Quinta-feira, Junho 30, 2005

RITITI EM FESTA: O POVAO EDUCADINHO É QUE FICA BONITO



O Caga-Fogo, que bem sabe da vocação rititiniana para educar o povão, envia este divertido mural que deveria ser de implementação obrigatória nas escolas, hospitais, casas de putas e cemitérios da pátria lusa! Chiribitis gratuitos, uísque sem IVA, Beckhans para todas, fora ao trabalho, bu, bu às saias de pregas e às gentes mal amadas!!!

Em frente, camaradas, por um mundo rosa-cueca, contra os canhões marchar, marchar (ai porra que essa era outra música)!!!!

Obrigada!

Quarta-feira, Junho 29, 2005

Da inacabável série "Os meus amigos são (muito) melhores que os teus":

Um abraço deste blogue político que o estima, na razão de existir da blogosfera, a Bomba Inteligente. E mais nada.


Porque, repito-me, el que sabe, sabe y el que no, pues a escribir mariconadas.

Só uma coisa antes que me esqueça:
Muito obrigada
aos que escreveram comentários, aos que compraram o livro, aos que mandam ou mandaram mailes com propostas de casamento e elogios vários, aos que não me gramaram, aos que aparecem cá todos os dias, aos que viram o Livro Aberto, aos que me lincaram amavelmente, aos que dizem que afinal até sou gira e aos que me pedem para emagrecer, aos que enviaram fotos e eu ainda não publiquei, aos de sempre e aos novos, aos anónimos e reconhecidos, à menina da farmácia que conseguiu que eu respirasse novamente e à Gata Lucrécia que finalmente deixou de ter o cio.
A todos, gracias, gracias.
O blogue continua em breves instantes, não pensem que me piro.
Tinha só de agradecer.


Terça-feira, Junho 28, 2005

OS BLOGUES COTAS: 2 ANOS DE BLOGOSFERA

- Terras do Nunca

- Avatares de um Desejo

- A Natureza do Mal

- A aba de Heisenberg

Cumpleaños feliz a todos.

ESTADOS DE ESPÍRITO

Dão condigo despidar. Snif.

O dabaco sabe-me a merda. Atxim.

Os olhos chodam-me. Ai.

Dou uma mulher a um lenço pegada.

Doem-me as crudes todas. Denho ranho.

É oficial, tenho gripe e faltam três dias para as minhas férias.
Puta da conjugação ar condicionado – verão a 38 graus.

Segunda-feira, Junho 27, 2005

RITITI EM FESTA: O MEU PRAIVATE DISAINER

Passeava o Paulo todo contente por Madrid quando de repente tropeça com o diário íntimo de Luis Figo. E o que é que estava escondido lá dentro? Que segredos oculta a nossa estrela mais famosa?



Ai Luis... ai. E agora, como é que durmo? Ai.

Beijos ao Paulo!

Sexta-feira, Junho 24, 2005

O PROGRAMA DAS FESTAS

Fim-de-semana com triple dose de
Rititi

- Hoje, sexta-feira, a Rititi estará na SIC Gaja no sofá da Ana Marques no Elas em Marte, às 18.00horas. Penteadinha, depilada, com a perna cruzada e amorosa. Até sou capaz de ir vestida de cor de rosa e tudo. Ai.

- Sábado, às 23.00 horas a Rititi conversará com o
Francisco José Viegas no Livro Aberto da RTPN um programa "para adultos" que não repete durante o almoço por causa das tosses e das criancinhas lusitanas. Viva o Rosa-Cueca e viva a Rititi, pá, a única mulher capaz de pendurar a bolinha vermelha num programa sobre livros e coisas espertinhas.

- E mais! Na Grande Reportagem a Rititi responde ao Formulário! Com fotografia e tudo...

Quinta-feira, Junho 23, 2005

DA SÉRIE “OS MEUS AMIGOS SAO MELHORES QUE OS TEUS”

"Para mim os criminosos e os cobardes não têm cor de pele, a estupidez também não". No Granito, essa coisa.
Do grande, superlativo e brilhante Rui Pelejão Marques, aka
Vodka7.

