Terça-feira, Junho 29, 2004

O que tem que ser tem muita força e nestes momentos de duvidas, incertezas e estupidezes várias eu, a Grande Rititi, o mito urbano da blogosfera, ouvindo as suplicas do povo ansioso de um verdadeiro lider proponho:

RITITI FOR PRIMEIRO MINISTRO!!!!



Por um Portugal Rosa Cueca, por um Portugal sem complexos e Campeao de Europa de Matraquilhos, veste a camisola que está na moda!




Consegue aqui a T-Shirt UNICA E EXCLUSIVA da Rititi, lider dos sem partido e dos fans totais do Sex and the City.

Já tenho as tishirtes e os pins vêm a caminho nao tarda nada. Agora só me falta o programa eleitoral. Mas tal e como estao as coisas a estas alturas do campeonato: quem é que precisa de um programa para ser eleito Primeiro Ministro?

SI ES QUE LO QUE HACE FALTA ES TENERLOS Y MÚ BIEN PUESTOS, LECHES!!!

Segunda-feira, Junho 28, 2004

Querido Blogue,

Momentos politicamente difíceis estes os que se vivem desde a distante emigraçao. Consternados que andamos os jovens Pinheiros, de coraçao encollhido, chorosos e mal-dizendo esta nossa sina lusitana. Para uma vez que o nosso Portugal nos dava uma alegria, semi-finalista nas proezas da bola e dos fora de jogo, toma lá com um balde de agua fria no sentir pátrio. Nao que a gente nao precise, que em Madrid os quarenta graus atacam directamente o nosso quarto andar sem elevador e a gata Lucrecia já nao sabe se meter no congelador, coitada, ou pedir a extradicçao prá Islandia. Mas nao, o nosso país da treta tem sempre a ultima palavra, neste caso na boca cosida do Cenourinha Sampaio, e assim estamos nós, com o altar de Santa Rita cheio de velas, que para alguma coisa é a santa dos impossíveis e a esperança é a ultima coisa a perder. Pois.
Como nos pode ter acontecido isto? Nao nos bastava com o nosso fado diário, com as contas desenquadradas e o orçamento de merda, agora graças à nova ideia totalitarista da democracia do PSD vamos ter direito a um Primeiro Ministro imbecil, analfabeto cultural, um ordinário chulo de praia algarvia com o cérebro na pissa, devoto de Santo António para a Caras ler, arrivista partidário e lambe-botas de autarcas de terceira categoria com os bolsos ansiosos de dinheiros publicos, um pseudo-politico que se conseguiu transformar a nossa Lisboa numa montra para famosos de questionável reputaçao sabe Deus o que fará ao País, um campo de golfe de seiscentos quilómetros com casinos e casas de putas assinadas pelos sottos mouras e outros arquitectos de salário mínimo. Que poderemos senao esperar de um inútil total, de um vaidoso integral cuja unica ambiçao conhecida é ser sempre mais que os outros à base de populismo e compra das bases partidárias, acomplexado pela falta de carácter e feitos cívicos e reais, um gajo cujo amor a Portugal é similar ao conhecimento das obras de Chopin.
E tudo porque ao Durao lhe segredaram que era sexy, que era desejado por essa Europa de interesses cruzados, e assim anda o homem incapaz de se deixar de olhar ao espelho, qual gaja feia que por fim tem pretendentes, afinal nao fica encalhada. O que nao sabe é que só querem dormir com ele porque a gira da pandilha, a boazona do Vitorino, é de esquerdas, aliás os que valem para Miss Europa 2004 mandaram a coroa pró caralho e decidiram ficar na deles, cumprindo a palavra dada ao eleitorado nacional. E ele, que é a sobra, o ultimo recurso no jogo de alianças no parlamento, ele que afinal é a ultima desculpa para uma certa paz em Bruxelas, lá anda a fazer as malas e a deixar Portugal nas maos do primeiro besta que lhe aparece à frente.
O meu amor vai entregar o passaporte à Embaixada. Eu, peço asilo político à Noruega. Porque nao nos merecemos isto, pá, nao nos merecemos tanta merda.

