Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

London sensations

Jantar pastéis de bacalhau, o aperitivo mais caro da lista, num charmoso gastro-pub em Camden Town.
Que mania, essa de dizer que os bifes comem mal, pá.


Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

MOMENTO GINA: SACA A PEQUENA BIMBA QUE VIVE DENTRO DE TI

Londres, Londres, Londres...

A National Gallery, o Big Ben, o Natural History Museum, Soho, a Tate, moda, tendências, Picadilly...

Mas o que eu quero MESMO ver é ISTO



Delicioso, o altar... Hoje só tem deus que não quer.

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

DIAS ASSIM ATÉ COMPENSAM A RESSACA

- A minha mana-mai-linda-có-soli-caté-fere-a-vista passou o exame da Câmara de Comercio Francesa. Quando aprender a tocar piano não há homem que se lhe resista.
- Os telhados de Madrid acordaram ontem cobertos de neve. Engraçado como o Natal pode voltar a menos de um mês da Páscoa.
- A Ciência, como o Papado, não é infalível. A Toka, afinal, está prenha de um grelinho e Nicolás parece não ser o nome mais apropriado.
- Londres já esteve mais longe. Já mandei vir as libras, o guarda chuvas e duas pintas. Há prendas de aniversário que só Mr. Pinheiro pode dar.
- Sonhei que David Caruso, esse insuportável canastrão, era sodomizado à bruta pela forense. E gostava. Já enjoa o moralismo beato deste enconado que nunca mais se acama com a cunhada.
- Llegó el líder de la 'Premier' a Barcelona con aires de suficiencia, pero la arrogancia se quedó en esperpento. Adoro ver vaidosos medíocres com mania que são gente a levar no pelo. Pois é. Bem feito, ninguém te mandou sair de Setubal.


Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005



DOIS ANOS NA MARRETADA!!!!



Y yo con estos pelos...


Parabéns, meus queridos Marretas.

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005


João César das Neves, o Profeta

A nossa obsessão pelo prazer carnal está a destruir a sociedade e a criar a decadência, como criou noutras sociedades. O nosso tempo é um tempo de excessos. A falta de regras passou a ser uma coisa normal. O resultado está à vista. A nossa sociedade não é mais feliz, porque se entregou completamente ao prazer carnal.

Ai, o prazer da carne, o deboche, a perversão da mente, a entrega do corpo ao gozo infinito... João César das Neves, o Sábio, preocupado com a extinção da espécie humana, fala no Independente de sexta-feira passada dos perigos dos tempos modernos. A masturbação, a educação sexual nas nossas escolas, a homossexualidade, o fim da família, o preservativo, a pedofilia ou o aborto, tudo causado, segundo o novo Profeta, pela libertinagem. A mesma falta de moral, diz, que acabou com outros impérios, levará à hecatombe o nosso sistema social. Voltaremos à gruta, à escuridão do pecado, à macaquice, à vida sem regras em que vivíamos antes do aparecimento da Grande Igreja Católica.
Independentemente das crenças religiosas ultra-fundamentalistas, respeitáveis por serem do foro privado, o que mais chama a atenção é o que um homem como João César das Neves, professor universitário e economista reputado, ponha na devassidão sexual a culpa do fim de civilizações que dominaram o mundo. Os Impérios caem por muitas razões, não porque se foda mais que o aconselhado pelos bons costumes ou fora dos períodos férteis da mulher católica. Roma sucumbiu pelo desrespeito absoluto ao Estado e ao Direito, permitindo que as fronteiras caíssem em mãos de bárbaros que depois constituiriam as primeiras nações cristas. O Império Castelhano, onde nunca se punha o Sol, desmoronou-se porque não se produzia, porque se habituou a consumir todo o que vinha, grátis, das colónias. O Grande Império Britânico foi vítima da prepotência que lhe impediu ver como os súbditos americanos inovavam as técnicas vindas da metrópole e que graças a isso foram capazes de começar a andar sozinhos. Mas para este Vidente Sodoma e Gomorra deixou de ser uma metáfora: os Sete Pecados Capitais consolam quem precisa de preceitos morais mais elevados que o resto dos mortais.
A obsessão pela carne já não é só dos maus, dos outros, dos impuros. O sexo parece ter entrado pela casa do Profeta e onde existe o prazer o Sábio só vê pecado e perversão. O mundo afasta-se da Santa Mãe Igreja e ele está cá para nos avisar do terrível castigo que se abaterá sobre quem nega a contenção da carne. Com as lentes e a arrogância dos que jamais ofenderam o Senhor, João César das Neves observa os sedentos do deboche com a sobranceria de quem tem a boca cheia de uma verdade que ele considera ser a divina. A família está pelas ruas da amargura, há suicídios e divórcios, os deprimidos vagueiam nas cidades, e tudo porque o ser humano fornica, entrega-se aos excessos como se não houvesse amanhã. Masturbam-se as crianças, os paneleiros reivindicam direitos, os matrimónios católicos usam o preservativo: a decadência está servida e não há quem pare o fim do mundo.
Mais perto dos predicadores de seitas brasileiras com visões apocalípticas, João César das Neves, o Profeta, esquece que o ser humano diferencia-se dos bichinhos pela consciência do prazer que retira do quotidiano. E dentro do quotidiano está a sexualidade. Mas não só. Comer, dançar, pecar, exceder, fumar, cometer erros, blasfemar, cortar as veias, beber, cagar-se em Deus, ter medo, duvidar. A sede de prazer que tanto odeia este Santo Homem vem do medo de quem não pode conter os seus instintos e por isso se refugia na abstinência. E os outros devem ser medidos pelo mesmo padrão. Mesmo que sejam felizes e que o seu Deus goste disso.