GRANDES MOMENTOS DA VIDA LABORAL: JANTARES DE DESPEDIDA

Pré-reformas, despedimentos, deslocações, a vida do trabalhador dependente não está fácil. Sobretudo para os que ficam e são obrigados a assistir aos jantares de despedida, vestidos de fim-de-semana e com cara de festa.

- Restaurante caro, empregadas semi-nuas, a inevitável música ao vivo e o homenageado com a convicção de que após quarenta anos de dedicação à empresa finalmente vai ter uma noite de sexo louco com a comercial recém casada. O meu reino por uma gastrite aguda que me tire desta merda.
- A secretária velhadas com as mamas em cima da mesa, os olhos do estagiário no decote da velha, a comercial recém casada com cara de querer lamber as intimidades do rapaz e o homenageado com a mãozinha a tentar apalpar as coxas morenas da rapariga. Nada como uma noite de convívio para reforçar as alianças entre os colegas de escritório. Não há escapatória possível. Rititi, tu bebe filha, tu bebe.
- Vinho a granel, beatas nos cinzeiros, a comida essa nem se toca, apalpões debaixo da mesa, as mamas da velha cada vez mais à mostra e da casa de banho vem-se com uma alergia estranha. Deve ser do ar condicionado, coitados, todos a fungar do nariz. Depois os chiribitis é que são droga má e causa da delinquência juvenil e violações nas escolas. Ainda bem que eu vim já fumada de casa.
- Café, uísque e a exaltação da amizade, abraços, saias que sobem sem querer e os litros de vinho ingeridos a fazerem efeito na cabeça desta boa gente que só sai de casa quando no escritório se festeja alguma coisa.
- Finalmente, a dança. Uau. A secretária, já sem soutien, move-se freneticamente. É o fim do mundo e vamos morrer todos esmagados pelas mamas da gaja. O homenageado desiste das coxas da recém casada e de repente sou eu a perseguida. Ai foda-se, ó caralho, mas tu não tens mulher? Vai é meter o dedo no cu ou na puta que te pariu, e o meu uísque, por Dios, onde está o meu uísque?
- Às duas da manhã a sanita só se usa para vomitar, acabou-se-lhes a coca e o fingimento. A jovem comercial chora baba e ranho depois de ter sido fotografada com a cabeça nas profundezas do estagiário, entretanto considerado o campeão da noite. O homenageado, de rastos pelo restaurante, paga 50 euros a uma das empregadas de mesa para que lhe mostre o mamilo. As mamas da velha espalhadas pelo chão e eu a correr para dentro de um táxi. Salvem-me, salvem-me!!!!
- Mr. Pinheiro em casa: bem feita, bem feita!!!

Quarta-feira, Junho 22, 2005

RITITI EM FESTA: AS VIAGENS DOS BLOGGERS





A Exdruxulina, das
Sílabas Tónicas Sem Gás, foi a Amesterdão ver museus e fumar o tabaco favorito da Rititi. O resultado, não podia ser outro.
Um grande beijo aos Exdruxulos e muito obrigada!




Já a aNa, do blogue
Meia Volta prefere viajar pela net, a ser possível em horas de expediente e enquanto espera pela namorada. Ai, os proveitos do trabalho... ai...
Beijos aos molhos
aNa!

Terça-feira, Junho 21, 2005

O ÚNICO BABY-BLOG QUE VALE A PENA LER: Passeai Flores...

Prometes que, antes de morreres, me ensinas todas as coisas do mundo?

