Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

Querido Blogue,

Porque Mr. Pinheiro é algo mais que uma personagem da blogosfera, agradeço a Deus por o ter cruzado comigo naquela noite de Novembro. Uma maravilha e um prodígio, este loiro de voz perfeita.

"Olá Doutor

Houve alguém, um dia, que me disse que um Homem não é o que faz; comprei a sentença e até passei a notar que quando se pergunta a alguém pela profissão, a resposta, invariavelmente, começa por «Eu sou...».

As opiniões são como as verdades científicas - têm validade aprazada e mudá-las, com ponderação, quase sempre resulta num qualquer avanço. Digo eu, claro...
Nunca partilhei o "ideal" de que o trabalho liberta (aarghh!), mas descobri, nestes meses que vivi entre parêntesis, que a falta dele tolhe: um Homem não é o que faz; mas se não faz nada, há uma parte dele que vai mirrando devagarinho. Parece que a Vida, sem Obra, é mais pequena e baça.
E que, afinal, faz sentido e não é à toa que quando somos infantes queremos «ser» [quando formos grandes] médicos, polícias, astronautas ou, se já formos prosaicos, herdeiros.
Por pouco mais que diversão e curiosidade, espreitei há tempos as ofertas do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEPF). A febre de classificação das profissões é de tal ordem que seguramente terá saído de um colégio de imaginações borbulhantes de crianças traquinas.
Ele há designações radicais, que mais parecem feitas para James Bond do passado - SOLDADOR A ARCO EM ATMOSFERA DE GASES INERTES OU DE ANIDRIDO CARBÓNICO -, paredes-meias com outras, mais "bucólicas", como o fidelíssimo e poético FIEL DE ARMAZÉM.
Para os que sempre aspiraram a ter massa, ou pelo menos a mão nela, os estetas do IEPF fazem questão de propor meteóricas carreiras a OPERADORES DE BETONEIRA e a ESPALHADORES DE BETUMINOSOS; e não esquecem aqueles que gostam de trabalhar "por objectivos", como os SOLDADORES POR PONTOS, nem os que são mais finos e não exercem o seu mister com qualquer porcaria, como os CARPINTEIROS DE LIMPOS.
Há também lugar para os mais indecisos, que não vêem clara e precisamente a sua posição num futuro maizoumenos imediato, de que é exemplo o PADEIRO, EM GERAL. Parece-me, aliás, justo: por quê condenar alguém, logo nos primeiros anos de profissão, a laboriosos trabalhos com croissants em série para o resto da vida? Estes tipos têm olho, Doutor! «Vá, força! Agora és padeiro em geral; se te aplicares, podes especializar-te em mil-folhas - e em cada uma delas!» No capítulo das designações esotéricas, o imparável CONTÍNUO [que o eufemismo desdobra em AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO] é o que mais interrogações me coloca. Haverá, à laia de concorrência, um INTERMITENTE? Se houver obras, correrão o risco de passarem a Descontínuos? Pintá-los-ão de amarelo?... Uma inquietação, Miguel, uma inquietação...
Aos que sempre gostaram de brincar com o fogo, ignorando olimpicamente avisos maternais de xixis certos na cama, o desafio assenta que nem uma luva de amianto - que o digam os MAÇARIQUEIROS e os FOGUEIROS DE CALDEIRAS A VAPOR, que forjam carreiras a altas temperaturas.
Há ainda os catitíssimos PORTA MIRAS (não confundir com porta-minas) e, na HOTELARIA, os MANDARETES - sempre enche o olho num business card e evita os rubores complexados de "moço de recados". Para o fim, deixei ficar duas profissões a que um dia, ainda neste Espaço e neste Tempo, aspiro ascender: o CORTADOR DE CARNES VERDES e o obscuro e semi-demoníaco MAGAREFE!

E o Doutor, o que quer ser quando for grande?

Avé!
alter-lego

PSOE - Há quem nasça com o rabo virado para a Lua; eu, salve-se a devida distância e profundeza da metáfora, terei nascido com a Lua no dito: após vários meses de intensa procura de trabalho - e quando o subsídio de desemprego estava prestes a terminar - recebi uma oferta para trabucar em Madrid. Ponto final à vida entre parêntesis, portanto.”

