Terça-feira, Março 29, 2005

PEQUENO APONTAMENTO DE FINAIS DE MARÇO

De manhã tenho frio e saio de casa vestida como se fosse caçar focas ao Polo Norte.

À hora do bocadillo do meio-dia, tiro o casaco de malha cor de rosa que tanto jeito deu em Novembro mas que agora parece começar a sobrar.
Enquanto compro tampaxes na farmácia descubro que engordei mais um quilo. Que mania esta de pôr uma moeda na balança. Estúpida de mim e olha, uma borbulha na ponta do nariz. Tento comprar um vestido para me sentir fresca e magra mas estou tesa, e o mês ainda agora começou. Merda.
Ao almoço maldigo as botas altas, as meias, a saia que me aperta e a conversa sobre as intrigas financeiras do namorado da Isabel Pantoja. Maravilha que colegas, caralho. Se ao menos não suasse como uma porca a minha vida seria mais fácil.
Saio às cinco, com a roupa pegada ao corpo, o cabelo oleoso, mal-cheirosa e deprimida: a borbulha não pára de crescer e as minhas maminhas parecem explodir de emoção menstrual.
Menopausa aos trinta? Não: é a puta da Primavera mais as suas consequências no meu corpo hormonal. Pois.

Segunda-feira, Março 28, 2005

OUTROS DIALOGOS POSSIVEIS
(Série Almodóvar)

Chus Lampreave, secretária pessoal da Rititi, tenta evitar que esta segunda-feira de regresso à suburbanidade não acabe com a vida da sua patroa, bloqueando assim telefonemas, e-mails e picuinhas impertinentes.



Ch. L.: Que no, que no se pone. Doña Rititi hoy no está para nadie, joé. Cagonlaleche, que ni urgente ni ná, que mi señora está con la cabeza metida en el WC, intentando sobrevivir al cotidiano madrileño y a la ordinariez de la madrugada.
Pues póngale un fax, coño, y espérese a que mi señora se recupere de su semana lisboeta, hay que ver las prisas de la gente.
Oiga, que ya le he dicho que no es posible hablar con la superlativa Rititi. Y no, mire usted, pues no hablo portugués, cojones.

El look mío? Pues muy trabajado, claro, a ver si se cree que la belleza es gratis e fácil.
Hasta el coño de impacientes, oyes.

Sexta-feira, Março 25, 2005


MOMENTO GINA: SEGREDOS, MUITOS SEGREDOS

… de cama, de escritório, quem casou com quem e porque; os gostos da herdeira do império Zara; onde se opera a Isabel Presley que não se nota nada; quantos maços fuma a mãe do Leonardo Di Caprio; quanto custou a discreta vivenda unifamiliar da normalíssima Infanta Cristina; a cintura de 40 centimetros da Kylie Minogue; é verdade que a Letizia é infértil por uma operação anterior à sua relação principesca; os atrasos de J. Lo e os caprichos do casal Beckham.

Futilidades e reuniões secretas dos ricos: só no
Confidencial.com, por Paloma Barrientos, a mulher mais bem informada do Reino das Espanhas.



Eu cá, acredito-me toda no que a Paloma conta. Nem que fosse mentira!

Segunda-feira, Março 21, 2005

JÁ CÁ ESTOU



E acho muito bem que precisamente na semana em que estou de férias, a que me custou horas, dias, meses até de estúpido faço-que-trabalho nas terras da emigração para ter sete dias de descanso na minha casa lisboeta, digo então, que sou super a favor que chova, sopre um vento cabrão e que caia a aguinha toda que for preciso.
Porque não havia mais semanas durante o ano para que a puta da seca acabasse, não, tinha que ser logo esta. Mas não tem mal, pá, que eu sou generosa e estou-me bem cagando se não posso passar as tardes em Santa Catarina a encher os olhos do meu Tejo.

Mas se os cabrões não me apagam os foguinhos todos em Agosto, ai, então há molho, porque eu não sou mulher de trocar os tremoços do Adamastor por cinzas da Serra de Aire.

