Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Querido Bló,

Ahora que la cosa se ponía cachonda se me acaba el horario de verano, cagonlalecheputa, y no me refiero a las espeluznantes imágenes de la nieta de Franco retozando al lado de ese hombretón del norte que parece salido de la charcutería de un pueblo, por dios bendito. Que va, amigas telespectadoras, lo que me hace hervir la sangre lusitana es no poder asistir como manda da ley divina al terrible final que le espera a la malvada Dínora Rosales. Así lo dictan las normas de la esclavitud laboral y a mí no me pagan, desgraciadamente, para ver la tele. ¿Dínora, os preguntáis? ¿La arpía sedienta de sexo lame-pechos de machos fuertes y completos? Pues sí, Dínora Rosales, la cabra loca de las haciendas colombianas. Entiendo que el público de Pasión de Tíos Buenos, perdón, de Gavilanes prefiera los ojitos amorosos de la requetedulce y cariñosísima Norma Elizondo, pero a mí francamente siempre me han caído mejor las malas de las telenovelas, condenadas emisión tras emisión a una muerte violenta o a la frigidez más absoluta. Qué putada, tú. En la vida real las malas, esos putones con mal fario y hiel corriendo por las venas, acostumbran a ser nombradas herederas universales o administradoras de un patronato multimillonario. Observen sino el destino de Marina Castaño. Pero en la ficción de sobremesa a las bellacas los guionistas les tienen reservado el ostracismo, la humillación total, el hundimiento en el lodo moral y la condenación apocalíptica. Tiene cojones la cosa. Total, que ser mala, por lo menos en las telenovelas moralistas de ochocientos capítulos, no compensa.
Me huele a rancio tanto enseñamiento, no sé si me explico. Aunque las malas normalmente tienen personalidades mucho más interesantes que las buenas chicas (son además el supra sumum de la elegancia, la hostia de listas y más próximas, en fin, al mujerón que te revienta los ojos si las miras demasiado) a más no pueden aspirar que acabar asesinadas en oscuros callejones con olor a meao, atropelladas o exiliadas en Miami, para regocijo del público sediento de finales felices. Por mí que se trata de un mensaje oculto de las cadenas de televisión. ¡Sino que me expliquen como Cristal se pudo quedar con Carlos Alfredo, si era la tía más pánfila del universo! Por no mencionar que las hermosas protagonistas de las telenovelas son, objetivamente, gilipollas, abobadas y sin el mínimo de intuición para detectar los autores de las innumerables putadas que les suceden todos los santos días. El mongolismo, la ñoñería y los morritos de pena se pagan con una casa con doce criadas y un descapotable en la puerta, un marido que normalmente es tontolaba perdido y un par de gemelos que suelen aparecer de la nada en el último capítulo.
Así que me perderé el macabro final de la bella e díscola Dínora Rosales que, o mucho me equivoco, morirá aplastada por una manada de caballos salvajes en pleno momento orgiástico mientras que la atontada de Norma la mira abrazada al macizorro de Juan Reyes en el porche de la hacienda, con los gemelos en el descapotable y las criadas fumando canutos.

Terça-feira, Agosto 30, 2005

Coño, Coño, Coño

Dois anos de
Megeras e eu esqueci. Cabeça oca a minha, deve ser da idade.



Parabéns às divas transatlânticas Ticcia e Ro por manterem vivo um dos sites mais adoráveis da net escrita em português. Um português delicioso, com sotaque a caipirinha, bunda e telenovela, fofoca e correspondência secreta, crónicas cretinas e dieta por resolver.

Continuem, por favor, que deste lado do mar a gente agradece.