Mais maravilhas como esta, no que foi a melhor fábrica de escrita em português, o Pastilhas.

Sexta-feira, Janeiro 28, 2005


Mulher, estás farta de fingir que A-DO-RAS todos os manifestos suicidas de Bergman? Hasta el chocho de aturar os pincéis depressivos dos Magnetic Fields? Até quando suportarás que te falem da magnitude dramática dos anestesiantes autores dadaístas????

BASTA!!!!! Aqui reclamo, ó saudoso grelame pátrio, pela libertação da Soraya de Jesus que todas levamos dentro! Fora complexos intelectuais, mulher, deixa que a tua sopeira se manifeste nos corredores dos hiper mercados nacionais!!!! Con el chándal y mis tacones, arreglá pero informal, arriqueitan y olé!

E assim se inaugura, caras e maravilhosas leitoras, a nova secção Rititiniana:

MOMENTOS GINA, PORQUE EU MEREÇO!

Porque há momentos-gaja aos que não devemos virar as costas, porque a sociedade não tem o direito de nos retirar as horas mortas a espremer borbulhas em frente ao espelho ao som do best of da Gal Costa. Porque já estamos fartas que a banalidade feminina seja vista como um pecado. Porque Barbra Streisand é o remédio perfeito para as crises hormonais. Porque comer pipocas com gin tónico a ver telenovelas mexicanas é uma bênção de Deus e qualidade de vida. Porque a pirocise liberta o espírito e refresca a pele.

Inaugura-se a secção, meninas, com o duo mais hortera, bimbo, kitch e delicioso do panorama musical espanhol:
Andy y Lucas!

Son de amoreeeeeeeeeeeeees,
Amores que mataaaaaaaaaan, amores que ríen,
Amores que lloran, amores que amargaaaaaaaaaan.
Son de amoreeeeeeeeeeeeees,
amores que engañan, amores que agobian,
amores que juegan, amores que faltaaaaaaaaaan.


Me encanta, tú, y a la Jenny que me habita ni te cuento, chacha, que son de amoreeeeeeeeees!
Que os Momentos Gina deixem de ser vícios inconfessáveis!
Por um Portugal mais feminino e descomplexado, Vota Rititi!!!!

(já agora, que alguém me ensine a por musica nesta merda)

Quinta-feira, Janeiro 27, 2005


Única solução possível para evitar a cabrona da onda de vento polar que até os pintelhinhos congela: Mentir, Mentir, Mentir!!!!

Estou doente, ai eu, não posso sair de casa, ai as cruzes, ai o ranho, cof, cof, meu patrão me perdoa, ai os meus peitos tão pequenos e tão pequenos imperfeitos...



E ficar em casa. Era o que mais me faltava, porra, que com este frio não há cojones que valham!


Terça-feira, Janeiro 25, 2005


Post-homenagem ao melhor blogue português alguma vez escrito, lido e pensado mas que por razões misteriosas não é actualizado desde que a Maria Madalena teve o primeiro período.

O Sapato da Gata Borralheira.

Sapato de vidro não chora, cristaliza-se. É o que me safa. Da minha vida como calçado das deslavadas heroínas da Disney só tiro os proveitos da conta bancária na Suiça. E agora, a dois telejornais de entrar para a reforma, preparo-me para escrever a minha autobiografia. Eis a esperada vingança. Podres, calos, unhas encravadas, odores a queijo de Serra, nada ficará de fora das páginas que revolucionarão as mentes mais pacatas.
Porque o público merece saber a verdade. Precisa ser elucidado sobre a palma do pé mais escura das vedetas dos sonhos animados da infância. Todas cheiram mal dos pés. Todas fingem calçar um número menos. Todas escondem os joanetes da fama e do barulho das luzes da ribalta.
Mas Ela é a mais hedionda. Uma mimada, a Diva com os pés de barro. De todas a mais cabra, a mais inumana. Destruiu uma família inteira de sapatos de vidro oriunda da Boémia só porque deixavam transparecer os pelos do dedo gordo do pé direito. Puta. Ninguém lhe servia, nenhum salto a consolava, como se o destino do calçado fosse embelezar umas pernas defeituosas à nascença. E que tornozelos tão gordos, Ó Deus!
Eu era ainda uma jovem chanata quando a conheci, sonhador e com a biqueira cheia de esperanças e ilusões, até que ela as pisou, desprezando as capas da minha alma. Sofri como ninguém o andar altivo de quem anseia acabar os seus dias a comer perdizes no Palácio Cor de Rosa do Reino da Fantasia. Nunca mais fui o mesmo: ainda acordo durante a noite, encharcado em suores frios, ao recordar como me humilhou ao perder-me de propósito nas escadarias do Palácio do Príncipe Encantado. Todo o Mundo Civilizado viu como me abandonou, solitário na que se suponha ser a minha saída triunfal do Baile. Fui obrigado a sofrer os patorras porcas das Feias Irmãs Malvadas, e aí, confesso, quase me despedacei em mil pedaços. Tudo para a sua glória. Tudo para que a Abóbora se transformasse de vez no Ferrari que a tirasse do quotidiano das panelas sempre por lavar. E enquanto a menina desfruta da Fama do Para Sempre Jamais, eu, coitado, ganho pó nos armazéns da memória. Mas por pouco tempo, devo ser paciente.

