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Rititi

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INÍCIO

  • Prostituição da dor

    A blogosfera tem uma relação infantil com as personagens ditas públicas. Aliás, com tudo. Celebram-se campeonatos de futebol, prémios de cinema, novos discos, nascimentos de filhos de famosos com tanta leveza que tenho dias que acho que a maioria dos blogues são escritos por crianças de 10 anos. Mas mais assustadora é a explosão de sensibilidade quando ocorre a morte de uma pessoa famosa (conhecida não conta, tem de ser famosa e explicada pelo telejornal da TVI para a gente saber mesmo quem é o morto): de Miguel Portas, ao Bernardo Sassetti, passando pela Amy, a Cesaria Évora ou a Whitney Houston, não há blogger que não corra a escarrapachar o obituário com uma urgência atroz, com textos sentidos, tratando os mortos por tu, num tom de proximidade confrangedor e altamente ridículo, como se quisessem demonstrar que eles também gostavam de verdade do artista, do político, da pessoa pública. E quem diz blogues diz twitter e facebook: aqui a cambada não perde oportunidade para se sentir amigo íntimo dos mortos, permitindo-se publicar no mural do FB textos afligidos dedicados, como no caso do desgraçado do Bernardo Sassetti, não só ao morto, mas à mulher, aos filhos, à mãe, chorando a perda da obra, mesmo que nunca tenha ouvido uma puta de uma música escrita por ele. Vergonha na cara, não? Mas quem é esta gente, caramba? Pior que isto, só os posts escritos sobre o MEC e a penosa doença da mulher. Só não sente quem não é filho de boa gente, eu sei, mas estas odes a puxar à lagriminha, toda esta gramática sobre o amor e o cancro (maldita doença, desgraça infinita, bla bla bla) deixa-me envergonhada. É indecente de tão exibicionista.  Ante a doença, a dor, a morte, deveria exigir-se decoro, silêncio, bom-senso, deixar os mortos em paz e os doentes no calor da sua casa, deveria ser obrigatório um luto interior e não este espectáculo público de dor global, num circo ao mais puro estilo a morte-e-beatificação da Lady Di. Choramos aqueles que amamos. O resto é prostituição da dor.

     

     



    Por Rititi @ 2012/05/17 | 23 comentários »


    Rititi Educa o Povão: Treme

    Uma cidade, New Orleans, rebentada pelo Katrina, um sistema que não funciona e que se está a cagar para a devastação que deixou um furacão mas sobretudo a incompetência e o desleixo, gente que não pode voltar a casa porque directamente já não tem casa para onde voltar, escolas que não abrem porque ninguém se lembrou que tinham que abrir, companhias de seguros que não pagam indemnizações, carros escondidos debaixo da lama que ninguém limpa, polícias que passaram de heróis a corruptos, desaparecidos, lama, lixo, mas sobretudo esperança, cidadãos anónimos que lutam para que a cultura importantíssima da cidade não desapareça debaixo dos escombros, restaurantes que se esfalfam para abrir todos os dias, bares cheios, jam sessions, músicos que ficaram sem trabalho mas que se juntam por cem dólares porque assim é que deve ser, japoneses altruistas, bloggers indignados, índios do Mardi Gras, receitas de comida absolutamente deliciosas, trombones que se perdem e muito jazz, jazz do bom. Tudo isto é Treme, a série da HBO a que cheguei com um ano de atraso mas que me tem alegrado os serões calorosos deste fim de primavera. A primeira temporada foi-se numa semana. Obrigada, David Simon.



    Por Rititi @ 2012/05/14 | 1 Comentário »


    Trambolhos D’Ouro: Terror no MET

    Tenho muita sorte: não percebo um cu de moda e muito menos de “tendências”, esse novo conceito para desculpar gente que vai mal vestida. Nada sei de trendsetters e, palavra de honra, acho as “it girls” como a Olivia Palermo e a Chiara-não-sei-das-quantas umas desenxabidas de primeira, sempre com carinha de nojo e ar de esfomeadas. Mas, como dizia, tenho muita sorte, ainda tenho olhinhos na cara e critério próprio. E é ver a panóplia de pirosonas que apareceram nesta gala do MET, a suposta reunião de gente que manda e sabe e bebe e vive da moda, e é mijar-me a rir, tal a estupidez geral desta gentinha. E já agora: Viva a Sofia Vergara!!

    Tanto sexo com vampiros e lobisomens tem as suas consequências.

     

    O Faraó

    A múmia do Faraó

     

    Uma sobrevivente de Auschwitz

    Wednesday com sérios transtornos alimentares. E a precisar de um aparelho nos pés (ah, não, que é moda, que é assim que se faz a pose…)

    Sem ela , sem as transparências, sem os exageros de mulher do vendedor de crack de Baltimore, sem esse estilismo de nova rica, a red carpet não teria sentido. Já tinha saudades da Byoncé, juro.

    A boneca de cera da Linda Evangelista e os seus sapatos ortopédicos. (E com uma cabeça a sair-lhe no pescoço)

    As mamas de Donna Karan

    Uma das manas Olsen com um vestido emprestado da Helena Bonham-Carter e a bolsinha onde eu guardei o meu terço da primeira comunhão.

    Uma it girl com tudo o que isso representa.

    O cadáver de Gianni Versace embalsamado

     



    Por Rititi @ 2012/05/08 | 13 comentários »


    Como eu gostava de comemorar o Dia da Mãe (um ano destes, lá para 2043)

    - Num Spa.

    - Numa ilha a 8.000 kms daqui, rodeada de daiquiris, massagens, livros, mais daiquiris, cerveja fresquinha e mulatos soberbos.