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Querido Blogue,

Cinco mulheres mortas em Agosto

Quarenta e duas em oito meses. Nem a Lei de Violência de Género, nem as campanhas de consciencialização, nem as medidas de protecção policial a que podem optar as vítimas do assédio louco, nem os milhares de euros destinados ao tratamento dos agressores, nem as fotografias dos jornais, nem as lágrimas dos órfãos, nada!, nada, consegue parar este hediondo crime ao sexo concreto. Nada parece suficiente para impedir que as mulheres acabem no chão da cozinha com o pescoço partido, a cara esmagada, a faca espetada no ventre, os órgãos internos pisados, mortas, cadáveres de uma vida de ir sempre dizendo que sim, meu amor, desculpa a minha arrogância e a roupa que ficou mal passada, tens razão, eu mereço, desastrada de mim, puta e porca, que vou por aí mostrando carne e expondo sexo ao resto dos homens, má mãe e pior escrava do teu instrumento fálico que não só comanda as tuas fomes como as minhas vontades vitais.
E assim acabam elas, inertes para o mundo e para as capas dos jornais, manchetes e um número para as estatísticas das vítimas da puta da vida. A gente ouvia berros, mas já sabe senhor guarda, entre marido e mulher é melhor não meter a colher, pois, mas não percebemos como aconteceu esta tragédia, olhe, era um homem normal, reservado e sem dar problemas ao prédio, e bebia, claro que bebia, mas é normal abusar um bocadinho do vinho, não faz mal a ninguém e a até o meu doutor me diz que é bom para o colesterol, e já se sabe que as mulheres são difíceis, pá, até podem tirar um gajo do sério e às vezes um tipo tem que as pôr na ordem senão não há quem as pare. Olhe, sempre foi assim, a minha mãe também ia muitas vezes quente para a cama, mas nunca lhe fez mal nenhum e à nossa frente nunca se queixou, nem tinha razões para isso que bem bonita era a casa onde vivia e nunca lhe faltou nada, senhor guarda, nada, que o meu pai bem se matava a trabalhar para que ela vestisse bem e a comida sobrasse. Coisas da vida, as gajas agora querem ser como nós, e era só o que nos faltava, e não chegava já com quererem trabalhar, ainda por cima acham-se com o direito de nos levantar a voz, responderem, virarem as costas, faltarem ao respeito, enfim, o que sempre foi aceite por todos. Olhe, é como lhe digo, a culpa é da televisão e dessas feministas que enchem as cabecinhas das mulheres de ideias parvas, modernices, é o que é. E depois queixam-se, as cabras, que um homem dê em maluco, e acabe com tudo duma vez. Coitados deles, imagine só, que até há alguns que acabam por se matar, coitados, com a vida tão boa que tinham. É o que fazem as mulheres a um desgraçado.
Para a semana, mais cinco mortes, para o ano, mais cem, e milhares de mulheres encherão as estatísticas dos cadáveres com a cabeça esmagada na cozinha bonita.