Cindarela, o teu reinado está prestes a acabar. Terás noticias minhas, juro pelo espírito eterno de Manolo Blahnik.



E agora vê lá se te deixas de paneleirices e te pões a escrever.



Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

OUTROS DIALOGOS POSSIVEIS
(Série Almodovar)

Em pleno Inverno, Chus Lampreave e Rossi de Palma (mãe e filha e inimigas genéticas por falta de homem) tentam aniquilar-se na cozinha da casa do subúrbio com o faqueiro de prata da família. Coisas de gajas encalhadas e com demasiadas horas de visionamento da vida de famosos na televisão privada.
Ao tocar o telefone, as duas abalançam-se para o agarrar, sempre na esperança que o Príncipe Encantado esteja ao outro lado da linha.



Chus Lampreave: Tou? Tou?
Rossi de Palma: Quem é? Dá-me o telefone!
C. L.: Tou? Não ouço nada, mas sou viúva e bem conservada!
R. de P.: E eu sou virgem! Quero um marido!
C. L.: Rititi? Aqui não vive ninguém com esse nome.
R. de P.: É um homem? Diz-lhe que não tenho celulite e que me entrego por amor y por lo que haga falta!
C. L.: Mas quem é essa Rititi? Ah... pois, tou a ver... É conhecida, ah, sim, entendo.
R. de P.: E cozinho lindamente e sou muito dada ao sexo em grupo também.
C. L.: Mas é muito famosa ou mais ou menos? Ai sim? Sim, sim, já lhe ponho cara.
R. de P.: Dá-me a merda do telefone, velha asquerosa. Esta pode ser a minha última oportunidade!
C. L.: Ahhhh. Já sei, que despiste. Intimas, olhe, conheço essa senhora lindamente. Unha e carne, amigas do peito a Rititi e esta que lhe atende o telefone. E eu que não sou nada de falar da vida de outras, até lhe digo mais, conheço-a como se fosse minha filha, uma simpatia.
R. de P.: Velha dum raio. Sempre igual, assim que aparece uma famosinha da treta ignoras-me, trocas-me por uma achega de fama. Por tua culpa fiquei para tia, para vestir santos e com o tempo todo do Mundo para a minha solidão vaginal.
C.L.: Olhe desculpe, agora tenho que desligar. Tenho que arrancar os olhos à vaca da minha filha, que além de bastarda me infernizou os anos frescos e jovens. Sabe, eu até era bonita e de bom ver, mas claro, fiquei prenha de pai desconhecido e por isso ninguém me quis. Olha, desligaram. Viste o que fizeste, sua vaca, sua parasita?
R. de P: Eu? Eu? Sempre eu!! Puta e mais que puta, se não fosses tu eu já me tinha casado!

E assim se vive na cozinha do subúrbio, sem homem e com as mágoas no frigorífico.


