Este site foi concebido para ser visto num browser dentro dos limites da caducidade: infelizmente não é o caso do seu. Assim, a sua experiência de navegação será seriamente afectada. Sugerimos a instalação de um browser mais séc. XXI, se lhe for possível: http://www.mozilla.com/firefox . Mas qualquer outro serve.

Rititi

Rititi

INÍCIO

  • PENTHOUSE DE NOVEMBRO: HOMEM NÃO FALA

    Durante uma curta viagem de autocarro a caminho do trabalho, ouço como um grupo de miúdas fala animadamente e com uma surpreendente leveza sobre um tema para mim  desconcertante: as expectativas vitais não cumpridas. Às oito manhã, toma lá, e iam misturando no debate tópicos como a imperiosa chamada do corpo para a maternidade, os inevitáveis conflitos com a mãe, o preço exagerado do cabeleireiro, a vontadinha de esmurrar o chefe de secção, os quilos a mais e, claro, os namorados e o que lhes fazem e o que não lhes fazem e quantas vezes e por aonde. Assim somos as mulheres: falamos sempre, muito e sobre tudo o que nos vem à cabeça. Precisamos fisicamente de falar, porque sabemos que pôr cá para fora o que nos vai na alminha equivale a uma boa sessão de cabeleireiro.

    Já os homens não falam. Não lhes é urgente, nem sequer necessário para a sua sobrevivência, não perdem tempo em partilhar com outros a crise dos quarenta ou a dificuldade de lidar com a incipiente calvície. Os homens não falam: agem, fazem coisas, compram uma mota quando se acham velhos e rapam a cabeça se ficam carecas. Não sei se é uma questão de evolução, desenvolvimento de uma parte determinada do cérebro ou simplesmente os gajos têm mais que fazer. Mas assim são eles, sempre foram e espero que continuem a ser para bem da humanidade e sobretudo das mulheres. Para quê precisaria uma gaja de  estar com um homem que lhe fala constantemente dos seus sentimentos, medos e frustrações? Há de verdade mulheres que gostem de homens assim?

    Pelos vistos há. E muitas. Um reflexo disto é o cinema e a televisão. Dando uma vista de olhos nas séries ou nas comédias românticas as personagens femininas perdem o sentido e apaixonam-se perdidamente por lindos e robustos heróis urbanos (bombeiros, médicos, advogados dedicados a boas causas) que não só as percebem e as ouvem como falam sem parar do seu amor, ou falta dele, do que sentiram quando fizeram sexo, das saudades arrebatadoras quando elas não estão. E falam do mesmo com os amigos, a quem fazem partícipes e cúmplices das suas relações amorosas, crises existências e o caneco. O termo ficção nunca fez tanto sentido. Os homens aqui não são homens, passaram a ser concretização das expectativas de umas criaturas que não acreditam na ordem natural do Universo e que acham que a igualdade entre os sexos consegue-se com a absurda feminização de todo o género masculino.

    Por sorte existe o Chuck Lorre, criador de duas séries deliciosas e super-masculinas chamadas Two and a Half Men e The Big Bang Theory. Se a primeira era protagonizada até à pouco tempo por um Charlie Sheen que fazia de si próprio (bêbedo, mulherengo incorrigível, infiel, jogador compulsivo) as personagens principais de The Big Ban Theory são quatro jovens adultos, grandes cientistas, loucos por banda desenhada e ficção científica e com sérios problemas de relacionamento com o resto da sociedade e sobretudo com as mulheres. Uns nerds, vá lá. O que têm em comum estas séries é a falta de empatia destes gajos com as mulheres. Não as entendem, mesmo que se esforcem até ao infinito, tudo quando dizem elas soa-lhes a chinês, e o melhor disto para o espectador é a ausência total de diálogos românticos, nem sequer sensíveis ao mais puro estilo de séries tão enfadonhas como Anatomia de Grey ou Irmãos e Irmãs. Séries de gajas que transformam homens em seres ridículos que debitam sem descanso frases que parecem copiadas de telenovelas venezuelanas. O melhor de isto tudo é que por fim vemos personagens masculinas divertidas, que olham para as mulheres com incompreensão mas cheios de desejo e que, cada um à sua maneira, tenta engatar mesmo que no caso dos nerds os resultados sejam desastrosos e quase sempre ridículos. Mas lá está: homem que é homem não fala. Faz.



    Por Rititi @ 2012/01/21 | 4 comentários »

  • Jiboia Cega says:

    É por isso que há muitas mulheres à espera do que na existe, só nessas séries de ficçao.

  • Sofia says:

    Isto faz-me lembrar moi je e o dito cujo! Eu falo, falo, falo, falo… sobre sentimentos, frustrações, saudades, e blá blás enfadonhos sim! Ele ouve, ouve…! Recompensa-me com ATITUDES e GESTOS que muitas vezes me surpreendem. Quando está triste… bebe umas cervejas, trabalha a dobrar, vai jogar à bola ou anda de mota! Eu acho que ele sabe que eu gosto dele, porque digo muitas vezes, mas eu sei que ele gosta de mim, sobretudo pelo que ele faz, pelas atitudes para comigo! Isto tudo para dizer que concordo plenamente com este post… porque corresponde à realidade (pelo menos á minha)!

  • Juanna says:

    Ai ai ai. Eu sou venezuelana, eu via novelas venezuelanas. O que dizem nos Anatomias e afins tem pouco que ver com as novelas venezuelanas. Multiplica frases feitas e melosas por mil enjoos e terás uma novela venezuelana.

  • Martini says:

    Um post muito inteligente. Tenho a dizer que essa “feminização” do homem nas séries de televisão e na comunicação social em geral também é culpa das mulheres. Muitas deles queixam-se que eles não as ouvem, que não falam dos seus problemas, que se vestem mal, que têm péssimos hábitos e por aí fora. Como vivemos numa sociedade do descarte, o homem sente que tem que ouvir mais e ser melhor de acordo com o que a parceira pretende, pois senão corre o risco de ir logo à fava, mas depois o feitiço vira-se contra o feiticeiro e elas acabam por transformar muitos homens negativamente dando-lhes esses tiques ditos femininos e eu julgo que a maior parte das mulheres ainda prefere que os homens tenham um pensamento e uma atitude diferente da delas, como é o exemplo da tua crítica neste post, mas depois existem as forças que moldam a opinião, a comunicação social e as feministas por exemplo, que são as que mais defendem uma total igualdade entre géneros que depois acaabam nestas aberrações.

    Já eu, mantenho-me como sou, não será nenhuma mulher que fará com que eu perca a minha essência, aliás nem sei se alguma gostaria que o fizesse.

  • Leave a Reply

    Your email address will not be published. Required fields are marked *

    *

    You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>