Considerações Eleitorais
(poucas, poucas)

Cá se fazem, cá se pagam. (E agora chora, mas com razão, palhaço).

A Vieira, do Controversa Maresia, faz UM ANO!!!!

Até o Javier ficou com calores...



Felicidades, querida, y que cumplas muchos más!

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005

MOMENTO GINA: É DISTO QUE AS GAJAS GOSTAM

Lutas pelo poder, bastardos arrivistas, infidelidades e invejas, esquemas e segredos, sexo, muito sexo, jóias caras, criadagem bisbilhoteira, mentiras entre cônjuges, primos interesseiros, parentes que procuram um quinhão da herança, virgens casadouras, segredos de alcova, confessores que se intrometem em politica, sócios descontentes, superstições perigosas, sonhos de grandeza, uma mulher sofredora.


A telenovela da 5?
O Conselho Administração de um banco familiar?
Nada disso: A Biografia da Isabel a Católica!!!




Histórias cíclicas, ai, ai, que o mundo não muda.

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

DA UNICA MANEIRA QUE EU SEI VIVER:



As eleições mais rascas da história já são este Domingo? Pues aqui las espero!

Cinco graus de máxima em Madrid? Arriquitán, quién ha dicho frío?!?

A ETA quis voltar a matar? Dale gitana, dale y que se jodan!

O meu chefe é um totó de merda? Bien, bien, a disfrutar, que la vida son dos días...


... CON UN PAR, COÑO!!!


Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

Querido Blogue,

A nossa Esquerda Lacoste, aquela que debate no Lux a legalização da eutanásia, o casamento poligâmico e a obrigatoriedade de aulas de educação sexual na pré-primaria, vibra desde domingo passado num êxtase só comparável à inauguração de um novo restaurante dos donos da Travessa. Porque finalmente, graças às leis da física e da justiça cósmica, a coitada da Irmã Lúcia descansa em paz para regozijo dos legítimos guardiães da liberdade de escolha que com a notícia quase atingiram o orgasmo cívico. Nos últimos tempos os intelectuais livres de qualquer anacronismo místico tinham-se batido pela libertação da religiosa, clamando aos Céus e ao eleitorado falto de uma campanha decente, a injustiça da reclusão pelos vistos ilegal duma senhora cujo único pecado foi jurar que tinha visto a Mãe de Cristo pendurada duma nuvem. A nossa Esquerda Moderna fez cartazes, campanhas divertidas e até mandou imprimir algumas t-shirts para que os simpatizantes da causa mostrassem o repúdio à clausura obrigatória com um vodka tónico na mão. A vida, segundo a Esquerda bem-pensante e proprietária de Volkswagen Golf, é para ser desfrutada nas ruas do Bairro Alto e nunca no silêncio da hora do terço.
Porque é giro, está na moda e dá votos gozar com tudo o que não seja táctil e imediato, mofar-se com a expressão última da nossa humanidade: a reclusão voluntária, a prisão dentro dos muros da oração, a dedicação aos bolinhos conventuais e à plantação de orégãos no jardim do convento. Para os devotos do ócio e da globalização via e-mail é impensável e absurdo que uma mulher se entregue a Deus sem mais razão que a fé na vida eterna e a redenção dos pecados da Humanidade.

