Este site foi concebido para ser visto num browser dentro dos limites da caducidade: infelizmente não é o caso do seu. Assim, a sua experiência de navegação será seriamente afectada. Sugerimos a instalação de um browser mais séc. XXI, se lhe for possível: http://www.mozilla.com/firefox . Mas qualquer outro serve.

Rititi

Rititi

INÍCIO

  • A co-adpoção e a modernidade nacional

    Ai, Portugal, que maravilhoso poço de surpresas. Desde que o Parlamento nacional aprovou na generalidade a co-adopção de crianças por casais homossexuais não tenho deixado de ler textos do mais alucinante, desde os de indignados que escrevem que os putos dos orfanatos vão ser sodomizados por gays tarados a bloggers armados em definitivos estandartes da modernidade pátria que ficam muito espantados porque haja quem não ache normal uma criança ter duas mães ou dois pais. Eu percebo que para muito boa gente a possibilidade dos gays poderem adoptar lhes pareça estranha, anormal, anti-natural. Até há muito pouco tempo no nosso querido país não se viam gays na rua de mão dada, nem aos beijos, quanto menos casar, agora imaginem poder adoptar criancinhas. Aliás, em Portugal, tirando em algumas ruas do Bairro Alto ou do Chiado, parece que não existem gays. Da política à magistratura, passando pela alta finança aos opinion-makers, não me lembro de nenhum gay ou lésbica declarados. Nada. Só na televisão há gays, que nem sequer são gays: são maricas, bichas, porque assim se representam nas séries, talk-shows e concursos, repetindo os tiques da louca tal como há trinta anos atrás. As lésbicas, então, é para esquecer. E isto é o que vê a Dona Hermínia lá na vila da Beira Interior que como muito tem um primo efeminado que emigrou para Lisboa e que tem muito jeito para a decoração. E esta é a puta da realidade em Portugal, não me lixem. Porque este nosso país, assim tão quietinho e grandoleiro, é uma casa tradicional, conservadora até limites ridículos e bastante pacóvia onde as figuras com responsabilidades políticas ou económicas não saem do armário. Sim, ninguém tem nada a ver com isso, devem dizer os deputados homossexuais, mas o facto é que sabem perfeitamente que no dia em que se assumirem perdem uma carrada de votos. E se um gestor de um banco quer chegar longe na carreira nunca dirá que é gay. Por isso, irrita-me mais o discurso da super-modernidade que parece esquecer que Portugal não é Lisboa que o de pessoas que honestamente não percebem, porque não conhecem homossexuais, nunca falaram com um casal de lésbicas que se ama há vinte anos, com putos que acabam de sair do armário, que não têm referências nenhumas e que acham que todos os gays são paneleiros ou o José Castelo Branco. Não estar de acordo com a co-adopção não faz que uma pessoa seja intolerante, injusta ou homofóbica. Uma pessoa intolerante é outra coisa. É aquela que não quer perceber, porque lhe dá mais jeito agarrar-se aos preconceitos e insultar em nome de Deus, da Igreja, do medo. Uma pessoa homofóbica é aquela que se fecha e que repete uma e mil vezes que um gay não pode ser pai ou mãe porque assim está escrito há milhares de anos, que prefere que o filho de uma lésbica fique entregue aos bichos quando a mãe morre antes que ser entregue à sua outra mãe, que acha que a definição de família está consagrada só no Código Civil, que associa homossexualidade a pedofilia. Sim, a Família, essa palavra enorme que os movimentos conservadores e fundamentalistas usam e abusam como justificação para rejeitar esta lei, é a base da sociedade. E eu quero uma sociedade justa, tolerante, que não se feche em conceitos e ideias inamovíveis. Por isto a lei da co-adopção de crianças por casais homossexuais é importante, justa, necessária. Para as crianças, para os pais e as mães e para o nosso país, até para as Donas Hermínias lá da Beira. Esta é uma lei muito valente. Parabéns, Portugal.



    Por Rititi @ 2013/05/23 | 14 comentários »

  • Juanna says:

    Certo. Não gosto de quem insulta quem não compreende a co-adopção, a adopção, o casamento, o aborto e esses temas polémicos. Mas da mesma maneira que não quero que os insultem, não quero que nos insultem (leia-se os que aceitam essas maluqueiras). Porque ninguém os obriga a casar com outra pessoa do mesmo sexo, ninguém os obriga a abortar, ninguém os obriga a adoptar um cão, quanto mais. Mas não quero que me retirem o direito de o fazer, se quiser ou necessitar.

  • Salvador says:

    É! A malta da Beira Interior e do Litoral Alentejano, talvez por viver em contacto com a Natureza, não alinha nestas modernices de ir contra Ela.
    Epá, fodam-se, amem-se e casem uns com os outros e umas com as outras à vontade, mas deixem as crianças de fora. Terão uma infância e adolescência tramadas, porque as crianças e os jovens conseguem ser bestialmente cruéis uns com os outros. E na Escola, ao aprenderem o aparelho reprodutor, a forma como os bébés são concebidos? Vai ser uma confusão tremenda.

