Que bonito que é o nosso Portugal, agora que temos autóstradas prontinhas para ir a ver o Óro e uma ponte sobre o Mondego com nome de santa e que só custou 75 milhoes de euros e políticos que se insultam a toque de “senhor careca” e espancamento conjugal com a bençao da igreja e pedófilos em casa a descansar dos pés e tá tudo bem, pá, que no nosso jardim à beira mar plantado tudo se desculpa, as coisas acontecem porque somos assim, mal fodidos pela saudade histórica e a nostalgia genética, como se a vida fosse esse fado lento e triste, como se o caminho já estivesse escrito a tinta permante pelo D. Sebastiao antes de fugir para sempre nas terras do eixo do mal.
Vai uma bicazinha, obrigada, que a vidinha cá continua entre telenovelas e as contas por pagar e o ordenado que nao chega e os putos no colégio privado para ver se vao longe na vida à base de cheques carecas e carrinhas audis, que a gente é pobre mas nao parece e que dirá o presidente do nosso condomínio privado, com a piscina que nunca usaremos, mas que fica bem para contar no colombo ao domingo, duas horas à frente do café e da agua das pedras, fashfavor menina.
E tudo vale, neste nosso cantinho, afinal até cá vem o Maiquel Douglas, aquele dos Beatles e o Rock in Rio, “bem-vindos” sejais todos, ilusoes do mundo civilizado, nao vá ser que Scolari ainda faça merda da grossa e nos dê para a depressao geral, nós que demos a volta ao mundo, que criámos a bunda, as cartas maritimas e o desemprego congénito, que nos aconteceu?
Ó Portugal, Portugal, do que é que estás à espera, pois bem, estamos à espera de sermos comprados por uma multinacional estrangeira que nos pague as dívidas, que nos arrume a casa, que nao nos obrigue a questionar a nossa preguiça histórica, a levantar o cu da nossa mediocridade regional, dos apitos dourados e das felgueiras mediáticas.
Portugal, acorda do desenrascanço, da mulher de saia travada que nao acha, que nao diz asneiras, dos cornos nas idas às putas que fazem o que a esposa nao deve, acorda, caralho, do provincianismo sexual, do melhor está lá fora e as espanholas todas ordinárias, mas que bonito que é o cortinglés de badajoz. Acorda, que a mim doi-me a alma de ter ver sempre violado pelo tribunal de contas e pelas descaradas contas nos offshores em nome do governo.
Portugal, de nome gasto, acorda, pá.