Quinta-feira, Junho 24, 2004

Querido Blogue,

Desta vez nao escapo à furia justiceira de Deus, até já deve ter um raio cósmico preparado para me fulminar à mínima oportunidade. Porque mulher que se vira na rua ao luz do dia e de boca aberta e esbugalhados os olhos à passagem de um padre, um prior, um servo do sinhor, nao merece inferior castigo divino. Mas nao consegui evitar e quase que engulo o parquímetro à minha frente, tal o espanto erótico que me causou aquele homem de tunica preta até aos pés, passeando pelo Bairro de Salamanca cheio de charme e confiança, decidido nos seus passos como só os temerosos do Pai Celestial podem caminhar. E a mim, com à Rakel Winchester, me se sale el tampax sólo de pensarlo, oyes.
O meu amor, quando lhe conto deste meu pecado de pensamento (porque pecado de acto nada, que uma quando se casa é com cláusula de exclusividade) nao sabe se me enviar à revisao no psiquiatra ou ao bar da esquina, assim como assim está sempre cheio de fufas e com essa fantasia erótica sempre se pode viver mais relaxada, sem medo à terrível vingança de Jeová, recambiada à eternidade dos infernos, mano a mano com Hitler e Torquemanada.
E assim vai a sexualidade no feminino, claro, entre a genética católica e a incapacidade do gajedo de verbalizar os seus desejos em publico sem ser condenado pelo pudor da burguesia de missa e comunhao diária, a fantasia erótica do mulherame pátrio deve ser o segredo melhor guardado desde a morte de Sá Carneiro.
Já com os pirilaus tudo muda, ó que sorpresa, nao há homem que nao resista a partilhar com os colegas o tolerante que é com a homossexualidade do grelo, no meio das duas, claro, e elas iam gostar, pois, tou mesmo a ver o Joca de Azeitao entre dois pares de mamas, o sonho da working class com pilinha.
Depois admiram-se as gajas que os filmes pornográficos sejam para elas tao excitantes como um discurso do lider da bancada do PCP, atao o que queriam, a nao ser que a industria da masturbaçao ponha a Marketest a fazer inquéritos às donas de casa suburbanas nao há maneira de saber o que entretém as mentes e o underware das Isulindas Silvas do nosso Portugal. Estranha forma de vida, a caminho do confessionário cada vez que a imagem do negro lhe aparece por detrás enquanto se prepara o almoço de domingo para a familia. Mas ó querida, a gente nao pode contar a ninguem do que se gosta de verdade, ai se o meu Zé soubesse quantas vezes sonhei acordada com a namorada do meu filho…
Depois queixem-se.

Terça-feira, Junho 22, 2004

Back to life, back to reality…
Que me retirem desta vida de toxicodependencia laboral, pliz, pelo bem das geraçoes vindouras e da produçao nacional bruta. Eu, que poderia passar os dias a lipoaspirar-me, a limar o calo do pé direito, eu, que estendo as cuecas com tanto glamour, eu, perfeita dondoca em estado de hibernaçao, ai, que desperdicio ver-me assim, presa ao computador e ao ordenado, eu que TANTO tenho para dar gratuitamente a esta Europa sem Fronteiras e sem casas de cambio. Come on and save me, saaaaave me, como dizia a outra, save me, vá lá, ou ainda acabo esmerdadinha da silva e o mundo nao merece tamanha desfeita.
Agora, com esta idade pre-madura, que bem entendo os planos maquiavélicos da minha esperançada familia, a menina hoje vai a um jantar com os pais, ponha-se linda, e claro, lá ia eu de laço e charme pre-matrimonial em alta, ao encontro de futuríveis administradores de empresas familiares, herdeiros de contas abastadas e quintas no Alentejo. Mas com esta mania minha de ser de esquerdas, absorta leitora dos diarios de Adrian Mole, sempre armada em espirito livre, desperdicei grandes oportunidades de um futuro à grande e à benzoca. A estas alturas do campeonato estaria dedicada às crianças e aos cavalos, Loureeeeeenço, venha cá à Mae, e dê UM beijo à Tia Bicocas, que giroooooo, e agora todos à festinha de anos da Carminho, que há meninas amorosas para lhe apresentar, todas finesses e com grande capacidade de procriaçao. E assim se repetem os ciclos, veja lá. Se me tivesse posto esperta, até tinha arranjado um senhor de certa idade e muitas posses, para lhe ficar com o apelido e cartao dourado, cheinha de fé numa morte subita, que fízesse de mim uma viuva nova e treinada no health club da Lapa.
Mas quando uma é romantica à seria, leva uma vida de resignaçao mística, à espera do real love, do principe azul mesmo sem castelo e cavalo branco, do amor que nos eleve e dê razao a este vale de lágrima salgadas, de esse homem que nos salve da mediocridade do sabado à noite à frente da televisao publica.
A mim tanta fe cega compensou-me. Um dia ELE chegou e nao há criadagem que supere tanta paixao lusitana. E mais nao conto, que este nao é o sitio para intimidades conjugais.

