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Rititi

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INÍCIO

  • Adolescência

    Ontem o meu Rititi-boy mais novo fez um ano. Bichinho querido. E enquanto o lambia e beijava e lhe cheirava o pescoço amoroso pensava no pouco tempo que me resta para o mimar, amassar, dar-lhe colinho com fartura, morder-lhe os dedinhos dos pés. Que merda, os gajos crescem, depressa, muito depressa. Daqui a nada já está a pedalar feito uma besta, a perder os dentes, a levar pontos na cabeça e no queixo, a querer jogar na PS2 aquelas merdas horríveis onde simulam mortes e mutilações, até chegar à puta da adolescência, essa fase da vida que não serve para nada, a não ser para criar complexos aos putos e dar cabo da cabeça dos pais. Agradeço desde já que os eventuais psicólogos, pedagogos ou educadores que aqui me visitam me poupem as teses de doutoramento sobre a importância desta fase para o desenvolvimento cognitivo da criança ou a necessidade do enquadramento do indivíduo da sociedade. O caralhinho, é o que é. Eu não sei vocês, mas eu tive uma adolescência de merda. Passei de ser uma criança magricela e com franja a ser um trambolho magricelas e com franja e com um par de mamas que não sabia onde esconder nem para quê serviam. E com pêlos escuros e que teimavam em aparecer em sítios que antes ignorava que existiam. E com este nariz, ai criatura, que tentava simular evitando (!) que o resto da humanidade visse de perfil. Pena de mim. Por não falar da boca que crescia ao ritmo das mamas e que me obrigou a levar até aos 17 anos um aparelho que afundava (ainda mais) a minha pobre auto-estima. Perdão, ninguém tinha nessa altura auto-estima: ou eras como todas as outras miúdas ou então tinhas um complexo de cavalo. E o que eu queria mesmo era ser loira, não ter mamas, medir metro e cinquenta, ter um namorado com mota (já tocaremos o tema dos namorados noutro capítulo) e que alguém me compreendesse. Porque a mim ninguém me percebia. A minha mãe era uma adulta de trinta e tais (velha, portanto), magra e altíssima que se vestia com muitíssima pinta, razões de sobra para me envergonhar, que como é lógico esse era o seu objectivo, fazer-me a vida negra. Os meus irmãos mais novos, esses, viviam no mundo da fantasia e nem de longe estavam à minha altura emocional e intelectual, umas crianças que nem podiam imaginar por tudo o que eu estava a passar, o que sofria em silêncio, as minhas transcendentais dúvidas metafísicas. Quem poderia entender-me? Só as minhas amigas que, lógicamente, eram muito mais bonitas e mais loiras e tinham imeeeeenso êxito com os rapazes, que eram a fonte a minha dor interior. Rapazes que eu achava que nem me olhavam, que não sabiam quem eu era, a que colégio ia. Rapazes que escolhiam sempre outras. Horror de adolescência. Nada saquei de proveito daquela época tremenda, só me deu insegurança, complexos de gaja feia mas muito espertinha (gente do mundo, nunca comparem duas irmãs com essa simpática frase filhadaputa “esta é muito gira, já a outra é muito…. estudiosa”), complexos aliás que só passaram a partir da faculdade, quando reparei que não tinha que provar nada a uma cambada de miúdos imberbes e com mania que eram giros. E agora é imaginar os meus putos daqui a uns anos, a cara feita terra fértil de borbulhas, pelugem no bigode patético, o nariz desproporcionado, a voz que mais parece um rádio estragado, braços simiescos, enfiados num mundo de silêncios, palavras estranhas, medo do outro, sem que nada eu possa fazer, senão esperar a que esta época passe e se transformem em seres humanos mais ou menos normais, mas humanos, ao fim ao cabo.



    Por Rititi @ 2011/10/17 | 8 comentários »

  • clara says:

    os rapazes têm uma adolescência melhor [espero porque levar com duas destas é coisinha para me internar num asilo. para sempre].

  • Juanna says:

    Ah ah ah ah! Muito parecida com a minha minha adolescência embora aí pelos 17 tivesse arranjado um namorado que me tirou todo e qualquer complexo. Bendito Rui, I owe u one!

  • Ana says:

    Eu nunca tive borbulhas e nunca fui nem magra nem gorda, estava bem e tinha rapazes interessados. Mas, por eu e a minha irmã sermos gémeas e andarmos sempre juntas, quando entramos no liceu puseram-nos de parte, mandavam bocas e não nos falavam, até transferirmos de turma. Mesmo assim, nunca tive grandes amigos mas muitos conhecidos nessa altura. Ainda hoje… detestei essa fase.

  • Rachel says:

    deixa, que a tua adolescência vai-te parecer umas férias no Dubai com tudo pago, quando estiveres efectivamente a levar com a dos teus filhos.
    é muito, muito, fodido.
    não fosse o medo que tenho das consequências, nomeadamente processos de promoção e protecção de menores, eu já o tinha trancado num contentor, com a promessa de o libertar lá para os 22, 23 anos. Acho que com essa idade o pior já terá passado, não sei…

  • julie says:

    tudo de acordo. no entanto fica por compreender a urticária às supostas “teses de doutoramente” dos eventuais “psicólogos, pedagogos e educadores”. Por acaso a adolescência não é uma fase importante, como qualquer outra? e por acaso não é característico, também, ser uma fase maioritariamente sentida e acompanhada por inadequação, comparações interpares, rebeldia e desajuste? Todos esses sentimentos são típicos, comuns. Gostava de saber quem vende a adolescência como terreno paradisíaco para tentar justificar e defender tão afincadamente o contrário.

  • WOODY says:

    Foi uma fase agri-doce.
    Tive as minhas crises, e achava me horrivel, e com a cara cheiaaaaaaaaaaa de borbulhas, meti tantos cremes que hoje odeio.
    Mas fiz muitaaasss descobertas também e gozei bastante

  • Sara says:

    Parabéns ao pequeno, e parabéns pelo grande, grande texto.

  • hey says:

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