Segunda-feira, Agosto 30, 2004

Querido Blogue,

Houston, we have a problem, que é o que eu me digo cada vez que um amigo me pede para conhecer uma nova namorada. Visto-me de heroína da Marvel e rezo a Santa Rita de Cássia para que seja feia, gorda e anã, uma nódoa de mulher, porque eu já não estou para que a vida me confronte com mais Super Gajas. Daquelas Super Giras, Super Altas, vedetas elas num mundo de gente baixinha nos ténis da Nike, Super Penteadas e Restauradas vinte e quatro horas por dia, Super Simpáticas e com ar de quem vai apresentar uma Gala na RAI 1, impecáveis elas num bar da moda e eu, a afundar-me na minha normalidade de quem apanha autocarros para ir trabalhar e espreme as borbulhas frente ao espelho em momentos de crise existencial. Super Gajas no seu mundo de pastel de nata e festas Super Divertidas, com o obvio domínio do físico e do baile do verão, aserejé, já, dejé. Descomprimem-me estas gajas e mais ainda quando tenho um período galopante, eu com a pele feita um nojo e as gajas com a cara de porcelana.
O meu triste ego já não resiste a comparação física nesta altura do campeonato, muito me custam os soutiens reforçados que dissimulam a força da gravidade para que tenha que lutar de estômago vazio contra a lei da relatividade do tempo e das mamas dessas Super Siliconadas, com tops implacáveis para a minha sanidade mental e a libido do macho ibérico, que sonha com poder levar uma dessas bonecas insufláveis aos jantares com a malta do escritório. É que estas Super Gajas tiram-me do sério, sobretudo porque de tão diminuída que fico com o poder da perfeição cirúrgica, agarro uns pifos descomunais, de caixão à cova e do bar à cama em três tempos. Fica o caldo entornado, com Mr Pinheiro à solta e eu com um complexo de bêbada ao dia seguinte que nem te conto. O meu homem, obrigado que está pelos compromissos conjugais, diz-me que não, minha querida, a beleza é outra coisa e eu gosto de ti por natural, boa gente e doida varrida, coitado, a jurar-me de pés juntos que a ele as mamocas de borracha mais que excitar-lhe dão-lhe a sensação de balão de feira. O que faz o amor e a paciência infinita.
Claro que isto tudo é inveja, que me corrói, para que mentir, por muito que me tentem convencer que a beleza está no interior assim que uma daquelas Super Estilizadas e Super Bronzeadas se cruza no meu caminho tenho uma vontade louca de me internar na Corporación Dermo-Estática, reconstruir-me de pés à cabeça e voltar ao mundo de peitoral renovado e exuberante beleza exterior, que nos momentos de complexos físicos não há cultura geral, amigos interessantes nem drogas sintéticas que me valham!
Porque quando me assaltam as dúvidas estéticas e o suicídio intelectual está tão eminente, o que eu quero é saber andar de saltos altos, sentar-me com mini-saia, ter uns dentes eternamente brancos e um rabo sem celulite. Quero estar sempre morena e ter umas unhas inquebrantáveis, umas madeixas perenes e umas pernas eternas. Caguei para os clássicos da literatura universal e agora quero ser uma Barbie pós-moderna, aparecer nas revistas e que perguntem pelas férias!
Que saiba o Mundo (e os meus amigos que trocam de gaja com uma frequência doentia) que eu ainda não estou preparada para as Misses, que me desestabilizam e provocam em mim urticárias interiores. E depois não há quem me ature!
Ai, a inveja…


Sexta-feira, Agosto 27, 2004

A RITITI EDUCA O POVAO (#2)

Hoje, na secção que todos os portugueses esperavam, a Rititi apresenta a Canção do Minete. Adorado por todas, ignorado por alguns, o Minete continua a ser esse grande desconhecido para o homem de pêlo na venta com terror à sensibilidade e ao banho diário.

Senhores, eis a versão masculina do Minete, escrita pelo Pablo Carbonell, antes Torero Muerto e agora gurú da sanidade sexual da classe média!

AY QUE GUSTITO PÁ MIS OREJAS

Ay que gustito pá mis orejas,

enterraíto entre tus piernas,
y tu me dices ay! que te responda,
yo todavía no te he escuchao, a tu pregunta.
ay no te oigo bien,
porque ando sumergido en tu miel.

Ay que gustito pá mis orejas,
enterraíto entre tus piernas,
y tu me dices ay! que te responda,
yo todavía no te he escuchao, a tu pregunta,
lo más grande de esta noche,

que se hizo de día,
si saliera el sol, a mi me verías:
como un conejillo entre tus piernas,

bebiendo tu esencia, siguiendo tu senda,
ay que gustito pa mis orejas.

(…)


Ay que gustito pa mis orejas,
enterradito entre tus piernas,
si soy agua tú me llevas,

si soy parra tú mi reja,
el horizonte es un muro,
que me cabe entre las cejas!
oy oy oy oy oy oy.

(Raimundo Amador, in Gerundina)

Já agora, uma nota da Samantha do Sex and the City: “Só faço broches porque espero um minete logo a seguir”. Nada como a cultura popular para esclarecimento das mentes!!!


Ala, y ahora a disfrutar, chavalitos!!

Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Querido Blogue,

Camuflada de Audrey Hepburn, óculos gigantes, chapéu obrigatório e vestido sixtie que te mueres, esta emigrada lusa em terras zapateras sai de casa com o inquebrantável propósito de descobrir o Madrid que importa realmente, o que faz bater o coração de qualquer agarrada ao cartão de crédito, o que tira o sono às histéricas da moda, o Bairro de Salamanca, que se uma gaja tem que se armar em Indiana Jones de saias, pelo menos que seja na zona da cidade onde habita a maior concentração de milionários por metro quadrado. Posso não ir de Chanel, nem com complementos da Dior, mas a mala é uma imitação perfeita da Prada e a mim ninguém me convence do contrário. Inspiração, expiração, a Calle Serrano é sua, se me vou infiltrar no mundo do glamour e êxito social, o primeiro a fazer é começar a tratar-me a mim própria por você. Rititi, vá, você é um must, força querida, um beijo, vá lá!
Para começar, nada como um energético pequeno-almoço numa terraza com ar elegante e com um fortíssimo cheiro a naftalina, e eu a destilar staile e com a Telva debaixo do braço, essa grande revista das dondocas que ainda continuam a achar que o Aznar é o Presidente do Reino das Espanhas. Falando do Bigotes, olha a primogénita do gajo, agora que é mãe ainda está mais feia e mais pirosa, por muito vestido de Custo que vista ninguém lhe tira aquela cara de mula. Tento controlar a minha veia de esquerdalha, mas a chegada de três idosas com a cara do Franco tatuada no bíceps atormenta-me tremendamente. Pago uma conta que mais poderia ser o aluguer de um quarto no Ritz e saio a correr antes que me mandem directa para um campo de concentração para emigrantes do Terceiro Mundo.
Depois de revisitar o passado, nada como um banho de glamour, lambendo montras na Ortega y Gasset, Armani para cima, Hermés para baixo, já gostavam as cagonas do Restelo ter a metade do charme das empregadas do Gianfranco Ferré. Olha o Duque de Feria, como-se-puede-estar-tan-bueno-por-favor, aqui não é preciso tapete vermelho e palhaçadas à Santana Lopes na Rua Castilho no Natal, que por aqui parece que esta gente levita de tanta elegância, dinheiro e saber-estar na vida, deve ser porque mijam Chanel nº 5, e essa não é a Princesa de Preslav, qualquer coisinha lhe fica bem, e não como as pendéricas essas que enchem as revistas portugueses, a Cinha, que pena, para sair de casa precisa de restaurador Olex para ter um ar apresentável. Quando eu for grande quero ser um manequim da loja da Sybilla.
Mas por muito que eu queira imitar o ar altivo das ricaças espanholas, à mínima oportunidade a pequeno-burguesa que vive dentro de mim vem ao de cima e deixa-me em ridículo, aproveitando a minha passagem pela secção de roupa interior da Versace. É que afinal aquele poderosíssimo pequeno-almoço tem os seus efeitos nos meus maltratados intestinos e pimba, neste caso pum, uma bomba fétida a aromatizar uma das lojas mais caras da cidade.
Que vergonha, que desplante, ainda bem que ninguém me conhece detrás destes óculos tamanho XXXL comprados na feira dos ciganos, que me engula a terra e pernas para te quero, foge para o Metro e espera que nunca venhas a ganhar a lotaria que te obrigue a ir comprar sapatos no Bairro de Salamanca.
Não vale a pena forçar as classes sociais, dizem-me as minhas amigas fufas à frente de um balde de uísque e várias doses de tabaco marroquino, e tu, minha linda, não nasceste para ser capa da ¡Hola!
Merda, merda e mais merda, que maneira de rebentar com os sonhos da working class.

Segunda-feira, Agosto 23, 2004

Querido Blogue,

O Povo ama-me, que eu bem que reparo nas mostras de carinho assim que ponho o pé direito na rua às oito e um quarto da manhã. Como a nova Lady Di da zona Centro madrilena, é assim que me tratam os populares, mais eles do que elas, claro, que para isso as senhoras espanholas são muito mais discretas nos seus elogios a terceiros, sempre que não se trate do macho-man Júlio Iglesias. É que não há rival para esse maravilhoso baloiçar da mão esquerda ao ritmo de “Tropecé de nuevo com la misma piedra” no Festival Internacional de Benidorm, a César o que é de César e ao Júlio os mocasins vermelhos e sem meias.
Para o meu público sul-americano mais fiel, que se posiciona religiosamente à mesma hora nos andaimes das obras do prédio ao lado do meu, entre cimento, gruas e bocadillos de jamón, há exigências muito claras que eu tenho que cumprir para continuar a ser considerada a top total do meu bairro, o ícone da gaja boa. Pelos decibéis emitidos, gostam mais de mim com decote pronunciado do que com uma reles camisa, e sinto como os aplausos são super efusivos cada vez que me lembro de vestir a mini-saia justa da levy’s. Do mais observadores, oyes, não há nada que se lhes escape a esses pequenos peruanos sem papéis e com família para alimentar. Agora compreendo o stress dos famosos das revistas, porque para não defraudar as expectativas tão elevadas dos meus dedicados fans passo horas a olhar para o armário, com a consequente bronca conjugal, porque o meu gajo não acha nada simpático que o acorde a meio da noite com crises estilísticas provocadas por outros homens, tal é a pressão com a que vivo!
E é incrível como se espalha a palavra neste Madrid, e isso que é Verão e está tudo em Alicante a dançar a Macarena. Pelos vistos os meus aduladores falaram de mim a anónimos e agora não há trolha que não gabe o meu estilo: tía buena, niña hay que ver que culo, madre de dios que poderío, pisa, pisa con garbo… Uma maravilha, não há ego que resista a esta explosão de amor verdadeiro e sem ânimo de lucro. Não sei do que se queixam as feministas, com o bonito que é que nos façam sentir desejadas de uma maneira tão altruísta. Aliás, estes simpáticos elogios só potenciam o estreitamento dos laços entre os povos e a aprendizagem de línguas estrangeiras. Eu, quase sem esforço, já sei dizer “ó caralhinho ta foda” em ucraniano, que para mim é um grande passo civilizacional, já queria o Fórum de Barcelona favorecer assim o diálogo entre as raças do mundo!
Não há dia na minha vida madrilena em que os homens não aplaudam os atributos que Deus me deu, por não falar das vezes em que corro como uma maluca para apanhar o autocarro, o balancear da minhas mamas provoca nos transeuntes verdadeiras explosões de fé no Ser Supremo: Dios Santo, qué melones! Até os apressados executivos esquecem por momentos as curvas de balanços para observar como a minha dianteira põe em causa a lei da gravidade, pá que veas tú.
Tudo faço para alegrar o meu Povo tão amado, por isso não poupo esforços nem esmolas ao meu mendigo favorito da Puerta del Sol; é que por muito indigente que seja tudo farei para continuar a usufruir dos piropos mais autênticos da cidade. Afinal de contas, não é todos os dias que nos dizem “niña, que estás más buena que la cocaína!”. Nem que me arruíne toda, mas esse homem seguirá vivo, na esquina com o Metro, à pala de vinho, drogas y lo que haga falta!