Sexta-feira, Agosto 26, 2005

Querido Blogue,

Durante este Verão, os afortunados moradores de Madrid fomos transportados para outra realidade física. É assim o nosso Alcalde Gallardón, a quem não tem férias oferece a possibilidade de viajar sem sair do sítio. O novo Houdini autárquico é como a malta lhe chama agora. Claro que bem podia ter transformado a capital numa ilha do Oceano Índico, de preferência um Bora-Bora, com as suas palmeirinhas, o seu barzinho de praia e os indispensáveis turistas australianos, bronzeados e com a prancha ao ombro, mas toda a gente sabe dos graves problemas de água que atravessa a Ibéria e, pelos menos este ano, não deu para inundar a cidade de areia, água salgada e homens lindos. Aliás, o Alcalde é gente de bem, preocupado com o que se passa no mundo em geral e em zonas de conflito em particular, pelo que ni corto ni perezoso vai daí e armou-se em pedagogo municipal, dedicando-se a mostrar aos habitantes do centro, periferia e zonas adjacentes como se vive em sítios como Beirute, Cairo e até Baguedade. Está-lhe a sair cara a brincadeira, mas nós, os que cá vivemos, agradecemos o esforço. Madrid é, no fundo, o novo Parque Temático da Construção Civil.
O chão foi rebentado, esburacado e perfurado por engenhos mecânicos, as ruas fechadas às caminhantes de saltos altos, os carros empilham-se em desvios-surpresa e a população está a ficar surda. Agora as conversas são muito mais interessantes, todos aos berros com direito a banda sonora de camiões articulados, compactadores de asfalto e mini-dumpers. Aliás, graças a estas medidas filantrópicas e ao derrubamento de paredes, prédios e telhados, o madrileno acorda muito mais cedo, por volta das sete da madrugada, o que lhe permite aproveitar melhor o dia para limpar o pó da mobília que o levantamento do solo urbano traz pela janela.
Da Avenida da Extremadura à Plaza de Castilla, toda a cidade é um imenso estaleiro para alegria dos reformados locais, que entretanto beneficiaram com esta pós-graduação grátis em Engenharia Civil. Termos como «escarificador radial ajustável», «grupo de adaptação» ou «alternador» entraram facilmente no vocabulário do povo, proeza que nenhum ministro da educação antes conseguiu. As senhoras finas planeiam férias em centrais de betão, não há criança que não vá pedir aos Reis Magos um misturador de cimento ou uma «dragline» e as invejas de vizinhos esqueceram as carrinhas Audi e centram-se agora no tamanho das Mini-Pás de Rodas Rígidas. Um must este Alcalde, que querem que vos diga.
Eu, concretamente, não caibo em mim da alegria, e não leiam cinismo nem procurem ironia nesta afirmação. Sou feliz, lailola, como uma pequena Julie Andrews passeio-me por Madrid aos saltinhos, lailola, sobretudo porque é o único meio de locomoção possível. Sorteando pedras, passadeiras de madeira, retroescavadoras e motoniveladoras, não há dia em que não me estampe em frente a um grupo de trolhas eslovacos ou perca o sapato dentro do buraco na nova estação de metro de Sol. A isto chamo emoção vital e não as viagens às montanhas kurdas organizadas pela Halcón Viajes.
Que sorte ter um Alcalde assim. Obrigada Gallardón! Tú sí que eres grande, chaval! Para a próxima espero que rebentes com os passeios da tua rua, que imagino esteja impoluta e livre de barulhos, sujidade, pó, perigos ocultos, operários e máquinas pesadas.

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

Bebe domina en las candidaturas a los premios Grammy Latinos



Tem um olhar escuro, profundo, feminino na sua valentia. Num minúsculo corpo suporta uma voz áspera e esses bracinhos que parecem denunciar fome ou noites mal dormidas escondem a força real desta miúda de 25 anos. Conheci-a quando queria ser actriz, muitos anos atrás, antes de ser a nova estrela da música pop espanhola, naqueles tempos em que carregava às costas uma guitarra e uma cassete com músicas gravadas em casa. Hoje está nomeada para 5 Grammys Latinos, é super-vendas, a referência da nova voz de mulher que não esconde que se masturba, que sente saudades dele ou que tem pena de um planeta doente. Com um único disco, “Pá Fuera Telarañas”, vai à televisão, enche estádios e salas de concerto, ganhou todos os prémios que pode conceder a indústria espanhola, é respeitada pela crítica e idolatrada pelos jovens carentes de letras sinceras, puras e sem a mesquinhice da modernidade.
Bebe merece isto e tudo mais. Porque se fartou de dar concertos à borla, visitar editoras discográficas, trabalhar noites a fio perseguindo um sonho, o seu, com esse delicioso sotaque de Badajoz, com esse corpo minúsculo, com essa força que é dada aos que estão destinados a marcar o tempo dos outros. Gosto de ver como tanto esforço vale a pena.
Felicidades, Bebe, te lo mereces, chacha!

