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Rititi

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INÍCIO

  • Hoje eu Paro

    Paro porque estou farta que o meu trabalho valha 17% menos que o realizado por um homem nas mesmas condições laborais. E que a minha reforma provavelmente seja 37% menor que a deles.

    Paro porque estou cansada que os homens me interrompam quando falo , que me expliquem os textos que eu escrevo, que os gajos repitam o que eu acabo de dizer e façam passar como proprias as minhas opiniões.

    Paro porque já chega que se criminalizem as vítimas das violações. Não é Não. Se não há consentimento é violação. Paro por todas as Bárbaras Guimarães que foram julgadas, gozadas e perseguidas por terem denunciado um psicopata.

    Paro porque quero deixar de ter medo. Ter medo que me violem quando estaciono o carro à noite, que se me rocem no autocarro, que me metam a mão no rabo quando saio do metro. Em Espanha denunciam-se 4 violações diarias. QUATRO.

    Paro pelas 48 mulheres que foram mortas o ano passado à facada, espancadas, tiroteadas, afogadas, queimadas, asfixiadas, atropeladas, estranguladas por homens em casa, em frente aos filhos, no meio da rua, à porta do trabalho. Paro porque a violência de género não deixa de crescer: em 2017 foram denunciados 150.000 casos de violência física e psicológica de homens contra as mulheres e os seus filhos.

    Paro porque estou cansada que me tentem impingir até 3 vezes mais o preço de productos considerados “femininos”: gilettes, perfumes, cremes… Por não falar do IVA dos pensos higiénicos e tampões, que é igual ao do caviar. Em Novembro a Direita espanhola votou em contra a considerar estes productos como básicos. Afinal as mullheres somos só o 50% da população.

    Paro porque apesar de sermos maioria nas universidades só há 8 mulheres com cargos executivos nas empresas do PSI 20.

    Paro porque não quero renunciar a educar os meus filhos, porque conciliar não pode significar penalizar o trabalho e o salario feminino e perpetuar o papel da mulher como única cuidadora dos filhos.

    Paro porque a publicidade continua a ser sexista, apresentando a mulher como esse ser que não compra carros mas que ensina os filhos a pôr a máquina de lavar loiça.

    Paro porque isto não melhora e insistimos em tratar as meninas de cinco anos como umas princesas pirosas, cheias de brilhantes, maquilhadas até às orelhas e de salto alto que festejam festas de anos em spas e cabeleireiros.

    Paro por esses homens que não se achando machistas, não deixam de rir a piadola sobre as mamas da colega ou o tamaho da saia, não estranham que não haja mulheres nas reuniões, ou se calhar aquela “até subiu na horizontal” ou, que caramba, esta coisa do feminismo até já chateia. Paro para que os homens deixem de “ajudar em casa”, pelos que elogiam a bravura dos filhos e a beleza das filhas, pelos se referem à roupa das crianças, às reuniões da escola e à consulta do médico como “coisas da minha mulher”. Paro  porque sozinhas isto cansa o dobro.

    Paro por todas essas mulheres que não podem parar, pelas que têm contratos precários e sem direito à segurança social, pelas que são obrigadas a usar véu aqui e em Marrocos, pelas miúdas que têm que pôr a mesa e arrumar a cozinha enquanto os irmãos jogam à Play, pelas meninas que são violadas pelos tios e pelos avós sem que ninguém chore por elas. Paro pelas que não querem e por todas aquelas que acham que ser feminista em 2018 é um privilegio do primeiro mundo. Paro por esse bispo que disse que as femimistas temos os diabo metido no corpo e por todos esses homens que insistem em dizer-me como devo viver a minha vida, o meu corpo e o meu feminismo.

    Paro porque quero. Paro porque posso. Paro porque “se nós paramos, para o mundo



    Por Rititi @ 2018/03/08 | 4 comentários »

  • Espiral says:

    Concordo com tudo. Saudades do teu blog e dos tempos em que escrevias mais =)

  • Delmar says:

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  • Silvia says:

    Bom texto. O pior de tudo é quando o nosso proprio genero nos julga e condena como se fossem do outro genero , Por exemplo a juiza no caso da Barbara Guimarães. Mais, sempre trabalhei em empresas grandes (dimensão), as próprias mulheres chefias, não cargos de direção elevados , chefias intermedias, previligiavam frequentemente os seus funcionarios masculinos.

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