Sexta-feira, Agosto 20, 2004

Se os blogues que me rodeiam, num histérico ataque de lirismo, publicam poemas espertinhos, troços de livros imprescindíveis para manter uma interessantíssima conversa com qualquer estranho no metro, diálogos de filmes russos legendados em sueco, eu cá não quero ser menos que os outros, oyes, que para alguma coisa passei cinco anos na Universidade!

Porque com poesia japonesa não se engata ninguém, nem se brilha nas festas, aqui se começa a nova secção semanal que todos estavam à espera.

RITITI EDUCA O POVAO!

Hoje, Las Sevillanas de los Bloques, da insuperável Martirio

Con mi chandal y mis tacones,
arreglá pero informal,
domingo por la mañana
él me saca a pasear.
Mientras va lavando el coche
dejo la casa arreglá
para luego, cuando venga
no tener que hacer más ná.
Taquitos de jamón, choquitos y gambas
yo me harto de comer
y por la tarde lo dejo
pá que escuche el carrusel.

Con los niños por delante
nos vamos al hiper.
Mi marío tiene, por fin,
la tarde libre,
y a empujar los carritos, que ole,
nos vamos al hiper.
Ya se perdió, hay que ver que tiene brega,
si lo sabré yo,
este hombre en la bodega
se lo gasta tó.
El ascensor, se ha roto el ascensor,
¡ay, cómo pesan las bolsas,
pero qué gusta da ver
los forladys que rebosan!

Es un diario, sentrañas, es un diario...

Es un diario que mi marío
me pida, sentrañas, es un diario
que le haga lo del vídeo comunitario.
Le dije bueno,
pa qué le dije ná,
con lo bien que estaba yo callá,
pa qué le dije ná, con lo bien...
le dije bueno.
Mi perdición,
por darle gusto, esa fue mi perdición:
porque ya no hacemos ná de ná,
sin el televisor.

¡Estoy atacá, estoy atacá!
Estoy atacá,
mal palo en las costillas a ti te den,
riapitá, mira que estoy atacá,
por los traguitos que tú
me haces de pasar.
Cogé la puerta,
estoy na más deseandito,
riapitá, mira de cogé la puerta,
y al salir, ¡salir corriendo como las locas!
Estoy mala de los nervios,
¡estoy mala de los nervios!
¡Ay qué hartura, Dios mío,
riapitá, mira que me voy a la calle
a pegar chillíos...!

E para a semana, mais!

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

Há um dia na vida de uma mulher em que se olha para o espelho e todos os litros de uísque ingeridos passam à frente dos nossos olhos, como um ultimatum divino. É que Deus também tem os seus limites e já deve estar mais que farto de aturar as minhas ressacas, ai eu, juro pelas mamas da Nossa Senhora que não volto a beber. E já se sabe que um gajo não gosta que falem assim da mãe do celebérrimo filho, por muito virgem que seja a mãe e crucificado o filho. Basta! disseram também ao uníssono a vesícula e o fígado, coitados, não há peça do corpo que resista a esta entrega desenfreada à boa vida de bares e unzinhos sem complexo de culpa, que eu bem posso ter estudado num colégio de freiras mas nunca me arrependo do que faço, com a fortuna que me custou ter esta reputação de bêbeda nas tascas de Madrid!
Assim que com a Hola! em mão (cada um tem a sua Bíblia) e a determinação exclusiva dos que renegam o pecado para sempre, olhei para esta Sodoma e Gomorra que me rodeia e dediquei-me à sincera pratica do desporto, porque algum dia tinha que lutar contra a preguiça congénita. Claro que cada um tem as suas actividades físicas favoritas, conforme o sexo, a educação e um pessoalíssimo sentido do ridículo e a mim, que querem que lhes diga, o fato de treino fica-me de puta pena, como una patada en los cojones, porque não há nada mais anti-tusa que uma mulher de t-shirt folgada e umas calças de algodão azul. E só há uma gaja no mundo mundial cujo rabo fique perfeito dentro de um malliot de licra: a Cameron Diaz. O resto são mentiras piedosas e gordas a suar nos ginásios.
Portanto, cada uma faz o que pode e eu cá pratico a única coisa que sei fazer sem suar e não faltando ao respeito à estética em geral: lamber a televisão enquanto passam os campeonatos masculinos de ginástica nos Jogos Olímpicos. Que pena que aconteçam só de quatro em quatro anos, oyes, não há gaja que não caia do sofá cada vez que um desses atletas, perfeitas encarnações de Apolo, saltita pelo chão com uma graciosidade divina. Se fazem aquelas coisas nas paralelas, melhor não pensar que surpresas reservam para o leito conjugal. Ai.
Claro que Mr. Pinherio, esse poço inesgotável de paciência e amor eterno, não acha tanta piada a que a minha baba inunde a nossa sala com cozinha incorporada, mas eu não tenho culpa que as selecções femininas de ginástica artística estejam compostas por anãs de quinze anos, que nem têm mamas nem têm nada. Ou que as nadadoras australianas sejam perfeitas mulas capazes de arrancar a cabeça a quem lhes chame de gordas. Que procure outra fonte de desejo, do género das saltadoras em altura ou recordistas dos 10.000 metros marcha. A mim de certeza que não me faltam, entre as finais de trampolim e o poldro estou mais que entretida.
Nada como o desporto para deixar de beber!


