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Rititi

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  • A minha última crónica na Revista Penthouse: LUV Madonna

    A partir deste mês deixo de escrever na revista Penthouse. Com muitíssima pena minha, juro. Adorei escrever na revista Penthouse, rodeada de coninhas depiladas, mamocas, rabos alçados e declarações fabulosas das estrelas de cada número (“a primeira coisa que reparo num homem são as mãos”, “sou meiguinha mas selvagem na cama”….). Durante um ano e meio escrevi todos os meses sobre sexo, as relações de cama, as expectativas, as mentiras típicas, ou seja, detudo e nada de jeito, porque de sexo toda a gente sabe (ou devia saber) e o meu papel não era estar a dar lições a ninguém (e muito menos a gajos que compram uma revista com miúdas com as pernas abertas até às orelhas). Obrigada aos leitores, às meninas, às coninhas e ao Zé Mascarenhas um beijo enorme.

    Aqui vos deixo a minha última crónica, dedica à DIVA:

    “Todos temos os nossos ídolos. E eu, que não sou menos que ninguém, tenho o meu. Eu adoro a Madonna, que fazer. Percebo quando me dizem que não tem nada de especial, que é uma mulher pequena e magrelas sem nenhum rasgo físico que a faça parecer espectacular, assim do género Cindy Crawford (sim, eu sei, sou de outra época, caros leitores, mas esta que vos escreve já tem uma certa idade), dona de uma voz a atirar para o banal e ainda por cima está a ficar velha. Mas mesmo assim, ela é magnética, transmite uma força que nem que a Lady Gaga metesse os dedos numa tomada conseguiria nunca ter, é moderna, é deslumbrante, é uma diva. Ela é a Diva. Como tantos milhões de madonna-adicts do mundo vi dezenas de vezes o novo teledisco (ou será videoclip que se diz?), comentei no Facebook feita groupie adolescente o show que deu na Superbowl e já tenho uns quantos estilismos copiados para quando sair à noite com os meus amigos gays. Sou uma histérica, mas vivo bem com isto.

    Porque a Madonna sempre esteve aí, comigo, desde a minha adolescência. Era uma espécie de referência e mesmo que a minha mãe me proibisse expressamente sair de casa naqueles preparos eu imitava-a em frente ao espelho, com a franja cardada e umas meias rotas nas mãos a fazer de luvas. Patético. Mas não era a roupa ou o estilo dela que me fizeram adorá-la e tê-la como referente: foi o sexo. A sua visão da sexualidade, aberta, descarada, ilimitada, abriu-nos os olhos a milhões de adolescentes que, com cara de parvos em frente à televisão, percebemos que não havia nada de mal em gostar físicamente de outros, de muitos, aos pares, do mesmo sexo, de diferente raças, em várias posições e muitas vezes. O sexo, que nunca deixará de ser tabu e estará sempre vigiado pelos talibãs da moralidade alheia, nessa altura pareceu-me menos tabu, menos proibido e mais saudável. Uma mulher que me dizia que eu, mulher como ela, era a única dona do meu corpo, que não havia mais autoridade que a minha em relação à minha sexualidade, que o prazer é um assunto íntimo sem necessidade de supervisão ou autorização, e que a ninguém tinha que dar justificações sobre o que fazia ou deixava de fazer. E isso, foi a Madonna, com o Like a Virgin, o Vogue, o Satisfy my Love, que conseguiu. Uma epifania pop, toma lá.

    E agora é vê-la outra vez na televisão, sempre rodeada de marmanjos 25 anos mais novos que ela, já sejam namorados ou dançarinos que a acompanham nos espectáculos, a dançar feita uma ginasta soviética nos Jogos Olímpicos de 1975, dobrada sobre si própria e cada dia mais magra-magríssima, mais musculada e mais operada, numa tentativa louca, já não de manter nova, mas sim de parecer mais nova que há trinta anos atrás, lutando contra o tempo, a gravidade e a Historia Universal. Numa Cher, numa Demi Moore, até numa Sharon Stone todo este batalhar contra o inevitável me parece artificial, absurdo, mas em Madonna não. É o normal. Está a passar a mesma a mensagem: eu sou a dona, eu mando aqui. E a mim, deste lado da realidade, este recado vale-me tanto como valeu quando eu tinha quinze anos: eu sou sexy, mesmo passados os trinta, mesmo que já não pese o que marcam os tamanhos das roupas nas lojas que deveria pesar, mesmo que as minhas mamas vão evoluindo (não encontrei melhor eufemismos para dizer “já não são o que eram, as desgraçadas”) não há quem possa comigo. E em quanto ao sexo se refere, saber que até a Madonna, esse ser magricelas, baixinho e sem nenhum talento natural para nada (a não ser para ser ela própria) tem sempre atrelado um gajo que parece uma estátua grega é uma fonte de inspiração. E não há nada mais feminista que isto, nem mais optimista e mais valente. L.U.V Madonna!”



    Por Rititi @ 2012/05/02 | 5 comentários »

  • Juanna says:

    Não sou fan da senhora mas admito que é uma fonte de energia e que há 30 anos que anda na crista da onda. Sabe adaptar-se, sabe escandalizar, sabe inovar.

  • Miúda says:

    Adorei.
    :)

    Não sou fã da Madona, mas também não a odeio.
    Acho que realmente sempre se destacou, como na crónica se fala.
    E, de facto, é um fenómeno, uma mulher cheia de energia e vitalidade, sem dúvida.

    Boa crónica!

    * sienacupcake.blogspot.pt

  • Sara says:

    Espero que agora tenha mais tempo livre para postar no blogue!!! É sempre um prazer entrar aqui e ver qualquer coisa de novo :)
    Beijinhos

  • Ana says:

    Adorei o post! E concordo plenamente, já que sou e sempre fui fã da Madonna.

  • MJ says:

    Luv, luv Madonna. Para mim não foi tanto o sexo ou a rebeldia, acho que era demasiado criança (naquela altura) para perceber essa mensagem e tinha, talvez, a vaguíssima noção de que nunca iria necessitar de travar essa guerra. Para mim era a alegria, dançar, deixar o corpo sem dono, nem mesmo eu, na pista de dança, ou na pista lá em casa. Era e é a urgência. Let’s dance our lives away!

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