Este site foi concebido para ser visto num browser dentro dos limites da caducidade: infelizmente não é o caso do seu. Assim, a sua experiência de navegação será seriamente afectada. Sugerimos a instalação de um browser mais séc. XXI, se lhe for possível: http://www.mozilla.com/firefox . Mas qualquer outro serve.

Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Almodóvar está velho

    Um novo filme de Almodóvar é um acontecimento social em Espanha. Os críticos ficam doidos (o Carlos Boyero então nem se conta), os meios não falam de outra coisa, as vozes dividem-se entre os que odeiam e veneram a obra do realizador. E este último filme do Almodóvar, Los Amantes Pasajeros, não é excepção. E eu, que sou uma almodovariana confessa, eu que vi todos os filmes do manchego, eu que chorei sozinha no cinema a ver Volver, eu que sei diálogos de cor do Qué he hecho yo para merecer esto?, eu que delirei com Tacones Lejanos e que nem achei assim tão horríveis La mala de educación o  Los abrazos rotos, pronto, lá fui ver esta (suposta) comédia. E digo, já: B-E-LA-M-E-R-D-A! Assim, sem piu-piu-piu nem eufemismo. Não me lembro de ter saído nunca de um filme tão decepcionada, a apetecer-me ir bater à porta da casa do gajo e pedir que me devolvesse os 10 EUROS que me custou a puta da entrada. Não me ri uma única vez. Passei o filme todo à espera desse momento “testiga de Jeovah” da Chuz Lampreave nas Mujeres al borde ou duma cagasésima parte da honestidade da Agrado no Todo sobre mi madre. Ou de honestidade em geral. Nada, népias. Tudo é tão artificial, fake, ridículo, a roçar o absurdo. Os diálogos não valem um chavo. O argumento não tem pés nem cabeça. As personagens parecem criadas por um adolescente hiperssexuado. E não tem nada a ver com a paneleirice do filme. A sério, gays venham a mim. Eu também tenho os meus dias gays. Porque o filme nem sequer é paneleiro. É idiota. Pôr as personagens a dizer “polla-follar-polla-follar” vezes sem conta não tem graça, senhor Almodóvar. Pôr as personagens a foder em grupo não é transgressor a estas alturas do campeonato. Já todos vimos isto. As coreografias gays, a divas do bondage com o seu coração de ouro, os heteros que são gays mas que não sabem apesar de fazerem broches a gays, a virgem que cheira os mortos… Really??? Era isto necessário, senhor Almodóvar? Não, não era. Com a madurez alguns realizadores, como o Clint Eastwood, ficam mais delicados, mais finos; outros, como o Woody Allen, querem é fazer turismo e filmar o decote da Penélope Cruz. E depois está o Almodóvar, obcecado por parecer moderno: a moda, os decorados, a literatura, a música, o sexo. Mas nada é moderno: andamos a ouvir o Look de Metronomy há anos, todos falámos o que tínhamos a falar do 2666 de Bolaño, David Delfin já deu o que tinha a dar. E o sexo, senhor Almodóvar, com ou sem mezcalina, com conhecidos ou estranhos, já não escandaliza ninguém, pelo menos nestes termos adolescentes e burros. E isto não é moderno: é seca. Sorry.



    Por Rititi @ 2013/03/13 | Sem comentários »


    VIVA EU

    Todos os dias.



    Por Rititi @ 2013/03/08 | 7 comentários »


    Muy recuperada

    Uma gaja abre a web da Revista Hola e dá de caras com isto: “Shakira reaparece (…), un mes después de dar a luz. Con un total look en negro, sin pareja y muy recuperada después de haber dado a luz hace sólo un mes“. Muy recuperada. Demos graças ao Senhor, ela que, milagrosamente, conseguiu recuperar a figura um mês depois de parir. Aleluia! Que exemplo para o resto das mulheres recém paridas! Obviamente, a revista esqueceu mencionar que este  fabuloso caso de recuperação de cintura se deveu a uma cirurgia estética praticada no mesmo momento em que a criatura teve o filho, conhecida como “mommy makeover”. Ou seja, quando lhe retiraram a placenta aproveitaram para lhe aparar as mamas, além de dar um jeitinho à zona abdominal e, se calhar, ainda levou com uma lipoaspiração para pôr tudo no sítio. Por mim perfeito. Se eu tivesse dinheiro talvez até era mulher para ir à faca e assim poupar-me o ano e meio que demorou este meu corpo de mulher felliniana a ficar “muy recuperado”. Na boa. Mas que as Holas deste mundo me vendam a Skakira como um modelo de emagrecimento invejável já não me agrada tanto. Aliás, toca-me a fibra sensível, que também a tenho. O que me querem dizer exactamente?: “Vês, sua vaca, como é possível, tu é que és uma desleixada, uma preguiçosa que te entregaste às benesses do gelado de chocolate branco” ou então “Queridas leitoras, como se não tivessem suficiente com a vossa vida de merda, tomem lá mais uma razão para e afundarem no sofá”?. Já não nos bastam com os insultos constantes das revistas femininas que insistem que aos 40 devemos estar tão enxutas como as adolescentes de 20, como agora nem respeitam os pós-parto, essa época em que o nosso corpo se deve recuperar ao seu ritmo? Quantas de nós não nos deprimimos aos seis meses (ou ao ano!) de parir, quando vemos que apesar de comer bem e ter voltado ao pilates, a puta da barriga (flácida, asquerosa) se resiste em abandonar-nos? Que a Shakira está “muy recuparada” nós já sabemos, mas não omitam que foi graças a uma operação que terá custado várias dezenas de milhares de Euros. E as mulheres reais não somos Shakira. Cada uma recupera-se a seu tempo, com mais ou menos sorte, mais ou menos desgostos, mas recupera-se. Custa. É deprimente. Mas vai lá. Sem cirurgia. E ficamos muy recuperadas, à borla, ainda por cima.



    Por Rititi @ 2013/03/04 | 13 comentários »