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Querido Blogue,

Imagino quão triste seja viver escondido, com medo à vida, sobrevivendo com o rabo entre as pernas e o olhar posto no amor que nunca chegou, nas aventuras que não sucederam, nos orgasmos que se fingiram, na existência sonhada e que por cagaço, preguiça, covardia, parvoíce, snobice, mariquice, ou o raio que os parta, nunca se teve. Deve ser fodido morrer sabendo que algo melhor podia ter oferecido este vale de lágrimas, ai eu que tão bem escrevia, ai eu e os meus peitos que nunca foram tocados, ai eu que nunca passei de chefe de secção, ai eu, que tanto valia e que nada me foi dado. A mim, o mais dos medíocres, o presidente desta junta de freguesia que é o meu bairrinho mental. Ai eu. Porque é mais fácil ficar-se de braços cruzados, cuspindo ódios de merda, a levantar-se da cadeira, dar um murro na mesa, lutar pelo que se ama, fazer que nos admirem, não desistir à primeira. Mas não, para que? Bora ser mesquinho, escondido do mundo, sem se atrever a dar a cara, apontando com o dedo os defeitos dos passam ao seguinte escalão do IRS, às páginas de jornais, ao apartamento mais caro.
E assim vai o nosso paizinho, com os seus amiguinhos, os seus jornaizinhos, os seus bloguinhos, as suas conversinhas sempre à volta do mesmo cafezinho mais a sua água das pedras, olha esse gajo, o merdas, antes mal sabia comer à mesa e hoje tem casa com jardim, moradia de férias, quatro carros, uma mulher loira de vinte anos e dois filhos loiros e saudáveis, de certeza que são do cunhado, que a gaja é uma puta e o cabrão um impotente. Claro, ninguém o mandou ser trabalhador, ir para o estrangeiro e fazer fortuna. Devia era ter ficado mas é cá na terra e sofrer como nós, sempre à espera da sorte grande e que se nos morra o sogro para herdar uma quarta parte da casa de férias na Quarteira.
Porque o que não perdoa este canto em que se encontram os tristes da vida, os que se mijam em cima só de pensar que na viajem a Cuba não está tudo incluído, os infelizes cujo máximo atrevimento foi ter roído as unhas em frente à imagem de uma menina de treze anos em biquini, digo, o que não perdoa este pais de mal fodidos é que alguém dê o salto, que se case com quem ama, que se ria à gargalhada, que dê a volta a esta merda toda e, sobretudo, que seja feliz.
E se estamos a falar de uma mulher, então multiplica-se por mil esse olhar de cão sarnoso, esse ladrar pelo baixinho. Porque o que uma gaja não pode fazer, ou ousar a sonhar, para essa manada de provincianos mal formados que nunca saíram do buraco em que foram metidos, é ser livre, beber, mandar quecas, escolher a vida que quer levar, escrever o que lhe sai del mismísimo coño, chorar em público, queixar-se dos pelos, agarrar a vida pelos cornos e olhar para a morte sem medo a ficar paralisada. O que se deseja neste rectângulo de terra com mania que é rico, é que a mulher tenha vergonha na cara e não ande por aí exuberante e com a cabeça bem levantada, feliz nos seus êxitos e amores bem vividos.
Para que? Para que eles, os que nunca saem de casa, os que se escondem nas cartas ao director e nas conversas de café, não se sintam incomodados com a vida de merda que por medo, ignorância, comodismo e muita falta de amor-próprio não se atreveram a viver.

Querido Blogue,

Está tanto calor que até as pregas do cu se me pegam, mais ainda nesta praça de touros de cimento a que me levam os compromissos familiares e o amor à tradição secular. Sou assim de romântica e pegada à história, imóvel na minha concepção do que me pertence por genética e do que me agarra à memória dos meus. Há quem prefira defender os ideais numa manifestação contra a pretalhada e a emigração em geral, portando bandeiras e um preconceito de raça pelos vistos pura e branca como o cal das casas alentejanas. Um dia destes ainda me manifesto eu, mas contra a ignorância geral e a falta de aulas de história na pré-primaria, ou então a favor da eugenia compulsiva, ni más ni menos, porque ante a imbecilidade do ódio não há redenção possível. Ai, Santa Rita que me perdoe, ela que era tão misericordiosa e amante do sofrimento, de chaga na testa e o marido a dar-lhe nos cornos de sol a sol, mas aos que se rapam por analfabetismo mental e alçam a mão agarrando-se aos nossos preceitos de liberdade, olha, não há amor de Cristo que me convença. Poder ao povo e playstation ao pequeno-almoço, qué se le va a hacer, a democracia tem destas coisas e assim acabou a Alemanha nos anos trinta.
E com as pernas suadas, as mamas em osmose com o soutien, ao quinto touro não há pachorra para o João Moura, o filho do João Moura, o Rui Fernandes, as bandarilhas recortás, a banda filarmónica dos bombeiros voluntários, paquito el chocolaterooooo, e a puta que os pariu a todos, con perdón das mães e das vacas, mas trinta e oito graus à sombra – o poder da classe não perdoa –, as almofadinhas que não aconchegam, o vento que não sopra, o uísque que não refresca, os chiribitis que não fazem efeito, ainda bem que Mr. Pinheiro me acompanha para me abanicar o decote. Ai amor, se não estivesse tão peganhenta até me abraçava a ti, mas o meu odor corporal, aliado às manchas de suor que me desenham as curvas abdominais podem mais que o desejo e o dever conjugal. Quando inventarem um aparelho de ar condicionado portátil prometo mostras de amor físico sem temer a morrer derretida no meio deste povo pegado a lenços a pedir orelhas para os cavaleiros vestidos de antigamente. Coitados, depois não admira que sejam brutos na fala e toscos quando descem do cavalo, aquelas roupas de época até lhes devem assar os tomatinhos todos. Não há dinheiro que pague os sacrifícios feitos pelo que é nosso.
E assim se passa o verão, de feira em feira, de touro em touro, de orelha em orelha, olé mi cuerpo serrano e a vida que são dois dias. E a esperança de um gin tónico nas esplanadas da terra, rodeada da minha gente, de perna ao léu e resumindo a faena e a vida numa noite de calor e leques pintados à mão bem valem os suores e as penas na praça de touros de ciment
o.