Quinta-feira, Março 17, 2005

Querido Blogue,

A dois dias de me meter na aventura automobilística do IP 5 para ir jantar com a sogra a Espinho, vejo que o Nuno, portuense e emigra em terras da Cataluña, respondeu à minha desgarrada Norte-Sul-a-minha-terra-é-melhor-que-a-tua usando um tema tão delicado - por conjugal - para mim como a francesinha. E fê-lo com um texto magnífico, por sentido e apaixonado, defendendo o seu petisco como a amante que o espera na aldeia, tão linda e tão composta, vestidinha de limpo e com os olhos postos na saudade do homem que nunca mais volta a casa.
Acontece, querido Nuno, que tanto amor assolapado deixou-te cego e insensível aos prazeres quotidianos. Dizer que a francesinha é um prato “sem desperdício nem exagero” é como afirmar que a característica principal do Palácio da Pena é a simplicidade e a discrição. A francesinha é tudo quanto queiras: recompensante, delirante e até confratenizadora - se bem não entendo porque o povo não se pode encontrar à volta de uns belos de uns pezinhos de coentrada (de madrugada no Cais do Sodré e rodeada de putas velhas nunca me senti mais aconchegada).
Mas simples???? Só pela confecção “duas fatias de pão de forma, linguiça, salsicha fresca – olvidaste o inefável fiambre - carne assada ou bife, queijo fatiado, tudo dentro do pão, menos o queijo que ficará a cobrir”... Sem esquecer o molho, o tão afamado molho de tomate com sabe Deus com que ingredientes se mistura o conhaque ou outro álcool de terceira categoria (sic). Isto é uma ordinarice, um exagero, uma falta de decência com a gastronomia simples, um desprezo à composição culinária mais ordeira e um atentado ao estômago de uma pessoa de bem.
Para uma alentejana, arrumar numa só tacada esta argamassa de proteínas, é no mínimo impensável. Não que debaixo do Tejo a contundência seja proibida, mas querido Nuno, tudo tem um limite: o decoro. O Porto, além de burguês e rico, é também vaidoso e não resiste mostrar ao forasteiro o bem que se lhe dá a vida. Ante o ar assombrado da visita em frente à francesinha o portuense lança um risinho orgulhoso e “desculpa lá”, ah, mas isto são só as sobras... Pois. O bom vem depois, estamos só no lanche, atrevendo-se o local até afirmar que não custa nada comê-la, não enche. Um petisco. Enfim.
A francesinha é a miúda gorda da família a quem os pais dizem que assim é que está bonita – bem criada e rechonchuda - que aprendeu, à base de tanto repetir a lição, que as magricelas não valem um cu e devem ser achincalhadas por anorécticas. É o brutamontes da turma, tonto mas o mais forte, que bate nos que passam com boas notas a Matemática e a Latim. É o uirdo que só arranja amigos se convidar a turma para a piscina da vivenda. Não é má pessoa, mas não é lá muito esperta, coitada.
Já a açorda alentejana, de tão pobre, tornou-se limpinha e discreta, sem ter que dar nas vistas. Um molho de coentros, dois dentes de alho, azeite da terra e agua. O pão duro, de ontem, porque a vida não está fácil, alimenta a família e os que param no caminho esfomeados. Alguma coisa se arranja, diz o alentejano quando batem à porta os primos do Norte a caminho do hotel caro em Vilamoura, e aperalta a mesa com o que o campo ou a falta de dinheiro dispensam: toucinho da matança anual, figos do quintal e um par de tomates. Olha, uma sopa divinal! E os primos lá se vão embora para a praia dos ricos, dos que se esfolam o ano todo, deliciados, olha que terra tão simpática, afinal até não se come mal. Pena que sejam tão preguiçosos, diz o tio da Rua da Boavista, porque apesar do Alentejo ser fértil, generoso e com o prato na mesa para os que pedem um copo de vinho e azeitonas pretas, não é como eles: os esforçados trabalhadores que sacam o País da miséria.

A riqueza não é um prato orgiástico e pretensioso. É o ser sem o ter, sem a vaidade do riso matreiro e do carro novo na garagem, sem lembrar gratuitamente e a todas as horas que as sobras de uns são as necessidades dos outros.
Eu prefiro o gaspacho, Nuno, por muito que te reconforte a Cufra e o camarão surpresa.




Segunda-feira, Março 14, 2005

E PARA A FESTA (2)...

... deixa lá ver qual o estado dos meus calos.



Siempre Manolo. Ai.

