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Rititi

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INÍCIO

  • Tia Dinha

    Dia 1 de Dezembro o Rititi fez 10 anos. Nunca antes me tinha esquecido de festejar a minha vida na blogosfera. Mas nunca antes tinha passado um dia 1 de Dezembro tão triste. Dia 1 de Dezembro, domingo, tinha uma enorme ressaca de ausência, de corpo que já não está presente. Sei que a familia colateral não é habitualmente causa de textos sentidos, lágrimas públicas ou dias de licença no emprego, reservados para o que se chama primeiro grau, como se a importância dos afectos tivesse ficado presa nas burocracias dos registros civis. Só que o amor, a família, o sangue e a tristeza não se medem em filiações. Medem-se em tempo, admiração, aprendizagem, companhia, risadas, copos de uisque, verões na praia, confidências sobre primeiros amores, em livros e concertos na Gulbenkian, em Vida. Quando no dia 1 este blogue fazia 10 anos, a minha querida Tia Dinha já não estava cá. Foi-se, lentamente, deixando-me vazia de telefonemas sobre a nomeação do novo Papa ou o discurso do Obama, de noites calorosas nas praças de Madrid, de jantares de debate intensíssimo sobre a decadência de Europa e da cara da Letizia. Na sua casa da Estrela, com aquelas magníficas vistas sobre o Tejo, ficaram órfãs as plantas compradas em Estremoz, as fotos dos netos, os desenhos delicados do filho, os discos de Mozart, os quadros de Leiria, os lençóis de linho da minha avó, a preciosa olaria, do rum-rum do Mezzo, até as reminiscências do gato que um dia lá viveu. E eu fiquei vazia de escrita, parva à frente da pantalha do portátil, em branco as páginas e a vontade de escrever que a puta desta vida não é justa, que as pessoas boas, as genuínas, as que têm a extrema sorte de se surpeenderem com as as minúcias do quotidiano, não deviam suportar o absurdo das páginas necrológicas. Os que cá ficamos teremos de aprender com esta ausência e algúm dia encontraremos as forças para transformar a memória num ser vivo que passeia pelo Chiado a caminho da Fnac, que se senta no Snob a comentar as crónicas do Pacheco Pereira, numa voz cálida que nos conta, uma vez mais, a importância do amor na construção do ser humano. São tantas saudades que nos deixa, tanto silêncio, tanto frio. Mas o futuro também é feito de memoria. E de agradecimento. Obrigada, querida Tia Dinha. E até já.



    Por Rititi @ 2013/12/05 | 8 comentários »

  • p D s says:

    tocante! Mas…

    sim, Ritit, MAS porque um dia seremos nós, mesmo com o olhar molhado e a alma dorida…CELEBREMOS!!! o agora e o Amanhã com cada vez maior vontade, genuinidade e… urgencia.

    com um abraço.

  • helena says:

    Muito bonito, corajoso, justo. Foi pela mão da sua tia que conheci a casa da praia. Ate hoje continua a fazer nos falta la. Tenho uma tristeza grande de nunca lhe ter dito isso…a vida e realmente injusta para tirar gente boa, culta, generosa. Obrigada. Helena

  • Polo Norte says:

    Um abraço apertado, querida Rita.

  • Ana Botica says:

    Ritinha a Dinha ja nao esta entre nos!!! Que tristeza, estou em choque!!! As lembrancas boas que tenho dela, e dos nossos electrizantes veroes de meninas e mocas!! Bjs e um grande abraco, se me premites, lamento profundamente a “nossa” perda! Que merda!!!

  • Teresa says:

    Calorosas; desenhos

  • Joao Primo says:

    A tia Dinha estaria orgulhosa das tuas bonitas palavras. Bjos

  • hey says:

    Remarkable! Its really awesome paragraph, I have got much clear idea about from this article.|

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