Segunda-feira, Junho 21, 2004

Querido Blogue,

Isto de andar por aí a derrotar os imperialistas castelhanos nas novas aljubarrotas do pós-modernismo mediático cansa muito, pá, uma gaja reaparece no trabalho com mais dez anos encima tal a quantidade de nervos gastos à frente da televisión española, la de todos. Mas que bem que sabe ao ego lusitano, buenos días compañeros, às armas, às armas, um a zero aos empurroes e como promete Zapatero, todos para casa, selecçao incluída, viva nós e o nosso jeitinho para dar a volta por cima às bandeiras quase guardadas, ganda vergonhaça se a gente nao chega a passar.
E hoje, ressaca, que a vida sem gurosans matinais nao tem piadinha nenhuma. Ai, que é desta que deixo de emborcar gins atómicos com tanta violencia à frente de estranhos e nao tanto, uma pessoa já nao pode ir de férias sem agarrar uma cirrose múltipla. Después pasa lo que pasa, a nossa imagem sempre pelas ruas da amargura, que por muito blogue e estudos universitarios que se tenha a primeira impressao é a que conta, que lhe perguntem senao à Gurua namber uane da blogosfera portuguesa , coitada, conhecer a rititi versao santo antónio nao deve ter sido nada fácil, habituada que está a gente espertinha e com boa palavra. Assim estava o meu amor, por pouco nao me cose a boca, tal a quantidade de bojardices proferidas em tao pouco espaço de tempo. Nao há sorvete de limao que resista a tanta intensidade, e a minha querida Charlotte por pouco nao me deslinca, se nao fosse esse o maior pecado bloguístico que se pode cometer nos dias que correm.
Que me desculpe públicamente, mas quando se dá de caras com a mastermainde total dos blogues o menos que nos pode acontecer é ter um ataque de panico, tipo Portugal – Grecia, medo escenico que se chama nos mundos teatrais. Nao nasci eu para confraternizar com gente importante sem fazer figuras tristes. Porque uma coisa é ter um blogue e outra ser uma referencia, uma lider de audências e mentes, uma leitura obrigatória para o povo. E eu nao nasci para tanto, fico-me pelo mito urbano que sou, decotado e sempre em festa.
Até já, Charlotte , adorei conhecer-te.

Sábado, Junho 19, 2004

De regresso aos Madriles pela autóstrada fora, pensamento único:

Amanha, Portugal, não me fodas.

Obrigada, que eu vou-me embora.