Nomeio-te, minha querida, árbitro, jurado e Blogo-Vogue 2005, com capacidade total para insultares as saias, sapatos e unhas mordidas das candidatas. Xanel sempre será Chanel. Pronto.


E PARA A FESTA...

... deixa lá ver o que é que tenho no armário...




Simples, discreto, ideal para uma singela cerimonia de entrega de prémios.


Sábado, Março 12, 2005



Estar nomeada é mesmo muito bom, e se for para os BLOSCARES 2005, pues mucho mejor.

Melhor Blogger - Elas

Carla Hilário Quevedo, por Bomba Inteligente
Catarina, por 100nada
Lolita, por Blogame Mucho
Papoila, por Papoila Procria...
Rititi, por Rititi
Sara Pais, por Desassossegada

Melhor Blogger - Eles

Eduardo Nogueira Pinto, por What Do You Represent
Filipe Nunes Vicente, por Mar Salgado
maradona, por A Causa Foi Modificada
Rodrigo Moita de Deus, por O Acidental
TheOldMan, por TheOldMan
Tiago de Oliveira Cavaco, por Voz Do Deserto



...e ainda:
Melhor Blogue (todos os blogues a concurso)
Prémio do Público (votação a partir de 15 de Março, todos os blogues a concurso)
Prémio do Júri (todos os blogues a concurso)
Prémio Revelação (blogues criados em 2004)

Na ORIGEM DO AMOR.
Obrigada, Miguel

Sexta-feira, Março 11, 2005

UM ANO


Quarta-feira, Março 09, 2005

Porque uma gaja nem quer ser menos que as outras

Your Penis Name is: Big Lebowski






Perfeito para tanta coisa, ah pois...

Terça-feira, Março 08, 2005

DIA INTERNACIONAL DO GRELO

Sem quotas, sem desculpas, sem lamechice, sem moralismos, sem tristeza, sem complexos, sem filhos, sem pressas, sem dores, sem proteccionismos, sem histerias, sem dinheiro, sem inveja, sem pena, sem culpa, sem obrigação, sem vergonha, sem merdas.

Com os ovários no sítio.



Porque hay que tenerlos.

