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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Eu também sou uma Mãe Querida

    E até escrevo coisas como esta:

    Sim, definitivamente hoje é um dia em que não me apetece ser mãe de ninguém. E escrevo isto sem nenhum tipo de complexos numa web chamada “Mãe Querida”. Sim, este é um dia em que quero fugir daqui para fora, para um spa, para a pensão ao fundo da rua, para esse sítio onde estão proibidas as crianças, um lugar paradisíaco sem choros nem birras, sem roupa espalhada na casa de banho ou jantares para fazer, sem aulas de judo, sem putos que aturar. Porque por muito que adore os meus filhos e todo esse blablabla que parece obrigatório nos blogues maternais eu preciso estar sozinha. Reformulo: preciso estar sem eles. 

     



    Por Rititi @ 2014/01/19 | 14 comentários »


    Asco

    Os deputados portugueses são esses seres que, à falta de tomates, chutam para o povão a decisão sobre íntimo dos cidadãos.



    Por Rititi @ 2014/01/17 | 14 comentários »


    Juan Gelman.

    Alza tus brazos,
    ellos encierran a la noche,
    desátala sobre mi sed,
    tambor, tambor, mi fuego.

    Que la noche nos cubra con una campana,
    que suene suavemente a cada golpe del amor.

    Entiérrame la sombra, lávame con ceniza,
    cávame del dolor, límpiame el aire:
    yo quiero amarte libre.

    Tú destruyes el mundo para que esto suceda
    tu comienzas el mundo para que esto suceda.



    Por Rititi @ 2014/01/15 | 3 comentários »


    Sempre alerta

    Começar o 2014 em Madrid sentindo-me em 1984. Ou até antes, como nos tempos a preto e branco quando as mulheres precisavam de autorização para comprar um carro, assinar um contrato de trabalho ou até casar. Estar quase a fazer 39 anos, mas sabendo que para o Governo espanhol não tenho a maioria de idade legal nem a maturidade intelectual para tomar decisões que afectam não só o meu corpo, como também a minha vida e a da minha família. Assim estou eu graças ao miserável ante-projecto da Lei do Aborto (pomposamente chamada “Ley de Protección de la Vida del Concebido y de los Derechos de la Mujer Embarazada”) ideado por um ser ultra-católico com pele de bacano chamado Alberto Ruiz Gallardón, empenhado em liderar uma cruzada contra a generalidade da mulheres a quem logicamente considera inferiores e incapazes. Se esta lei for aprovada (que será, pois o PP tem a maioria absoluta no Parlamento) regressa o aborto por supostos. Volta a excepção ao destino natural do gajedo, o parto. O aborto só será permitido em dois únicos supostos: em caso de violação ou de grave perigo para a vida ou a saúde física ou psíquica da mulher. A malformação fetal não será motivo de aborto. Uma mulher não poderá controlar a sua maternidade, a sua vida. E estará dependente do informe de dois médicos, da assistência moral de um trabalhador social, do papel carimbado da polícia que comprove que não só foi violada como que também o denunciou oportunamente às autoridades competentes e de um labirinto burocrático, doloroso e injusto para poder pôr fim, se assim for autorizada, a uma gravidez que não pode ou não quer levar a termo. Se esta lei for aprovada, as mulheres que vivemos em Espanha deixaremos de ser consideradas adultas perante a lei, deixaremos de ser as donas do nosso corpo, deixaremos de ser cidadãs de primeira. Quando esta lei for aprovada em Espanha toda a mulher que ficar grávida será obrigada a parir um feto que não ama fruto de uma má noite de sexo, ou um feto com sindroma de down, ou que não pode manter porque o cabrão do marido que lhe batia finalmente foi preso ou porque foi despedida. Sim, eu sei que estou a escrever feto. E não bebé. Ou filho. Ou lindo espelhismo de vida que se vê na ecografia das 12 semanas. Eu que sou mãe escrevo feto. Tenho autoridade moral para o fazer. Eu pari dois filhos. Mas graças a esta liga de tarados que nos governa que é incapaz de entender que há mais realidade para além das suas teses religiosas particulares o feto agora vale mais que uma mulher adulta. Um feto vale mais que a Vida cá fora. A Vida que inclui contas que não encaixam, despistes, uma pílula que falha, decisões profissionais, crises no casal, malformações terríveis que condenarão milhares de crianças prostradas em camas a morrer todos os dias até que os órgãos deixem de funcionar; a Vida de adolescentes mal-informadas, de mulheres que se arrependem, de seres humanos de verdade. No dia 20 de Dezembro, com toda Espanha com o carro carregado para passar o Natal em casa dos pais ou dos sogros, este cobarde Ministro de Justiça chamado Alberto Ruiz Gallardón anunciou o seu asqueroso ante-projecto de Lei. Ao final desse dia pintei o olho, armei-me com meus saltos altos e fui até à porta do Ministério. Éramos poucos, menos de mil, nessa manifestação convocada via twitter. Mas fui. Com frio. Rodeada de polícias e sobrevoada por helicópteros. Fui porque não consinto que nenhuma ideologia, seita ou grupo religioso controle a minha  vida. E com quase 39 anos, 2 filhos e às portas de 2014 gritei “Nosotras parimos, nosotras decidimos”. As mulheres nunca nos poderemos relaxar. Enquanto houver uma cambada de gajos que não suportem que decidamos sozinhas as mulheres nunca poderemos dormir sossegadas. Sempre alerta. Defendendo os nossos direitos.

     



    Por Rititi @ 2014/01/10 | 17 comentários »