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Rititi

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INÍCIO

  • Ode à uber mulher

    Depois da liga do leite materno, das audazes inimigas da depilação enquanto símbolo da machocracia castradora e das amantes das mamas à solta, agora descubro a última bandeira do pós-feminismo: a copa menstrual. Eu, que vivia na mais absoluta e escura ignorância em relação aos meus líquidos menstruais, fiquei a saber pelos foruns de gajas, páginas do facebook e vídeos no youtube, que “o natural” não é andar com tampões que sequestram o nosso amado sangue, não, “o natural” é pôr um copo de silicone na vagina (eu escrevi vagina?), enchê-lo (até à marquinha que se vê na foto) e depois ir despejando o fruto da nossa femininade nas casas de banho públicas. “O NATURAL”. Essa parece ser a nova exigência sobre o nosso corpo, a essência da uber-mulher. A uber-mulher é uma fêmea antes de tudo, não tem vergonha de ovular, menstruar ou de limpar a copa menstrual na casa de banho da discoteca às 3 da manhã; a uber-mulher não tem medo do sangue, ele é o resumo, o símbolo da sua natureza de mãe, animal, mamífera; a uber-mullher dorme com os filhos na mesma cama sem preconceitos ou cuecas; a uber-mulher tem umas mamas que balançam, saltitam e cedem à força da gravidade livremente, felizes por terem sido arrancadas ao jugo da tenebrosa sociedade patriarcal; aliás, as mamas da uber-mulher nem sequer lhe pertencem, são dos filhos que nelas encontram aconchego e comida sem restrições horárias ou físicas. Porque é natural. Porque assim está escrito no baloiçar dos ramos das árvores, no sussurro do vento, nos cheiros ancestrais da terra. A uber-mulher é tudo aquilo que eu nunca serei, a suprema sacerdotisa do grelo que rejeita as madeixas e a pedicura (haverá alguma coisa mais natural que um calo?). Contam as usuárias da copa que é comodíssima, que se pode andar a cavalo e de bicicleta, tomar banho na piscina, escalar o Everest ou escrever um best-seller, que traz uma poupança considerável ao orçamento familiar (dura anos e anos, como as pilhas duracell) e que é amiga do ambiente. Só é chato, dizem, quando faz vácuo. Ou se entorna. Ou quando fica amarela. Ou cheira mal. Também há algumas que não a encontram lá dentro. Minúcias, para uma uber-mulher, claro. Eu só de imaginar-me na casa de banho comunitária do meu trabalho com a copa cheia de sangue na mão, a fazer malabarismos para não me sujar e a tentar lavá-la na bacia enquanto a secretária do meu chefe me olha atónita ou directamente vomita, é razão suficiente para continuar oprimida pela tirania do tampão que impede que os meus fluidos circulem livremente. Tanta naturalidade só me faria escrava do meu corpo 24 horas por dia. Obrigadinha, mas não.



    Por Rititi @ 2013/10/03 | 19 comentários »

  • catarina says:

    fico genuinamente surpreendida cada vez que leio alguma crítica tão negativa ao ‘moon cup’(já li vários artigos ou posts que reflectem posições semelhantes). quando soube da existência dele, há mais de dois anos, confesso que não pensei duas vezes e passei a usar. pode não ser perfeito, mas a verdade é que não só já poupei muito dinheiro como claramente é benéfico para o ambiente não produzir tanto resíduo (de noite continuo a usar pensos). e não hesito em usar tampões se achar que vou a sítios que não são ideais para a operação ‘despejar copinho e lavagem do mesmo’ (bar, discoteca, praia). ou seja, pessoalmente, apenas posso dizer que sinto que saio a ganhar.
    (uma opinião de alguém que ficou fã e não anda necessariamente a uivar à lua e gosta de andar depilada ;)

    • Rititi says:

      Catarina, lá está: a Catarina parece uma mulher lógica. No meu post escrevo sobre as fundamentalistas de TUDO, que no fim só desejam uma mulher refém do seu corpo.

  • Polo Norte says:

    Lunette- Eu sou muito à frente numa série de inovações. Usei, durante anos, o anel vaginal em vez da pílula e tudo e tudo. Mas espetar um pequeno funil de silicone no pipi, esperar que o mesmo encha de sangue da menstruação, despejar o conteúdo na sanita e voltar a introduzi-lo na farfalotta pimpinela é só das coisas mais tenebrosas que ouvi nos últimos tempos. Passo. (som de vómito)

  • Polo Norte says:

    Pior que isso só aquela porra da Winx.

  • Dudu says:

    Naaaa para mim também não dá e por mais coisas boas que possam alegar não considero nada higiénico.

  • Gaja Maria says:

    Fonix! Já só falta mesmo inventarem um copo para pôr no olho do C@ para apanhar “os fluidos anais”…

  • Sofia says:

    Amen!

  • Juanna says:

    Eu já deixei de me depilar e agora posso ir de Madrid a Lisboa saltando de liana em liana. Sou uma maluca!

  • Curly says:

    “a suprema sacerdotisa do grelo”! Brutal!
    Mto bom!! :)

  • Sister V. says:

    Para que quero eu um medidor em milímetros do fluxo? Vou continuar com os tampões e produtos similares.

  • Kristina says:

    Olha… Assim, assim… por acaso não me da vontade de experimentar mas vale a pena pensar no assunto. Tem o mérito de ser mais ecologico do que os 45 milhares de proteções hygiénicas que anualmente acabam num incinerador qualquer.. ou em esgotos (e sabe-se la mais onde!) E sem contar que a as proteções hygiénicas sao feitas de derivados de petroleo (o que tambem não deve ser muito bom para a saude…. da Sra Dona V.)… Aproveito o tempo de antena para sugerir que dediques um proximo dos teus posts ao assunto dos pensos hygiénicos lavaveis/reutilizaveis lolllll As uber-mulheres que nos somos temos que estar a par de todo o leque de possibilidades à nossa disposição ;-)

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