    (E pronto, vou ser crucificado mais uma vez… rsrsr)

    • Juanna says:

      Mas quantos putos são hoje adultos traumatizados pelos divórcios dos pais há 40 ou 50 anos atrás? Não sei, não sei, esse argumento não me convence. Os putos serão sempre uns cabrões, não importa se têm pais gay, óculos, gordura, borbulhas, boas notas, etc.

  • DMN says:

    Oh Salvador, eu tenho para mim que nem tu validas o teu próprio argumento :) Isso é lá razão?!

  • Ana says:

    Oh Salvador e não acha que os putos vão ser cruéis com uma criança porque não tem família, não tem pais, nem mãe, nem dois pais nem duas mães e vive num orfanato? E ainda por cima, essa criança não tem a família, o amor e o apoio necessário para enfrentar essas outras crianças cruéis, sentindo-se completamente só e abandonada?

    Rititi, então não conhece Eduardo Beaute e Luís Borges (que tem precisamente um filho? a lei consegue-se contornar, pelos vistos) e Pedro Crespim e Cláudio Ramos?

  • rititi says:

    Salvador.. Pois. A vida é fodida.
    Eduardo Beaute e Luís Borges, Pedro Crespim e Cláudio Ramos? Quem?? Vou procurar na net. São políticos? Economistas?

  • rititi says:

    Muito bem dito Juanna!!!

  • Ana says:

    “Aliás, em Portugal, tirando em algumas ruas do Bairro Alto ou do Chiado, parece que não existem gays. Da política à magistratura, passando pela alta finança aos opinion-makers, não me lembro de nenhum gay ou lésbica declarados. ”
    Esta frase fala de uma forma generalizada, não se refere só a políticos e economistas. Opinion makers é coisa que estes famosos acabam por ser, não para mim, certamente não para si, mas para muito publico. Alias, há muita gente que afirma que esta lei foi aprovada graças as barreiras quebradas pelo Beaute e Luís Borges

  • Eduardo says:

    Concordo absolutamente com a lei e concordo com o texto. Só não concordo o tom pejorativo em relação a Portugal. este é um tema fraturante em qualquer país. e em PT, bem ou mal, as coisas estão a avançar. Olhe, veja França, supostamente tão mais civilizada, a batalha campal que tem sido por causa do casamento gay, já aprovado em PT há anos e sem nenhuma contestação nas ruas parecida com Paris… Eu até acho que PT , para país conservador como é geralmente tido e maioritariamente católico tem conseguido progredir imenso nesta área… mais do que outros países que pensaríamos mais abertos.

  • Carochinha says:

    O ex-líder da JSD Jorge Nuno Sá casou-se ontem, ao final da tarde, com Carlos Yanez, na conservatória de registo civil de Lisboa. É a primeira união homossexual assumida por um político português.

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/ex-deputado-em-uniao-gay

    Já há quem tenha saído do armário!… Felizmente! Isto aos poucos vai lá…

    O Beauté é cabeleireiro e o marido Luís Borges é, segundo tem sido publicado, um dos melhores modelos masculinos a nível mundial.
    Richard Zimler e Alexandre Quintanilha são outros exemplos de casal homossexual assumido, de áreas diferentes – literatura e ciência, respectivamente.
    O Diogo Infante ainda não saiu do armário mas já está com os dois pés de fora…
    And soy on…

    E pronto, assim encerro o meu capítulo TV7 Dias ;)

  • Carochinha says:

    O ex-líder da JSD Jorge Nuno Sá casou-se ontem, ao final da tarde, com Carlos Yanez, na conservatória de registo civil de Lisboa. É a primeira união homossexual assumida por um político português.

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/ex-deputado-em-uniao-gay

    Já há quem tenha saído do armário!… Felizmente! Isto aos poucos vai lá…

    O Beauté é cabeleireiro e o marido Luís Borges é, segundo tem sido publicado, um dos melhores modelos masculinos a nível mundial.
    Richard Zimler e Alexandre Quintanilha são outros exemplos de casal homossexual assumido, de áreas diferentes – literatura e ciência, respectivamente.
    O Diogo Infante ainda não saiu do armário mas já está com os dois pés de fora…
    And soy on…

    E pronto, assim encerro o meu capítulo TV7 Dias ;)

  • Andreia says:

    eh lá, a Dona Hermínia é na cidade, não é vila!
    era só isto.

    não era nada, muito bem dito, como sempre aliás =)

  • Aaron Suzaku says:

    nice, muito bom texto! acho que não há muito mais a dizer..

  • hey says:

    Thank you for the good writeup. It actually was a entertainment account it. Look advanced to far added agreeable from you! By the way, how can we communicate?|

  • Leave a Reply

    Your email address will not be published. Required fields are marked *

    *

    You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>