Quinta-feira, Junho 17, 2004

Querido Blogue,

Barris de cerveja perseguem o jovem casal Pinheiro pela semana de férias a exercer de honestos patriotas, colaborando com a economia pátria em geral e o sector da hotelaria lisboeta em particular, que não há inflação como o Óro2004, onde já se viu, cinco sardinhas a oito euros. Não importa aonde a gente se esconda, há sempre uma imperial à nossa espera, cuidado lá vem mais uma e depois é a conta, fashfavor, que temos que ver o jogo da Holanda em Óbidos rodeados de suíços do mais educados, que temos que ser bons anfitriões para além bandeiras.
Que difícil ser adulto e responsável com tanto golo, cachecol, praia e amigos para uma única semana, dasse, se soubesse que a figadeira ia ficar neste triste estado tinha pedido uma licença sem vencimento para me internar nas termas da Curia no domingo que vem. Mas não vale a pena chorar pelos caracóis ingeridos, que sarna con gusto no pica e quem sabe o que nos espera o futuro e as Finanças, tás aqui tás a ser embargado pelas toneladas de multas de estacionamento da EMEL, grande invento, sim senhor, pensavas que escapavas, não?
Entre tanto combinanço, vistas pró Tejo, mas que linda que é Lisboa e a sua gente tão típica sempre de marcha em marcha a dar porrada nos bifes, o melhor para preservar o euro e o neuro, que não há quem resista a tanto inglês bêbado no Campo das Cebolas, é uma tarde a derreter o cérebro e o corpo no sofá da nossa casa com vistas, comando na mão e a esperança que corra uma lufada de ar fresco, como diria João XXIII antes de ser enviado pelos seus ex-amigos cardinalícios via Express por SEUR a São Pedro, que nessa altura estava com uma crise laboral depois de uma eternidade como porteiro celestial. Acontece nas melhores famílias, como a minha, e para curar crises e ressacas nada melhor que um passeio pelo panorama televisivo cá das nossas terras, bolas córrore, que eu nem sei se me tornar apátrida ou fingir que sou bulgariana, tal é o susto.
Todos os milhões e milhares de euros gastos em publicidade all over the world para parecermos um povo moderno e simpático, moreno e adulador de estrelas planetárias de meias pelos joelhos, anúncios das cocacolas, vespas e olés, tudo despejado pela sanita hertziana abaixo, depois do Manuel Luís Goucha se ter passeado pelas pracetas do nosso Portugal acompanhado por uma fauna de quins barreiros, ágatasmarlenes e vanessas de cuequinha comprada na Feira de Espinho, tudo graças à nossa tevei, vós que sois um publico ansioso de bimbalhada e sem nada a invejar ao natal dos hospitais, só faltam os doentes terminais em primeira fila.
Tudo para inglês ver, ainda bem que estão todos podres de bezanos, cozidos em litros de álcool pelas ruas algarvias. Sorte não assistirem ao penoso espectáculo do Malato fingindo pateticamente um quase orgasmo ao som de um ex-operação triunfo em decadencia, que terá sido daquels meninos com o bem que cantavam. Ou o Jorge Gabriel a tentar comunicar com a única senhora surda do abrasado público reunido na minha querida Praça do Comercio, levantasse D. José a sua coroada cabeça e o badagaio era para ser passado ene vezes nesse merdoso show da mediocridade lusitana que é “às duas por três”, deus nos livre de uma doença prolongada frente à teve, damos todos em malucos.
Olha, vale-nos sempre a tevecabo, grande generosidade da PeTe e seus compinchas, e a descoberta no Odisseia de uma gaja cujo fetiche são os balões de borracha, brincar encima deles e dar-lhes pontapés, é maravilhosa a sensação da menina “quando rebentam e assustam, a gente nunca sabe quando vão fazer barulho”.
Vou ali experimentar com um balão de agua contra a parede a cabra da vizinha, pode ser que me transforme noutra mulher, sem necessidade de tanta festa e coboiada no Bairro Alto, esposa responsável e honestíssima visitante do continente aos sábados com a família, sogra incluída. Se calhar até me dá vontade de ser mãe, com esta nova forma de sexualidade ao látex nunca se sabe, oyes. Há gente mesmo queimadinha dos cornos.

Domingo, Junho 13, 2004

(De férias em território lusitano, que decepção de gente)

Quando um país deposita as esperanças de um futuro melhor num grupo de onze gajos suados e de calção curto dá no que toda a gente viu sábado: merda de grossa. Que indivíduos mais egoístas esses os da selecção, tontos atrás de uma bola com pretensões marítimas e, com a desculpa do nervo miudinho e cagão, incapazes de dar uma merecida alegria a este povo farto de impostos e auto-estradas da brisa. Nervosos? Nervosa estaria eu, que não me pagam dez mil contos ao mês para acertar numa baliza e fazer anúncios de telemóveis. Agora estes gajos… Não há pachorra, pá, para tão pouca vergonha e falta de civismo.
Ainda bem que o português é esse paz d’alma, expectante observador do nevoeiro, bom bebedor e simpático patriótico, que depois da cagada pátria e via satélite só mereciam que lhes enfiassem as bandeiras lusas pelo cu acima.
Se o Scolari se deixasse de tanto 4-5-2, tanto ponta de lança e de madeixas do parolo do Cristiano Ronaldo, se ouvisse as ideias dos adeptos que se concentravam em Alcântara na triste tarde de sábado, enfim, ganharíamos não só o Oro, como os campeonatos mundiais de críquete. A saber:
- Naturalizar rapidamente o guarda-redes grego. E já que estávamos com a mão na massa, o Zidane, o Becks, o Raul e a equipa do FCP
- Dar utilidade à mulher do Figo e pô-la a jogar sem soutien nos próximos encontros. Se marcava golo, tirava a t-shirt.
- Pagar em sexo aos árbitros, que nestas terras temos de tudo, para alguma coisa nos serviu termos importando escravos de meio mundo.
Mas não, foram os nervos, senhor, foram os nervos. Tudo de joelhos já a caminho de Fátima, implorar não o perdão de Deus, mas de uma pátria sequinha de êxitos feitos por nós e não importados à pala de Rock in Rio e disparates pagos pelo trabalhador dependente.
Olha, vale-nos a Bica e a sardinha assada, o wip e o convívio à volta de uma sangria sem gelo e a um euro cada, a bifana e o Santo António, e a esperança no jogo de quarta. Que a gente critica mas vai lá estar na mesma com a imperial fresquinha e os caracóis como não se comem em mais lado nenhum do mundo, força, prá frente e golo.





