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Rititi

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INÍCIO

  • Junho em Madrid

    Não tem sardinhas, nem arraiais, nem saladinha de pimentos, tem calor mas não há praia nem caracóis e superbocks com vistas para o Tejo. Madrid em Junho não cheira a Madragoa nem sabe o que são marchas populares e nunca ouviu falar da Bica nem da rua da Esperança. Pois, Madrid não é Lisboa. Mas tem esplanadas e crianças que correm nos parques até à hora de jantar, os museus abrem até às 11 da noite, há Hopper no Thyssen,  Rafael no Prado e Feira do Livro no Retiro, inauguram-se piscinas em cima dos telhados, bebe-se gazpacho em vez de água e as melhores festas são nos terraços dos amigos. E este ano temos o Europeu de Futebol, mais uma razão para que este meu grupo de amigos que aglomera várias nacionalidades, idades e histórias de vida se junte e cante os hinos, insulte o árbitro e sofra por esta parvoíce da bola. Mas, que querem, o futebol tem este poder hipnótico, faz que gente normal se ponha a gritar em frente à televisão cada vez que um puto em calção curto dá um pontapé na bola. E se é a nossa selecção, a do nosso país, valha-me a Nossa Sinhora do Penalti, então o povão alucina, abraça-se, regozija, vibra e sofre como se o ordenado, a saúde dos filhos e a fidelidade da mulher dependessem desses 90 minutos de glória. Eu também grito, eu também vibro, eu também sofro, eu também canto se marcam golo e fico piurça quando roubam um penalti aos gajos da minha selecção. A miragem de glória, é isso, a sensação de pertença, a proximidade ao meu país que cada dia está mais longe, isto é a bola. Mas já está. 90 minutos são suficientes para me abraçar ao que está ao meu lado em nome de Portugal. Depois chapéu, a minha vida segue. Porque nem esta selecção é Portugal nem Portugal se limita a estes bacanos tatuados até ao pescoço e com ar de porteiros de bar de alterne de Matosinhos que são incapazes de verbalizar uma frase completa sem dar vinte pontapés na gramática. Que me vendam a selecção como a bandeira de Portugal, como o exemplo a seguir, como a luz que nos ilumina neste túnel de crise é, como cada dois anos em que há europeus e mundiais, uma vergonha e uma tentativa de gozo na nossa cara. Mas vá lá, não sejamos pessimistas, gozemos da bola, dos golos e das cañas que beberemos em Madrid enquanto cantamos o hino em frente à televisão de casa. O bom de Madrid não ser Lisboa é que pelo menos aqui estou longe da histeria colectiva da selecção e da palhaçada geral.



    Por Rititi @ 2012/06/04 | 4 comentários »

  • Hugo Calado says:

    Gostei, já podias ter dito que tinhas um blog, Beijinhos!!!

  • Juanna says:

    LOL Gostei, gostei pois.

  • Hopper no Thyssen, estou aqui a chorar por dentro…Tb queria, queria muito!

  • Vanessa says:

    Portugal longe, tão perto. Madrid sem ser Lisboa e tão bom, com os calores sem praia, as esplanadas com mahou e ración de bravas, as noites mais longas que os dias, a malta que grita e diz “joder” a torto e a direito, e no ecrã da televisão as quinas, os navegantes, o ronaldo e as tatuagens, na memória dos olhos a super bock e as bifanas, o frango do churrasco e a areia nos pés. Curiosa esta forma de vida :) abraço ibérico guapa

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