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

E mais não digo que até parece mal

Na realidade, a opção pelo anonimato na blogosfera revela plenamente o défice de cidadania e a qualidade da democracia em Portugal. (Bloguitica)

Così fan tutte

As senhoras vestidas de seda, os japoneses de smoking, o Moët & Chandon, os saltos altos, as reservas no restaurante, tudo, tudo, passado por agua. Chuvas, tempestades, nuvens feias, ventos ciclónicos, folhas a voar, eis o Outono em pleno Agosto.

Agenda cultural: Cosi fan tutte excepcional. A isto chama-se respeitar o espirito de Mozart. O resto é merda da grossa, foleira e sem mais nada a acrecentar à obra, a armar ao pingarelho novo rico. Mas claro, é preciso ter gosto.
Sabe bem, estar nestas terras, longe, muito longe.

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

DIE ZAUBERFLÖTE

Agenda cultural do dia: a versao da Flauta Magica do macaco imbecil alucinado e malcriado Graham Vick foi uma ofensa, uma vergonha, uma tristeza, uma falta de respeito. Mau. Pessimo. Nao se faz. Resultado: BUUUU, BUUUU, BUUU. (Teve a sua graca, as senhoras vestidas de Musica no Coracao aos berros, eh, eh).

Apesar da chuva cabrona, a tunica branca bordada a mao brilhou neste corpinho que Deus me deu.

Domingo, Agosto 21, 2005

Se passarem por ca...

... tragam-me uma chapeu para a puta da chuva, uma gabardine, umas botas de montanha, um cachecol de la, um par de meias grossas ate o joelho e mais um par de garrafas de bisquinho. Tempo de merda, pa, que nem deixa mostrar os vestidos da Divina Providencia.

Agenda cultural: a experiencia do Mitridate Re di Ponte versao local foi o mais parecido a ouvir musica classica no Mahjong com direito a instalacao moderna. Ui, ui.

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

É agora, é agora



La, la, la the sound of muuuuusic.... E lá vou eu.

Na mala, a saber, três vestidos de noite, dois pares de sapatos bicudos, cuequinhas e soutiens de renda fina, meias de vidro, maquilhagem-reconstrução-facial, bilhetes para a ópera, aspirinas e um volume de tabaco, cremes e loções em geral, Philip Roth, o moleskine e a ¡Hola! de ontem, o carregador do telemóvel e a epilaidi, uma garrafa de uísque, o secador de cabelo, umas jeans cómodas e três tishertes, blusão para a chuva e soquetes amarelas, pasta de dentes, champô, pinças e pensinhos para as feridas dos pés.
O que eu acho mal são os tais controlos policiais nos aeroportos, com o jeitinho que davam os unzinhos lá em cima nos Alpes.
Volto já, vou só ver como é aquilo.


Nota de viajante:
Francisco, até já. Fico então à espera da "outra coisa". Besazos, tío!

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

Verdades das boas

Tenho saudades de Lisboa.


(e da minha irmã e dos meus amigos e das vistas da minha casa e das noites à porta do wip e do rio e dos tremoços e dos filmes não dobrados e do eléctrico e do Bairro Alto e do bacalhau com todos e do povo de Alfama e do Caracol e das risadas em português)

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

Preparada para o acontecimento do ano II



DIE ZAUBERFLÖTE

Terça-feira, Agosto 16, 2005


BALANÇO DAS FESTAS
(Fim de semana 2 – La Virgen de la Paloma)




Coisa estranha é a devoção. Amar uma imagem, rezar aos pés de um quadro, as velinhas postas ao santo do bairro, tão igual ao do lado mas muito mais milagreiro, porque nos conhece desde crianças, quando fizemos a primeira comunhão vestidos de totós com laços. Coisa estranha é a devoção e a fé depositada num pedaço de madeira, na vontade que a vida melhore e as dores nos rins se extingam, que a filha entre para a função pública e se nos resolva o problema com o marido. Coisa estranha é devoção, mas tão válida como as esperanças postas no totoloto, no euromilhões e na lotaria de Natal, e mais honesta que a cunha no emprego ou os descontos por amiguismo na mercearia da esquina. É coisa estranha, bem sei, mas nem me atrevo a apontar com o dedo as demonstrações da fé do povo, as procissões a 37 graus à sombra, as senhoras vestidas de chupala, o padre no princípio da fila e os desafinados hinos antigos. Porque no fundo partilho essa mesma devoção pelo quadro e a estátua de madeira velha, o mesmo respeito pelos milagres simples e próximos, idêntica que é a minha crença de que é mais fácil passar por aqui com um bocado de ajuda, um empurrãozinho divino e sem pedir mais nada em troca que um pai-nosso, uma esmola pelas alminhas do purgatório e um minuto de silêncio pelos pecados dos outros. É coisa estranha a devoção, mas não para mim.