Sexta-feira, Janeiro 21, 2005

RITITI EDUCA O POVÃO (#20)

NÃO HÁ DESCULPA
(ou vamos lá dar mais uma volta à questão levantada pela Vieira)


Porque a banalização é a maior praga deste nosso mundo bem pensante de merda. Porque não se deve esquecer. E porque o crime não deve ser tratado como uma brincadeira adolescente.
Porque Harry Windsor* é o terceiro na linha sucessória para se tornar o Chefe de um Estado democrático. Porque a avó desse imbecil é a máxima representante da Igreja Anglicana. Porque Inglaterra perdeu milhares de homens e milhões de libras na defesa da liberdade na Europa.
Porque o Nazismo foi o crime mais hediondo contra os valores que fundaram a sociedade ocidental. Porque a cruz suástica lembra que a mesma nação que pariu Kant e Bach benzeu o ódio racial, intelectual e religioso. Porque a amnésia histórica permite que a intolerância sobreviva no nosso quotidiano.
Porque não há desculpa possível para uma cagada deste calibre, muito menos vindo de quem tem o dever histórico e institucional de venerar a memória de milhões de mortos.


E quem não perceber isto que reveja as imagens de Auschwitz. Se calhar também as acha muito engraçadas, coisas de miúdos parvos.

*Actualização: Harry não é um puto como os outros. Nem tem direito a sê-lo. Que abdique se o que pretende é dedicar-se à masturbação da sua estupidez em público.

Quarta-feira, Janeiro 19, 2005




Farta de que me vendam adolescentes escanzeladas, sem borbulhas e pneus como modelos de beleza a seguir, hasta el coño de sapatos com biqueira assassina e saltos de vertigem e, sobretudo, porque amanhã começo mais uma formação filha da puta, decido que me likes disto, da campanha que a Dove promove para a real beauty.

Porque a estas alturas do campeonato, pá, a verdadeira beleza é a minha. E a da minha mãe. E a da Toka que está prenha. E a da minha Mana que se pode gabar das curvas mais estonteantes que se passeiam por Lisboa. E a tua, cumcaralho, e caga lá para a merda das dietas, dos cremes e das cintas, que la vida son dos días e não estamos para aturar disparates de estilistas, modistas e cagões de merda que não têm mais nada que fazer que passar o dia a vomitar.

Ou porque se não envelhecemos é porque morremos cedo demais.

Terça-feira, Janeiro 18, 2005

Mas alguém tinha dúvidas?

Siamese
You are a Siamese! You are fun-loving, playful,
energetic, talkative, and exotic. You are the
center of attention and you love every minute
of it.
What breed of cat are you?

Com a licença da Ana, que ainda tem a imensa pachorra de me enviar crónicas ao domingo.

Segunda-feira, Janeiro 17, 2005

Querido Blogue,

Segunda-feira e outra vez o mesmo frio no coração e no autocarro – sinais dos tempos e da necessidade de uma mulher de ser arrancada da cama a horas ordinárias para levar o pão à boca. Antes muerta que sencilla, e lá vou eu com a cabeça enfiada no jornal caminho do desespero e do computador. Ai coño, passa-se uma página e cruzam-se as pernas metidas na saia curta cor-de-rosa choque com pretensões adolescentes, que para encarar os mesmos gajos que nos impinge o quotidiano o melhor é ir gira e com uns saltos de vertigem. Outra página e este mundo está tarado, que raio de noticias e quem me manda ler algo mais que a ¡Hola! e os blogues dos meus amigos. A imprensa séria deprime-me, e antes que muerta que sencilla, porra para este otoverme natalício cantado por uma criança com ar de puta precoce que não me sai da cabeça.
Acidentes laborais, atentados no Iraque, a Letizia que não engravida, a Grécia multada pelo déficite e o Plan Ibarrarretxe dando por culo, que é como os espanhóis expressam o mal-estar de uma pátria segregada por egoísmos e filhos da puta que se aliam com terroristas. Se querem ser independentes tudo bem, diz-me uma mãe com três crianças fardadas sentada ao meu lado antes de sair na paragem de Ortega e Gasset, mas que continuem a chupar da boa vontade do Estado, por aí não passo. Quem paga impostos a tempo tem direito a expressar o que lhe vai na alma. Mais uma página e entre a foto de uma criança abandonada e a noticia de mais uma mulher assassinada pelo namorado, lá está o grande avanço da ciência, da tecnologia e da luta contra a natureza:
uma velha de 67 anos pariu um rato, ou uma criança com um quilo, não vejo diferença. Aleluia, somos deuses, somos o que quisermos, e a quem lhe apetecer ser mãe que pague um tratamento de fertilidade. Reverte-se a menopausa, incham-se os ovários de hormonas, que não exista no planeta mulher sem o direito à maternidade. Custe o que custar. Morra quem morrer, neste caso o outro gémeo que trazia no ventre. Avé Maria Puríssima, sem pecado concebida, e que feliz é a senhora, enrugada e gasta, mesmo que daqui a dez anos deixe orfão um filho por um capricho do fim de vida.
Admiro-me que as organizações Pró-Vida, a Igreja Católica e os defensores da procriação em geral não berrem contra esta aberração. Porque a mim parece-me uma cabronice de primeira que uma idosa submeta uma Vida a um sonho tardio, a uma vontade da terceira idade. Que acontecerá a esse filho quando chegar à adolescência e a mãe estiver presa a uma cadeira de rodas? Quem tem direito a roubar a infância a uma criança? A Ciência? A taradice? A vaidade de passear um bebé no parque ao domingo?
Que hipócrita este nosso mundo de valores ranços, digo-me enquanto desço do autocarro. A eutanásia - que não é mais que a expressão ultima da nossa humanidade – não ultrapassa o tabu mental dos políticos, incapazes de a expressarem no foro dos debate parlamentário. O aborto é mais pecado que direito e a adopção um calvário que pode durar uma década.
Mas ninguém se insurge contra as maravilhas da Ciência, ninguém se atreve a questionar os milagres do Homem. Mesmo que se matem nasciturus para chegar à Utopia se sermos deuses por um dia.


Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

RITITI EDUCA O POVAO (#19)

... Voltar à terra.



... Jantar no São Rosas



.... Dormir em casa.




(Estremoz, Alentejo, Portugal)

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

OUTROS DIALOGOS POSSÍVEIS
(Série Almodóvar)



Verónica Forqué: E compraste alguma coisa nos saldos? (aiiiii, cuidado, pá, mais devagar). Desculpa filha, este gajo é um brutamontes.
Camen Maura: Impossível, nem imaginas a plebe que havia à porta da Gucci. Bichas de pobres, todos ansiosos por uma mala a trezentos euros. Que falta de pachorra.
V. F.: (Uff, ufff, aiiiii, porra, mas achas que ISSO é um buraco?). A democracia é um nojo, de facto, chega Janeiro e qualquer marmelo acha-se com direito a vestir Carolina Herrera. O mundo está perdido.
C. M.: Velhos tempos, que saudades, quando só os ricos podíamos calçar Manolo Blahnik.
V.F.: (Mas precisas de um livro de instruções ou quê, cum caralho? Dasse que queca mais mal dada). É por isso que me meti a puta. Quando as referencias se diluem e os valores se confundem, o melhor é entregar-nos ao sexo.
C. M.: Vou-me andando, que tenho a sopa ao lume e a roupa para estender.
V.F.: Vai filha, que isto está atrasado. Depois passo pela tua casa e vemos o Big Brother VIP que começou ontem.
C.M. : Finge lá o orgasmo e despacha essa merda.
V. F.: Até logo então e que a Força esteja contigo.

Terça-feira, Janeiro 11, 2005



Uma mulher não é de ferro. E o seu ego ainda menos. Pois.



Acho que me apaixonei pela linha editorial do Tal & Qual. Grande Jornal, oh yeah!


(com um beijinho grande para o Gonçalo Pereira, que não assina mas devia)


Segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Querido Blogue,

Neste país desenvolvido e orgulhoso do deficit Zero, nesta Espanha de masturbações nacionalistas e monarquias contestadas, aqui mesmo e só no ano de 2004, morreram 72 mulheres às mãos de maridos, ex-amantes, namorados e cabrões vários com ou sem anel de casamento no dedo. Setenta e duas pessoas foram assassinadas só por serem mulheres, pela sua condição feminina. As idades não provam nenhuma teoria sócio-cultural, se temos em consideração que a vitimas tinham entre os 88 e os 15 anos, nem as nacionalidades, pois todas as que alberga esta terra de emigrantes e emigrados tiveram direito à sua mártir. Nem se desculpam os defensores da dependência da mulher ao salário do macho protector porque neste macabro desfile de mortes encontramos donas de casa, secretárias, mulheres-a-dias, funcionárias, estudantes ou empregadas de pronto-a-vestir, arrancadas à vida por todos os meios que os seus verdugos encontraram no caminho. Apunhaladas, asfixiadas, mortas pela pistola ou caçadeira de cano cerrado, encharcadas em gasolina e queimadas à frente dos filhos, atiradas pela janela desde um sexto andar, degoladas, estranguladas e atropeladas, eis o fim de mulheres cujo único erro foi perdoar a primeira bofetada.
Apesar de todos os meios jurídicos, policiais e sociais que o Estado (sem cor politica, pois o que o PP começou o PSOE tem rematado com diplomas tão necessários como a Ley Integral) tem posto ao serviço das mulheres, as mortes não acabam. Multiplicam-se. Não há telejornal sem um cadáver, sem que a expressão “violência doméstica” apareça algures entre um descarrilamento de comboios com cinquenta mortos no Bangladesh e a vitória do Betis no Camp Nou. O Terrorismo de Género tornou-se banal para os meios de comunicação e não pela omissão da brutalidade dos assassinatos. Em horário nobre são descritas as macabras perseguições dos homens às suas presas, as chantagens, as visitas ameaçadoras mesmo com ordens judiciais de não aproximação, os telefonemas fora de horas, os insultos. Não há vizinha que não diga que o assassino era um tipo violento e que a vitima já tinha feito queixa à polícia duas ou três vezes. Graças a estas mortes não há esquadra sem um psicólogo especializado em maus-tratos, nem juiz que se atreva a ilibar um marido por faltas físicas.
Então o que corre mal? Porque, em pleno século XXI se continua a permitir que uma menina de quinze anos seja assassinada pelo namorado de 18?
Porque contra o Machismo não há lei que valha. Contra o machismo de nada servem os telefones directos a uma patrulha da polícia, nem os Euros que o Estado gasta em propaganda institucional de consciencialização. As mortes prevêem-se em casa, onde o ensino dos valores de igualdade e respeito deveria ser obrigatório. Mas não é. O Machismo, por triste que soe, é transmitido pela mulher, paradoxalmente a sua única vítima. Cada sociedade tem a sua burka: na nossa pode não ser tão descarada, mas é igualmente perigosa. O role da mulher limpa, obediente e sempre disponível para o macho é transmitido pelas mães, tias e vizinhas, que não deixam escapar uma oportunidade para fazer reparar à menina qual o seu papel no mundo: olha que parece mal, olha que uma menina fina não fuma na rua, olha que se te queres fazer respeitar não te dês a qualquer um, e cruza as pernas, não digas palavrões, não dês nas vistas. E já viste a Cláudia, que pouca vergonha, entra e sai quando quer, e olha como veste, dizem que namora com um homem casado. Tu, minha filha, nunca sejas dessas que respondem aos homens e lhes trata por tu. Tu, arranja um marido e mantém-te no teu sítio, sem dar estrilhos. Porque o homem não gosta. E se o teu marido não quer que saias à noite, não o faças, e se ele disser que não é importante o que tu dizes, é que não é, e não o provoques, que do que um homem menos gosta é que lhe encham a cabeça. E tem paciência, filha, que a bofetada foi sem querer e alguma coisa deves ter feito tu, já sabes o feitio que tem o coitado.
Até que o Machismo deixe de ser feminino, de nada valerão todas estas mortes. Serão esquecidas. E as leis de pouco servirão.


Sexta-feira, Janeiro 07, 2005

RITITI EDUCA O POVAO (#18)

(Sinais que o nosso Mundo está perdido)

Alexandre o Grande, o Magno, o aluno de Aristóteles, o General implacável, o Aventureiro, o Amante, o Mito erótico de gerações...



NAO PODE SER LOIRO TINGIDO!!!

Mas está tudo maluco?

Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

YA VIENEN LOS REYES
con el aguinaldo,
les parece mucho
y le van quitando
pampanitos verdes,
hojas de limón,
la Virgen María,
madre del Señor.



Mosaico de San Apolinar Nuovo (Rávena)

Vou-me embora.