Sexta-feira, Junho 11, 2004

Nesta Espanha de peineta e nacionalismos provincianos com pretensoes europeias, Mr. and Mrs. Pinheiro preparam-se para a emigraçao semanal à Grande Alface. Que bonito que é amor e as malas que ficam pequenas com tanta sapatilha, chanata e sandalia que a menina tem. É o preço da beleza, meu amor, nao me queres ver sempre de téne branco e a pelugem no joelho por arrancar. Quando os homens perceberem que para cada dia sao precisas três tualetes o mundo será um lugar melhor, mais pacifico e tolerante (bolas, tenho que deixar de ouvir os discursos do Zapatero, tanta boa onda esta-me a deixar parecida com uma jornalista da Xis).
E que fartote que eu tenho destas terras, ainda bem que chegam as férias e Lisboa, sardinha e moça, mesmo que pejada de bifes e bandeiras lusitanas, nao sabia eu que éramos tao patrióticos, nem os bascos lhes dá para tanto.
É que quando nos dá para a elevaçao nacional nao há quem nos supere, até a Rosa Mota cantou a letra todinha toda do hino naquele triste dia em que se esqueceu de depilar os sovacos. Ganhou uma medalha e o patrocinio vitalicio da gilette. Depois admiram-se que os nossos desportistas estejam longe do mito erótico. Entre ela e os gémeos do atletismo, que deleite para o olho do cu, dasse.
Espanta-me como ainda há tanto povoa a seguir as desaventuras das cores pátrias via satélite e cartao de crédito. Entre os atributos físicos dos nossos atletas e a pontaria que temos para falhar todos os momentos históricos à pala de murros no estômago de arbitros e fatalidades messianicas, o melhor era começar já a reconsiderar os elementos das nossas equipas nacionais. Se nao ganham, pelo menos que nos alegrem o dia.
Nao se poderiam naturalizar umas bielorrussas, todas loiras e metroitenta, para a selecçao de hoquei-patins? Prevejo audiencias brutais, o ecra de plasma todo babado, ricas figuras dos Pereiras de Cantanhede. E se o Deco passou a nacional assim darrepente, porque nao fazer o mesmo com os modelos masculinos da agência Look de Londres? A bola teria muito mais encanto em vez de tanto Maniche e Costinha, bolas, que parecem escolhidos a dedo para tirarem a tusa às adeptas.
Valem-nos o Totti, o Pauleta e os deuses suecos, que com a estucha que nos espera mais vale que ganhem os melhores pares de pernas.