Sexta-feira, Junho 17, 2005

RECADO PARA O SINCLAIR

Após semanas a receber meiles daqueles que a gente gosta, pá, manda aí fotos de boobs, vem a Porto Santo, solícitos os correios nas suas demandas peitorais, uma gaja fica com a curiosidade à flor da pele.
E mais, um grelo não se arma em feminista porque sim. Resumindo e concluindo, que se faz tarde:
tu manda pics de pirilau. Eu gosta.
Mala Pata, ya sabes, chavalote.

Sabedoria familiar: A inveja é verde escarreta.

AI COÑO

E com esta coisa toda ia-me esquecendo de dar os parabéns ao Aviz.
Un besazo, guapetón!!!!

Quinta-feira, Junho 16, 2005

RITITI EM FESTA: A FUNGAR DE EMOÇAO

Ah, gajas do meu país

por Francisco José Viegas


"No meu país de senadores, medalhados e reformados (ou com subvenções vitalícias) podem passar-se semanas sem que haja qualquer coisa de substancial a acrescentar à pequena modorra. Mas o problema não é nosso - é geral. Uma onda de covardia e de senilidade, ao mesmo tempo, toma conta da Europa. Esta semana, prefiro deixar a política entregue aos seus. Distingo, por isso, uma mulher corajosa. Não foi medalhada pelo sr. presidente da República e duvido que algum dia o fosse, a avaliar pelos seus magnos e indiscutíveis critérios - e duvido que se trate de assunto de medalhas.

Há cerca de dois anos, procurando aqui e ali, entre os melhores textos de Língua Portuguesa disponíveis na Internet, acabei por ficar rendido a uma série de blogs brasileiros. O que era mais surpreendente a grande qualidade da sua língua, a grande imaginação do seu texto. O que era mais comovente: eram pouco, muito pouco conhecidos. Entre eles estavam blogs como "Nibelunga do Cabelo Duro", "Megeras Magérrimas", "Drops da Fal" ou "Caderno Lilás", por exemplo. Só um ano depois, para grande surpresa minha, apareceram blogs portugueses femininos de qualidade comparável. Entre eles estavam e estão, certamente, "Bomba Inteligente", "Xanel Cinco", "O Meu Moleskine", "Diotima", "Vieira do Mar", a participação feminina no "Blogame Mucho" ou "Rititi". Ao leitor ou à leitora que não estejam atentos, recomendo que vão à net e procurem.

Rititi é pseudónimo de Rita Barata Silvério, que acaba de publicar um livro com alguns textos do seu blog (leva o título "O livro da Rititi", edição Oficina do Livro). No meu país envergonhado e lírico, nostálgico e - no entanto - pouco romântico e pouco corajoso, "O livro da Rititi" é mais do que um conjunto de textos sobre a vida que passa. É o retrato da nova mulher portuguesa. Podemos não gostar muito do retrato, mas é o retrato de uma mulher corajosa que não se reduz ao seu papel de mulherzinha, nem vibra com a magra condição da "mulher de dentro de casa" ou da condenada à solidão das bibliotecas. Esta é uma "mulher furiosa" (que, por apenas coincidência, vive entre Espinho, Lisboa, Estremoz e Madrid), cuja linguagem não é amena nem educada pela literatura das mulheres.