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

RITITI EDUCA O POVAO: BLOG LIFE CRISIS

A vida moderna é fodida. Depressão pós parto, histerismo existencial, stress em geral, crises de ansiedade, falta de concentração, tristeza aguda, sofrimento mental, transtornos do comportamento, hostilidade social, tédio... E os bloggers não são diferentes. Eles também sofrem. Nós todos sofremos. Ai, que vale de lágrimas este, que nem o ciberespaço respeita.

É a chamada “blog life crisis”. Estará a blogosfera à beira de um ataque de nervos? Que solução, meu Deus, para esta agonia do html? Estará o nosso template descompensado com tanto linque? Ai, os meus settings... Tenho uma dor nos publishing tools que nem vos conto... Ai.

Mas há quem se preocupe por todos nós, caros amigos blogueiros. The Nonist, esse serviço público, destrói o tabu e dá soluções. A cura é possível!



Acabou-se a Blog Depression!!!

(Via Rosalia, a corresponte rititiniana em UK)

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Querido Bló,

A mí las tías no me van, lo que es un coñazo auténtico pues nada hay más cool en la Era Zapatera que tener un pasado gay. Un amor platónico por la frutera macizorra, beberse los vientos por el bigote de la Pantoja, le da a una un toque de modernidad que te cagas, tía, un avance de civilización y talante y una razón para que te adoren en fiestas privadas y celebraciones religiosas. Un momento bollo en tu vida estira más el currículo que cinco másters y dos especializaciones en química cuántica. Pero a mí, ya te digo, lo que me ponen son los tíos, más concretamente el mío, tan rubio, tan buena gente y tan listo. Y además me quiere, pá más inri, lo que impide que me abalance en busca de la culminación social a base de roce pectoral y escrutinio uterino. Una cagada. Jamás hablará de mí Marujita Diaz y hasta la posibilidad de hacer una portada en el Interviú con Yola Berrocal estará para siempre condenada al potencial imaginario de mis lectores. Vaya putada bíblica, con el morbo que da ver a una pseudo-escritora en tanguita de leopardo sintético, tó húmeda, haciendo morritos sensuales, ui, ui. Pues va a ser que no. Y tanto. Claro que con la cantidad de armarios que se están abriendo, hasta a mí, tan sedienta que estoy de gloria fácil y transferencias jugosas a golpe de exclusivas a lo Lidia Lozano, se me quitan las ganas de gritar al mundo sueños y gustos lésbicos, pues ya me dirás lo poco útil que puede resultar para la comunidad gay femenina que Carmen Sevilla se haya liado con sus primas las folclóricas en los sesenta, en los baños del Bernabeu y con el beneplácito del caudillo. Sin olvidar el retroceso en la lucha por los derechos adquiridos si a Loyola de Palacio se le ocurre emitir un comunicado confesando que entiende de algo más que de agricultura europea o planes estructurales. Mejor que se cierren los armarios no se me vayan a caer tós los mitos.
En el fondo soy fruto del condicionamiento estructural, cual perrito del pavlov en este mundo de machorros hugo boss, bardenes de pelo en pecho y corporaciones de bomberos. Porque a mí me pierden los bomberos, más que el jamón de pata negra y las gambas al ajillo, me matan esos hombretones que salvan vidas y gatitos en apuros. Y Dios, que me sabe los placeres visuales con los que soy feliz, va y es capaz de provocar incluso un incendio en mi edificio nada más para que yo, cansada de la vida urbana y de ocho a tres, me pueda deleitar con los bíceps de estos vulcanos de carne y hueso. Y en pleno día, porque llega a suceder a las tres de la mañana y ni me entero, con lo concentrada que me pongo cuando estoy sobando.
Jesús, que gloria! Para que luego me haga atea, vamos.