Terça-feira, Junho 08, 2004

Portuguesices, versao 2.975

Quando for grande quero ser um gajo de pelo no peito e chamar-me Zé Manel.
Para coçar o tomatame enquanto passa uma boazona e levantar o dedo ao taxista filhodaputa sem passar por louca varrida. Quero ser gajo para poder mijar de pé e comer as gajas todas e ser o heroi do bairro e bater uma em grupo porque faz parte da iniciaçao à vida. Quero ser gajo para palitar os dentes nos restaurantes e para ver a bola cagando-me na mae do arbitro. E quero ser gajo para ir às putas.
Porque os gajos vao às putas y tan tranquilos que se quedan, oyes, de euro na mao e piloca exaltada, a ideia de felicidade masculina deve passar por um puticlibe de estrada e tangas transparentes em bundinhas brasileiras. Vai um champanhe sinhor, pois claro, e lá escorre a baba e a testosterona, levantada à pala de cartao de crédito, que afinal essas gajas estao cá para me servir, era o que faltava, um homem todo o dia no campo e agora ainda me moem os cornos com os direitos do putedo.
E que nao faltem as table-dance para os mais finórios, que uma uma coisa sao as putas velhas e celulíticas e outra essas meninas soviets, que quase parecem modelos e só fazem isto porque querem, que trabalhos há muitos, nao querem é lavar escadas, las muy putas, mas que lindas que ficam a abanar a mama e o que for preciso, sobretudo no private, que elas também gostam de ser apalpadas, pois nao.
Que bonito é depois voltar a casa, à esposa e ao crédito à habitaçao, bom pai de familia e pessoa do mais serio que há, nunca nenhuma dívida lhe foi conhecida.
Que bonito que é resolver os problemas de poder com cinquenta euros o broche na estrada de Ovar, mas por poder, até as atropelava a todas, ordinárias que só vêm à nossa santa terra desorientar os bons maridos, que razao tens minha querida, onde queres que eu assine a carta ao bispo de Braga.
E vê lá se te fazes homem, meu filho, e vais com o pai ali aprender o que for preciso que ainda me sais roto e o desgosto que dás à tua mae, nao me sejas um pervertido que te vou às trombas.
E a quem lhe importa se as gajas sao obrigadas ou escravas, que isso das máfias é tudo mentira, afinal só é puta quem quer.

Segunda-feira, Junho 07, 2004

Querido Blogue,

O que seria de mim sem as revistas do curasón? Seria um homem com mamas, uma rititi sem blogue, uma contribuinte sem multas.
Com o feliz que sou eu, sentadinha no dablui-cê, molhando o dedinho para passar as paginas rosas, cheinhas de fotos da Leti, da Anita Aznar e seu bebé, vestidos compridos e divorcios escandalosos com filhos à mistura. Com pouco me conformo, poizé, mas nestes dias de guerras, mortes de reagans e eleiçoes pá europa, ó pá, mais vale uma ¡Hola! em mao que três Expressos na casa de banho. Reivindico aqui os meus minutos de estupidificaçao à frente do verniz das unhas dos pés. Reclamo o meu direito constitucional a cagar-me de bem alto prá guerra do Iraque, prós comentários do Pacheco e prás mortes nas autóstradas portuguesas. Chega de tanta seriedade, de tanto debate na tsf, de tanta carta ao director!!!
A banalidade no feminimo está em desuso, demodé total e o gajedo nada faz contra isso, limita-se a concordar com o papel de executivazinha a atirar pró esperta e claro, depois chegam as crises de meia idade e as corridas à Maia.
Meninas, nós que pagamos a contribuiçao autárquica com o mesmo estaile que um par de meias prás varizes, lutemos pelo reconhecimento do nosso quarto de hora de Sique-Gaija, que ao mundo o que lhe doi é levar a vida tao a sério, e o grelame, de tao aplicado, nao quer ficar atrás na hora do mal-encaranço geral que é este nosso dia-a-dia lusitano.
Claro que com a bosta de revistas que às gajas nos calharam na rifa da imprensa escrita, é difícil dedicar-nos à leitura relaxada e sem complexos. Entre a histérica da Cosmopolitan, sempre à procura do orgasmo perdido, e a dondoca e preconceituosa Máxima, venha o diabo escolha. Pásdastantas, fico-me com a Ana Atrevida, os testimónios sexuais das suburbanas pátrias dao-me anos de vida e curam-me os problemas de pele.
Deus, livra-me dos meus pecados e da hora do cabeleireiro em Portugal! Ao menos que nos ponham a MaxMen, assim como assim, também há gajos em boxers e o mulherame aproveita os sessenta euros de madeixas loiras, mas que nao se notem.
Com tanta vontadinha de sermos como eles, trabalhadeiras e sérias, esquecemo-nos do humor e da banalidade. Assim andamos, com a Laurinda Alves a comandar o pensamento das comadres de Almada! Pena, pá!