O que representa a Rititi? Um mundo que colocaria os homenzinhos em sentido. Um mundo que a covardia portuguesa, feita de muita literatura e de umbigos enormes, não autorizaria. O mundo da Rititi é o das mulheres que não são "as nossas mulheres portuguesas" oprimidas pelo fascismo ou enquadradas pelo alto moralismo da Esquerda. Ligeireza e superficialidade, sexo e desbragamento, coragem e romantismo, álcool e casamento, família tradicional e comida com calorias este é o mundo da Rititi, luminoso e frontal, malcriado e arrogante, delicioso, cheio de humor, culto, politicamente à Direita, anarquista e anárquico, solidário com o sofrimento, mas sem o "nenhenhém" lírico e palavroso da caridade moral das nossas letras.

De Portugal, Rititi tanto fala da maravilhosa luz de Lisboa e da "francesinha" comida num restaurante de Espinho, como da fealdade dos políticos e do absurdo do IP5, da falta de dignidade dos homens e do ridículo provincianismo cultural das mulheres.

Ah, não gostam do retrato? Tanto pior. "O Livro da Rititi" é uma afronta à mediocridade do feminismo (que detesta a palavra "gajas") e à "superioridade moral" dos nossos sacerdotes da cultura. Está cheio de vento, de amor, de violência, de riso, de sarcasmo, de uma magnífica Língua Portuguesa que nunca trai esse novo sentimento português, que já não é trágico nem tem bigode ou pais da pátria para venerar. Leiam, leiam. Homens, tremam. Mulherzinhas, aprendam."

Francisco, e agora? Até me tremem as pernas.
Vou beber uma caña. Ou duas. Ai.
Muito, mas muito obrigada.
Ai.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

RITITI EM FESTA: OS AMIGOS DE JN CONTRA-ATACAM

E os festejos continuam, pois claro, que quando as coisas boas acontecem é para atirar foguetes, dar esmolas aos pobres, beijar feios e gordos na rua. É o que tem ser feliz e sem complexos.




E da mão do fantástico
Contra Indicado hoje vamos até Moscovo. Aqui apreciamos o seu amigo Dimitri Guenadievitch, a caminho do baile de máscaras dos Asmáticos Anónimos de Moscovo, com o livro.
E há mais!!!

Segunda-feira, Junho 13, 2005

AS GRANDES CABRAS DA FICÇAO:
MRS NORDLEY, A SONSA COM CARÊNCIAS
(MOGAMBO)




