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Rititi

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INÍCIO

  • Almodóvar está velho

    Um novo filme de Almodóvar é um acontecimento social em Espanha. Os críticos ficam doidos (o Carlos Boyero então nem se conta), os meios não falam de outra coisa, as vozes dividem-se entre os que odeiam e veneram a obra do realizador. E este último filme do Almodóvar, Los Amantes Pasajeros, não é excepção. E eu, que sou uma almodovariana confessa, eu que vi todos os filmes do manchego, eu que chorei sozinha no cinema a ver Volver, eu que sei diálogos de cor do Qué he hecho yo para merecer esto?, eu que delirei com Tacones Lejanos e que nem achei assim tão horríveis La mala de educación o  Los abrazos rotos, pronto, lá fui ver esta (suposta) comédia. E digo, já: B-E-LA-M-E-R-D-A! Assim, sem piu-piu-piu nem eufemismo. Não me lembro de ter saído nunca de um filme tão decepcionada, a apetecer-me ir bater à porta da casa do gajo e pedir que me devolvesse os 10 EUROS que me custou a puta da entrada. Não me ri uma única vez. Passei o filme todo à espera desse momento “testiga de Jeovah” da Chuz Lampreave nas Mujeres al borde ou duma cagasésima parte da honestidade da Agrado no Todo sobre mi madre. Ou de honestidade em geral. Nada, népias. Tudo é tão artificial, fake, ridículo, a roçar o absurdo. Os diálogos não valem um chavo. O argumento não tem pés nem cabeça. As personagens parecem criadas por um adolescente hiperssexuado. E não tem nada a ver com a paneleirice do filme. A sério, gays venham a mim. Eu também tenho os meus dias gays. Porque o filme nem sequer é paneleiro. É idiota. Pôr as personagens a dizer “polla-follar-polla-follar” vezes sem conta não tem graça, senhor Almodóvar. Pôr as personagens a foder em grupo não é transgressor a estas alturas do campeonato. Já todos vimos isto. As coreografias gays, a divas do bondage com o seu coração de ouro, os heteros que são gays mas que não sabem apesar de fazerem broches a gays, a virgem que cheira os mortos… Really??? Era isto necessário, senhor Almodóvar? Não, não era. Com a madurez alguns realizadores, como o Clint Eastwood, ficam mais delicados, mais finos; outros, como o Woody Allen, querem é fazer turismo e filmar o decote da Penélope Cruz. E depois está o Almodóvar, obcecado por parecer moderno: a moda, os decorados, a literatura, a música, o sexo. Mas nada é moderno: andamos a ouvir o Look de Metronomy há anos, todos falámos o que tínhamos a falar do 2666 de Bolaño, David Delfin já deu o que tinha a dar. E o sexo, senhor Almodóvar, com ou sem mezcalina, com conhecidos ou estranhos, já não escandaliza ninguém, pelo menos nestes termos adolescentes e burros. E isto não é moderno: é seca. Sorry.



    Por Rititi @ 2013/03/13 | Sem comentários »

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