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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Partilhar o meu “Manual de Instruções para sobreviver aos 40″

    Prometi no Facebook do Rititi  que iria publicar alguns textos da grande obra chamada “Manual de Instruções para Sobreviver aos 40, continuar sexy, com alguma vida sexual e não parecer uma lontra” aqui no blogue e depois de uma árdua deliberação entre cinco pessoas que durou oito minutos escolhi um dos que mais gozo me deu a escrever: ” Um caso com o Lopes, porque não?”.

    UM CASO COM O LOPES. PORQUE NÃO?

    “Colega novo no escritório. O Lopes, quarenta e tal anos, aliança no dedo, simpático. Tomas uns quantos cafés com ele, partilhas confidências familiares e uma boleia depois de um dia de intenso trabalho. No jantar de Natal da empresa sentas-te ao lado dele. Tens boa onda com ele, o gajo entretém. Manda bocas giras sobre a tua figura, diz-te que estás mais magra, aproxima-se muito quando fala contigo, faz uns avanços sem chegar a ser ordinário, e não é feio de todo, verdade seja dita. E um dia dás por ti a pensar “E se…?”.  Momento fatídico, o debacle, o horror! És uma vaca, uma depravada, como podes pensar em ter sexo com outro? Metes a cabeça na sanita por te sentires culpada por encornares mentalmente o teu homem, os teus filhos, o teu projecto de vida! Arrependes-te, insultas-te, achas-te doida varrida, maluca dos cornos! Sim, sentes-te realmente mal, mas quando passa a tempestade voltas ao pensamento, a essa ideia de ter um caso com o Lopes. Porque não?

    Há um dia em que as mulheres da minha idade se esquecem que foram (e são) gajas boas. Vemo-nos como mães, mulheres de alguém que amamos, consumidoras de descontos de supermercados, profissionais competentes. Mas desejadas por outros homens, por estranhos, há anos que não sabemos o que isso é. Também não ajuda uma vida social reduzida à miséria mais enfadonha, com jantares em casas de amigos de longa data e festas de anos infantis. Há várias eras geológicas que não vamos a um bar sozinhas, e portanto o inocente engate ao balcão é o mais parecido a uma miragem, uma recordação dos anos universitários em que estávamos disponíveis, nem que fosse para dizer que não estávamos disponíveis. Não nos sentimos sexys. As nossas roupas, sejamos sinceras, estão desactualizadas, de tantas mudanças de peso. Depois de várias gravidezes, as roupas que não ficam apertadas nas mamas estão largueironas nas ancas. Temos saudades do nosso corpo, da nossa energia, não nos achamos bonitas, quanto mais desejáveis por terceiros. Nem sequer temos tempo para nos olharmos ao espelho. Pensamos que os homens da nossa idade só se interessam por miúdas magras e novas, miúdas que um dia já fomos, sem filhos, sem crédito à habitação, sem bóia abdominal. Pesam-nos os anos, os quilos, o desinteresse, a monotonia e a falta de tesão. Temos sexo garantido com o nosso gajo, mas falta-lhe essa sensação de aventura, de descoberta.

    Até que um dia recebes uma mensagem no Facebook de um antigo colega da faculdade que te diz como estás bem depois destes anos todos. Nem te lembras muito bem quem ele é, mas só a mensagem, tão idiota que parece sincera, faz-te ir a correr para o computador todos os dias. Começam as trocas de mensagens, algumas mais picantonas, mais atrevidotas e desejas voltar a vê-lo, que te diga fisicamente, olhos nos olhos, que estás ainda mais bonita, mais desejável, mais tudo. Ou até esse instante em que um colega da secção de contabilidade parece estar a lamber-te com o olhar, ali mesmo, ao pé da máquina das fotocópias. Sentes-te viva!