Mrs. Nordley (Grace Kelly) é uma senhora, bem passada a ferro, inocente, tão loira e recatada, tão fiel ao marido, tão como uma mulher deve ser. O penteado que não se lhe desmancha, as palavras estudadas, ai, o sonho de qualquer Victor Marswell (Clark Gable) que deseja acabar os dias sentado à lareira com a dama perfeita. Não chateia, não fuma, sorri o necessário. A beleza fria da fêmea que não berra na cama nem envergonha os sogros. Ou não. Claro que não. Basta pôr os pés em África para que à querida Mrs. Nordley se lhe caia a máscara e se mostre como a sonsa mal comida que deseja fugir das noites de sociedade, a entediada esposa do antropólogo apaixonado pelos gorilas da selva.
Coitada de Mrs. Nordley. Que fazer? Confessar ao marido a sua paixão pelo caçador velho? Fugir, gozar o amor que descobriu? Não, claro que não. Porque Mrs. Nordley, de tão pura e educada, prefere mentir a que pensem mal dela, a que a critiquem, a que lhe manchem a honra. Porque a honra numa senhora é muito importante, mesmo que Mr. Nordley seja o cornudo mais famoso da expedição e o tonto de Marswell faça o ridículo esperando que a virgem lhe redima dos pecados de ontem.
Entretanto Eloise Kelly (Ava Gardner), a badalhoca, a que se embebeda, fuma e diz palavrões, a que aparece em África vinda de todas as histórias de desamor, a putéfia que todos os homens esperam ter na cama mas não na mesa, aguarda. Também chora, confessa-se, indigna-se, vocifera contra a hipocrisia da beta com falta de um bom par de fodas. Mas espera. Só para ver o que acontece, como se o amor que sente por Victor Marswell já não fosse importante. E quando tem a oportunidade para humilhar a cabra loira, a santinha, a que a insultou, a que lhe atirou à cara os amantes e o mau nome, cala-se. À inveja sobrepõe a dignidade de quem nada tem a esconder. Mais, defende a tão importante honra da amorosa e inocente Mrs. Nordley. Porque é isso que as senhoras fazem. E dessas já há poucas.
Que uma mulher não se enxovalhe pelo passado, que mantenha a cabeça bem alta, que não a abatam as vozes das puras deste mundo tão falto de sexo e amor, é muito perigoso. As invejas rebentam por todo o lado, os olhares reprovadores não perdoam. Puta e mais que puta, é isso o que Mrs. Nordley vê em Eloise Kelly, sem se dar conta que a única que engana, mente e magoa é ela. Mas de nada serve, porque Mrs. Nordley, tão senhora e tão penteada, volta à miséria da vida sem falhas.
Prefiro mil vezes uma Ava Gardner descalça e com a vida em cima da mesa, sem vergonha ou mais dores que as que lhe causou a história, à virgem ofendida Grace Kelly, mentirosa, ressentida e com a suficiente falta de vergonha para deixar que o marido sofra por ela o que a educação e as noites de sociedade não lhe permitiram gozar.
O que é uma mulher? Definitivamente, Ava Gardner. Que o mundo prefira as Graces Kellys com ar de sonsas, isso já é outra coisa. E eu não tenho culpa disso.

Sábado, Junho 11, 2005

RITITI ECUMÉNICA



Na Rua da Judiaria.

Nuno, adorei! Muito simpático.
(afinal a herança judia nota-se por algum lado)
Um grande beijo e shalom.

RITITI, ESTRELA ESQUIZOFRÉNICA DA TV
(Actualizado após o derretimento dos miolos)

Depois do Cabaré da Coxa e da Sic Notícias, chega o Livro Aberto de Francisco José Viegas.
R
odeada de livros, dia 18 à noite, quem estará à conversa não será a Rititi, mas sim a Rita. Bem, às vezes também fala a Rititi. Ou não. Quando acaba uma e começa a outra?
O único que sei é que foi muito bom estar ali sentada ao lado do Francisco, confessando ódios de estimação e a jurar que Rubem Fonseca é o melhor autor do mundo. E com as histórias de casa encima da mesa, la verdad por delante.
Francisco, muito obrigada.

(Livro Aberto passa na RTPn dia 18 às 23.00 e domingo dia 19 às 13.00)