Volto quando me fartar de brincar com os presentes que os Reis Magos me trouxerem hoje à noite.

Ou não. E eu sei lá.

Terça-feira, Janeiro 04, 2005

Querido Blogue,

Ai, a Blogosfera.... esse lugar onde os grandes temas da actualidade nascem, se reproduzem e dão lugar a inestimáveis debates de uma profundidade intelectual assombrante. Política internacional, racismo, direitos dos animais, tamanho da pintelheira e agora isto:
a pornografia e os efeitos nas relações homem/mulher .
Procura o meu querido Victor as razões pelas quais as mulheres parecem abominar os filmes porno. Antes de começar aqui a abardinar e a cuspir tiradas feministas, eis uma consideração primeira: tem a pornografia género? Pois tem. A pornografia é masculina, ou pelo menos a que nos impingem no Canal 18 e no Sex e mais não sei o quê. Senão vejamos.
Eis o típico filme porno: Uma Gaja Loira (GL), de unhas quilométricas, mamas imensas, salto alto e vestindo unicamente uma combinação de renda preta, está em casa. À espera. Batem à porta. É o canalizador (C).
C: Boa tarde.
GL: Ó que surpresa. Estava mesmo a precisar de ser desentupida.
C: Pois. Chupa-ma.
O Canalizador tira a roupa. A Gaja loura também, excepto os sapatos de salto alto. Fornicam um bocado com direito a planos aumentados do pénis de C, sexo oral (único beneficiário o Canalizador) e alguma dose de equilibrismo (da gaja). De repente uma amiga, também ela loira (GL2), de unhas quilométricas, mamas imensas, salto alto e vestindo unicamente uma combinação de renda vermelha, sai do quarto do lado.
GL2: Ó acordei agora da sesta.
C: Então chupa-ma.
Inexplicavelmente o que a GL2 está com vontade de fazer é lamber o grelo à GL. Quinze minutos depois chega o Pintor (P).
GL2: Ó que surpresa estava mesmo a precisar de uma restauração facial.
P: Então chupa-ma.
O C e o P fornicam durante mais meia hora com as duas loiras. Contra qualquer lei da física, curiosamente, não se tocam entre eles, enquanto as loiras se lambuzam, chupam-se e roçam-se para deleite dos gajos.
A história acaba com cinco minutos de sexo anal (beneficiárias as gajas) e uma explosão de esperma (únicas beneficiárias as gajas).

Realmente, não compreendo porque as mulheres são tão pouco fãs da pornografia: Somos tratadas como indivíduos com vontade própria, com desejos independentes das fantasias masculinas. (Pois). Segundo estes filmes, o sonho de qualquer gaja é envolver-se com um canastrão analfabeto, mas tremendamente dotado, e passar cinco horas num jogo de mete-saca e agora chupa sua cabra. Para a industria porno nenhuma mulher quer comer dois gajos ao mesmo tempo, nem acha tremendamente erótico ver como esses sementais se lambuzam, nem sequer é possível que seja ela a tomar a iniciativa na cama (ou no sofá, ou na banheira ou no corredor da casa).

Ou então a pornografia (como a entendemos) infelizmente é masculina. Acho que prefiro as telenovelas.

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005



Propósitos para 2005 que, se as coisas continuarem assim, não passarão disso, de propósitos inúteis e possivelmente transferíveis para 2006.

- Aproveitar os Domingos para passear de mão dada com Mr. Pinheiro pelos jardins, parques e centros comerciais da Península e deixar, de una puta vez, de beber, comer e fumar até à exaustão. Ir trabalhar Segunda-Feira de ressaca não é bom, pois não.
- Começar a fumar só a partir das onze de manhã, de estômago cheio e, já agora, sem ressaca.
- Comprar um massajador para os meus pobres pés, também eles vítimas das minhas ressacas.
- Compreender que se começo com as cañas antes de almoço, como com vinho tinto, bebo café com gin tónico e janto sushi regado de sake, ao mínimo que posso aspirar é a carregar com uma ressaca imunda durante uma semana.
- Confessar-me com o meu padre favorito enquanto bebo umas cervejolas para expiar as ressacas.
- Parir e assim deixar de ter vida, vontade de sair e beber copos e nunca mais ter ressaca.





BOM ANO NOVO.
AI.