    Há centenas de homens que te acham gira, boa, interessante, tesuda. Tu é que andas feita zarolha, estupidificada no teu rame-rame suburbano, enfiada nesse mundinho de fralda e sopa, de correrias e insatisfações mentais. E quando um trambolho como o Lopes te põe a mão na perna, em vez de o mandares para o caralho porque o gajo realmente não tem graça nenhuma, ficas deslumbrada e dás por ti a pensar “como seria o sexo com ele?”. O problema aqui não é o Lopes. És tu. Alguma vez na tua vida, se não estivesses tão macambúzia, tão pouco satisfeita com o teu corpo e a tua sexualidade, ligarias a um ser tão desinteressante e medonho como o Lopes? Credo! Muda mas é de roupa, mulher! Muda o penteado, a cor das unhas, vai ao cinema, bebe um copo com a tua melhor amiga, desabafa com a tua irmã, tem sexo com o teu gajo, mas por amor da santa… O Lopes? Que poderia dar-te ele? Sexo louco? Estás doida. Os Lopes desta vida têm existências ainda mais tristes do que a tua, mais pequeno-burguesas, mais enfadonhas e cinzentas. Porque a tua vida não tem problema nenhum, tu é que te deixaste arrastar numa infinidade de queixumes que te fazem sentir feia e gorda e velha, quando nada disso é real. Está óptima, rapariga! E sim, és parva, não por fantasiar sexo com um homem que não é o teu marido, mas porque queres acreditar que com outro sentirias de novo o desejo, a pica, o prazer de ser outra vez essa mulher que há anos deixaste de ser, escondida no armário da roupa que não usas porque não tens idade para isso. Disparate! Se olhares à tua volta, se esqueceres os teus complexos e as parvoíces sobre a tua barriga (barriga completamente normal para a idade e os filhos que tens), reparas que os pais dos amigos dos teus filhos até são capazes de te ver como uma mulher atraente, sexy, bonita. Se não pensasses tanto como foste mas sim na mulher interessante, atraente e divertida em que te transformaste com os anos verias que o Lopes é um dos muitos que olham para ti de um modo sexual.

    E se pensares mais no teu gajo, já agora. Sim, nesse homem a quem abandonaste no sofá enquanto te metias na casa de banho para lavar a roupa das crianças com nódoas das ameixas. Esse homem que ignoraste enquanto pensavas no Lopes. Esse homem que é o teu. Se o deixasses, fazia-te o que nenhum Lopes ou bacano do Facebook seriam capazes de fazer. Eles não sabem o que ele sabe. Não podem, não te conhecem. Aliás, se há homem que te ache boa, gira, tesuda, divertida, interessante,  bonita, sexy é ele.”

    Gostaram? Querem mais? Então já sabem: encomendem na Editora Cego Surdo e Mudo que eles são rapazes muito jeitosinhos e mandam o livro para casa.



    Por Rititi @ 2013/10/09 | 18 comentários »

  • esta mulher é um espetáculo! para quando cursos, workshops, terapia de casais,… whatever?!
    beijos e parabéns!

  • Sofia says:

    Fortíssima, Rititi! Obrigada!

  • Brandie says:

    Fabuloso. Acho que é o melhor post da história, e não podia concordar mais. O outro pode parecer sempre interessante até se perceber que não é nada do que parecia, mas as pessoas não se convencem.

  • Gostei tanto, mas tanto…n tenho o livro ainda :) sabes que qd se vive no campo e tal…e escrevi isso de o comprar pela wook e varreu-se-me
    Posso publicar no meu blog e no face este excerto é que é magnifico :) ?

  • Juanna says:

    É um livro pequeno, lê-se muito bem, não cansa e arranca umas gargalhadas cá do fundinho desta pequena burguesa que até se dá ao luxo de não ter de trabalhar :)

  • Inês says:

    conversa de chacha

  • É que vou agora mesmo ver se acho o livro aqui na Barata ou na Bertrand. Adorei o que escreveu, me coube como uma luva!
    Vai, deixa eu ver se acho, quero e quero agora! Muito engraçada e real !

    • Rititi says:

      Encontrou?

      • Sim! Não havia aqui na Bertrand da Av. de Roma, mas como eles são os livreiros mais simpáticos e competentes da zona, me avisaram que havia na Bertrand do Campo Pequeno. Dei lá um pulinho, e depois do almoço do Domingo, por alguma sorte do destino, meus filhos e marido ficaram na casa da minha sogra, e eu pude me deitar no sofá e ler um pouco…Apenas li, nessa meia hora de paz, o Acto I completo, e quase que caia do sofá de tanto rir.
        Tão bom. Me identifico tanto! Já tenho contando para muitas amigas, da nossa faixa etária (que só quem está nela é que compreende bem), e já demos boas gargalhadas.
        Quero terminar de ler para comentar melhor.
        Mas so far so good! Muito bom mesmo.

        • Rititi says:

          Que bom, fico tão contente!! Muito obrigada e um grande beijo!!

          • Li inteiro e foi um deleite. Gosto de pessoas que escrevem da sua maneira: simples, engraçada, vai no cerne da questão e tão bem escrito que dá vontade de ler mais e mais- puro prazer!
            Gostei muito e já foi emprestado…Quando for ao Brasil terei que levar uns quantos exemplares para minhas amigas (óbvia e tristemente terei que traduzir algumas coisas!kkk)

  • lasvegas says:

    Rádio: Rititititi estás cada vez mais melhor.

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