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Rititi

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INÍCIO

  • “Esta coisa do feminismo”

    A Ana (aka Pipoca) escreveu um post onde lamentava certa histeria relativamente a uma foto que publicou no seu Instagram. Parece ser que a Ana é dona de umas cuecas que tinham uma etiqueta que recomedavam à “mãe” lavá-las à mão. Sempre gostei de pessoas que falam de cuecas em público, que querem. E antes que aproveitem a oportunidade que este meu blogue vos oferece para mandar vir com a Ana, gostaria também de vos comunicar que gosto muito da Ana, há carradas de anos, desde os tempos do mesosóico blogosférico. Pronto. A partir de aqui, queridas todas e todos (incluída tu, Ana), confesso-me que pertenço a esse “bando de histéricas” que não acha piadinha nehuma a esta suposta “cena querida e fofinha”. Que querem, já estou um bocado farta. Vejo uma marca de roupa mandar a “mãe” lavar as cuecas à mão e pergunto-me automaticamente se acha que a dona das propias não será amputada das mãos (ou não terá pai, um namorado ou uma empregada). Não, não vejo machismo em todo o lado, só noticio micro-machismos aparentemente insignificantes que não matam mas moem, que estão sempre aí, nos anúncios, nos jornais e blogues (ler a caixa dos comentários do blogue da Pipoca é, de facto, um autêntico exercício de contenção), na boquinha sobre o tamanho da saia da colega, na reprovação constante e diária. Há uns anos atrás a EDP fez um anuncio para a televisão com que toda a blogosfera feminina vibrou.  Um suposto elogio às mulheres, às mães, à fêmea essencial, em definitiva a todas essas burras de carga que se levantam de noite, trabalham, vão ao ginásio, passam pelo super mercado, chegam a casa (outra vez de noite), dão banho aos filhos, fazem os deveres com eles, servem de pé o jantar. Serão viúvas? Não, o marido está sentado no sofá. Isto é machismo? Sim. Está ao nível de escândalo da mutilação genital e do casamento de meninas-noivas no Afganistão? Não. Mas é machismo na mesma. “Insignificâncias como esta” perpetuam o papel da mulher presa à sua natureza de “servidora”, que a sociedade portuguesa, que é machista que dói, tanto gosta e tanto aplaude. Basta ver os ataques à Plataforma Maria Capaz no post da Pipoca. Portugal, repito, é um país machista, reaccionário, antigo. A maioria dos blogues maternais insistem no papel da mulher como única cuidadora, na conservadora dos valores ulteriores, imóvel  e conformista. Portugal, que não é Lisboa, é essa aldeia onde os cafés estão cheios de homens e as senhoras cuidam muito as suas palavras para continuarem a ser isso, senhoras, onde  as mães levam os meninos às casas de banho femininas e as cervejas são sempre servidas aos rapazes.

    Uma mulher é uma mulher é uma mulher. E por isso ganha menos que um homem. E não se importa. E por isso é condenada a ter dois trabalhos. E não se importa. E por isso diz ao filho que não faz falta que faça a cama e à filha que vá adiantando o jantar. E não se importa. E por isso compra cozinhas de brinquedo cor de rosa. E não se importa. E por isso acha horrores que raparigas se manifestem contra a barbearias que proíbem a entrada a mulheres mas não que as comparem com cães. E por isso acha super natural que uma marca de roupa interior mande a mães lavar as cuecas.

    O feminismo não tem batalhas melhor que outras, Ana.  “Essa coisa do feminismo” trata de poder escolher as batalhas que cada uma quer livrar: o aborto livre, a punição do assédio verbal, a denúncia dos micro machismos, a luta contra os estereótipos. Não sei quais são as tuas batalhas, nem me interessa, mas o que não te admito a ti nem a ninguém é que me insinuem, sequer, quais são as batalhas válidas. E, já agora, do último que preciso a estas alturas do campeonato é que uma puta de uma etiqueta me mande lavar umas cuecas.



    Por Rititi @ 2015/04/08 | 16 comentários »

  • Sou feminista, toda a mulher deveria ser, mas estou-me a cagar para o que uma etiqueta de umas cuecas diz, até achei engraçado. O que me consome a alma mesmo são esses ditos homens, que na verdade não são mais que um objecto de decoração em casa mas daqueles irritantes, tipo um despertador, que além de não fazerem nenhum, ainda têm moral de reclamar e humilhar. É de perder a cabeça.