Terça-feira, Agosto 17, 2004

Hoje sinto-me do mais alcista, assim como o preço do petróleo, descontrolada total e ao ponto de provocar mais uma crise mundial, mas sem as implicações geopolíticas do costume, que uma mulher não está para entrar em conflitos internacionais só por causa de uns quantos milhões de barris de crude por dia. Porque hoje, e ao contrario do mercado de derivados, acordei do mais positiva, alheia de todo aos indicadores macro e às previsões de abrandamento na zona euro. Claro que a minha performance normalmente está indexada ao comportamento de variáveis tão imprevisíveis como o tempo, os bares que continuam abertos no Verão ou nova colecção do Karl Lagerfeld para a H&M. Coisas da vida e da inflação real, deve ser isso.
E nem a leitura da triste realidade social na imprensa rosa lusitana é capaz de mandar abaixo a confiança desta humilde consumidora, indiferente total que sou a que os resultados da sexual-life dos nossos vip’s em Vilamoura tenham defraudado públicos e privados. E compreende-se, pá, que quando um País tem um José Castelo Branco como benchmark da jet-set, é muito fácil que a Caras e a Lux passem rapidamente a ter uma rentabilidade negativa, por muitas previsões que os analistas internacionais tenham feito neste sentido. Porque se não se tem a conta o risco “são-sempre-os-mesmos-do-costume-a-aparecer-nas-revistas” não há expectativas que resultem, nem quem tenha pachorra para as sempre excitantes aventuras do Marcelo Rebelo Sousa nas praias do Algarve. Como investidora com perfil de risco médio-alto, exijo que se lance ao mercado um programa de televisão cuja valorização final esteja associada a um escândalo sexual baseado na performance de um desconhecido entre um cabaz de dez antigas beldades pátrias pré-seleccionadas nos puticlubes do Cais do Sodré. Te cagas en las bragas, tia, êxito assegurado. Se os poderosos ouvissem as minhas indicações, Portugal não só entraria no G-8, como as consequências para a produção industrial e as vendas a retalho seriam do mais sorridentes. Não sabem o que perdem estes gajos.
Mas eu, dizia, não deixo que este enquadramento contagie a minha conjuntura emocional, que para alguma a coisa a tenho. Hoje sinto-me como um fundo de obrigações de taxa fixa: após rentabilizar a minha exposição à cerveja de barril de triplo rating, ó surpresa, não só capitalizei os efeitos diuréticos da cevada como que já me cabem outra vez as calças justas do ano passado. E é que não há melhor investimento para uma mulher que aquele que ajuda a perder dois quilos em Agosto. Está dito.


Sexta-feira, Agosto 13, 2004

E depois admirem-se se acabo os meus dias alcoólica perdida

Quinta-feira, Agosto 12, 2004

Querido Público,

Lamento informar, mas o jovem casal Pinheiro também tem os seus podres, que a gente é comósoutros, mas mantendo sempre a formas nos restaurantes e sítios públicos, pobres mas educados. É que há muito povo que adora mistificar assim os terceiros e se não pomos travão no assunto ainda nos nomeiam a casal do ano, e isso é que não, que somos um matrimónio totalmente alheio às pressões do público em geral e dos media em particular. Nos dias que correm, nada como preservar a intimidade para logo processar alguém por atentado à honra e o caneco. Por algum lado se tem que enriquecer.
Por exemplo, nestes exactos momentos estamos a atravessar uma fase tramada, pá. Claro que a culpa desta treta toda é dele, como sempre, que de tanto mamar propaganda do Império* (vid Canal História) começou a comportar-se como um yanqui conquistador de espaços alheios, assim, sem autorização da visada, o sea yo misma, ou do direito internacional ditado pela comunidade de vizinhos. De tanto seguir em directo os discursos do partido republicano americano, o meu amor ficou abduzido pelo espírito opressor capitalista e, pimba, toca lá de lançar a campanha preventiva nos meus espaços sagrados: o que começou como um espalhar lento de boxers e meias encima da minha mesinha de cabeceira logo se transformou numa arrogante atitude em contra dos mais básicos princípios da urbanidade. Camisas penduradas na porta do quarto, sapatos na sala, quilos de tishertes no chão ao lado do armário, um nojo e um total desprezo às recomendações do bom senso e das visitas que entretanto deixaram de aparecer por medo a serem estranguladas por um pull-over vingativo. Nada lhe afasta desse seu caminho de isolamento social, mas arrumação népia e a roupa a reproduzir-se pelas esquinas da nossa casa de quarenta metros quadrados.
Mas já se sabe como somos as gajas, umas putas todas, por isso, em defesa da minha sanidade cutânea (a mental há muito que se perdeu), respondo com o terrorismo doméstico, que é a única linguagem possível quando o gajo lhe dá por se armar em porco invocando a genética, olha, olha, tudo explicado com a descoberta do genoma humano. Pois.
E como o terrorismo é uma coisa muito séria, eu cá opto pelo método das minas anti-pessoais, neste caso malas anti-pessoais, situadas estrategicamente no corredor criado entre o sofá e a aparelhagem, toma lá a ver se te estampas assim, meu querido. A casa, tudo seja dito, mais parece a Zara em saldos, de tanta mala que há sobre a mesa da sala, a televisão, o fogão e as cadeiras desdobráveis do Ikea. Para descobrir umas calças, o meu querido já criou um mapa realmente complexo com coordenadas temporais à mistura, que para isso Mr. Pinheiro é um homem inteligente e muito criativo. A gata Lucrécia, coitada, é que já pediu por escrito voltar a casa da avó materna, nem o espacinho de cagar dela respeitamos.
E nisto estamos, caro público, com a cozinha impossibilitada com tanta merda temos que nos alimentar fora de casa, em tabernas infectas e tão convidativas ao pifo conjugal. Assim andamos os dois, com uma ressaca de cavalo, agarrados ao medonho café solo espanhol e sempre correndo para a casa de banho.

