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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • O que é ser bela

    Hormonal como ando, é normal ter acabado de ver este vídeo da Dove com uma lágrima a escorrer-me pela cara abaixo. Porque é bonito, é verdade, e tem uma musiquinha com esse tom condescendente de anúncio de penso higiénico e as senhoras no fim comovem-se, choram e falam num inglês muito articulado sobre a sua imagem. Mas, tirando tudo isto, o anúncio da Dove reflecte sobre um tema muito delicado para as mulheres: a percepção da beleza. A nossa percepção. Não é que nunca estejamos satisfeitas, é que simplesmente não gostamos do nosso reflexo. Mas que raio de espelhos usamos nós que tanto amplificam as nossas imperfeições, que transformam um banal sinal numa verruga ou um nariz recto num focinho monstruoso? Que necessidade temos nós de nos afundarmos (ainda mais) na merda? Não nos chega com as nossas desgraças diárias, ainda temos que passar o dia a escrutinar a flacidez das mamas e a celulite do rabo? Não nos chega que nos subam os impostos e o IVA e os putos fiquem sempre doentes à segunda feira? Não, nós precisamos de odiar o nosso queixo, comparar a pele com os das modelos, abominar a falta de luminosidade do nosso cabelo. E quanto mais perto estamos dos 40 mais se agrava, como se não servisse para nada fazer anos e aprender alguma coisa com isso. Ver as mulheres do anúncio da Dove frente à “sua” imagem desenhada é brutal. Parecem dizer “quem é essa?”. Não se reconhecem, porque essa imagem não existe, não é real. E isto é a beleza: a percepção real de nós. Nós somos o espelho. E gostar do que somos é só um princípio para que nos vejam sempre mais bonitas. Ou realmente bonitas.



    Por Rititi @ 2013/04/19 | 20 comentários »


    A minha homenagem à Dama de Ferro

    (by Hora Chanante)



    Por Rititi @ 2013/04/08 | 3 comentários »


    A realidade deixa-me louca

    Eu sei que vos devo muitos textos. O Papa Francisco. Chipre. O Mourinho. Madrid. As procissões. Coreia do Norte. Grandes textos que nunca escrevi. Como a constituição como arguida da filha do Rei de Espanha, a Cristina, no caso onde o marido, o ex-jugador de andebol (andebolista?), ex-guapo e ex-favorito Urdangarín, está acusado de desviar milhões de euros de dinheiro público e, já que estava com as mãos na massa, de fraude fiscal. Até hoje nem o juiz nem o procurador tinham tido os tomates de a chamar a declarar, quanto mais transformar uma Borbón de primeira linha em arguida, argumentando sempre que o papel da filha do rei era meramente formal, nunca executivo, nas fundações que – supostamente – tinham como único fim roubar fundos públicos. Urdangarín está fartinho de jurar que a mulher não sabia nada-de-nada sobre os negócios, pactos y convénios assinados pelas fundações, apesar de estar nas Juntas Directivas e de ter poder de voto e decisão. Talvez essa coisa de “a minha mulher só assinava, mas não lia” ainda funcione em certas tardes de bridge e criada interna, mas um juiz não tem nada a ver com o anacronismo de género ou linhagem monárquica. Quem assina é imputável. Aqui o único inimputável é o Rei, assine, mate elefantes ou tenha uma  amante alemã depositada na casinha do jardim do Pardo e que negoceia em nome de Espanha com petro-magnates russos. E então dia 27 de Abril lá irá a Cristina Federica de Borbón y Grecia ao tribunal, responder, como uma cidadã (que não contribuinte) mais às perguntas do juiz Castro. Incrível. Como não escrever sobre isto? Acharia realmente o semental Urdangarín que ninguém o apanharia a defraudar, que poderia enriquecer-se sem que ninguém desse por isso? E a Cristina, credo? Só alguém que nunca viveu do fruto do seu trabalho poderia acreditar que um ex-jogador de andebol com o décimo segundo ano ficaria multimilionário em dez anos. Ser Infanta de Espanha é sinónimo de imbecilidade? Não lhe basta ser a filha do Rei, princesa ou infanta, herdeira de favores, privilégios, vénias e trabalhos super remunerados? Quem faz mais pela República neste caso: os porta-bandeiras dos costume ou quem desonra a instituição, a sua própria casa, a sua família? Impressionante, nem nos seus sonhos mais húmidos os membros do comité central do PC espanhol teriam imaginado que a Monarquia seria dinamitada desde dentro. Cambada. Um Rei que se nega a abdicar e uma Rainha a viver em Londres como se isto não fosse com ela. Não posso deixar de pensar na Letizia, aquela que acabaria com a Monarquia, aquela que não estava preparada nem à altura e que não tinha sido educada para um lugar destes, aquela que não saberia ver o limites. Pois. Aquela que a maior merda que fez foi transformar a sua cara e a forma de falar com Príncipe. Nada acontecerá à Cristina, claro está, nem sequer ao Urdangarín. O Rei morrerá sentado no trono e os seus filhos herdarão uma fortuna que segundo o NYT poderia chegar aos 1.800 milhões de Euros. Ao Príncipe, se não for Rei, trabalho não lhe faltará, nem que seja só por causa da sua agenda. Por tanto e como já dizia o outro, é preciso que tudo mude para que nada mude. Se apetece escrever sobre a Monarquia? Então não! Era mulher para escrever uma série sobre ela para uma revista, do género “Borbones, de bestiais a bestas e tal”. Se vivesse em Portugal até me podiam contratar para os programas da tarde como “especialista na Monarquia Espanhola”, ao lado da Maia (ainda existe?) e do Cláudio Ramos. Bem era capaz de dedicar um monográfico à Corinna, a nova Barbie feminista do mundo dos negócios, para uma revista séria, como a Lux. Enfim. Não me posso pôr a escrever, que me distraio. Se não me contratam na Lux esta semana ainda vos venho contar sobre a Corinna (e aqui ficava tão bem “a puta fina” mas uma gaja não quer levar com um processo nos cornos, já sabem).



    Por Rititi @ 2013/04/03 | 12 comentários »