No caso de Lúcia as explicações, conforme as teorias da Esquerda Moderna e viciada no sushi da Bica do Sapato, as razões definitivas da clausura desta freira são externas, políticas e mafiosas, consequência da gestão nefasta da religião pública e oficial dos tempos em que Portugal vivia a preto e branco. E assim a Irmã Lúcia, de virgem e analfabeta, passou a ser a mártir favorita de quem não acredita em Deus, o bode expiatório da falta de fé desta sociedade esfomeada de sabedoria mas incapaz de acreditar que a religião pode libertar o espírito e dignificar a existência de quem acredita na vida após a morte. As aparições de Fátima devem ser negadas, estupidificadas, elevadas à categoria de histeria colectiva própias do Terceiro Mundo e da ignorância cega. A espiritualidade só cabe aos imbecis e a nossa Esquerda Moderna tem o dever de libertar o povo de tamanho fardo.
Não sei o que me enoja mais: se a beatice tonta da direita que aproveita a morte de uma freira para fins eleitorais se a demagogia bacoca duma esquerda que trata aos católicos como anormais profundos.


Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

FAZER ANOS COM ESTILO NAO É PARA TODOS:
- OU COMO SOBREVIVER À RESSACA POS-30 -



Ai. Ai. Ai. E mais ai.

(e obrigada a todos os que com a sua viagem a terras alentejanas contribuíram para este meu estado deplorável)

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

MOMENTO GINA: O TRIUNFO DO AMOR

Era uma vez uma Princesa muito loira, muito bonita e muito virgem que se casou com um Príncipe Encantado, o mais valente do Reino, o que melhor montava a cavalo. Um belo dia, depois de ter passado mais uma jornada a atirar moedas de ouro aos pobres da aldeia em frente aos jornalistas, a Princesa Loira chegou ao Castelo e encontrou o Príncipe nos braços flácidos da Bruxa Má. A Princesa, desolada, começou a vomitar e a fazer queixinhas aos anõezinhos gays amigos, que a consolavam convidando-a para desfiles de modelos e fins-de-semana nos Alpes suíços. Estava tão triste, tão triste que de nada lhe serviam as viagens em iates de trinta metros rodeada de herdeiros de outros reinos e cantores de musica pop. Odiava a Bruxa Má, e não era capaz de entender como o Príncipe a tinha trocado a ela, a mais popular e a mais alta do Reino, pelas tardes de caça com aquela velha enrugada, pela pintura naturalista na Provença e a limpeza de cavalos de raça. Porque o Amor, segundo a Princesa Loira, era uma história de luxo e jóias, nunca um serão a ler poemas. Uma noite de Agosto aquela Princesa tão loira, tão bonita e que se tinha casado tão virgem apagou-se num túnel e foi feliz para sempre na memória dos súbditos.
Mas as fábulas por vezes têm outros finais. O Príncipe Encantado vai-se casar em Abril com a Bruxa Má, divorciada, com dois filhos e sua amante durante trinta e cinco anos. Não há melhor Amor que o que resiste ao histerismo dos contos de fadas.



Gostas, Diana?

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005



NO PASARÁN!!!!!

Fazer 30 anos. Porra, já não tenho idade para isto.

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005

A Campanha Eleitoral está de volta !!!!!

(ou meninos Marretas aceitem lá esta simpática coligação)

VOTA RITITI, POR UM PORTUGAL COM COJONES COR-DE-ROSA

Ministério do Staile: Urge a criação deste Ministério no nosso Pais de chungosos e fans de la Redoutte. Finalmente o buço das portuguesas será punido com a prisão preventiva indefinida. As botas de cunha serão confiscadas pela Brigada Anti-Bimbas e a conjugação calça de sarja/camisa branca da Zara proibida por decreto-lei. Pena máxima para aquelas almadenses que se lembrem de usar os óculos escuros (imitação Gucci) como bandolete. Ministra por direito divino: Miss Texas 84.