peço desculpa pela baralhação

Quinta-feira, Junho 09, 2005


AS GRANDES CABRAS DA FICÇAO:
EVE, O PERIGO DA BANALIDADE (All About Eve)
Eve. Eve the Golden Girl, the Cover Girl, the Girl Next Door, the Girl on the Moon.
A queriducha que sempre está disponível, o ombro amigo, a vítima da vida, a devota discípula. A que guarda a faca debaixo da almofada.
O que quer Eve? Êxito? Amor? Glória e um homem? Que lhe falta a Eve, que se dá com tanta facilidade? Um apartamento em Manhattan? Uma peça na Broadway? Nem por isso. À inocente e pura da Eve o que lhe dói é ser simplezeca, minúsculas, sem nada a acrescentar que um lambe-botismo irritante.
Eve precisa o que os outros têm: a vida de Margo, o marido de Karen, a fortuna de Max, a genialidade de Bill. O que lhe sobra a Eve – inveja, mediocridade, banalidade – falta-lhe em escrúpulos e valores. Eve não tem moral a que se agarrar, só raiva por não ser plena e feliz, como os demais, como Margo, a vítima perfeita no seu plano demente.
Eve, Eve, always Eve. Pois é Margo, sempre Eve, a sombra, a que espera que adormeças para te arrancar os olhos, a que não tem limites na mentira.
Não há personagem masculina no cinema que chegue aos pérfidos calcanhares de Eve. A filha da putice é algo tão feminino, que vem de dentro, uma víscera estranha que domina o carácter e a mente. Lecter era requintado, um génio do mal. Eve não procura a arte nem a perfeição nas sua obras, só foder, ser cabra, roubar a vida alheia, parasita ela das suas próprias tristezas. Que triste, Eve, ao fim premiada e sozinha. Afinal, Eve, de que serviu tudo?
Eve não suporta o êxito alheio, a glorificação do próximo, porque nela só reside mesquinhice e uma infelicidade crónica, de quem jamais foi amada. Eve, no final, é comida pela mesma avareza que a levou a criar a tragédia na vida de Margo - porque o género feminino está cheio de pequenas e insignificantes Eves, de sanguessugas das riquezas que nunca poderão ter. O problema da banalidade é que de nada servem os prémios ou as glórias fáceis. É sempre preciso mais, foder mais, roubar mais, mentir mais, invejar mais, que os outros sofram mais.
Claro que só as mulheres conseguem cheirar a léguas as Eves deste mundo (partilhamos os mesmos genes). Por vezes só damos pelo monstro que temos ao nosso lado quando o terramoto já é inevitável, quando se nos cai a casa na cabeça, como lhe acontece à ciumenta e velha Margo, a quem Eve saca proveito dos pequenos pecados, das fraquezas da diva. Eve não suporta esta estrela egocêntrica e adorada por um mundo que não precisa de heróis perfeitos. Eve, ao apontar o dedo às debilidades de Margo, mais não faz que sacar à luz a sua própria merda. Porque o tempo nada perdoa.
Nem a Eve, a rapariga dourada, a rapariga da capa, a rapariga da porta do lado, a rapariga na Lua.

Terça-feira, Junho 07, 2005

Querido Blogue,

Não, não, não e mais não. Morra a Europa, fora a Constituição. Que giro, agora que cagamos auto-estradas e centros comerciais, que bom é ser do contra. Vinte anos atrás, caim, caim, dá-me alguma coisita para comer, um subsídio que seja. Mas hoje somos grandes, ricos, preocupados, gente do primeiro mundo e tal. E agora a malta diz que vai votar contra porque nos vão cortar as liberdadezecas todas, porque nos vão afogar a impostos, a nós os portugueses, coitadinhos de nós, já não nos bastavam os chinocas, os eslovacos e a mão de obra mais barata ainda que a dos coitados das fábricas de sapatos da beira interior, agora ainda nos querem impingir uma Constituição que, pelo que falam os senhores esclarecidos que aparecem na televisão, deve ser o texto mais fascista, perigoso e reaccionário desde a constituição nazi.
E a mim, este convencimento todo, este repentino desfolhar de peritos na matéria, da gentalha que mal sabe de direito privado da pátria, que ignora as bases constitucionais do país onde vive, que raramente vota a não ser para as eleições do Benfica, anónimos que a mais não alcançam que a comentar no fórum da TSF sobre o caso apito dourado, dá-me uma vontadinha de fugir daqui pra fora que nem conto.

Que me expliquem onde leram estes soberbos opinion makers da treta o texto íntegro do tratado, quantas noites gastaram na Internet a rever os preceitos mais controversos, que artigos lhes chamam mais a atenção. Que me mandem mailes, que me liguem, que partilhem com esta pobre analfabeta constitucional as brilhantes conclusões a quem chegaram os mesmos gajos que só sacam a bandeira de casa quando a Federação de Futebol manda. Cantar o hino é coisa de homem que vai à bola, mas defender os interesses com a revolta diária é mais para os outros que lêem os jornais.
Não, não, não e mais não. E estas boas gentes que não sabem um caralho como se compõe a Comissão, nem votam jamais para as eleições ao Parlamento Europeu, nem se lhes ocorreu saber se Estrasburgo é um queijo ou uma cidade, de um dia para o outro levaram com a luz da sapiência nos cornos e começaram a falar de direitos, fundos estruturais e mercados livres de fronteiras. De energúmenos a doutorados. Como se alguma vez tivessem saído dos cubículos mentais onde vivem.
É muito giro, pois é. Se tivessemos ficado de fora desde o princípio, sem fingir que pertencemos ao clubes dos ricos, se nos fechassem as portas, os dinheiros e as benesses como o País da treta que somos, queria ver se andávamos com estas paneleirices de novos ricos.