Acho que hoje finalmente tudo voltará à normalidade. Não por desistência das partes ou acordo de paz assinado em beneficio das minorias gatunas. A nossa adorada Adriana, a doméstica mais paciente do Universo da Mulheres-a-Dias finalmente pôs fim às suas férias.
Deus existe e vive em Madrid.

* copirraite de Mr. Pinheiro, que passa o dia a dizer que lhe copio as expressoes, chato.

Quarta-feira, Agosto 11, 2004

Momento Masturbatório (ou como fazer feliz uma mulher nos dias que correm)

Uma gaja não ganha para sustos, um dia dou por mim a ser eleita Ministra das Gajas pelos Mega-Magnificos Marretas. E eu, babada, claro, com o meu querido a limpar-me os queixos de babette, que o sofá custou um balúrdio e não há Marretas que paguem a limpeza do cabedal italiano.

Outro, a famosíssima Charlotte, sempre lider dos topes desta coisa que é a blogosfera, olha para mim e linca-me, toma lá para não te armares em esperta. E eu, com o coração aos saltos e fé em Deus, que por alguma razão se é católica, para agradecer estes quinze minutos de fama bloguística.

Mas isto... ai, que a gente já não tem o ego para tanto sobressalto… Agora vou empapelar-me com a impressão total do Blogue do Aviz e correr pela Gran Via como uma possessa…

Isto é como ir ao cabeleireiro, ficamos com o feeling de gaja boa, moderna e gira, mas grátis e sem o paleio com a esteticista que nunca acerta com a merda do penteado.

(Sorry, mas também uma Rititi tem o direito a ser vaidosa)

Terça-feira, Agosto 10, 2004

Querido Blogue,

As minhas amigas fufas, super devotas elas da depilação brasileira e do movimento de anca do Ricky Martin, entre viagens ao Brasil e compras de ultima hora no Mercado de Fuencarral, ainda arranjam tempo para assistir às anuais reuniões internacionais de feministas, que pelos vistos é dos sítios onde melhor se engata nestas alturas do campeonato lésbico. Enfim, sinais dos tempos, troca-se o romantismo do soutien queimado pela esfrega da mama de silicone, que as minhas amigas bem podem ser fufas mas de estética sabem muito. E elas, que comigo se confessam porque sabem que não há segredo que consiga guardar, estavam em estado de choque total, assim como estupefactas do ego feminino, fora de si e muitos mais etecéteras que impliquem surpresa. Um fim-de-semana em contacto com feministas portuguesas e quase que dissecavam a fufice, tal o espanto causado pelos discursos das lusitanas.
Coitadas, estas fufas espanholas, tão habituadas a uma vida de delírio igualitário, que quando são confrontadas com a pequenez mental do grelame luso nem se acreditam no que ouvem. E eu, claro, toca de explicar que não, que por Portugal no que calha a igualdades as coisas ainda são a preto e branco, dois canais e missa diária. Que o feminismo é coisa que por cá não foi assimilado como no resto desse mundo global.
Que uma gaja estude e trabalhe, pague impostos como um homem e mude o óleo ao carro com as próprias mãos sem medo ao estrago da manicura, que fale em público vestida de gente séria e exerça por esse mundo fora de directora geral é uma coisa, que para isso foram escritas a Constituição e as leis penais, mas no mundo privado, de portas para dentro, a cantiga é bem diferente. E isso as minhas amigas fufas não percebem, não atingem que dentro de casa a mulher trabalhadeira se transforme nessa esposa perfeita, jantar pronto e os meninos com banho tomado e na cama depois do tele-jornal e conta lá meu amor, como correu a reunião com os camionistas, espera só que arrume a cozinha, estenda a roupa e deixe um recado à mulher-a-dias, queres um conhaque enquanto vês o resumo dos melhores golos da liga sueca?
Porque há duas mulheres ainda em Portugal, e não há convénio laboral que se oponha a que a mesma funcionária seja depois a mulher privada que os homens sempre quiseram e que as gajas adoram ser, a irrepreensível dona de casa, a que nunca envergonha o maridinho, com o frigorífico cheio e a exuberância de outros tempos bem guardada, que para isso te casaste, para te comportares como a senhora que a tua mãe sempre foi. Cruza as pernas, senta-te direita, não rias muito alto, ele sempre tem razão à frente dos amigos, melhor fala só de compras e saldos, escolas e vómitos dos meninos, sim meu amor, não quero beber nada e quando te apetecer, deixa-me em casa para ires às putas com os teus colegas.
Pobre Portugal, quando a mulher ainda se agarra com a vida ao machismo mais ostracista, elas que têm medo de perder essa identidade de avental e a loiça lavada, papel que tão bem assentou durante séculos e agora, que fazem elas? Como levar essa vida dupla, de reuniões de manhã e cigarros com os colegas, elas que querem demonstrar ao cônjuge que afinal também são as ideais gestoras da economia doméstica? Como conjugar o passado de solteira e bezana ao fim de semana, festas universitárias e engates de madrugada, elas que agora aspiram à família numerosa e ao crédito habitação? Apagando da memória os anos passados, a gaiata gira e bem disposta que um dia foram, e negando-se a acreditar que outra maneira de viver é possível.
Fodido, este Portugal, em que as próprias mulheres se defendem frente aos avanços dos tempos com a desculpa desse role que no fundo lhes incomoda, mas que lhes assegura queca semanal e reconhecimento social, que é o que importa, senhora de e sem apelido de solteira.
Não admira que as minhas amiga fufas tenham cancelado o feriado em Lisboa
.