Sexta-feira, Junho 04, 2004

(Es que una ya no tiene el coño pá ruidos, joé)

Querido Blogue,

Os gajos devem gostar é de mulheres estupidas. Boas, mas estupidas. Só pode.
Ou entao que me expliquem por que estranha razao a MaxMen continua a pagar à sonsa da Margarida Rebelo Pinto para escrever (sic!) as maiores sopeiradas da literatura (pois, tá bem, deixa-me que me ria) actual. Porque uma coisa é a literatura pop e outra a escrita de merda, género do qual a MRP é a máxima representante. Domingos, filho, se me estás a ler, diz-me, nao conheces mais gajas que escrevam?
Meninas, estamos feitas. Que tipo de mulher é a MRP, machista disfarçada de pós-moderna best-seller, que se atreve a escrever (com os pés) baboseiras do tipo “as mulheres demoram mais tempo a trocar de parceiro porque (atençao) nao gostam de ser gozadas pelos amigos deles” e (lá vai outra) “de andar de mao em mao”? Ó minha, vai mas é levar na peida. Gozadas? De mao em mao?
Ahhhh, tinha-me esquecido que nós somos esses seres virginais, sempre expostos ao consentimento ulterior masculino, que quanto menos andarmos por aí a arejar a pachacha melhor, nao vá ser que a nossa reputaçao se manche e deixemos de ser cotadas na Bolsa das Futuras Esposas e fiquemos encalhadas prós restos. Nao há cu.
Esqueçei, gajedo, os impostos pagos, o arranjo do carro e as contas de fim do mês, para trás as reunioes com os clientes, o cabrao do chefe, os telefonemas da mae e os botoes que nao sabeis coser.
A partir de agora e graças às iluminadas letras da MRP, dediquem-se mazé à depilaçao brasileira e ao sorrisinho timido detrás de um copo de sumol de ananás, pode ser que algum marmanjo vos pegue e por fim tenhais direito a sogra e a férias na Republica Dominicana. Deixai de mandar quecas, suas vacas, e aprendei a fazer amor uma vez por semana de meinha calçada!
Ai, Portugal, de preconceitos patrocinados pela sensibilidade pequeno-burguesa, país de merda que se continua a escandalizar se a palavra cona é dita pela boca de uma mulher de pleno direito. Mas com direito a que? A procriar, a passar a ferro, a ser considerada respeitável pelos canones obsoletos que persistem no imaginário lusitano?
Mudará isto alguna vez? Sei lá!


Quarta-feira, Junho 02, 2004

Querido Blogue,

Os anos passam, os vestidos vao ficando (cada vez mais) justos ao corpo, e o relógio biológico, tic-tac, tic-tac, o arroz que se passa, tic-tac, tic-tac, e as crianças na rua que se reproduzem como cogumelos, bolas, quando eu tinha vinte anos nao havia tanto bebé nos parques, tic-tac, estás a ficar velha, tic-tac, nao queres ser mae, já ficaste grávida, de boa esperança, à espera, tic-tac, agora que casaste, tic-tac, que bonito que seria ter um filho, tic-tac.
Que pressao, dasse, lá por ter os ovários em pefeito estado já sou encarada como uma vaca parideira por esta sociedade acomplexada pela baixa natalidade e pelos modelos familiares a respeitar. Sinais dos tempos modernos estes, e eu, tic-tac, toma lá com anuncios de fraldas e carrinhos de bebé com ABS de serie incorporado, só para o caso de te esqueceres da tua obrigaçao natural, encher este mundo de putos cagoes a reclamar chupa-chupas, pipocas cor-de-rosa e estudos universitários.
Tic-tac, tenho uma vontade louca eu de engordar vinte quilos e que me rebentem as varizes qué pá qué. E de estar seis horas no parto de perna aberta, a expulsar um ser de quatro quilos enquanto me racham as partes mais sensíveis do corpo. Tic-tac. E de ser acordada todos os sábados às sete manha com cheiro a merda verde e peganhenta que nem te conto. E de trocar os meus neurónios por conversas de vómitos, percentís elevados e pediatras esquizofrénicos. Tic-tac. Adoraria ver cinco milhoes de vezes o rei leao e o primo urso e peixe nemo, e ir de ir à praia carregada de sombrinhas, paletes, cremes e lanches. Uff, porra pró tic-tac escravizante…
Tic-tac, que me desculpem o mundo, as taxas e os subsidios de procriaçao, que me perdoem a familia e o estado de direito, que eu ainda nao tenho capacidade emocional para me transformar numa MAE, no roll model, na explicaçao a todos os complexos futuros no psicanalista argentino, na encarregada de educaçao e das reunioes da escolinha do menino.
Tic-tac, que eu cá vou vivendo como mulher da maneira que bem me praze, carregando este meu tic-tac que me faz babar-me toda ao ver vestidinhos com laçarotes e tocar-me a barriga e imaginar o quartinho do bebé. Tic-tac fodido este.