as outras miúdas ou então tinhas um complexo de cavalo. E o que eu queria mesmo era ser loira, não ter mamas, medir metro e cinquenta, ter um namorado com mota (já tocaremos o tema dos namorados noutro capítulo) e que alguém me compreendesse. Porque a mim ninguém me percebia. A minha mãe era uma adulta de trinta e tais (velha, portanto), magra e altíssima que se vestia com muitíssima pinta, razões de sobra para me envergonhar, que como é lógico esse era o seu objectivo, fazer-me a vida negra. Os meus irmãos mais novos, esses, viviam no mundo da fantasia e nem de longe estavam à minha altura emocional e intelectual, umas crianças que nem podiam imaginar por tudo o que eu estava a passar, o que sofria em silêncio, as minhas transcendentais dúvidas metafísicas. Quem poderia entender-me? Só as minhas amigas que, lógicamente, eram muito mais bonitas e mais loiras e tinham imeeeeenso êxito com os rapazes, que eram a fonte a minha dor interior. Rapazes que eu achava que nem me olhavam, que não sabiam quem eu era, a que colégio ia. Rapazes que escolhiam sempre outras. Horror de adolescência. Nada saquei de proveito daquela época tremenda, só me deu insegurança, complexos de gaja feia mas muito espertinha (gente do mundo, nunca comparem duas irmãs com essa simpática frase filhadaputa “esta é muito gira, já a outra é muito…. estudiosa”), complexos aliás que só passaram a partir da faculdade, quando reparei que não tinha que provar nada a uma cambada de miúdos imberbes e com mania que eram giros. E agora é imaginar os meus putos daqui a uns anos, a cara feita terra fértil de borbulhas, pelugem no bigode patético, o nariz desproporcionado, a voz que mais parece um rádio estragado, braços simiescos, enfiados num mundo de silêncios, palavras estranhas, medo do outro, sem que nada eu possa fazer, senão esperar a que esta época passe e se transformem em seres humanos mais ou menos normais, mas humanos, ao fim ao cabo.



    Por Rititi @ 2011/10/17 | 7 comentários »


    Viva a noiva!

    Uma noiva que dança uma sevilhana quando se acaba de casar é uma noiva feliz.

    (E que lindos estão os manos Rivera Ordoñez, coisinhas mais lindas)



    Por Rititi @ 2011/10/06 | 14 comentários »