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Rititi

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INÍCIO

  • Muito bons são eles

    Ri-me tanto. Obrigada Revista Sábado por me proporcionares grandes gargalhadas a meio de uma manhã chuvosa e triste nesta terra madrilena. Obrigada, a sério. Só um optimista pode acreditar que o Mel Gibson é o presidente da Alemanha, só alguém. Amei. E ao contrário do 95% dos portugueses não fiquei consternada, nem muito menos indignada com a qualidade da “nossa” juventude, não me senti desiludida com os futuros engenheiros, psicólogos e desempregados com mestrado deste país. Do que é que estavam à espera? Acaso vocês que tão chocados estão não sabem com quem trabalham, não ouvem as conversas no metro, não lêem blogs? Esperavam o quê? Dissertações sobre o último livro de Philip Roth à porta da Faculdade? Este meu país não pára de me surpreender, de facto. Estas criaturas são filhas do Portugal dos últimos 20 anos, de uma classe média bêbada de Euros e auto-estradas grátis, idiotizada pela sensação de novo-riquismo à base de subsídios do que antes chamávamos a CEE, que se acreditou europeia e por tanto com direito a ter tudo novo. E teve. Os últimos carros, os últimos telemóveis, as últimas férias nos resorts, os últimos restaurantes da moda, a última mala da Carolina Herrera. Uma classe média que associou o ter para ser alguma coisa de jeito. Conheço malta cheia de MBA, bmw e iphones que passa férias de barco em Ibiza e bebe o melhor e mais caro vinho e que não diz nada de jeito, que não vai a um concerto se não é convidado por algum banco ou associação de advogados, gente que não pisa museus, só galerias de arte. Conheço directores gerais que não sabem o que significa a palavra “antologia”. Conheço professores que não têm livros nas estantes de casa, médicos que só viajam em cruzeiros, advogados que não sabem que foi D. João II. Estou a falar de uma classe média que não se importa de pagar balúrdios absurdos pela educação dos filhos, pagando-lhes aulas extra de piano, inglês, ténis e chinês mandarim mas que não têm a menor curiosidade em saber o que aprendem. Os pais, já sabemos, são muito bons no que fazem, são maravilhosos gestores/advogados/técnicos/jornalistas/doutores em sociologia germânica, mas o resto, religião, cultura geral, literatura, filosofia, política, pois é, não é com eles. Muito bons são os putos. Ao menos não acabaram na Casa dos Segredos, que mau aspecto, que aquilo é só grunhos de classe baixa.



    Por Rititi @ 2011/11/23 | 15 comentários »

  • Maria Sobral says:

    Chap, chap, chap, que ao menos alguém diga umas verdades a esta gente. Não podia estar melhor .

  • Ana says:

    Também acho mulher, também acho…

  • Patrícia says:

    Concordo.

  • faa says:

    Essa noticia é uma fachada.
    Entrevistaram 100 alunos de uma faculdade de psicologia, mas no vídeo só mostram umas 10 pessoas diferentes. Com isto, é impossível dizer “os universitários portugueses são ignorantes”.
    Para além de que o rapaz que disse “Miguel Arcanjo” já processou a revista porque (há o vídeo na net) ele acertou em todas as questões que lhe fizeram e essa em que se enganou, ele corrigiu-se logo a seguir, mas claro que isso não aparece no vídeo final. E os jornalistas disseram-lhe que só estavam a fazer uma pesquisa e que não ia aparecer na revista, muito menos em vídeo.
    E se reparares, os jornalistas estão sempre a mandar bitaites errados mesmo para induzir em erro os entrevistados.

    Para além de que perguntas como “quem é o actor do Godfather” são completamente dispensáveis, principalmente para pessoas que nasceram mais de 10 anos depois desse filme.

    Mas sim, esses que aparecem no vídeo são de rir, mas isso não faz com que essa seja uma das piores reportagens do ano. No máximo podiam dizer “vejam alguns universitários ignorantes”. E tenho pena que ainda existam pessoas que se deixam enganar por este mau jornalismo.

  • salto says:

    gostei da analogia ao título das crónicas do Joel Neto (muito bons somos nós) da extinta NS.

  • Arguto e esclarecedor!
    Nem uma vírgula a acrescentar!
    :)

  • Ricardo says:

    Olha muito honestamente, eu ri. achei um bocadinho ridículo pessoas não saberem quem é o Manoel de Oliveira, especialmente porque os inquiridos são mais ou menos da minha idade e tal. achei bonito que um deles agora quer processar a revista, por difamação.
    Enfim, é com eles.

  • minhota says:

    Qual é a tua classe social?

  • Patricia says:

    Eu desconfio da credibilidade do vídeo.E estou certa de que foi feito para este efeito.

  • s. says:

    miguel arcanjo LOL

    o que me choca é a falta de curiosidade.pena.

  • Juanna says:

    Dá-lhe, Anacleta!

  • susana says:

    sim, o do miguel arcanjo corrigiu-se imediatamente e apesar de ter imensa graça, nao se trata de jornalismo bem feito e isso entristece-me.

  • 艾曼迪 says:

    está tudo dito, num só post cabe a discrição do Portugal contemporâneo!!!

  • Daniela Major says:

    Eu li a entrevista e vi o vídeo, é óbvio que se trata de uma peça mal feita mas já lá vamos. Em primeiro lugar, estudo na FCSH onde também se fizeram entrevistas. Se bem sei que o que não falta naquela Faculdade é gente parva e ignorante (e isto só no meu curso) também sei que há igualmente uma quantidade consideravel de pessoas que, mesmo não sendo nenhuns génios, conseguiam perfeitamente responder áquelas perguntas.

    Não percebo, contudo, quem crítica a escolha do rapaz que decidiu processar a revista. Não está no seu direito? Eu também se fosse usada por um orgão de comunicação para ser gozada por todo o país também me irritava. Aliás, a própria entrevista não refere, como normalmente acontece, quantas pessoas foram entrevistadas.

    O que a SABADO fez foi desprezivel e como jovem que sou acho que escolheram o caminho mais fácil. Pegar no chavão habitual dos “jovens são ignorantes” e foram à procura de exemplos.

    Quanto ao post, não posso deixar de concordar com algumas coisas, nomeadamente a desvalorização da cultura e o desinteresse que é assumido pela classe média, muitas vezes uma classe média com meios para ter acesso a museus, concertos, livros etc.

    Agora não queiram meter tudo no mesmo saco porque regra geral a realidade é muito mais complexa.

  • MTP says:

    Só par te dizer que adoro tudo o que escreves!!!
    PS: és Açoreana?

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