Segunda-feira, Agosto 09, 2004

Querido Blogue,

À falta de praia, country club ou piscina no telhado, o jovem casal Pinheiro aproveita o fim-de-semana de Agosto para emigrar para a serra, como qualquer contribuinte madrileno, em bicha na auto-estrada e sem complexos de classe média. Depois do que eu passei para obter este bronzeado, horas debaixo do sol grego ao ponto do cancro da pele, nem que me tenha que besuntar com óleo para fritar batatas que por cojones me mantenho morena até a chegada da infelicidade do Outono. A minha pele há-de cair quando o fizerem as folhas das árvores do Paseo do Prado, a Dios pongo por testigo.
O meu amor, talvez possuído pelo espírito olímpico, ainda se atreve a propor uma manhã de desporto e expulsão de álcool do organismo, ó minha querida, não gostavas imenso de andar de canoa? Mas eu nego-me rotundamente, até que os cayaques não venham com cinzeiro e mini bar de série eu não me atrevo a por o meu corpo em tal instrumento do diabo, sabe Deus como sou alérgica ao exercício físico fora do leito conjugal. Uma vez tentei transformar-me numa exemplar jogadora de basquetebol e acabei expulsa em plena final universitária por fumar debaixo do cesto das adversárias. De nada serviu explicar ao árbitro que o único sítio possível para assistir a um jogo era à sombra e ao lado da musculada claque masculina. Coisas que acontecem quando se quer lutar contra a natureza humana. Lo que no puede ser no puede ser y además es imposible.
E deitada na relva sobre o meu pareo estilo Ibiza, óculos escuros de cem euros e um sentido do dever inquebrantável, o importante é ter a certeza que uma piscina nas montanhas bem podia ser uma praia das Caraíbas (das ricas, género Saint John, que para Republicas Dominicanas não fomos feitos os leitores de Gonzalo Torrente Ballester), ora tosta a mama, ora tosta o rabo, juro por os pelos da minha virilha que não voltarei a estar amarela.
Mas o ruído da família de suburbanos que me rodeia, com a avó celulítica a repartir tortilla de patatas aos netos mais parecidos à menina do exorcista, afasta-me maleficamente do meu sonho de verão. Se queres ficar morena sem ter vontade de te suicidares com uma overdose de cloro, o melhor é emulares o conde drácula e esconderes-te num ataúde de solarium, que os raios uvas sempre respeitam o silêncio de sábado pós-laboral.
Centenas de crianças demoníacas, berrando à volta deste meu corpo esculpido à base de gins tónicos, dão-me vontade de trazer de volta o meu tão adorado Rei Herodes, herói dos que prezam o descanso acima de todos os bens terrenos. Berros estereofónicos, atropelos à minha paz interior, pontapés ao meu calo, pior é impossível. Peço ajuda a quem está obrigado por contrato a tratar da minha saúde mental, mas já se sabe que quando um marido está concentrado num jogo de gamão fica automaticamente inutilizado para o homicídio infantil.
E as mães dessas pequenas feras? Porque não me livram de levar com bolas de voley na cabeça? Míralas, las muy putas, a fumar ducados como possessas, ignorando a minha infelicidade, nem o El País sou capaz de ler. E elas, felizes, para um dia que se podem estar a cagar para esses monstruinhos de meio metro não se vão estar a chatear. É para isto que se têm filhos? Para que os cidadãos que ainda vivemos num mundo ideal sem infantários e cáries infantil sejam infernizados até ao infinito? Para quando uma lei de protecção ao sossego, para quando valium obrigatório no cerelac? É hoje que arranco os ovários à dentada!

Ainda bem que o bar da piscina estava aberto. E que o restaurante argentino tinha mesas livres para jantar. Só um bife de chorizo, duas garrafas de vinho tinto e uma intoxicação de uísque com gelo me devolve à normalidade urbana.
E o domingo, passado em casa, não há quem me obrigue a aturar os filhos dos outros, cum caralho!