Segunda-feira, Março 07, 2005


Querido Blogue,

O homem move-se. A butes, de mota, em cima de uma trotinete, ao pé coxinho e de patins, em metro e até de carro, caso o mundo, o trânsito e até o dinheiro lhe favoreçam. Não é o meu caso, pobre desgraçada e sempre a contar os tostões ao fim do mês, porque ninguém me manda gastar o ordenado em copos, drogas e sopas miso. A vida, quando não é bem administrada, obriga-nos à locomoção pública, como o autocarro 51. Não me orgulho da minha condição de utente rodoviária, muito menos às oito e meia da manhã , com cachecol e cuecas de gola alta para evitar morrer de frio, e os olhos enfiados na Vanity Fair e na esperança de madrugadas no aconchego dos lençóis e do peito de Mr. Pinheiro.
Mas de nada me servem as queixas dentro do autocarro 51, cómodo, com aquecimento central e semi-vazio, que a vida não é assim tão puta e ainda me deixa ir sentada caminho do trabalho. Mulheres-a-dias, administrativos, estudantes de liceu, emigrantes caminho do consulado e da regularização de papéis e sobretudo mães, pais e muitas crianças. O cabrão do autocarro 51 é uma camioneta escolar. Na paragem de Sol entra uma alemã cavalona, ancuda e com três criaturas em idade escolar. Pendurado da mama esquerda traz um recém-nascido, escondido dentro de um fato de ursinho polar, encardido e totalmente demodé. Começa mal o meu dia, entre brigas das manas mais velhas para agarrar o coitado do bebé, entretanto esquecido pela parideira entre os braços de uma dominicana com o instinto maternal aos pulos. “Próxima parada”, calle Alacalá. Um pai divorciado, claramente de esquerda e sem empregada que lhe ajude, aumenta a quota infantil do autocarro com duas crianças despenteadas e com ar de quem precisa rapidamente de ser passado a ferro. Meto a cabeça dentro da reportagem sobre os protagonistas dos Óscares, uma maravilha com fotos do Javier Bardem em poses napoleónicas e impróprias para a lasciva madrugadora. Quando a baba começa a cair-me pelo queixo abaixo, lubrificando o meu ego matinal, sou arrancada do deleite cinematográfico por dois berros estridentes. Os despenteados mentais decidiram cantarolar as músicas favoritas dos Lunis, espécie de marretas espanhóis com pretensões pedagógicas. O Governo ZP é que sabe como entreter a infância, ah pois é. Nos vamos a la cama, hasta mañana, e ainda só engoli dez minutos de autocarro.
Em Cibeles a creche aumenta, uma criada mulata e fardada de Anjo Selvagem arrasta três candidatas a betas para o meio do corredor do autocarro. Fardas impolutas, sapatos resplandecestes e uns totós perfeitamente esticados e decorados com laços azuis gigantes. Mesmo que tenha desistido da Vanity Fair, finjo qual puta, e faço de conta que não reparo nos olhares da doméstica exigindo um lugar sentado para as betas. Do meu sítio não me levanto, não querias mais nada. As futuras betas não são lá muito amigas dos filhos do divorciado – cheiram mal e não têm apelidos conhecidos – e dedicam a viagem a falar da iminente operação às varizes da Tia Júlia, uma vítima do socialismo pelo que pude apurar, uma santa e uma exemplo para as mulheres religiosas da família. Entretenho os meus pensamentos com a imagem da Tia Júlia a lutar contra os esquerdalhos à saída da missa das oito. As crianças e a sua inocência... As manas alemãs tentam inutilmente fazer conversa com as betas usando o recém-nascido como isco, mas não chamam a sua atenção. Há muito que a geriatria substitui a puericultura. Nada dá mais jogo que uma boa hérnia e afinal, que são essas estrangeiras que querem integrar-se no nosso autocarro?
Falta pouco para o fim da minha viagem, mas mesmo assim na Calle Velazquez o 51 ainda tem tempo de apanhar duas irmãs gémeas alunas do Liceu Francês. A burguesia gala entra em força pela porta do autocarro, presumindo de sotaque, dinheiro velho e sobranceria genética. Que pedigree, que sotaque, que diferença. Não precisam de laçarotes nem de criadas internas para mostrar o seu status social. O cabelo curto mas feminino, óculos Armani, brincos minúsculos de ouro, assim se mantêm as classes. Ignoram todos os viajantes, excepto as alemazinhas e os filhos do divorciado, por quem nutrem uma sincera amizade linguística e uma compaixão a roçar a santidade. Combinam as férias de verão na Selva Negra, enquanto as fedelhas candidatas a betas se corroem de inveja arrivista. Aproveito esse momento de justiça social e cedo o meu sítio às francesas de óculos modernos. Sempre odiei as betas, essa recordação matutina dos anos de colégio de freiras, rodeada de meninas loiras com laços gigantes, de nariz empinado e desprezo pela emigração.
E assim se move o homem, vinte minutos nas madrugadas de Inverno. De carro, a trotinete ou de metro, eu prefiro o 51. Sempre há tempo para restabelecer a ordem mundial através de pequenas vinganças.

Sexta-feira, Março 04, 2005

MOMENTO GINA: MÁ LÍNGUA

Os Oscares uma semana depois...



Jaws dropped for Melanie Griffith and Antonio Banderas's revealing walk down the red carpet.

Gayle: How did you all decide what you're going to wear this evening?
Melanie: He picked my dress, see, because [of the very low-cut back.]
Gayle: Whoa, nice job. What do you like about that dress on your wife?
Antonio: It's sexy. I like her to look sexy.

Dasse pá pimbalhada hispano-oliúide... A 'nha gaija é boa... nham, nham...

Pior, só o vómito musical do Antoñito encima do palco...



Qué coño te ha pasado, chaval???

Quarta-feira, Março 02, 2005

Dia de merda, um frio que se me agarra às meias na paragem do autocarro, sapatos com a fivela partida, reuniões à última da hora e o texto por acabar, em casa os putos adolescentes do 2 A andaram a brincar aos canalizadores e deixaram o prédio sem água, condenando a higiene dos condóminos a um garrafão de cinco litros.
Sem tabaco marroquino na caixinha vermelha dos fumos, o frigorífico a tresandar a morto, vale-me Haendel na voz de Renée Fleming.
Lascia ch’io pianga... Muito mal devo estar se a única coisa que me relaxa é uma senhora aos berros na minha sala.
Fodida esta vida, tão longe ainda das praias de Cádiz.