Pá la Chica, la cuñaína más mona del mundo.

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

Preparada para o acontecimento do ano



Salzburg Festival

A teoria da excitação.



E assim, o menino já gosta mais de touradas?

Terça-feira, Agosto 09, 2005

Verdades das boas

Não sei de quem é amiga, onde se criou, se é alta, se é gorda ou magra, a qué dedica el tiempo libre, que diria Perales, se escreve por vocação ou que sotaque tem quando fala português. Ignoro se estudou um curso universitário, se está especializada, se passou por todas as secções do jornal antes de ir para Lisboa, se é canhota, solteira ou do Benfica. Desconheço as suas cores políticas, se almoça com os parlamentários, se tem casa própria ou se vai de férias para o Algarve, se sabe cozinhar ou se tem cão.
A única coisa que sei é que
Margarida Pinto é a melhor correspondente que El País teve alguma vez em Portugal. Mais: tenho a certeza absoluta que Margarida Pinto é a jornalista que actualmente melhor escreve sobre este nosso rectângulo desgraçado, sobre este pedaço de terra queimada e abandonada à sua sorte. Lúcida, objectiva, crítica e por vezes mordaz. E mais não digo, porque não a conheço de lado nenhum.
(Margarida: eres lo más de lo más. Gracias)

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

BALANÇO DAS FESTAS (Fim de semana 1 - San Cayetano)



- RIFA MARROQUINA DE PAPELINHOS: Uma lava-lamp, dois chouriços chineses, uma lata de azeitonas. A máquina de café, a mota a pilhas e o espremedor automático de sumos, népias.
- ESPINGARDAS: Cinco garrafas de uísque, duas de anis, uma de licor de café e um isqueiro porno não recarregável.
- COMES: Três pinchitos morunos, um bocadillo de calamares, uma dose de panceta, três pacotes de pipocas, um par de maçãs caramelizadas. Dor de estômago.
- BEBES: Um jarro de sangria, três minis (de litro) de gin tónico, duas (de litro) minis de uísque, uma mini (de litro) de mojito, dois cubatas de rum com cola, três vodkas com alguma coisa misturada mas que eu já não me lembro.
- BAILHEMOS E CANTEMOS E MAIS COSINHAS: Ahí está, ahí está, se la llevó, se la llevó el tiburón, espalhanço de boca e os dois joelhos esfolados, uma coroa, uma espada e um coração florescentes, paquitooooo el chocolatero, exaltação da amizade e cantos regionais, ay, amor, es una tortuuuuura perderte, banhos de uísque nas costas, empurrões e a roupa toda cagada, pés pretos, duas queimaduras no braço, suor e o haxe perdido.

Hoje, a descansar. Dia 10, San Lorenzo! De Madrid al cielo!

Sexta-feira, Agosto 05, 2005

PRÉMIO VAI AO CU A TI* da semana:
António Ferreira do Amaral

António Ferreira do Amaral, presidente da Autoridade Nacional para os Incêndios Florestais, considera, no entanto, que os meios no terreno são suficientes, mas "nem sempre é possível apagar os incêndios com a rapidez necessária". Mas reconhece que a prevenção não foi a que devia ter sido. O cenário só será diferente quando "o poder autárquico se interessar, estiver sensibilizado e trabalhar para resolver esta questão.