Quinta-feira, Agosto 05, 2004

Querido Blogue,

La envidia es una cosa muy mala, oyes, já me dizia a minha Mãe mais querida, que disso sabe muito. É que a minha Mãe é uma coisa assim como a Isabel Presley do Alentejo, a Grace Kelly das quintas com cavalos, um clássico da elegância do sul da península com direito a legião de fans entre a comunidade gay com sotaque de Badajoz. Um ídolo para jovens com pretensões a chiquérrimas e uma fonte inesgotável de inveja para as velhas gordas e celulíticas da Extremadura espanhola. Ou seja, um horror para uma filha. Uma gaja tem a esperança ingénua de algum dia se parecer à progenitora e esse dia que nunca mais chega, cada vez mais longínquo, mais irrealizável, una verdadera putada, vamos.
Que a nossa Mãe seja mais bonita, mais bem vestida e mais rica que nós, ainda vá que não vá, mas que seja mais alta, que dance melhor e que nos arrume a um lado às oito da manhã numa festa, nós de pés desfeitos, e ela radiante dentro de um conjunto da Prada, depois de ter encantado o resto dos convidados com um charme que só os eleitos por Deus possuem, ó pá, isso dói cá nos interiores do ego feminino em continua construção. Não há estudos universitários que compensem o poder da simpatia natural. E só nos resta viver com a consciência que nunca brilharemos com luz própria, qual tristes planetas dependentes da estrela que irradia a luz mais forte. E, claro, o terror à banalidade, a não ser nunca uma pessoa completa e genial, assalta-me nesses momentos em me toca partilhar a vida social com a rainha dos corações ao sul do Tejo, que eu cá até penso no meu futuro e nunca me vejo rodeada de bajuladores e escravos que me idolatrem até à morte.
Mas a gente habitua-se. Sobretudo quando o resto da casa compõe a constelação dos mais bonitos e maravilhosos da galáxia familiar. Uma irmã linda, metroitenta encima de qualquer sandália de saltos impossíveis, um mano mais parecido a uma estrela mediática que a um jovem pós-adolescente, um pai poço de santa e católica paciência e uns cães com mais personalidade que qualquer funcionário das finanças, são razões mais que suficientes para me entregar a uma vida de anti-depressivos misturados com álcool etílico. Basta acordar com indícios de uma noite de desenfreada dedicação ao uísque para me apetecer fazer a estética ao corpo inteiro quando confrontada com um mundo de perfeição e traços de deuses do Olimpo.
O meu querido, a tudo isto, procura-me uma clínica de repouso, antigos manicómios, se calhar internada passa-me tanta estupidez adquirida e complexo de baixinha, ele que me acha genial e sempre impecável, boa pessoa e um charme de mulher. O que faz o casamento e o amor verdadeiro

Terça-feira, Agosto 03, 2004

Ai, o verão, quão inútil é para o desenvolvimento do intelecto humano! Quantas horas passadas debaixo do guarda-sol de uma marca de gelados, numa praia qualquer infectada de crianças aos berros e velhas em fato de banho preto, o cérebro a fritar só capaz de se mover à pala de um entusiasmante livro de palavras cruzadas. Que excitantes esses momentos de depilação com pinça, esse rebentar das borbulhas das costas, esse espreitar as mamas da gaja boa na toalha do lado, se a minha mulher fosse assim outro galo cantaria.
E a Rititi, socióloga do alheio, não quer deixar de contribuir ao pastanço da mente e por isso oferece em exclusiva o derradeiro teste do Verão 2004. Para viciados em inquéritos e automóveis eis o que todos querem saber, mas não se atrevem a perguntar: A QUE CARRO (dependendo do status) PODE VOCÈ ASPIRAR. Porque há muito boa gente que comete erros brutais à porta dos concessionários e a culpa não pode ser sempre do crédito concedido.

1 - Chegou a hora de decidir o lugar onde passar os mais que merecidos quinze dias de férias. Escolha sinceramente uma das seguintes opções:

A) Eu e a Constança, por indicação do Lourenço, também sócio no Clube 7, não resistimos e vamos para um Resort-tudo-incluído em Varadero, Cuba. Vai daí e ainda pode ser que dê para conhecer as delícias das nativas, sempre dispostas a oferecer (por 5 euros) o que a Constança me nega o ano todo!

B) As férias são sempre passadas no parque de campismo da Costa da Caparica com a minha esposa Claudette e os meus adorados rebentos Nelson, Ruben e Soraya na roulotte dos meus sogros. Ai, que belas patuscadas com os meus cunhados e aquele simpático casal do Barreiro, os Sousas!

C) Pelo que li na Bíblia, a Vogue americana, este ano deveria SEM FALTA dar um salto a Capri, que estão lá todos os que vivem na fantástica borbulha do mundo do show business. Como não tenho um tusto, vou a Ibiza, que também não está mal e posso sempre estrear o meu pareo da D&G que vinha com a Marie Claire de Julho.

D) As férias de Verão são um sub-produto do império capitalista da direita reaccionária e fascizoide que oprime o livre arbítrio do espírito esclarecido e cultivado nos ensinamentos de Sartre. De todas as maneiras nunca falho ao Festival Internacional de Musica Étnica para o Desenvolvimento dos Povos Oprimidos em Poiais da Serra.

2 - O seu livro para este verão que nos ocupa é:

A) Estou desejando ler as memórias de José Maria Aznar, esse grande estadista. Até não ser traduzido para o português, vou agarrar-me ao Ecuador, um must, tal como me disse o Lourenço lá no Clube 7. A Constança anda feliz com o último da Margarida Rebelo Pinto, que eu leio habitualmente na MaxMen. Tem imeeeensa piada.

B) A minha esposa comprou-me no Continente, junto com as cadeiras de plástico para a roulotte, as memórias do Mourinho, que tanto admiro. Ela vai-se ficar pela Ana Atrevida, mas duvido que entre as preparações dos petiscos e mudar a fralda à minha sogra lhe sobre muito tempo para ler.

C) Que pergunta tão tonta!!! Ora bolas: vou levar comigo a Vanity Fair, a Vogue australiana, a Hola (para reconhecer os famosos), a Dazed e a vida da Jackie Kennedy!