Ministério do Ordenamento do Consumo de Psicotrópicos: Por uma livre e gratuita erva-dose diária, pela plantação de cannabis nos vasos das suburbanas lusas, pela substituição dos Morangos com Açúcar pelo Space Cake, vota Rititi. Chiribitis nos postos de trabalho e nas filas dos transportes públicos. Ministro indigitado: Bruno

Ministério das Gajas: Porque ao nosso Portugal o que lhe falta é engate sem complexos. Por uma livre circulação de fluidos íntimos sem restrições de espaços nem horários. Acabaram-se as noites na solidão do lar à frente da PS2, com este novo Ministério todos os portugueses terão direito à sua mulher de sonho com entrega gratuita a domicilio de loiras, morenas e asiáticas. Ministros por petição primeira: Os Marretas. Criação da Secretaria de Estado para o Sexo em Grupo, cuja responsabilidade cai sobre Victor Lazlo

Ministério da Portugalidade: não teremos mais vergonha de sermos o cu da Europa, de sermos os pobres e bigotudos portugueses alvo de chacotas e anedotas. Que se fodam os espanhóis, os bifes e os italianos. Fados na teve do Estado, bicas para todos, lusitanidade já!!! SG Ventil obrigatório nas escolas publicas e tremoços nos hospitais da Segurança Social. Ministro: Jack the Niple.

Ministério de Férias: Estamos preocupados pelo pouco tempo livre das nossas mulheres trabalhadeiras. Muita limpeza da casa, muita hora no escritório e depois andam assim, com a pele feita um nojo e as pernas sem depilar. A futura Ministra para os Spas a Vieira, promete free viagens para os Resorts luxuosos sem limite de tempo e plafond no cartão de crédito. Nativos bem dotados para todas as portuguesas, com sessões prolongadas de massagens e o que for preciso. Para as mais aventureiras, cria-se a Secretaria de Estado das Viagens de Longa Duração e Aventura em terras de mosquitos. Para que não se sintam alones, vem um Indiana Jones no kit de férias

Ministério da Cóltura Compulsiva: A nova Ministra Charlotte será a responsável pela alfabetização das classes operárias, criando campos de concentração intelectual para o povo viciado em Quim Barreiro. Com a ajuda do Secretario de Estado da Literatura Livre, Pelejao, os contos de Woody Allen serão obrigatórios para aceder a um emprego nas fabricas de calçado pátrio.

O meu gabinete mais íntimo estará composto aliás pela Secretaria de Estado para a Maledicência, que se encarregará de difamar, insultar e ultrajar qualquer opositor às minhas brilhantes ideias, apoiando-se na ajuda das Juventudes Rititinianas. O meu colhão direito será responsável pela recepção de novas ideias, aceites a troco de cheques chorudos e anónimos. Recordar aos eleitores que graças aos dinheiros pub(l)icos terei um belíssimo ordenado e não trabalharei jamais, assim como a minha adorável Mana, que se dedicará à caça de trilionário sueco. Mr. Pinheiro, será o Rititi com Sorte, para bem do Pais que a Rititi tem que andar feliz e bem servida.

Mas lembrem-se: o importante aqui é vencermos esta corrida ao Poder e, sobretudo, apagar para sempre o nome do inútil (bla, bla, bla) do Santana Lopes. Portugueses e Portuguesas, a Rititi precisa dos vossos votos!


Sábado, Fevereiro 05, 2005

Recadinhos e afins:

Pede-me o primo Paulo (do Pinheiro) para mandar cumprimentos ao Francisco por ser um senhor e, sobretudo, um grande portista.

Curioso destino para uma alentejana benfiquista e eterna vítima da bombástica e pouco digerível francesinha.


Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

MOMENTO GINA, PORQUE EU MEREÇO

Qual a melhor telenovela? Gabriela Cravo e Canela? Roque Santeiro? Vila Faia? Los Ricos también lloran?

Pues no. A melhor de todas, todas, a mais divertida, a mais chunga, a que mais emocionou Espanha algures pelos anos 90 foi esta:

CRISTAL



Cristal é uma jovem virgem, incrivelmente bonita e muitíssimo ingénua, crescida num orfanato (tópicos, tópicos), que é descoberta como modelo, pois a sua beleza (claro) é única. Curiosamente (puta da vida) em vez de passar directamente às passarelles de Milão ou Paris, apaixona-se de um rico herdeiro, Luís Alfredo, que a emprenha e a abandona por uma milionária. Cristal, desfeita, rejeita o caminho do luxo e da riqueza e entrega-se à serventia em casa, oh meu Deus, da sua mãe biológica, Victoria, que é má como as cobras com a criada Cristal, mas que continua à procura da sua filha abandonada pela Venezuela fora. E porque a vida é um mar de lágrimas, a coitada da Cristal leva a gravidez em segredo, contando com única ajuda das freiras do orfanato. Duzentos episódios depois, Luís Alfredo e Cristal, reencontram-se, fazem amor numa cama cor-de-rosa e juram amor eterno. A criança de Cristal nasce com laços pindéricos pegados à cabeça e toda a América do Sul adopta essa moda, para desespero de Carolina Herrera e a Casa Balenciaga. Mais cento e cinquenta capítulos e os apaixonados descobrem que são irmãos. Todas as personagens da telenovela sabem que na verdade Luís Alfredo é filho de uma aventura extra-matrimonial do marido de Victoria e que por tanto não há riscos de consanguinidade. Mas Cristal mete-se a freira e Luís Alfredo renuncia ao luxo e ao bigode. Dois anos depois, e num final épico que toda a Espanha recorda melhor que o 23-F ou a assinatura do Tratado de Niza, a mãe de Cristal redime-se, a Luís Alfredo nasce-lhe o bigode de repente e Cristal ganha o Premio Elite Model Look, as freiras gravam um disco e Hugo Chaves dá o golpe de Estado.
Não é delicioso?

Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

Querido Blogue,

Hoje, a mais de seiscentos quilómetros de casa, acontece que me dói Portugal. Uma dorzinha que não mata nem mói, mas que dá azia, instalou-se encima do estômago, entre a alma e a vontade de comer bacalhau cozido com todos. Ser português não é fácil. Que despreocupação a dos espanhóis, tão plurinacionais, tão dados a debates no parlamento que duram oito horas, Espanha sim, Espanha não, y tan contentos que se quedan, oyes. E que inveja dos ingleses e da Rainha e da caça à raposa, e que respeito que têm pelo hino e as ex-colónias. Quem me dera ser americana e orgulhosa da minha bandeira estrelada, os gajos que invadem o que for preciso que para isso são o bastião da democracia e liberdades interplanetárias.
Mas não, tocou-me a lusitanidade no bilhete de identidade e assim tenho que viver, envergonhada cada vez que abro as páginas dos diários electrónicos nacionais a mais de seiscentos quilómetros de casa, porque nem direito tenho a ler em papel o que acontece para lá da fronteira do Caia. Portugal não existe mais que dentro dos limites mentais de quem nunca sai do seu bairro, onde se come bem e se bebe melhor.
Dói-me Portugal e o seu desleixo crónico com os que saíram, dói-me o umbiguismo e a mente pequena de quem desgoverna uma terra de emigrantes que enviam remessas de poupanças e saudades. Os que não estamos é porque não queremos, e somos condenados à musica pimba e ao Portugal no Coração via satélite. Pá mear y no echar gota, vamos, e jovens gestores, cientistas, filósofos e historiadores são obrigados a ganhar o pão e o sotaque longe da terra e dos pastéis de nata.
Dói-me Portugal e o destino que nos espera, empurrados que vamos por uma classe politica de merda, comichosa e com tendência ao boato e à metáfora medíocre. Uns são de colo, outros de senhoras, e até há quem se legitima pelo número de filhos que pariu a esposa, porque mulheres na política, está bem abelha. Política macha, que diria a Inês Pedrosa, y a quien coño le importa que o feminismo seja visto ainda como uma excesso de hormonas e falta de peso. O que tu queres sei eu, obrigada RAP pela a melhor caricatura do macho pátrio.
Dói-me Portugal e as contas mal feitas, amostra de contabilidade criativa e do pouco respeito à noção do Estado que somos todos, sempre à rasquinha para chegar ao fim do mês e ao limite orçamental, enquanto clubes de futebol, autarquias e mafiosos de província se beneficiam de produtos de investimento à medida e do sigilo bancário, tabu politico e símbolo da inércia mental dos partidos reféns de egoísmos e vivendas com piscinas de mármore.
Hoje, sentada em frente ao computador, não há quem me convença que Portugal está melhor que há vinte anos, hoje que o endividamento das famílias lusitanas atinge o 90% da riqueza ganha com ordenados precários e próprios do terceiro mundo. Hoje quero que me adopte um Estado que aprecie o meu trabalho, as minhas potencialidades, que respeite o meu direito a ser mãe e trabalhadora, mulher e bebedora, que não me prenda a uma ideia de feminilidade própria do islamismo.
Hoje, a mais de seiscentos quilómetros de casa, sem um café decente que beber e longe da minha língua, procuro a minha pátria nos cabeçalhos dos jornais on-line portugueses. E não vejo mais que tristeza mental e desrespeito a quem compõe uma nação com mais de oitocentos anos.