  • Ana Sousa says:

    Rititi,
    Passo aqui todos os dias. Abstenho-me de a comentar sempre. Mas confesso, perco-me de riso consigo. E identifico-me imenso com os seus posts. A propósito desta conversa do feminismo/machismo, que anda agora na berra…toda a gente fala, toda a gente escreve…
    Mas…não será nossa a culpa? Nós, as burras de carga, que fazem tudo e que se deixam sujeitar? Eu faço o mesmo…e tenho lá em casa um marido que, se não lhe agrada o jantar que a mula fez, faz tromba e encomenda uma piza…Temos pena! Tenho 3 filhas, às quais imponho regras e tarefas que seriam iguais se filhos fossem! E acho que a diferença tem que passar por ai. Pela educação. Por educarmos os nossos filhos e filhas com sentido de responsabilidade e de igualdade. Afinal, para além das evidentes diferenças anatómicas, somos todos iguais. Não me sinto uma feminista entusiasta…mas não tolero o machismo…e parece-me que tem que haver uma mudança, muito radical, nesta nossa forma de estar, para fazermos a diferença.
    Um beijinho para si.

  • Coiso says:

    Lembraste me esta Páscoa, casa cheia, umas 20 pessoas à mesa. Um homem passa-me o seu café e diz “as senhoras primeiro”. Do outro lado da mesa diz uma mulher: “não, agora somos todos iguais não há cá dessas coisas”. E nesse preciso momento estavam todas as mulheres (excepto eu) em pé a arrumar a mesa e a trazer cafés e todos os homens sentados. Igualdade? Onde?

  • Clap Clap Clap Rititi! Post incrível e muito bem escrito, como sempre.
    Concordo com tudo, porque Portugal é ainda o país dos micro machismos, da igualdade encapotada.
    O meu filho vai ser educado de forma diferente, não tenhas dúvidas. E espero que os homens da geração dele, também o sejam.

  • Rita says:

    Perdona que escriba en españolñ. Antes de nada enhorabuena por un post fabuloso. Como espectadora española que visita Portugal asiduamente, no puedo estar mas de acuerdo. Siempre me ha llamado poderosamente el papel de la mujer en Portugal que trabaja con unos horarios incluso peores que los nuestros dentro y fuera de casa y su aceptación de esta circunstancia

    Gran parte de la culpa del machismo que no solo late en Portugal la tenemos las madres primero eligiendo o siendo engañadas por especímenes machistas y segundo educando de forma sexista a nuestros hijos e hijas. Así no se rompe la cadena.

    En fin, no digo nada nuevo que no sepamos. Soy positiva y pienso que las nuevas generaciones vivirán en una mayor igualdad. Las mujeres tenemos el poder.

    Beisinhos

  • Vanessa says:

    Obrigada Rita por este post, um bálsamo depois de ler os comentários no mencionado blog (exercicio de contençao é eufemismo). Ao fim de quase 11 anos que te leio, admiro como continuas a ser uma “pagada de ti misma” e nao caiste nas armadilhas da cena blogosférica. Ainda bem que isto te chateia :) beijinhos

  • Ana says:

    Se fosse só em Portugal…

  • Outro Ente says:

    Ou um empregado… Ou não?

  • Inês says:

    BRAVO!
    Na mouche!

  • Carolina Soares Caillard says:

    Querida Rita

    Saudades tuas adorei o post, mas devo dizer que nao é so em portugal que os gajos sao machistas….
    Um beijinho grande

  • facebook says:

    This is the perfect blog for anyone who really wants to find out about this topic.

    You understand a whole lot its almost hard to argue with you (not
    that I really would want to…HaHa). You definitely put
    a new spin on a subject which has been discussed for years.

    Great stuff, just great!

  • calhei calhar aqui hoje. chego tarde mas porra, que grande texto.

  • S. Silva says:

    Mesozoico e não Mesosoico.

  • kely says:

    Sou nova aqui no seu blog, mas ja estou amando, parabens!

  • Joana Andrade says:

    Simplesmente genial!

  • Ana says:

    Está tudo dito! Adorei o post, é muito verdadeiro. Toda a gente vê o machismo flagrante, mas esse micro machismo está muito, quase sempre, presente. E, sim, desvaloriza, desrespeita a mulher, manipula até. Temos de ter bastante clareza para compreender o que se passa, e bastante sabedoria (o que às vezes é mesmo difícil) para lidar com isso de forma equilibrada para nós! Beijinhos

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