    - A passear, a entrar em lojas, a sair das lojas, a ir a exposições, a sentar-me num café e ler um livro ou uma revisteca da treta.

    - A tratar do meu sofrido corpo (mãos, pés, pelugem, unhacas, pele)

    - A ir a um concerto do Jordi Savall.

    - A dormir.

    - A ir ao cinema.

    - A almoçar com os meus amigos.

    - A tomar banho de imersão com um copo de vinho e música clássica.

    - A ver toda a quarta temporada do Mad Men, sem barulhos e interrupções.

    - Sem filhos.

    Parabéns a mim. E a tudo o que eu não faço porque sou uma mãe do caralho.



    Por Rititi @ 2012/05/07 | 5 comentários »


    A minha última crónica na Revista Penthouse: LUV Madonna

    A partir deste mês deixo de escrever na revista Penthouse. Com muitíssima pena minha, juro. Adorei escrever na revista Penthouse, rodeada de coninhas depiladas, mamocas, rabos alçados e declarações fabulosas das estrelas de cada número (“a primeira coisa que reparo num homem são as mãos”, “sou meiguinha mas selvagem na cama”….). Durante um ano e meio escrevi todos os meses sobre sexo, as relações de cama, as expectativas, as mentiras típicas, ou seja, detudo e nada de jeito, porque de sexo toda a gente sabe (ou devia saber) e o meu papel não era estar a dar lições a ninguém (e muito menos a gajos que compram uma revista com miúdas com as pernas abertas até às orelhas). Obrigada aos leitores, às meninas, às coninhas e ao Zé Mascarenhas um beijo enorme.

    Aqui vos deixo a minha última crónica, dedica à DIVA:

    “Todos temos os nossos ídolos. E eu, que não sou menos que ninguém, tenho o meu. Eu adoro a Madonna, que fazer. Percebo quando me dizem que não tem nada de especial, que é uma mulher pequena e magrelas sem nenhum rasgo físico que a faça parecer espectacular, assim do género Cindy Crawford (sim, eu sei, sou de outra época, caros leitores, mas esta que vos escreve já tem uma certa idade), dona de uma voz a atirar para o banal e ainda por cima está a ficar velha. Mas mesmo assim, ela é magnética, transmite uma força que nem que a Lady Gaga metesse os dedos numa tomada conseguiria nunca ter, é moderna, é deslumbrante, é uma diva. Ela é a Diva. Como tantos milhões de madonna-adicts do mundo vi dezenas de vezes o novo teledisco (ou será videoclip que se diz?), comentei no Facebook feita groupie adolescente o show que deu na Superbowl e já tenho uns quantos estilismos copiados para quando sair à noite com os meus amigos gays. Sou uma histérica, mas vivo bem com isto.

    Porque a Madonna sempre esteve aí, comigo, desde a minha adolescência. Era uma espécie de referência e mesmo que a minha mãe me proibisse expressamente sair de casa naqueles preparos eu imitava-a em frente ao espelho, com a franja cardada e umas meias rotas nas mãos a fazer de luvas. Patético. Mas não era a roupa ou o estilo dela que me fizeram adorá-la e tê-la como referente: foi o sexo. A sua visão da sexualidade, aberta, descarada, ilimitada, abriu-nos os olhos a milhões de adolescentes que, com cara de parvos em frente à televisão, percebemos que não havia nada de mal em gostar físicamente de outros, de muitos, aos pares, do mesmo sexo, de diferente raças, em várias posições e muitas vezes. O sexo, que nunca deixará de ser tabu e estará sempre vigiado pelos talibãs da moralidade alheia, nessa altura pareceu-me menos tabu, menos proibido e mais saudável. Uma mulher que me dizia que eu, mulher como ela, era a única dona do meu corpo, que não havia mais autoridade que a minha em relação à minha sexualidade, que o prazer é um assunto íntimo sem necessidade de supervisão ou autorização, e que a ninguém tinha que dar justificações sobre o que fazia ou deixava de fazer. E isso, foi a Madonna, com o Like a Virgin, o Vogue, o Satisfy my Love, que conseguiu. Uma epifania pop, toma lá.

    E agora é vê-la outra vez na televisão, sempre rodeada de marmanjos 25 anos mais novos que ela, já sejam namorados ou dançarinos que a acompanham nos espectáculos, a dançar feita uma ginasta soviética nos Jogos Olímpicos de 1975, dobrada sobre si própria e cada dia mais magra-magríssima, mais musculada e mais operada, numa tentativa louca, já não de manter nova, mas sim de parecer mais nova que há trinta anos atrás, lutando contra o tempo, a gravidade e a Historia Universal. Numa Cher, numa Demi Moore, até numa Sharon Stone todo este batalhar contra o inevitável me parece artificial, absurdo, mas em Madonna não. É o normal. Está a passar a mesma a mensagem: eu sou a dona, eu mando aqui. E a mim, deste lado da realidade, este recado vale-me tanto como valeu quando eu tinha quinze anos: eu sou sexy, mesmo passados os trinta, mesmo que já não pese o que marcam os tamanhos das roupas nas lojas que deveria pesar, mesmo que as minhas mamas vão evoluindo (não encontrei melhor eufemismos para dizer “já não são o que eram, as desgraçadas”) não há quem possa comigo. E em quanto ao sexo se refere, saber que até a Madonna, esse ser magricelas, baixinho e sem nenhum talento natural para nada (a não ser para ser ela própria) tem sempre atrelado um gajo que parece uma estátua grega é uma fonte de inspiração. E não há nada mais feminista que isto, nem mais optimista e mais valente. L.U.V Madonna!”



    Por Rititi @ 2012/05/02 | 5 comentários »