Segunda-feira, Junho 06, 2005

MUITO OBRIGADA



O blog, a Rititi, Madrid, as fufas, os pêlos por depilar, as mamas, a vizinha, a gata Lucrécia, Mr. Pinheiro, as dores de rins, os copos e os chiribitis, voltam em breves momentos.
Vou só ali tratar dos calos e da ressaca.
Ai... que duro é ser feliz.... Só ralações...

Sábado, Junho 04, 2005

É HOJE, É HOJE

(Si el tiempo lo permite e la autoridad no lo impide)



Na FNAC do Chidado, pelas 18.00 horas
Com apresentação de Carla Hilário Quevedo.
Agora é que é!

Sexta-feira, Junho 03, 2005

CONSIDERAÇOES MATINAIS

- O Rui Unas é giro. Todo un macho… Só não me mostrou os pelos. Porra. Nem os tomatinhos. Serão mesmo cor-de-rosa?
- O papagaio é panilas e tem inveja do Unas.
- Uma Unete tentou falar comigo. O disco duro (dela) rebentou à terceira piada (minha).
- Ia vomitando. Antes, durante a maquilhagem, no plateau, em cima do palco e depois da entrevista (sobretudo às quatro da manhã à porta do Lounge)
- Na SIC Radical não há uísque, a não ser que a gente conheça um gajo alto e bonito da produção chamado Pedro. A Xana, essa, oferece tabaco. Conseguia sobreviver meses na televisão. Mais. Quero mais. Obrigada!
- A minha mana levou-me ao programa e mostrou a Portugal a suas pernas quilométricas. Com públicos assim é bom ir à têvê.
- A Maggie canta mal comá merda. Até em plaibeque. Os Toupeca existem!!!
- O
Esbruxulando foi até ao Cabaré para me dar um beijinho. Um querido.
- “E a promoção?” Promoção? Qual papel? Enfim… não ter desmaiado…
- O Rui Unas é giro. E uma simpatia. E um borracho. Para a próxima ofereço-lhe uma sevilhana com o touro para substituir o panilas do papagaio.

Quinta-feira, Junho 02, 2005

OUTROS DIÁLOGOS POSSÍVEIS: RITITI NA TV



Carrie: Oh my God!!!! A Rititi no Cabaré da Coxa!!!!
Miranda: Quando??? Quando???

Charlotte: Hoje à noite, dear!
Miranda: Já? Hoje?? Fuck!! Tenho que pôr o puto com a baby-sitter!
Carrie: Que vais vestir? Já tens roupa? E o cabelo? Quem te maquilha? E os sapatos?
Charlotte: Fecha bem o decote. As pernas cruzadas! E nada de roer as unhas.
Carrie: E os sapatos? Oh my god, os sapatos! Manoloooooo!!!
Miranda: Tu sê natural! Grelame ao poder
!
Charlotte: E não digas palavrões que eu bem te conheço.
Carrie: Os sapatos!!! Os sapatos!!!
Miranda: E não te esqueças de reinvindicar os direitos do grelo!!!!
Charlotte: E não fumes. E não mandes ninguém para o cara... pois, já sabes.
Carrie: Os sapatos!!!! Que fazemos com os sapatos????
Samantha: Tenho que conseguir o telefone do Unas. Uiii, esse garanhão português dá-me cá uma tusa.

Y así pasan los días, y yo desesperando, y tú, tú contestando, quizás... quizás... quizás...

RECADO PARA O SINCLAIR

Após semanas a receber meiles daqueles que a gente gosta, pá, manda aí fotos de boobs, vem a Porto Santo, solícitos os correios nas suas demandas peitorais, uma gaja fica com a curiosidade à flor da pele.

E mais, um grelo não se arma em feminista porque sim.
Resumindo e concluindo, que se faz tarde: tu manda pics de pirilau. Eu gosta. Mala Pata, ya sabes, chavalote.