RITITI EM CAMPANHA: CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÉNERO
Silvia Abascal para a exposição da Fotoarte.Não vou em manifestações de solidariedades partilhadas, abraços por uma causa que encha espaços públicos e estádios de futebol. Estou-me bem cagando para a vida do ganso que acaba no meu prato em forma de paté, as peles da J.Lo me la sudan e, para dizer a verdade, acho piroso de tão justo o Live 8, 10 ou 51 e todos os actos de consciencialização massiva. O cancro da mama trato-o no ginecologista e contra a guerra exerço o meu direito ao voto. Não apoio candidatos à Presidência da República com interesses económicos numa África que morre de fome, assim como denuncio os autarcas que choram para encher as contas privadas deixando o povo sem acesso a transportes e escolas decentes.
O único que me tira do sério é o mau trato à mulher, o desprezo pelo sexo. Porque me ataca diariamente nas bocas do café, porque é contra mim que se dirige esse ódio concreto ao meu direito ao desenvolvimento social, à liberdade de fazer o que me sair do grelo. Religiões que proíbem o acesso da mulher ao mercado de trabalho, educações baseadas na diferença de trato à hora de pôr a mesa e cozinhar o jantar, clichês sobre vocabulário e maneiras de vestir, considerações sobre quem pode sair à noite e quem não se deve enfrascar, a contabilidade das quecas e o apontar com o dedo à puta, as dúvidas sobre o sucesso profissional da gaja, tudo isto é mau-trato. Não só a sova e a pancada em frente aos filhos.
E contra a violência verbal, familiar, social, física e económica sim que me manifesto. Para o resto que venham os louçãs dos blogues, os megaconcertos e donativos em directo, as galas de beneficiência e as manifestações contra as touradas que nem me despenteio.