D) Como qualquer intelectual que se preze, levo na minha mochila soviética treze livros escritos em francês, que não percebo muito bem de que tratam e que ficam sempre bem para engatar uma jovem de esquerdas e pouco depilada. Mas espero ter tempo no Festival para poder ir mandar um fax entre dois pinheiros enquanto leio em segredo a Bola.

3 – Uma noite de sexo louco e selvagem é passado com:

A) A Fernanda Serrano, sem duvida, ela de fio dental da Intimissimi e imitando o strip da Kim Bassinger. Se for com uma anónima, pelo menos que tenha madeixas loiras, me trate de por você e viva na Lapa ou no Restelo.

B) A minha esposa, se possível, e num daqueles motéis de requinte com espelhos no tecto e musica picante. Já estou nervoso só de pensar na minha Claudette com roupa interior com rendinhas pretas. Ai.

C) Noite? Ninguém verdadeiramente in tem sexo de noite. Que raio de teste, mas já que estamos nisso, só passaria uma manhã com alguém realmente famoso (no estrangeiro e não neste Portugal de azeiteiros e buços por depilar)

D) O sexo é uma invenção da classe média vitimazada pelo pensamento único das telenovelas brasileiras, verdadeiro ópio do povo, esfomeado da verdadeira cultura pré-25 de Abril. Mas ninguém me tira os meus momentos de consolação solitária com a foto daquela actriz que fazia de lésbica nas Mulheres Apaixonadas.

RESULTADO DESTE BREVISSIMO MAS ELUCIDATIVO TESTE:

- Respostas maioritariamente A: Você é um pseudo-beto, um pretendente a cagão de Cascais, com o intimo sonho de que lhe chamem de tio nas noites em Vilamoura. Todos sabemos que gostaria de ter uma carrinha Mercedes ultimo modelo, mas ao máximo que pode aspirar, por falta de charme e de posses, é a uma carrinha Skoda Octavia de segunda mao. Paciência.

- Respostas maioritariamente B: Caso você o ignorasse é o que se pode chamar Bimbo, chunga, piroso, polaco, domingueiro, casposo. Lá nos seus interiores, você babava-se por ter um Audi TT como um jogador do Benfica. Desengane-se, ao máximo que pode sonhar é a possuir um Golf, o único automóvel que dignifica o povo.

- Respostas maioritariamente C: Como já deve saber, você é um caso clássico e documentado do fashion victim de Odivelas, sem um tostão, mas difícil de contentar. Para casos como o seu foi inventado o aluguer de carros. Assim pode sempre ir à ultima sem ter que pagar o imposto automóvel cada trimestre.

- Respostas maioritariamente D: A vida de um jovem intelectual de esquerda como você no século 21 é muito traiçoeira, sempre a ser tentado pelas benesses da pequeno-burguesia. Lute! Aspire a viajar pelas nossas estradas num Renault 4, o jipe dos pobres. Se não tem para o seguro, seja corajoso e mexa-se só em transportes públicos. Verá como deixa rapidamente de acreditar nas maravilhas do comunismo.

Para a semana, mais um fabuloso teste!

Segunda-feira, Agosto 02, 2004

Querido Blogue

Tristeza não tem fim, férias e dinheiro sim… chacha, y lo agustito que estaba una com sestas de duas horas, pijama e penico, ai meu amor, que bem que se está nesta ilha grega. E ele, que chega-te para lá que estás a ocupar a cama toda, e toca de ressonar, que os almoços nas tabernas de Skyros são cá de uma intensidade…
Curiosos estes gregos, perdidos entre a memória clássica e a história turca (que contará mais?) debatendo-se entre queijo feta e uma nova descoberta arqueológica que impede a construção de casas e algum progresso, e eles a verem-se gregos para chegar a algum lado.
Ai, a história, quanto pesa quando é escrita com maiúsculas, e afinal tanto mito, que foi dele? Que uma gaja vai de férias à procura do Apolo e mais não encontra que pequenos otomanos chungosos e bigotudos, mas quem de verdade sofreu foi o meu Pinheiro, confrontado com aquele brutal festival de celulite, um homem tem os seus limites visuais. Isto é o degredo das gordas! pois é meu amor, aqui as Vénus já não nascem de ostras, há muito que da rebentação das ondas não sai mais que um mexilhão radioactivo.
É que os mitos já não são o que eram, que lhe perguntem ao Bobby Ficher, ontem no tope mundial do xadrês da guerra fria e hoje transformado num lunático de tres al cuarto. Mas o que me doeu nos fundos da alma foi saber que a Martha Stewart é uma ladra, essa líder das donas de casa do Ohio afinal também mente com os dentes todos. Uma mulher já não pode ir de férias sem ter um ataque às noções básicas do urbanismo, dasse.
E agora, entregada a este Madrid de 45 graus à sombra, derretida a massa cinzenta de tanto calor, que saudades reais daquela espécie de Alentejo erguido no mar Egeu, eu que tanto tinha para descansar, que curtas foram as noites gregas. Casas de cal, as lajes das ruas limpas, que próximo é o sentido da limpeza dos povos pobres, e os homens sentados nos poiais azuis na tardinha preguiçosa enquanto as mulheres sobem e descem, atarefadas nesse mundo em câmara lenta.
Ai, meu amor, liga o ar condicionado, tira-me deste filme de autocarros urbanos e os cinco minutos que sempre faltam para tudo, leva-me de volta aos fins de tarde de gin tónico e pop grego, histerias vocais tão parecidas às espanholas, meu amor, devolve-me ao sonho de que é possível viver de livros e peixinho frito.
Ai, a tristeza que não tem fim…