- Por não assumir a responsabilidade que lhe outorga o cargo de presidente da Autoridade Nacional para os Incêndios Florestais e culpar terceiros, as circunstâncias, o acaso e a puta da vida.
- Por afirmar que há meios suficientes num país onde já arderam mais de 70.000 hectares de património natural.

- Pela falta de vergonha, de coordenação e de eficácia na luta contra o pior desastre ecológico da nossa história.
- Por não se demitir.


*copirraite Mr. Pinheiro.

Solidariamente a arder com: Xanel 5, Abrupto, Granito, Diário da República, Tempus Supenso, Lusofolia, Portugal dos Pequeninos, 100nada, Contra-Indicado, A Natureza do Mal, Outro Eu... (continua...)

Quarta-feira, Agosto 03, 2005

Querido Blogue,

Finalmente o jovem casal Pinheiro ganhou forças, olhou para a vida com coragem, respirou fundo, meu amor vamos a isso, não há de ser nada, se todos conseguem porque não nós, meu amor confio em ti, não perderemos a nossa identidade, é só um passo mais no crescimento individual e do casal, pois claro, o casal também tem que evoluir, não podemos passar pela vida como dois adolescentes, que não nos aterre madurar, ser gente grande, que a responsabilidade é fodida já nós sabemos, mas cum caralho pá, já chega de tanto adiar o inevitável. E pronto, Mr. and Mrs. Pinheiro foram ao supermercado.
Sem lista e sem norte, sem saber muito bem como se comanda um carrinho das compras, qual a disposição dos lácteos e onde se encontram os congelados que remedeiem a fome às três da matina provocada pelos unzinhos e o esquecimento do jantar. Que universo estranho, quanto povo concentrado à cata de promoção de meias de vidro e as bichas, meu Deus, as bichas para o talho, as bichonas na frutaria e o domínio das velhas de bata na peixaria, cuarto y mitad, que frío la merluza para la comida del niño y para la cena se cuece la cabeza y vaya sopa que me trajino. E eu sem forno e os salmonetes com este preço, afinal até deve ser mais barato ir jantar fora, pelo menos não tenho que cozinhar, por a mesa e lavar a loiça, com o cheiro que deixa o peixe pela casa quando é frito, quita, quita, vamos mas é para as carnes, de preferência de porco ibérico e já temperadas.
Ai, se eu tivesse pachorra para cozinhar, então aí é que se via o meu verdadeiro talento, mas claro, com esta vida e a minha preguiça congénita para os trabalhos domésticos vou mas é para os licores, que é a única parte que domino verdadeiramente. Dois por um e que bonita garrafa de tancaray de um litro, e uhmmm, que gelados tão bons, ai meu amor, não te esqueças do iogurtes e o pão de forma para fazermos sandes.
Já está, não doeu nada, mas o frigorífico ficou na mesma, meio vazio e sem graça e com esse cheiro a morto que quase mata os meus amigos na última vez que o abri para tirar um limão. São os custos de beber gins tónicos à pala. Ora porra, e nem comprámos papel higiénico, e o fairy total ficou esquecido, não precisavas de pasta dos dentes e que aconteceu com as cebolas? Afinal a lista de compras serve para alguma coisa.

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Silly Season com toques místicos

Virgens, santos e procissões, romarias, relíquias de crianças martirizadas pela devoção familiar, terços e aguas bentas, meninos vestidos de anjo desfilando pelas ruas das aldeias pátrias, avé, avé e assim começa o mês mais religioso do ano, Agosto. Em cada vila, um santo padroeiro, uma nossa senhora muito mais poderosa do que a da aldeia do lado, mais bonita e melhor revista em ouro pelos que fazem promessas a troco de melhorar do reumático, dos gases, do mau-olhado e da falta de cama. Agosto é mais que um romance do Rubem Fonseca: é enfim, o meu mês favorito.

Hoje, 1 de Agosto



São Afonso Maria de Ligorio, Santo Padroeiro dos confessores e moralistas. Ai cum caralho... Pois começamos bem esta série santoral, ai começamos.